scalene.0Em março, a banda Scalene gravou seu primeiro DVD ao vivo em Brasília, sendo um grande marco na carreira do grupo de rock. Pensando nisso, a Nação da Música conversou com o baixista Lucas Furtado para saber um pouco mais dessa apresentação e o que podemos esperar do DVD, com previsão de lançamento para o segundo semestre deste ano.

Ainda durante a entrevista, Lucas nos contou mais sobre as músicas inéditas apresentadas no show, os planos para um novo álbum e ainda o que toca atualmente em sua playlist.

Perguntas: Andressa de Oliveira / Entrevista: Felipe Santana

Ouça a íntegra ———————————————————————————————————

Leia na íntegra ———————————————————————————————————

01. Vamos começar falando sobre a gravação do DVD que rolou recentemente. Como foi todo o processo de produção?

- PUBLICIDADE -

Quando iniciou o ano, a gente tava pensando em o que a gente ia ter esse ano, o que a gente ia lançar, como a gente ia gerenciar os lançamentos do ano, e dai a gente pensou “ah, porque não fazer um registro ao vivo né?”, a gente já tem dois CDs, tem vários clipes, mas a gente não tinha nenhum vídeo ao vivo pra valer assim. E a gente pensou, “pô, vamo gravar um DVD em Brasilia então!”, que é nossa cidade natal. A gente ta com o apoio da gravadora, que é a Slap né, e daí com isso a gente conseguiria ter recursos, tanto de estrutura, quanto financeiro, quanto de distribuição pra lançar o DVD e distribuir. E daí a gente começou a trabalhar nisso, separou umas músicas inéditas pra ter um material novo pro DVD, que foram as músicas “Inércia” e “Entrelaços”, que a gente lançou um pouquinho antes da gravação do show, e daí viemos com tudo assim. Pensamos no diretor, que é o Bruno Fioravanti, que é um cara que a gente já tinha um contato mas nunca tinha feito nada, nenhum trabalho com ele, e a partir dai fomos criando a ideia de fazer o show mesmo, e lançar o DVD. O DVD só sai no segundo semestre mas a gente já ta bem animado. A gente já viu algumas imagens ai que foram captadas no dia e tá muito bonito.

02. E como foi feita a escolha para a lista de músicas que seriam apresentadas?

A gente fez a setlist pro show pensando em músicas que a gente sabe que a galera curte muito dos shows. A gente já circulou o país algumas vezes ai fazendo diversos tipos de setlist então a gente já tem uma noção bem legal do que a galera curte ouvir ao vivo. A gente botou algumas músicas que a gente não toca muito, que a gente toca menos assim, pra ter aquela coisa de novidade, pra galera ter uma versão diferente das músicas que já conhece depois que o DVD sair e ai acrescentamos as músicas inéditas pra ter um material novo.

03. Inclusive, vocês têm tocado as músicas novas nos shows. Podemos esperar algo nesse estilo para o próximo trabalho?

- PUBLICIDADE -

Assim, eu acredito que sim, mas a gente só deve lançar um disco novo ano que vem, e muita coisa pode acontecer lá né? CDs de bandas que a gente curte tão sendo lançados, a gente tem explorado novas sonoridade então eu acredito que isso vai dar meio que uma direção pro próximo trabalho, mas isso tá muito em aberto ainda, qualquer coisa pode acontecer e pode vir uma coisa totalmente diferente.

04. O que significou essa gravação do DVD para vocês como banda? Terem gravado em Brasília influenciou em alguma coisa?

Significou uma celebração da nossa carreira até aqui. A gente é uma banda estruturada desde 2009, atuando profissionalmente desde 2011 mais ou menos, e a gente conseguiu ter uma projeção nacional legal, a gente tocou em grandes festivais, lançou muito material, lançou dois discos – um disco duplo, um disco normal e um EP – e ai o DVD pra gente é uma celebração de tudo isso, a gente parando e olhando pra trás falando “poxa, quantas coisas legais já aconteceram”, e também um presente pros fãs que acompanham a gente desde o inicio, ou que chegaram agora, descobriram a banda ha pouco tempo, falando “pô galera, muito obrigado por tudo que tem rolado, a gente trabalha junto, uma banda não consegue se sustentar sozinho, a gente precisa dos fãs acompanhando, a gente precisa da galera”, e isso é meio que uma grande festa que a gente teve com os fãs e quis compartilhar isso em vídeo. O gravar em Brasilia sempre foi uma opção pra gente porquê como somos uma banda daqui, que surgiu em Brasilia, cresceu em Brasilia, tem a base de fãs aqui, seria meio injusto com a galera que acompanha a gente desde o primeiro show não fazer esse espetáculo aqui né? Essa foi a principal motivação de fazer o DVD em Brasilia.

05. E como é pra você olhar para trás agora e ver toda a jornada de vocês?

Ah, é muito legal porque quando a banda começou a gente não tinha nem pretensão de gravar uma música se quer. Quando a banda iniciou era um hobbie, amigos se juntando pra tocar. E agora a gente ta tendo a oportunidade de gravar um DVD, que é uma coisa que a maioria das bandas não conseguem chegar né? Então a gente fica muito grato por essa oportunidade, eu me sinto abençoado por poder fazer o trabalho que eu faço, explorar a arte que eu exploro e botar pra fora os sentimentos e ideias através da música, é um privilégio pra mim poder fazer isso. E ter a oportunidade de gravar um DVD é um sonho né? Então tá podendo viver isso agora com certeza é um momento muito feliz da minha carreira.

