Resenha: “Gameshow” (2016) – Two Door Cinema Club

O espaço de quatro anos entre os dois últimos lançamentos do Two Door Cinema Club sem dúvida foi o maior responsável por ter deixado todo mundo de olho quando “Gameshow” foi anunciado. A banda havia plantado e colhido bons frutos com “Beacon” em 2012, atingindo grande visibilidade principalmente no Reino Unido e Irlanda (país natal dos membros), e após o tímido EP um ano depois, pouco se sabia sobre o que os indies guardavam para o futuro – além Lollapalooza e o sideshow no Brasil este ano.

Com todo esse cenário montado, a banda resolveu fazer diferente e, ao invés de repetir a fórmula ou se entregar ao pop mainstream, mirou no som dos anos 80 – forte inspiração de Bowie e Prince (descansem em paz) – junto dos sintetizadores responsáveis pelo sucesso dos álbuns anteriores. O extenso tempo que os membros tiraram um do outro fez muito bem para a banda, que agora retorna em sua melhor forma. Lançado em outubro de 2016, “Gameshow” é bastante impessoal e focado mais em crítica social que qualquer outra coisa – porém não desaponta ao entregar um álbum pop dançante.

A abertura desta nova era fica por conta de “Are We Ready? (Wreck)”, cutucando as pessoas pelo consumismo excessivo que já não é novidade. Os “La la la”s que embalam a canção a tornam marcante e ainda remetem bastante ao que estamos acostumados a ouvir da banda. É na sequência que somos então recepcionados pelo melódico som da guitarra e ritmo nostálgico. “Bad Decisions” te faz querer levantar e criar uma coreografia digna de danceteria dos anos 80, se assemelhando bastante aos experimentos do Daft Punk – destaque para o som da guitarra elétrica.

O vocal morfólogico de Alex Trimble merece atenção, estando mais confiante e versátil. “Ordinary” reforça a vibe retrô e brinca com elementos eletrônicos, perfeitamente integrados com os instrumentos tradicionais em uma canção bastante divertida. A faixa-título une o novo ao velho e é sem dúvidas um dos destaques de todo o disco. “Gameshow” recebe grandiosos picos ao longo de sua melodia, que a principio parecia ser linear. Com letras e vocais bastante irônicos, a música é instável e surpreende: “Cante pra mim, você é bonita” – declama Trimble.

Da mesma forma, “Lavander” quebra a monotomia de forma incrível em seu refrão, mostrando o quão profisisonal e maduro é este trabalho, se tornando uma das minhas músicas favoritas. “Fever” começa a perder um pouco a identidade dos irlandêses, que se jogam de cabeça em um estilo puramente disco – um tributo a Prince talvez? “Invincible” é a única balada do disco, mantendo o caminho adotado nesta nova fase. O começo simples é somado a uma guitarra grandiosa que remete a “Heroes” do Bowie, sendo a mais pessoal e sincera do álbum.

“Good Morning” volta a se parecer um pouco mais com o Two Door Cinema Club que conhecemos, estrategicamente posicionada em um momento que chuta o tédio para longe. A batida divertida e bem trabalhada brinca com sintetizadores e instrumentos tradicionais – tudo que esperamos do TDCC – sendo logo intercalada com o pop-funk de “Surgery”, que agora arrisca com sons futuristas e robóticos, já deixando bem claro que essa reinvenção foi sim positiva para a banda, mesmo soando bastante diferente.

Para encerrar da forma mais “Dancing Days” possível, “Je Viens De La” traz nome francês e unifica todo o groove e dance esperado de uma música do genêro, sendo possível confundir com a trilha-sonora das tradicionais festas flashbacks, fazendo todo mundo deixar as cadeiras e dançar abaixo de um grande globo espelhado.

E assim termina o disco, a menos que você esteja ouvindo a versão deluxe, que presenteia os fãs com as inéditas “Gasoline” e “Sucker”, bastante diferentes do restante do álbum (com uma referência bastante Amy Winehouse na última). Uma coisa é fato, se as pessoas reclamavam que “Tourist History” e “Beacon” eram muito parecidos, arranjem outro argumento. Nos vemos no Lolla!

Tracklist:

01. Are We Ready? (Wreck)
02. Bad Decisions
03. Ordinary
04. Gameshow
05. Lavender
06. Fever
07. Invincible
08. Good Morning
09. Surgery
10. Je Viens De La
11. Gasoline – Bonus Track
12. Sucker – Bonus Track

Nota: 7,5

Deixe seu comentário, marque aquele seu amigo que também curte TDCC, e acompanhe a Nação da Música nas Redes Sociais: FacebookTwitterSpotify e Instagram. Dê o play abaixo e comente o que achou:


COMPARTILHAR
Felipe Santana
Redator do Nação da Musica e estudante de Arquitetura e Urbanismo nos tempos livres. Ou será o contrario?

DEIXE SEU COMENTÁRIO!