Resenha: “Low Tides” – This Wild Life (2016)

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Por uma época na vida eu tinha uma queda por qualquer artista que tivesse uma vertente mais acústica no sua sonoridade. Inclua na lista nomes que vão desde Dashboard Confessional até City And Colour. Em algum momento o estilo se tornou saturado demais – ou amadureci a ponto de não gostar mais daquilo – e parei de gostar de coisas novas que levassem o som por esse caminho.

Isso mudou em 2014, quando o mundo me apresentou ao This Wild Life. Já tinha esbarrado em alguns vídeos covers da dupla no Youtube, mas os californianos só foram cair no meu gosto com o lançamento do seu disco de estreia, “Clouded”. Por mais clichê que a sonoridade da dupla formada por Kevin Jordan e Anthony Del Grosso possa soar às vezes, o disco de estreia deles é incrível. Com tanto destaque, era óbvio que tinha muita ansiedade pro segundo álbum da carreira deles.

“Low Tides” foi lançado em 2016 e logo de cara já mostra que o This Wild Life não tem medo de se reinventar dentro da fórmula que já tinha feito sucesso antes. Logo de cara o material traz “Hit The Reset”, single do disco e que traz exatamente todas as características que deram à dupla um destaque no seu CD de estreia. A música ainda tem um clipe bem bacana.

Nunca precisei achar justificativas pra gostar de uma banda, mas quando descobri que o This Wild Life vive sob as asas de Aaron Marsh – vocalista do Copeland e produtor da dupla – ficou claro porque as músicas do duo falavam tanto comigo. “Pull Me Out” é uma canção que escancara bastante a influência de Marsh na sonoridade do grupo. Com certeza uma das melhores do álbum.

Na sequência o disco traz “Break Down”, uma daquelas músicas perfeitas pra demonstrar outra excelente faceta do This Wild Life: ótimas letras. É claro que as temáticas carregadas de sentimentalismo podem parecer exageradas em certos momentos, mas é impossível não se sensibilizar com uma composição assim. É uma balada, que reduz um pouco o ritmo do material até então.

Após vem “Let Go”, outra música que chama bastante atenção no registro. A canção conta com a participação de Maya Tuttle, do The Colourist , e é uma daquelas baladas esperançosas e que combinam de forma angelical vocal masculino e feminino.

Inicialmente, “Just Yesterday” não chama muito atenção. É estranho como nos primeiros instantes a canção não cativa e você precisa se esforçar pra não pular. Mas ela se desenvolve e acaba se mostrando mais interesse do que aparentava. Porém, é uma das baixas no disco.

“Fade” surge na sequência e retoma o bom nível que o This Wild Life vinha proponto no material. A música me lembra bastante os trabalhos do grupo em “Clouded”, onde houve uma mudança de sonoridade da banda que, até então, tinha uma abordagem mais pop punk em suas composições. Os instrumentos de corda usados nessa canção colaboram ainda mais pra tornar sua atmosfera aconchegante.

“Falling Down” é uma música incrível e diferente. Aqui temos o This Wild Life apostando em sonoridades novas até então, uma canção que flerta com alguns elementos eletrônicos e mais dançantes. É interessante ver bandas que conseguem renovar seu arsenal de músicas sem precisar, necessariamente, romper por completo com suas origens. Ah, aqui também você deve dar uma atenção ao clipe, porque ele é bem bacana!

“Red Room” abre a parte final do disco. É uma música bastante agradável, com um ritmo simples e cativante. “Change My Sheets” é mais uma balada do material e tem uma letra um pouco mais sombria em relação a outras no disco. Nela, de novo, percebo muito da influência de Marsh na produção, com uma sonoridade que lembra música o disco “Ixora”, do Copeland. O álbum se encerra com “Brick Wall”, uma música sem grandes qualidades.

Em “Low Tides”, o This Wild Life chama atenção por não demonstrar uma preocupação exagerado em fazer algo diferente de seu álbum de estreia, ou de forçar uma identidade que não é a sua visando abraçar outros públicos. A mescla de elementos acústicos, composições melosas e batidas nas horas certas torna esse disco uma perfeita continuação para “Clouded”.

O lançamento de 2016 é uma sequência digna para aqueles que já conhecem a dupla, e uma boa porta de entrada para novos fãs. Algumas músicas, como “Falling Down”, podem confundir um pouco, já que fogem bastante ao estilo clássico da dupla, mas, nos final das contas, “Low Tides” é uma viagem sonora bastante agradável para os ouvidos. Um excelente passatempo, que chega sem grandes pretensões e vai tomando lugar em suas playlists ao poucos.

Tracklist:

01. Hit the Reset
02. Pull Me Out
03. Break Down
04. Let Go (feat. Maya Tuttle)
05. Just Yesterday
06. Fade
07. Falling Down
08. Red Room
09. Change My Sheets
10. Brick Wall

Nota: 7,5

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Vicente Pardo: Editor do Nação da Música desde 2012, formou-se em Jornalismo pela Universidade Federal de Pelotas em 2014. A música sempre foi sua paixão e não consegue viver sem ela. É viciado em procurar artistas novos e não consegue se manter ouvindo a mesma coisa por muito tempo. Também é um apaixonado por séries de TV e cultura pop.

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