- PUBLICIDADE -

06. Já faz um ano que vocês se apresentaram em grandes festivais como o Lollapalooza e o SXSW. O que essas conquistas representam para a carreira de vocês?

Ah, são grande marcos né? A gente nunca vai esquecer ter participado desses festivais, a gente almeja muito mais, a gente quer sempre ta ai no circuito de grandes festivais no Brasil, até quem sabe fora do país, e são coisas muito importantes. Nós como fãs de música somos também fãs de festivais, e poder participar tocando é meio que ter uma experiência nova daquilo que a gente gosta de vivenciar com o público, então é muito gratificante tanto profissionalmente como pessoalmente.

07. E como foi a experiência de tocar fora do país, como no SXSW, como foi isso pra vocês?

Foi uma loucura porque tocar fora é uma coisa assim, parece muito distante quando você tá num circuito, principalmente quando a gente tava no circuito independente, batalhando como banda independente. Parecia uma coisa bem distante, era um sonho que a gente não tinha muitos meios de realizar. E quando surgiu a oportunidade de participar do festival, a gente ficou muito feliz porque isso da uma… quando você consegue expor seu trabalho fora do país você chama muito a atenção pra dentro do mercado nacional, as pessoas falam “pô, essa banda se apresentou na gringa né? Se apresentou fora, deve ter alguma coisa de diferenciado”, então isso também deu uma alavancada na nossa carreira aqui dentro. E tocar fora foi incrível, o festival – o festival no Texas – ele é muito divertido, ele mistura cinema, tecnologia, música… A gente teve oportunidade de assistir várias palestras de pessoas influentes do mercado do entretenimento, da música mesmo, e assistir shows de várias bandas que a gente curte, descobrir bandas novas la, foi muito legal participar.

08. Vocês já fizeram música com diferentes artistas como Supercombo, Far From Alaska e Mauro Henrique, por exemplo. Tem algum artista que vocês gostariam de fazer uma colaboração nesse ano?

A gente gosta muito do Lenine, seria muito legal fazer uma colaboração com ele. E a gente ta sempre aberto a isso, a gente gosta de fazer as nossas participações, os nossos trabalhos junto com artistas que a gente tem um vinculo de amizade, o trabalho surge da nossa brodagem e vai crescendo pro profissional. E foi assim com todo mundo né? Foi com o Supercombo, a gente conheceu os caras, foi trocando ideia, virando amigo e a partir dai o trabalho foi fluindo pra uma música surgir, Far From Alaska a mesma coisa, e a gente esperar ter esse contato, cada vez mais artistas brasileiros – pequenos ou grandes – que nos motivem a fazer esse tipo de parceria.

09. E já que estamos em um ano novo, o que você tem ouvido tanto para inspiração, como para curtir?

Tem rolado muito o disco novo do O’Brother, que chama “Endless Light”, é um CD muito bom. Eu também tenho ouvido muito Mogwai, que é uma banda instrumental – é basicamente instrumental, eles têm umas músicas com voz, mas no geral é instrumental. E to sempre buscando coisas novas, os meninos tem ouvido muito James Bay, Hiatus Kaiyote, e cada um tem explorado uma sonoridade diferente ai, então a gente ta sempre trocando dicas, sempre trocando influências assim, pra ir elevando o nosso banco de influências e ampliar a sonoridade que a gente consegue atingir.

10. Como você enxerga a atual fase do rock nacional – que vocês fazem parte – e o futuro do rock aqui no Brasil?

Eu acho que o mercado ta florescendo muito bem. O rock nacional nunca parou, ele sempre esteve acontecendo, as bandas sempre estiverem ai, cada cidade buscando trocar esforços, só que ele esteve muito tempo fora do radar da grande mídia, que divulga pro grande publico. E agora a gente ta tendo oportunidade de ver várias bandas de muita qualidade, produzindo material de qualidade, tocando pelo país inteiro, vindo de lugares diferentes do país – fora do eixo Rio/São Paulo, que era uma coisa que também era dominante há alguns anos atrás. E isso é muito bom, acho que o cenário do rock tá muito bem, e que vai ganhar cada vez mais espaço, acho que as bandas tem que lutar pra ter cada vez mais espaço, e se juntar, trabalhar juntas, fazerem turnê, fazerem shows juntos, pra que o pulico vá se tocando e vá chamando cada vez mais atenção pra esse movimento que ta acontecendo.

11. 2016 mal começou, mas vocês já realizaram várias coisas bacanas. O que podemos esperar para os próximos meses?

A gente vai tocar muito, a gente vai fazer muito show. No nosso site tem a agenda completa, e cada semana a gente vai adicionando mais show lá, então é bom a galera ficar ligada pra ver se a gente vai passar pela cidade. A gente vai sempre divulgando em nossas mídias sociais também, mas é sempre legal a galera dar uma passada no site, da uma olhadinha, ver como ta indo a turnê pra programar ai e colar em algum show. E a gente deve com o lançamento do DVD deve sair na turnê do lançamento dele, e viajar o país inteiro com isso. No fim do ano a gente deve começar a compor pra entrar no estúdio pro ano que vem lançar um disco novo.

12. Algum recado para os fãs de Scalene?

Continuem ligados. Muita coisa boa vai vir por ai. Muito obrigado por todo apoio até agora, a gente vai lançar muito material legal, fazer muitos shows, queremos encontrar vocês todos. E um abraço, até breve!

Não deixe curtir nossa página no Facebook para acompanhar todas as novidades do Scalene e da Nação da Música.