esteban tavares

Em bate-papo exclusivo com a Nação da Música nesta quinta-feira (25), Rodrigo Tavares – que segue trabalhando com o projeto Esteban – falou um pouco mais sobre a produção de seu último álbum, “Saca La Muerte De Tu Vida”, suas principais influências, planos para 2016 e ainda recomendou algumas bandas das quais está produzindo.

O músico é atração confirmada no Sampa Music Festival, que acontece no próximo domingo (28). Além de Esteban, o evento conta com a participação de CPM 22, Far From Alaska e muito mais. Saiba detalhes aqui.

Perguntas e entrevista por: Felipe Santana

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01. Você contou com a ajuda dos fãs para a produção de seu novo álbum. Como foi essa experiência e qual foi a resposta dos fãs quanto ao disco?

Cara, na realidade a ideia do crowdfunding foi tentar ganhar um tempo não indo atras de gravadora. Não que eu ache especificamente uma coisa péssima, mas também achei que ia ser um tempo grande demais perdido procurando gravadora pra lançar o disco. Então, como pra mim era um pouco desconhecido a politica do crowdfunding, os projeto que eu conhecia eu achava um pouco estranhos assim, achava que muita gente lá tava pedindo dinheiro. E quando me deram a ideia de fazer, foi uma coisa muita pensada pra que fosse bem honesto, que eu conseguisse captar a grana pra fazer o disco e é isso. Não precisava de uma grana sobrando pra comprar nada pra mim ou viajar pra fora, como eu vi um monte de gente que fez crowd funding fazer. E eu fui bem honesto com o publico quanto isso na época, só que eles pagaram um material que eles não conheciam nada, isso foi um tiro no escuro pra eles, mas que acabou dando certo porque o disco saiu com 4 mil cópias vendidas já. Ele deu tão certo pra quem era meu fã quanto “Adios” que já tava há 3 anos mercado, tinha rolado. Tanto que no primeiro show que eu fiz dele todo mundo conhecia tudo. Então foi um disco legal pra caramba porque foi interação direta entre eu e o publico, foi a primeira vez que eu gravei um disco sem ter intermédio de produtor executivo, de empresário, estúdio e coisas assim. Fui eu que decidi tudo como ia fazer, tudo do meu jeito e deu muito certo.

02. Quais as maiores influências para a sonoridade do projeto?

Especificamente, pro som que eu faço eu bebo muito no lance uruguaio e argentino, eu gosto muito do rock argentino, gosto muito do Fito Paez, sempre falei dele, gosto muito do Charly Garcia, gosto muito do Gustavo Cerati, do que o Soda Stereo fez na Argentina, a música do Rio Grande do Sul, Pop… A galera do resto do Brasil quando me vê tocando piano sentado o show inteiro ou um acordeonista no palco de um cara que era de uma banda de rock, eles acham meio estranho, e ao mesmo tempo acham fascinante o lance de eu ter botado acordeon meio que a força na banda, mas em Porto Alegre eu sou mais um só que faz isso, é uma coisa muito comum pra nós la, não chega a ser uma grande surpresa assim.

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03. O que mudou entre “¡Adios Esteban!” e “Saca La Muerte de Tu Vida”?

Eu acho que o “Adios” é um disco musicalmente… eu sou um cara conhecido por fazer muita balada, eu gosto de musica lenta, banda muito pra trás assim mas, por incrível que pareça o “Adios” é um disco muito triste mas com momentos musicais muito felizes, com tons maiores e tal, com ritmo, com shuffles que emitiam mais a coisa mais alegre. E o “Saca La Muerte” é bem o contrario, até o título assim já diz isso né? Um disco bem mais positivo, liricamente falando, mas musicalmente falando ele é muito mais ‘down’ que o “Adios”, foi uma inversão total que eu fiz no papel de um disco pro outro. Mas eu sou um cara baladeiro né? Não que vá mudar muito assim, eu não me vejo fazendo um disco futuro muito rápido, com musica rápida, tom maiores. Meu estilo de composição não vai mudar muito. Claro, teve muita coisa nova nesse meio tempo, incorporei muita coisa nova no meu som, e assim que vou fazendo sempre na real, mas pra mim a principal mudança foi essa: inverter o padrão letra/música de um disco pro outro.

04. Os nomes de ambos os discos são em espanhol e você sempre usa referência a cultura latina. De onde vem isso?

Na verdade, o nome do disco em espanhol veio de uma brincadeira no primeiro disco, que uma amiga minha tava no Uruguai e bateu uma foto do Muro do Lamento que tinha “Adios Esteban”. E achei demais, que baita nome de disco né, é porque o nome artístico já era Esteban, já conhecia os shows como Esteban. E achei bonito e acabei usando. Ai eu entrei na paranoia de que “Ah, já que o primeiro nome do disco foi em espanhol acho que vou continuar fazendo assim”. Foi meio que uma brincadeira e nisso fiquei pensando, eu queria uma frase forte em espanhol, que pra mim fosse impactante que eu pudesse começar a escrever o disco em cima do nome também. Uma mudança bem grande de um disco pro outro, que no outro disco fui botar o nome no último minuto e nesse foi o contrario, tinha o nome antes da primeira música. E achei “Saca La Muerte De Tu Vida”, veio na minha cabeça e falei: “Tá, um nome é forte, o nome quer dizer um milhão de coisas então vamos escrever um disco em cima desse nome”, e foi mais ou menos assim que aconteceu.

