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No dia 11 de novembro, às 11 horas da manhã, Rael lançou seu mais novo álbum, “Coisas do Meu Imaginário”, pela Laboratório Fantasma e Natura Musical. Junto com o disco, o músico liberou um documentário que mostra os bastidores das gravações e da produção, junto com Daniel Ganjaman, e o clipe de “Minha Lei”, onde reúne nomes de peso do rap nacional, como Criolo, Emicida, Mano Brown, entre outros.

Nação da Música conversou com Rael sobre a produção do novo álbum, o que ele tem ouvido ultimamente e também sobre as diversas colaborações que estão no trabalho. Confira abaixo.

A entrevista foi feita por Marina Moia.

————————————————————————————————————— Leia a íntegra

Como foi trabalhar com o produtor Daniel Ganjaman?
Rael: 
Além do fato de ser fã dele, de admirar o que ele faz, a gente é parceiro também. Foi uma coisa que ficou muito leve, no estúdio, a gente já tinha uma conexão. Quando a gente se juntou, foi bacana porque eu fazia umas prévias em casa, tipo violão, alguma coisa com teclado, batidas, mandava pra ele e ele ia curtindo. Quando a gente se encontrou no estúdio, já estava tudo mais ou menos conectado. Trabalhar com ele, pra mim, foi uma grande honra, um aprendizado. Aprendi várias coisas com ele, me deu vários toques, enfim, foi uma coisa que eu já esperava há um tempo, é uma realização pessoal mesmo. Foi bacana!

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Ao ouvir o álbum, a gente consegue notar uma grande variedade de temas, desde fé ao próprio rap em si. Como funciona o processo de criação das músicas e o que te inspira na hora de compor?
Rael: 
Na verdade, não tenho uma regra. Às vezes começo com violão e vem uma melodia, ou às vezes vem a ideia primeiro. Algumas dessas eu fiz as batidas, tipo “Minha Lei”, que eu fiz a prévia em casa mais ou menos do jeito que ia ser e eu comecei a escrever depois. O processo é um pouco árduo, mas é prazeroso também. A gente foi trabalhando na parte instrumental, já tinha umas prévias que ia mandando pro Ganja pelo celular, e quando a gente se reuniu a gente trabalhou nessa parte. Ainda não tinha as letras prontas, só a de “Aurora Boreal”, que tinha o refrão e o primeiro verso. Eu chegava lá às 11 da manhã, a gente trabalhava nisso, voltava pra casa e ficava trabalhando até umas 3 da manhã nessa parte de composição.

Eu tento me conectar com as coisas, acabo verbalizando o que eu vejo, então quando eu paro pra escrever, eu ouço a instrumental e vejo o que posso dizer nela. Porque às vezes você quer falar de um tema, mas a instrumental pede alguma coisa mais romântica. Então eu tento me conectar, ver o que combina mais, o que seria legal falar e fui vendo o que estava acontecendo no momento e fui verbalizando, na verdade.

“Coisas do Meu Imaginário” está repleto de participações especiais, como Chico César, Black Alien, Ogi, Massao, Apolo. Como foi a colaboração deles no estúdio?
Rael: 
Na do Black Alien [“Papo Reto”] ele escreveu a parte dele. É uma música que meu irmão havia feito o refrão e feito a coprodução com meu guitarrista, Bruno Dupre. Eles me mostraram e falei “mano, vamos colocar no disco”, eles abraçaram a ideia e ai eu mostrei pro Black Alien, ele pirou e fez a composição na casa dele. A gente marcou de ir no estúdio, foi lapidando e foi esse o processo.

Já a do Chico César [“Quem Tem Fé”] é uma música que eu tinha escrito inteira e ele fez mais a parte de interpretação mesmo, que ficou sensacional. Ele trouxe essa atmosfera nordestina, um lamento, uma voz que eu acho que casou muito bem.

