Resenha: “The Home Inside My Head” (2016) – Real Friends

Real Friends

É interessante acompanhar o processo de crescimento de uma banda. Não só pela ótica do conhecimento popular ou aparições na mídia, mas pela forma como isso se materializa na maneira que esse artista aborda a sua sonoridade e consegue transformar isso num trabalho determinante para os rumos a serem seguidos daqui pra frente. É algo parecido com isso que o Real Friends consegue no seu segundo disco de estúdio, “The Home Inside My Head”, lançado em maio desse ano pela Fearless Records.

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O segundo álbum de estúdio da banda de Illinois é o sucessor de “Maybe This Place Is The Same and We’re Just Changing”, de 2014. Além dos dois discos, o Real Friends também lançou seis EPs, com destaque para ‘Put Yourself Back Together”, de 2013, e “Everyone That Dragged You Here”, de 2012. Registros responsáveis por colocar o quinteto entre uma das principais revelações do pop-punk nos últimos anos.

“The Home Inside My Head” é lançado dois anos após o seu antecessor, um disco que já mostrava um Real Friends bastante maduro. Mas logo em sua primeira faixa,  “Stay In One Place”, percebe-se que o Real Friends realmente busca um norte comum pras suas canções. É uma certeza que o material que se está prestes a ouvir traz um artista com pretensões maiores do que ser somente um dos nomes mais importantes de sua cena.

A sequência do disco só confirma isso. “Empety Pictures Frames” é uma canção carregada de emoção, que remete em seu refrão ao nome do álbum. É nitidamente uma letra que trata não só de solidão, tema recorrente nas composições do baixista Kyle Fasel, mas também da dificuldade em se abrir ao mundo e, consequentemente, do conformismo em se estar sozinho.

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Os dilemas pessoais em se estar sozinho, e encarar as questões da vida dessa forma solitária, são a grande inspiração nessa primeira parte do disco. Atmosfera que segue em “Keep Lying to Me”, canção que trata da perda de interesse por aquela pessoa com quem se compartilha a vida. “Eu estou procurando por algo que não está dentro de vocês”, diz a canção em sua primeira estrofe. Uma síntese daquilo que Fasel queria transmitir.

Apesar das temáticas carregadas, o disco não perde a essência do que uma boa banda de pop-punk precisa ter. Mesmo lidando com os mais variados dilemas, o disco é energético e poderoso. Talvez o ponto mais impactante dessa proposta do Real Friends seja em “Scare To Be Alone”, primeiro single do registro. Canção extremamente emotiva e que inverte os cenários já pintados no álbum até então.

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Aqui, o narrador se coloca na posição de alguém preocupado com o outro. Mais do que uma música que conte uma história em particular, é uma composição que pode muito bem servir de motivação para qualquer ouvinte. Carregada de frases e estrofes pontuais, a música é um dos pontos altos do álbum.

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“Mokena” é uma canção única no disco. É aquele tipo de música que cresce conforme se está ouvindo e em poucos minutos faz você viajar em um mar de diferentes sentimentos. É quase como que se a música funcionasse como o fluxo de pensamento de uma pessoa tentando encontrar respostas, refletindo consigo mesma. A sequência traz de volta uma canção que remete muito às origens do Real Friends, “Mess”.

A música é praticamente um hino pra quem é amante do pop-punk, não só pela energia de seu instrumental, mas, também, pela sua temática. Um refrão que se repete quase que como um mantra, combina-se pra uma música que é o perfeito resumo pra qualquer pessoas que está nos seus 20 e poucos anos e não sabe exatamente em qual local se encaixar no mundo. Uma bagunça que quase todo mundo viveu, ou viverá um dia.

“Isolating Everything” é composta pelo vocalista Dan Lambton, mas alinha-se com a temática voltada pra solidão, só que a partir da ótica de uma pessoa diferente. “Well, I’m Sorry” traz uma atmosfera diferente ao disco, seguindo o exemplo de “Mokena”. É uma canção complexa e, assim como todo o álbum, bastante pessoal. As questões difíceis em torno do crescimento e amadurecimento voltam a ser pauta em “Basement Stairs”, uma letra que confunde nostalgia e egoísmo em uma forma de refletir sobre os sentimentos bons carregados do passado.

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O disco se encerra com um trio de canções bastante poderosas: “Door Without a Key”, “Eastwick” e “Colder Quicker”, que encerra o disco. A canção, que também é single, fecha um material muito bem produzido pelo Real Friends, onde todas as tentativas pareceram funcionar muito bem e combinaram-se em um registro incrível da banda.

É complicado explicar o que se sente ao ouvir “The Home Inside My Head” em palavras. É como se a banda tivesse encontrado, em meio a todas suas influências, o rumo que tanto procurou ao longo de seus lançamentos. A sensação de ouvir o álbum se assemelha a de quando se escuta algum bom disco do The Starting Line, New Found Glory ou The Wonder Years: não se ouviu o disco de uma banda com potencial, se ouviu um disco que vai influenciar muitos artistas em gerações futuras.

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Tracklist:

01. Stay In One Place
02. Empty Picture Frames
03. Keep Lying To Me
04. Scared To Be Alone
05. Mokena
06. Mess
07. Isolating Everything
08. Well, I’m Sorry
09. Basement Stairs
10. Door Without A Key
11. Eastwick
12. Colder Quicker

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Nota: 9

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Vicente Pardo
Vicente Pardo
Vicente Pardo: Editor do Nação da Música desde 2012, formou-se em Jornalismo pela Universidade Federal de Pelotas em 2014. A música sempre foi sua paixão e não consegue viver sem ela. É viciado em procurar artistas novos e não consegue se manter ouvindo a mesma coisa por muito tempo. Também é um apaixonado por séries de TV e cultura pop.