Resenha: “Integrity Blues” (2016) – Jimmy Eat World

Jimmy Eat World

É impossível não falar do Jimmy Eat World sem usar o termo “legado” seguidamente, e provavelmente todas elas de maneira correta. Estamos falando de um grupo que está na estrada há 23 anos e que, ao longo dessas décadas, viajou entre diferentes sonoridades e moldou a personalidade de muitos adolescentes e, por consequência, bandas. Seja entre os fãs de emo, pop punk ou rock alternativo, o Jimmy Eat World possui local de destaque em cada uma dessas cenas.

A banda, que por incrível que pareça visitará o Brasil pela primeira vez em 2017 durante o Lollapalooza, acabou de lançar “Integrity Blues”, seu nono álbum de estúdio e, seguramente, o melhor lançamento deles na última década. Ao longo desse tempo, o Jimmy Eat World nunca perdeu a mão para composições emblemáticas, mas a virtude parecia estar um pouco esquecida em discos como “Damage” e “Invented”, que, combinados, não devem render 10 canções especiais.

Logo na primeira faixa de “Integrity Blues” percebemos que o bom e velho Jimmy Eat World retornou. “You With Me” é, disparada, a minha música favorita do material até agora. É uma daquelas baladas gostosas de ouvir, onde o tudo é extremamente bem produzido com o cuidado necessário pra agradar os mais exigentes ouvidos. Todo aquele medo adquirido ao longo dos últimos discos se vai em um esperançoso hino amoroso de 5 minutos e pouco.

“Sure And Certain” foi o primeiro single do disco a ser divulgado, cerca de um mês antes do lançamento oficial do álbum. A música lembra muito o álbum “Bleed American”, de 2001, um dos mais emblemáticos lançamentos do Jimmy Eat World e considerado por muitos (esse que vos fala incluso) um dos mais importantes discos pra história do pop punk. É claro que, cabe notar, “Sure And Certain” é uma composição feita quinze anos após o álbum em questão e possui uma aura bem mais madura que o aquela do começo do século 21.

“Integrity Blues” cativa em suas duas músicas iniciais, mas o faz ficar apaixonado na terceira faixa. “It Matters” é uma balada minimalista com um refrão grandioso e que poderia facilmente fazer parte do disco “Futures”, de 2004, e o meu favorito da discografia da banda do Arizona. É brilhante como, mesmo após tanto tempo onde o grupo parecia perdido tentando encontrar sua identidade, eles consigam voltar a fazer algo tão bonito como essa música.

“Pretty Grids” é a primeira música que aproxima-se do que o Jimmy Eat World vinha fazendo ao longo dos seus últimos discos. Mas parece que o contexto do disco até então é tão bom, tão sólido, que mesmo uma canção que remonta aos anos menos gloriosos soa agradável aos ouvidos.

“Pass The Baby” surge como uma agradável surpresa. Aqui temos uma música que caminha de uma atmosfera minimalista e obscura para uma canção de math-rock brilhante, que poderia facilmente ter saído de algum disco alternativo dos anos 90. É bonito ver o Jimmy Eat World abraçando algo que foge completamente dos pilares construídos ao longo das duas décadas de carreira.

Lembra quando falei de legado? “Get Right” está aqui pra mostrar que a banda sabe muito bem lidar com aquilo que construiu ao longo do tempo. A música é uma amostra interessante do que acontece quando ídolos (quase canonizados como deuses miraculosos) do pop punk crescem e, mesmo assim, não abandonam sua essência. Ou a reencontram, como preferir.

“You Are Free” é outra música deliciosas de se ouvir e, assim como “It Matters” faz você viajar em meio às nuances. Com certeza é um dos diversos pontos altos do álbum, além de parecer uma música que vai ser linda quando executada ao vivo.

Nos encaminhamos pra porção final do disco com “The End Is Beautiful”, uma comprovação que, não importa sua idade, nunca é feio demais se apaixonar, quebrar a cara, o coração e canalizar tudo isso em um pedaço de papel e uma violão. Se você gosta de canções como “Cautioners” ou “Hear You Me”, você encontrará um abraço forte nessa faixa aqui.

“Through” é brilhante! Não sei como explicar isso direito em palavras, então peço perdão de antemão caso este parágrafo careça de sentido. Essa faixa é como se compilasse o que é o Jimmy Eat World. Como se todos os 23 anos de uma banda fossem suprimidos em menos de 3 minutos, como um resumo dinâmico do legado que esse grupo construiu até hoje.

“Integrity Blues” abre caminho pra última faixa do disco. É uma música com uma atmosfera distante, que soa quase como uma conversa do compositor com a sua consciência, musicada por uma série de barulhos causados pela realidade. A faixa que dá nome ao disco encaminha o material para “Pol Roger”, uma música de quase 7 minutos que encerra o álbum de maneira grandiosa. Sim, parece que eu to falando de uma tal canção lançada em 2004, que tem um número como nome.

“Integrity Blues” é uma ode ao legado construído pelo Jimmy Eat World. Legado que colocou o grupo como um dos mais importantes nomes do rock alternativo. Usei muitas referências à carreira da banda nessa resenha de forma proposital. Cada momento desse disco é uma viagem para algum ponto diferente das produções do quarteto ao longo dos anos.

Parece que, finalmente, o Jimmy Eat World conseguiu se reencontrar em maio ao turbilhão de ideias diferentes que sua carreira entrou desde meados dos anos 2000. Pra bandas que possuem a genialidade de um cara como Jim Adkins, revisitar conceitos e explorá-los novamente pode resultar em coisas muito positivas.

“Integrity Blues” é um álbum que beira a perfeição pelo simples fato de ter as melhores influências que o Jimmy Eat World poderia ter: o próprio Jimmy Eat World.

Tracklist:

01. You With Me
02. Sure and Certain
03. It Matters
04. Pretty Grids
05. Pass The Baby
06. Get Right
07. You Are Free
08. The End Is Beautiful
09. Through
10. Integrity Blues
11. Pol Roger

Nota: 9/10

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Vicente Pardo: Editor do Nação da Música desde 2012, formou-se em Jornalismo pela Universidade Federal de Pelotas em 2014. A música sempre foi sua paixão e não consegue viver sem ela. É viciado em procurar artistas novos e não consegue se manter ouvindo a mesma coisa por muito tempo. Também é um apaixonado por séries de TV e cultura pop.

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