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E por que a fixação com o número 11? Afinal, o álbum possui 11 faixas e foi lançado no dia 11/11 às 11 horas.
Rael: 
Durante o processo, eu tava vendo muito o número 11. Eu olhava no relógio, era 11:11, estava na fila do mercado e o caixa 11 me chamava… Aí eu estava falando disso com um DJ, a gente tava em Ouro Preto, Minas Gerais, no camarim, falando “nossa, cara, to com um negócio com o número 11, olho no relógio e ta 11:11”, e a gente estava jogando bilhar e quando eu estourei o montante de bolinha, numeradas, dai caiu justo a número 11. Ele se arrepiou na hora. Eu pensei “mano, preciso arrumar um jeito de me conectar com isso”. Dai escolhi lançar no dia 11/11 às 11 horas. E eram pra ser 12 faixas, mas ficou 11 também. E foi isso. Não sabia o que queria dizer, mas arrumei um jeito de me conectar pra pelo menos retribuir de alguma maneira.

Como você lida com o fato de ser um influenciador para essa geração atual e para a próxima? Afinal, só o clipe de “Envolvidão” já passou dos 30 milhões de visualizações, por exemplo.
Rael: 
Eu encaro a música como um diálogo, uma conversa. Vejo que eu acabo sendo uma pessoa que dialoga através das músicas e as pessoas acabam se identificando com as ideias que foram passadas. Eu vejo como um jeito de passar uma mensagem através disso e usufruir dessa influência pra tentar transmitir coisas boas. Já li depoimentos de pessoas que me mandaram falando “eu ouvi sua música ‘Ser Feliz’ e eu morava com meus pais, mas meu pai batia na minha mãe, batia em mim, e ai depois de ouvir a música, eu tomei iniciativa e convenci minha mãe a morar em outro estado. Agora eu to com a vida melhor, minha mãe voltou a estudar, to trabalhando, a gente ta muito bem e vim aqui pra agradecer”. Então, você vê que está totalmente ligado à vida da pessoa, mesmo sem você saber. Acho que o que a gente puder, através disso, tentar passar uma mensagem que possa de alguma maneira influenciar de modo positivo na vida das pessoas, acho válido.

O clipe de “Minha Lei” está recheado de participações especiais, tanto na música em si como no vídeo. Como surgiu a ideia e como foi ter o apoio de todo aquele pessoal ali com você?
Rael: 
A ideia surgiu porque a gente queria fazer uma homenagem ao rap nacional e a gente aproveitou e quis homenagear também a Rinha de MCs. Muitas pessoas que estão na cena hoje, uma parte estava no clipe, foram pessoas que a gente se encontrava na Rinha de MCs, como o Emicida, Rashid, Projota, dai tem o Criolo também, que apresentava, o Dan Dan, a gente fazia parte da organização da festa. Então, a gente quis voltar um pouco naquele tempo e transmitir isso pras pessoas, tentar passar a atmosfera do que era a Rinha. Dai eu já aproveitei isso e falei ”vamos imaginar como uma festa, as pessoas na frente do rolê” e foi ai que veio a ideia de chamar todas esses que fazem parte do cenário paulistano do rap. Todos colaboraram e abraçaram a ideia, fiquei muito feliz, foi um sonho na verdade. É difícil reunir pessoas e ainda mais pessoas daquele porte, que eu cresci ouvindo, que eu sou fã, que são meus amigos, então foi uma coisa muito prazerosa, fiquei muito feliz com o resultado.

Consegue escolher uma música favorita do álbum? Ou alguma preferida de tocar ao vivo?
Rael: 
Eu gosto, pelo fato de ter sido mais diferente do que eu já fiz, da “Descomunal”. Mas gosto de “Estrada” também.

Se você pudesse escolher algum artista pra colaborar no futuro, nacional ou internacional, com quem você faria? O que você está ouvindo atualmente?
Rael: 
Eu tenho ouvido Anderson .Paak, tenho ouvido Isaiah Rashad, Kendrick Lamar, Bruno Mars, Mano Brown, sempre ouço de tudo. Tenho vontade de trabalhar com vários artistas na verdade. Sou muito fã do Seu Jorge, da Céu, Djavan, Jorge Ben, Daniel Marley, gosto de ouvir de tudo. E pra escolher com quem fazer uma participação seria difícil, dessa playlist… Qualquer um desses, se eu tivesse a possibilidade de fazer, eu ficaria muito honrado.

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Gostaria de deixar um recado pros seus fãs e pros leitores da Nação da Música?
Rael: 
Pra quem está lendo e não conhece meu trabalho ainda, bem vindo às “Coisas do Meu Imaginário”, ano que vem a gente vai pra estrada pra rodar com a turnê desse disco e espero encontrar vocês em breve e é nóis!

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