Resenha: “WALLS” (2016) – Kings Of Leon

Houve muito murmurinho em volta do lançamento do novo álbum do Kings Of Leon este ano. O anúncio de que o disco seria divulgado em 2016 ecoava desde janeiro, mas só em setembro que tivemos o primeiro gostinho do que estava por vir, quando o primeiro single “Waste a Moment” foi liberado. A música já entregou muito de “WALLS”, que se diferia bastante de “Mechanical Bull”, divulgado três anos antes.

Este novo trabalho traz um Kings Of Leon mais colorido, mais descontraído e que lembra em alguns aspectos a mesma banda que se arriscava no universo fonográfico muitos anos atrás.

Ao dar de cara com o nome do álbum pela primeira vez, o primeiro pensamento é: “Cadê a velha tradição das cinco silabas em todos os títulos de álbum do grupo?”. Mas na verdade, “WALLS” é um acrônimo para “We Are Like Love Songs”, então a tradição continua ali, firme e forte desde o primeiro álbum. Se você não sabia disso, pode conferir – todos os álbuns possuem cinco silabas na composição do título!

Para o novo som, Calleb e todos os membros buscaram inspiração no pop dos anos 80, apelando para um lado menos sério que os recentes discos, porém sem muitas novidades.

A abertura fica por conta de “Waste a Moment”, que já deixa escancarado a proposta atual da banda, apresentando um som divertido, pop e que gruda na cabeça com todos os ‘whoah‘s. Na sequência, “Reverend” é acompanhada por uma linha de guitarra bastante interessante, que soa familiar e ao mesmo tempo nova – o que manteve meu botão de repeat pressionado por um tempo, confesso.

“Around The World” e “Find Me” repetem a mesma sequência das duas primeiras faixas, intercalando uma música divertida com uma mais séria. “Around The World” não desaponta na proposta, brincando com a rotina de viagem dos músicos com letras simples e grudentas, completo por um instrumental que segue o mesmo estilo. Esse instrumental se conecta diretamente com a introdução de “Find Me”, deixando claro a inspiração no pop/rock dos anos 80, que combina perfeitamente com a banda.

O rock de arena se faz presente em “Over”, a maior canção do álbum (com 6 minutos de duração), marcada por um tom de tristeza e medo. A melodia praticamente linear tem seus altos e baixos guiados pela voz do vocalista e recebe adições de instrumentos do meio para o final.

“Muchacho” se destaca de todo o resto do disco – e não consigo comparar com nada lançado pela banda até agora. A inspiração latina não está somente no título, mas também na batida que guia a canção, falando sobre um grande amigo de maneira quase melancólica – e não sobre romance como as outras músicas. Na sequência, “Conversation Piece” apela para a simplicidade e honestidade, dando a sensação de um mundo onde poderíamos ver o Kings Of Leon tocando em um bar após um longo e estressante dia.

Se as cores pareciam estar se apagando, “Eyes On You” tem a responsabilidade de trazê-las de volta – com uma vibe bastante The Strokes se me permitem comparar. A guitarra se faz marcante aqui, criando uma melodia irresistível completa novamente pelos típicos ‘whoa’s. “Wild” é estrategicamente colocada como a penúltima faixa do disco, tendo seu instrumental como maior destaque.

O caminho seguido pelo grupo pode ter divido alguns fãs: alguns preferem o lado mais sério e sóbrio da banda e não se familiarizaram com o tom mais pop e descontraído. Mas a faixa título “WALLS” consegue agradar a todos. A música encerra o disco de forma grandiosa e ao mesmo tempo simples, sendo honesta, verdadeira e crua, marcada pela perfeita sincronia do violão e piano, somado com o tocante vocal de Calleb e sutis elementos eletrônicos.

Indo de extremo a extremo, “WALLS” é um bom álbum – simples e sólido com suas 10 faixas e 40 minutos de duração – brincando com a versatilidade de uma banda que se mantém forte em seu sétimo trabalho de estúdio.

Tracklist:

01. Waste A Moment
02. Reverend
03. Around The World
04. Find Me
05. Over
06. Muchacho
07. Conversation Piece
08. Eyes On You
09. Wild
10. WALLS

Nota: 7,5

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