05. Sampa Music Festival ta chegando! Qual sua expectativa para o show e o que os fãs podem esperar?

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Eu vou como o Dashboard Confessional pra lá né. É mesma coisa que se o Dashboard fosse tocar depois do Refused num festival. Toca o Worst, e depois toca eu sozinho com um violão. Mas é um desafio bom, porque vou pegar uma galera extrema assim, e vou tentar fazer música de acampamento pra eles entre o Worst e o CPM. Há anos atrás eu ficaria até com um pouco de medo, pelo desafio que seria ser colocado em tocar entre essas duas bandas que são tão diferentes, embora a gente seja muito amigos e os fãs serem bem parecidos, musicalmente elas são bem diferentes. Mas hoje em dia eu conheço minha galera toda, sei quem são meus fãs e tal, sei quem é o público do Sampa então, pra mim vai ser divertido assim, baixar a bola da galera depois de um super mega show de hardcore pra parar e fazer um outro show de hardcore depois. O importante também é esse, o intuito é meio que acalmar a galera.

06. O que mais a gente pode esperar do Esteban em 2016?

No momento agora eu vou em Buenos Aires em abril fazer um clipe, dessa música “Martes”, que é a música em espanhol do disco. Vou fazer outro aqui em São Paulo com o Alexandre Nickel, que é da Tópaz, a gente vai fazer mais um clipe pra esse disco. To começando a registrar as primeiras idéias já para o terceiro disco mas não quero demorar muito, quero lançar esse disco mais rápido que o “Saca La Muerte” até porque esse disco não vou fazer tanta música, vou fazer umas 9 músicas assim pra lançar mais rápido. E to pensando também em remasterizar e botar duas músicas extras nos meus EPs em inglês que eu fiz e lançar como um disco só. Então acho que é o que eu tenho pra agora, já foram bastante né? Tem muita coisa e fazer isso ai já dá um trabalho meio grande. E tem ideias assim, vários amigos tem falado comigo, eu acho um pouco cedo demais, pretensioso, fazer um DVD por que eu só tenho dois discos, mas tem muita gente tentando me convencer assim, quem sabe alguém me convença de fazer e eu vá lá e faça, mas não posso prometer agora também. Eu queria ter mais um disco antes de fazer um DVD.

07. Você tem investido bastante no ramo de produção, trabalhando com diversas bandas novas. Como é essa experiência e quais nomes você recomenda pra galera ouvir?

Cara, é uma coisa que eu sempre meio que fiz paralelo na minha vida né? Mesmo quando eu era jovem e não tinha competência nenhuma pra mandar em ninguém eu já tentava produzir bandas. Ai assim eu fiz o primeiro disco e o segundo da Fresno, e dai fui pra cima disso. Foi algo que eu sempre gostei de fazer. Do ano passado pra cá foram acho que seis discos já, e em um ano pra mim foi muito, porque eu não estava acostumado com esse volume também e eu to ficando mais experiente cada vez mais nisso. Das bandas que eu gravei assim cara, eu gosto muito do HateBox, que gravei bem antes do Luringa entrar na banda. Eu me lembro que eu cheguei até os caras, vi o Luringa, que eles queriam fazer alguma coisa comigo, e achei demais porque achei muito grunge, só que um grunge de uma galera que nasceu pós-grunge, então é interessante sim, sei lá, eu vejo eles como eu via o Led Zeppelin quando eu tinha 15 anos, sabe? Eles vêm o Nirvana desse jeito, outra idade e tal, mas acho isso muito competente, é impressionante, os caras pra idade que eles tem são muito fortes assim. Outra banda que acho muito legal que eu to fazendo também é a ROKS, que a banda do Ivan Sader, meu e do Rodrigo Thurler, a gente tá fazendo um disco que tá na metade dele agora. Vai ter umas participações legais assim, Sérgio Britto do Titãs vai gravar, Marcão do Charlie Brown, o Heitor do CPM, então tem vários músicos bons que vão acabar visitando o estúdio. Eu gosto desta interação, eu também acabei agora gravando bateria, porque as pessoas me chamam pra gravar as coisas mais aleatórias do mundo assim. Eu tenho um monte de guitarra em casa e ninguém me chama pra gravar guitarra nunca. Mas em compensação eu tenho só um baixo e sempre to gravando baixo e bateria, e acabei gravando baixo e bateria no disco do Thunderbird também, do Luiz Thunderbird né? E to ai cara, tocando com todo mundo, quem quiser me chama que eu faço, toco, produzo, arranjo, limpo o palco.

08. Algum recado para os fãs e para o pessoal que pensa em ir ao Sampa Music Festival?

Quem pensa em ir no Sampa Music já pode parar de pensar, comprar o ingresso e ir, porque é o evento que há muitos anos é um dos mais frequentados de São Paulo, desde que todas as bandas que tocam lá não eram nada. Então acho importante pra quem gosta, pra quem é, quem era e quem será dessa cena se conhecer por Sampa Music Festival. E pra galera que me ouve, continuem comigo, há varias novidades, daqui a pouco já sai alguma coisa nova e eu to sempre trabalhando. E obrigado pelo espaço ai.

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