Resenha: “Oh My My” (2016) – OneRepublic

Desde quando Ryan Tedder tocou no assunto durante o show do OneRepublic no Brasil em 2015 (a NM te conta aqui), eu fiquei secretamente ansioso pelo novo álbum da banda. Eu venho acompanhando o grupo desde o primeiro disco e é surpreendente a forma que sempre conseguem trazer algo novo a cada trabalho. Praticamente um ano depois, os americanos cumprem a promessa e chegam com “Oh My My”, seguindo um caminho totalmente diferente do que qualquer fã já imaginou.

Honestamente, fiquei bastante receoso com este trabalho, começando já pela capa – oposta ao que eu tanto admirava nas artes dos álbuns anteriores. O OneRepublic adotou um visual mais retrô, baseado nas boybands dos anos 80/90, e se aproximou (ainda mais) do pop. Mas com “Counting Stars”, “Secrets” e “Apologize” no curriculo, a banda já está em um patamar que podem fazer o que quiser, sem medo de ousar e experimentar, e a experiência de Ryan como produtor influenciou muito no terreno em que o grupo está atualmente pisando, sem decepcionar.

Diferente do habitual, a balada romântica “Let’s Hurt Tonight” abre o disco, começando apenas com um violão acústico, sendo logo acompanhado de um instrumental carregado de emoção e força. A abertura não dá sinal nenhum do que nos espera ao longo das próximas faixas, mas impressiona logo de cara. Na sequência “Future Looks Good” começa da mesma forma, mas no introduz aos elementos eletrônicos que vão gradativamente tornando a canção poderosa.

“Oh My My” adota 100% a roupagem retrô e brinca com o impressionante som do baixo, soando quase sensual. A melodia remete bastante a algo feito pelo Daft Punk. O single “Kids” não cansa de me impressionar, sendo a harmonia perfeita entre o tradicional e sofisticado: a música certa lançada no momento certo, integrando tudo que o OneRepublic sabe fazer de melhor – sem dúvidas um ponto marcante na carreira da banda.

A interferência externa dos projetos de Tedder fica bastante clara em “Dream”, que desta vez esbanja confiança nos vocais e entrega uma perfeita canção pop/rock moderninha que merece atenção. Totalmente oposta, “Choke” começa apenas com um sútil piano, surpreendendo ao incluir um potente coral no refrão. Com a participação de Peter Gabriel, “A.I.” personifica de forma plena o conceito do disco, passando por diversas transformações em sua melodia nos cinco minutos de duração – destaque para o solo de guitarra elétrica que te transporta para dentro de um intenso fliperama.

Eu consigo me identificar demais com a letra de “Better”, ironizando a forma como o psicológico de algumas pessoas age. Isso me faz lembrar que o que sempre mais me impressionou no OneRepublic foi a composição de Ryan, estando em sua melhor forma aqui. “Born” é outro grande acerto do álbum, que consegue associar a simplicidade e a intensidade atribuídas ao que acredita-se ser o amor em uma única canção – fazendo sorrir até os corações mais frios.

A balada “Fingertips” está no lugar ideal da tracklist, entregando um som cru e experimental, construído praticamente todo com elementos eletrônicos, trazendo o vocal honesto para muito perto de quem ouve. O assunto religião vem sendo cada vez mais abordado pelo vocalista, e “Human” relata uma conversa direta com Deus. Desta vez, o coral gospel é (finalmente) substituído por uma batida mais intensa – mostrando o que aprenderam com “If I Lose Myself”.

Retomando o som pop, “Lift Me Up” cria uma melodia contagiante e envolvente, merecendo destaque pela bateria e a versatilidade dos vocais. A voz suave da cantora Santigold é responsável pela atmosfera proporcionada em “NbHD”, sendo impossível não se entregar nos versos da ponte da canção, que prova que não importa o caminho que siga, reforço, o OneRepublic não decepciona.

“Wherever I Go” foi o primeiro single liberado desta nova era, e tenho que confessar que me deixou bastante em dúvida no lançamento. A música é simples em sua composição e soa muito diferente dos trabalhos anteriores da banda, mas com certeza preparou muito bem o terreno para “Oh My My”.

A experimentação do início de “All These Things” me remeteu bastante a outros testes da banda, como “Goodbye, Apathy” e “Missing Persons”. A melodia construída com o som da boca vai absorvendo outros elementos ao longo de sua duração, a acompanhando até o final. A banda encerra o álbum em “Heaven” com a energia no extremo, envolvendo o ouvinte de uma maneira indescritível na forma mais OneRepublic possível. Não consigo pensar em forma melhor para fechar o disco: imprevisível, nostálgico, fresco e surpreendente.

Espero poder ouvir essas músicas ao vivo em solo brasileiro em breve.

Tracklist:

01. Let’s Hurt Tonight
02. Future Looks Good
03. Oh My My
04. Kids
05. Dream
06. Choke
07. A.I.
08. Better
09. Born
10. Fingertips
11. Human
12. Lift Me Up
13. NbHD
14. Wherever I Go
15. All These Things
16. Heaven

Nota: 8

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