O que podemos esperar do novo álbum do Green Day: “Revolution Radio”

Crédito: Divulgação
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O aguardado retorno do Green Day está próximo: o álbum “Revolution Radio”, 12º da carreira da banda, será lançado oficialmente nesta sexta-feira (07) e promete trazê-los de volta às raízes.

Desde o último trabalho em estúdio do grupo, a trilogia “¡Uno!”, “¡Dos!”, “¡Tré!”, de 2012, muitas águas rolaram na vida dos integrantes, o que acabou influenciando tanto nas músicas novas como no processo de gravação e criação do disco como um todo. Bille Joe Armstrong, vocalista, passou por um tempo na reabilitação para se recuperar do seu vício em álcool, enquanto o baixista Mike Dirnt tirou um tempo para cuidar de sua esposa, que lutou contra um câncer na mama.

Passado o período turbulento, Green Day percebeu que estava pronto para voltar aos estúdios e aos palcos. Com a clássica energia punk rock do trio renovada, eles completam 30 anos de carreira com “Revolution Radio”. A produção do disco ficou a cargo dos próprios músicos, que gravaram tudo no estúdio de Billie Joe, “Otis”, com o engenheiro Chris Dugan.

“Nós nem mesmo sabíamos se iria funcionar, porque é um estúdio muito pequeno”, diz Billie Joe para a revista Kerrang!, “então entramos lá e gravamos a primeira música e vimos, ‘bem parece boa pra mim’. Eu acho que lembrar de todas as experiências, seja tocar no Emirates Stadium ou na Gilman Street ou qualquer um dos shows que fizemos, bem como de nosso tempo em off, as coisas pessoais que aconteceram, isso molda o seu instinto, e eu acho que realmente confiamos em nossos instintos neste disco. Nós sabemos o que estamos fazendo agora”.

A gravadora Warner Bros. não sabia da existência de “Revolution Radio” até ele estar quase pronto, o trio contou para Rolling Stone. Isso fez com que não houvesse pressão dentro do ambiente de gravação, segundo Mike Dirnt.

O primeiro single divulgado foi a explosiva “Bang Bang”, que fala sobre a cultura de tiroteio em massa que os Estados Unidos possui, com diversos incidentes recentes, como o da boate Pulse, em Orlando, que resultou na morte de 49 pessoas. Na música, o trio se coloca na mente de um atirador. “Entrar na cabeça de alguém assim foi estranho. Isso me assustou muito. Depois que escrevi, tudo que eu queria era tirar isso do meu cérebro porque simplesmente me assustou muito”, revelou Billie Joe à Rolling Stone.

Já o segundo single, que leva o nome do álbum, foi inspirado no movimento Black Lives Matter e na brutalidade policial americana. Também para a Rolling Stone, o vocalista do trio fala sobre o assunto e acredita que seu papel, como homem branco, é ficar calado e escutar. “Um monte de pessoas brancas deveriam calar a boca e escutar. Elas realmente não sabem o que a experiência afro-americana é de verdade. Quando você tem pessoas levando tiros em seus carros sem nenhum motivo ou sendo colocadas em celas por lucro, nós temos um sério problema, e a primeira coisa que você precisa fazer é obter conhecimento”, desabafou Billie Joe.

Assim como ficaram conhecidos em “American Idiot”, Green Day continua usando suas músicas como palco para protestos e visões sobre diferentes problemas que a sociedade enfrenta. “Troubled Times”, décima faixa do álbum, fala sobre o atentado na casa de show Bataclan, em Paris, no final de 2015. Billie Joe é muito amigo do guitarrista Eden Galindo, da banda Eagles Of Death Metal, que se apresentava quando o ataque aconteceu.

Já o single “Still Breathing”, que possui um ritmo diferente dos primeiros lançamentos, mas sem perder a identidade punk rock, fala sobre um assunto muito pessoal e íntimo: o vício em drogas. Para a Kerrang!, o líder do Green Day falou: “É sobre como as pessoas se desesperam e vão vivendo dia a dia, especialmente com tudo que tem acontecido hoje. Foi purificante e de grande ajuda escrever meus sentimentos sobre aquele momento em uma música!”.

O disco “Revolution Radio” está tão próximo de nossas mãos que parece que já podemos tocá-lo. Green Day fez bom uso de sua pausa nas atividades e voltará com espírito renovado e aquela energia que todos nós tanto amamos. O trio está ansioso para a turnê, que já começou nos Estados Unidos e também para ver a reação dos fãs às novas músicas.

Assim como o jornalista Nick Ruskell, da Kerrang!, detalhou: “apesar dos assuntos pesados em certas partes do álbum, o Green Day parece que nunca esteve tão alegre. E isso se deve por que, pela primeira vez, eles tiveram a chance de olhar para trás em tudo o que eles alcançaram e dar uma passo atrás para apreciar”. 

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Marina Moia

Jornalista, bauruense de coração e apaixonada por música desde que se conhece por gente. Viciada em séries, amante de livros e colecionadora de batons coloridos.

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