Se você estiver interessado em ler alguma coisa nacional e incentivar o crescimento do cenário da literatura brasileira, uma leitura que eu indico é Paixão, drogas e rock’n’roll, da autora Daniela Niziotek. O romance foi publicado pela editora Maquinária e, embora apresente alguns erros clássicos como a paixão dos protagonistas surgir de uma maneira muito rápida e ter diálogos repetitivos demais, vale a pena conferir para ficar por dentro dos bastidores da música na década de 90 e se encantar com uma bela história romântica.

Brian Blue é vocalista e líder de uma das maiores bandas de hard rock do início dos anos 90 e Vicky, uma adolescente brasileira. Desse encontro improvável, nasce uma história de amor com todos os ingredientes dos tempos modernos. Com rara sensibilidade, Daniela Niziotek envolve o leitor ao abordar as dificuldades e concessões enfrentadas para a concretização dessa relação quando um fato trágico se interpõe, mudando para sempre a vida dos personagens. De modo delicado e comovente, mas com aguda percepção, Daniela fala das belezas e dores humanas, trazendo à tona, em meio a uma torrente de sentimentos, os bastidores do mundo do rock.

 

Vicky é uma jovem… diferente.  Ela não bebe, não fuma, não usa drogas, ouve MPB e acha que rock é puro barulho. No entanto, suas convicções musicais ficam ligeiramente abaladas quando ela conhece Brian Blue, líder de uma das bandas de rock mais famosas dos anos 90. O encontro, assim como o relacionamento de ambos, é bastante conturbado – e Vicky, como a boa menina que é, acaba tendo que cuidar da bebedeira de Brian.

Um belo começo, certo? Não. A questão é que ocorre uma identificação mútua na hora, o que eu achei bem estranho. Uma coisa é você se apaixonar por alguém que não tem nada a ver com você, afinal, o amor é uma coisa muito imprevisível. Mas isso se torna bastante complicado a partir do momento que esse amor cresce de uma maneira muito rápida, sem explicações ou mesmo contexto. Me lembrou Crepúsculo, pelo menos nesse aspecto. Vicky e Brian sentem uma necessidade absurda de ficar perto um do outro, mas, quando começam a fazer planos juntos, Vicky descobre que Brian é soro positivo.

A partir desta revelação, o casal se encontra em um impasse e o relacionamento entra em crise. Vicky e Brian brigam constantemente; eles terminam e voltam a ficar juntos incansáveis vezes. Um ponto negativo pode ser citado: as cenas de término eram sempre muito iguais. Sempre as mesmas desculpas e os mesmos dramas. Não gostei. Ainda assim, o conflito criado pelo fato de Brian ser soro positivo é muito interessante, especialmente no foco sexual. Afinal, os dois são jovens e o sexo, nos “anos de faculdade”, é algo extremamente normal. Eu te quero  absurdamente, mas não posso transar com você. E se usarmos camisinha? E se ela estiver furada? Muita coisa está em jogo e, após tantos desentendimentos, o amor deles se desgasta.

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Agora, se ele morre, é uma coisa que só pode ser descoberta após a leitura.

Eu gostei bastante do fim de Paixão, drogas e rock’n’roll, pois ele é poético e combina perfeitamente com a trama criada por Daniela. Eu, por exemplo, não imaginava a história terminando de um jeito diferente. O livro tem uma linguagem bem simples e é bastante envolvente. Além disso, a autora parece ter feito uma boa pesquisa para poder relatar os bastidores da vida do rock com riqueza, o que foi um ponto positivo no livro. Recomendado! :)

Espero que todo mundo esteja gostando da coluna. Aceito sugestões, ok? Não sejam tímidos!

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