Resenha: “I See You” (2017) – The XX

Havia muita expectativa sobre o novo álbum do The XX mesmo antes de o primeiro single ser divulgado. As ideias minimalistas de Jamie XX exploradas em “XX” e “Coexist” sempre impressionaram, passeando sem medo por campos melancólicos através de sons eletrônicos sutis e experimentais, sincronizados com os vocais de Romy e Oliver – que mesmo distintos, se encaixam perfeitamente. O primeiro álbum solo do produtor (“In Colour” de 2015) dava alguns sinais de mudança, mas após o trio definir bem sua sonoridade nos dois primeiros discos, a pergunta que permanecia era: o que vem a seguir?

Aquele som intímo e simples se tornou a zona de conforto dos londrinos, que levaram cinco anos para dar o próximo passo, até que no começo de 2017, fomos presenteados com “I See You”: menos timído, aberto a novos caminhos e explorando de forma mais abrangente as qualidades de cada um dos músicos. O som minimalista mencionado continua ali, mas agora é agregado a novas experiências, sendo aproximado ainda mais ao Soul/R&B – inspiração já de outras músicas da banda.

A abertura dos outros trabalhos ficou por conta das fortes “Intro” e “Angels”, mas aqui, quem rececepciona os ouvintes é “Dangerous”, em nada parecida com as anteriores. A melancolia passa longe e da espaço para uma atmosfera colorida e quente, deixando claro com o rítmo dançante que o trio está buscando novos horizontes.

Os vocalistas também merecem grande parte dos créditos, demonstrando maior controle e confiança na expressão de suas composições, abertos a novas experiências inclusive nas letras, superando a sensação de solidão em “Say Something Love”. A influência do R&B fica ainda mais clara na sexy “Lips”, simples e praticamente irresistível, absorvendo elementos do pop mainstream sem perder a indentidade do grupo.

“A Violent Noise” amadurece aquele estilo tradicional que conquistou os fãs nos últimos anos, deixando um pouco de luz entrar em quartos antes escuros e brincando com diferentes elementos eletrônicos – destaque do álbum. Na sequência, a balada “Performance” traz para bem perto uma versão de Croft mais exposta e fragilizada, deixando a música mais intíma com a presença do baixo.

Jamie continua impressionando com suas qualidades de produtor ao criar um acompanhamento surpreendente para “Replica”, integrando seus experimentos com os instrumentos tradicionais dominados pelos outros membros. O mesmo acontece com “Brave For You”, mostrando que mesmo a procura de novidades, o trio continua fiel a suas origens – sendo impossível não associar a música ao silêncio do The XX.

“On Hold” pode ser considerado a melhor representante dos objetivos de “I See You”, atingidos com maestria. Usando sample do pop dos anos 80 “I Can’t Go For That (No Can Do)”, o single cria uma vibe retrô totalmente envolvente, com batidas eletrônicas que prendem sua atenção do começo ao fim, explorando a versatilidade e amadurecimento dos vocais. Impossível não travar no repeat.

As canções do grupo sempre foram mergulhadas em águas introspectivas e solitárias, que desta vez começam a ver a margem, enfatizando isso em “I Dare You”, que vai crescendo a cada único toque. A final “Test Me” coroa o disco que, em sua forma completa, soa ainda melhor que cada música em individual, como uma intocável obra-prima. Cada faixa foi colocada exatamente onde deveria, e a conclusão encontra força em lugares aparentemente frágeis, resumindo bem o conceito deste trabalho.

Tracklist:

01. Dangerous
02. Say Something Loving
03. Lips
04. A Violent Noise
05. Performance
06. Replica
07. Brave For You
08. On Hold
09. I Dare You
10. Test Me

Nota: 9

O The XX chega recheado de novidades no Lollapalooza Brasil deste ano. Saiba mais aqui.

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Felipe Santana
Redator do Nação da Musica e estudante de Arquitetura e Urbanismo nos tempos livres. Ou será o contrario?

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