Resenha: “Crash” – Charli XCX (2022)

Charli XCX
Foto: Divulgação / Capa do álbum “CRASH”
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Autodestruição, corações quebrados, introspecção e renascimento, tudo isso com uma produção pop influenciada pela música dos anos 80. Essa é, basicamente, a fórmula para o quinto álbum da britânica Charli XCX, “Crash”, sobre o qual você pode ler aqui na Nação da Música – recheado de um novo estilo musical para a cantora: um pop mais mainstream.

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O disco, polêmico desde o seu anúncio, é um assunto polarizante até mesmo entre fãs de Charli XCX, que estão (e me incluo nessa fala) acostumados com sua faceta mais inovadora, até a apelidando de ‘futuro do pop’. Porém, “Crash”, mesmo que não seja o hyperpop esperado, é um testamento ao valor desse outro tipo de música, conseguindo ser sentimental, ao mesmo tempo que divertido e viciante.

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Começando com a faixa homônima “Crash”, já percebemos o quão importante é o conceito de destruição para esse álbum. Por cima de sintetizadores pesados e vozes alteradas por efeitos, as letras da canção são um aviso, “Estou prestes a bater, venha me assistir, baby”, explicitando que esse vai ser um álbum de exploração – indo aos fundos das piores emoções e maiores defeitos de Charli XCX.

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New Shapes”, ao lado das artistas Christine and the Queens e Caroline Polachek, é o primeiro exemplo do distanciamento sentimental que a autora da faixa apresenta em outros momentos de “Crash”. A produção é instável, intensificando-se nos refrões, enquanto os versos e especialmente o pré-refrão, e a bridge. se mantêm suaves e efêmeros.

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As letras apresentam uma rejeição, com as três explicando ao interesse romântico que, qualquer coisa que ele queira, elas não tem. Unindo fugas e arrependimentos, mesmo que esse amor seja em “novas formas”, a música é um relacionamento que puxa e empurra. Além disso, o sussurro “Charli, Caroline, Chris” no final, é extremamente charmoso.

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Good Ones”, o primeiro single de “Crash”, é quase como a canção que junta todos os pilares do álbum. Cantando abertamente que “sempre deixa os bonzinhos irem embora”, Charli XCX descreve essa emoção de saber que está errada, mas ter medo de mudar, tudo isso por cima de sintetizadores repetitivos completamente anos 80.

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A próxima, “Constant Repeat”, usa dos mesmos sons, mas também resgata momentos da Charli XCX do hyperpop, com o autotune em pequenos segundos e os delicados sintetizadores, quase mágicos, que remetem ao seu colega de carreira. A.G. Cook. As letras são, pela primeira vez, focadas em seu parceiro, questionando-o se ele se lembra dela agora e o culpando pelo fim desse relacionamento.

Enquanto isso, “Beg For You (feat. Rina Sawayama)” é uma adição interessante à história de “Crash”. Enquanto, nas faixas anteriores, Charli sempre esteve na posição superior, nessa faixa a cantora brinca com o fato de que está disposta a implorar por seu parceiro, pedindo-o para ficar, “não me deixe dessa maneira”.

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Ainda assim, a música é polarizante, até mesmo dentre os ‘angels’, fãs de Charli XCX. Completamente baseada em um sample de “Cry for You”, lançada pela cantora September em 2005, a canção tornou-se um debate sobre o que significa inovação musical. Ignorando isso, no entanto, “Beg For You” é uma faixa tradicional de europop, cuja produção consegue mesclar a voz aveludada de Sawayama com o rouco charmoso de XCX.

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Move Me” é como uma continuação da anterior, narrativamente – mantendo seu aspecto de amor desesperado, porém adicionando uma introspecção, com Charli percebendo suas falhas, mas ainda assim se prendendo a essa pessoa.

A produção dessa faixa atinge um momento particularmente envolvente no refrão, em que somos deixados sozinhos com XCX, sem o sintetizador e a batida, enquanto ela lista os destaques de seu amado.

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O penúltimo single do disco, “Baby”, é sensual, nostálgica e noturna. A voz de Charli é quase um resmungo durante os versos, nos quais ela se coloca como uma força sedutora, usando de repetições sussurradas para fortalecer seu ponto.

No refrão, por outro lado, ela usa sua voz em quase um momento falado, prometendo que irá “te fazer meu”, pelo menos até a última instância, em que ela garante que vai nos destruir. A produção é clara e concisa, soando exatamente como uma faixa para uma boate: quente, animada e fácil de compreender.

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Uma favorita dos fãs, “Lightning” é um conceito, por si só, extremamente interessante para uma faixa pop. Com duas forças opostas dominando as letras, Charli XCX equilibra seu sentimento eletrizante de amor pelo interlocutor, com o medo de ser atingida pelo ‘heartbreak’, como um raio.

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No pre-chorus, uma das partes mais bem produzidas do álbum, com sintetizadores mais quietos e a voz da cantora repleta de efeitos, XCX brinca com o ditado “um raio não cai duas vezes no mesmo lugar” – afirmando que “meu coração já foi quebrado antes, eles dizem que não acontece duas vezes”.

A única canção realmente lenta do álbum, “Every Rule” conta com a produção de A.G. Cook e mostra a versatilidade da dupla. Sentimental e delicada, mas ainda assim baseada em um som só, a faixa é construída com maestria, adicionando efeitos na voz de Charli, além de sintetizadores que intensificam a narrativa.

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As letras são objetivas, mas, ainda assim, repletas de desejo e um tom de arrependimento. Nelas, a artista conta sobre um relacionamento que começou enquanto ambos ainda estavam namorando outras pessoas, descrevendo esse momento de encontro como “trágico”. Porém, no fim, XCX afirma que “estou quebrando todas as regras por você”.

Pessoalmente, uma das minhas favoritas, “Yuck” é um sentimento extremamente ‘relatable’, mas enrolada em uma produção variável. Charli XCX canta sobre o momento em que você percebe que alguém está entrando em seu coração, mas, você ainda acredita que só quer algo casual, por isso o uso da expressão de nojo, “yuck”, e seu eco.

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Enquanto os versos são domínios de sons retrôs, como a batida anos 80 e os pequenos sons de metal batendo no fundo, chegamos no refrão com a soma de uma bateria constante que nos guia pelo som, ainda deixando as letras serem as protagonistas.

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O mais recente clipe de Charli, “Used To Know Me” completamente subiu no meu ranking desde o lançamento do álbum. Em uma primeira ouvida, parece uma batida clubber tradicional, e, por cima desta, letras mais comuns sobre o renascimento após um término, no entanto, a faixa puxa você para dentro: especialmente com a maneira com que a cantora brinca com sua voz e seus tons, além de seus diversos ad-libs.

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“Twice”, a canção que fecha “Crash” é uma escolha catártica. Depois de tanto sofrimento e autodestruição que é exposto ao longo do disco, a última música passa uma mensagem de análise pessoal, não pensar duas vezes e aproveitar ao máximo. Com uma produção mais suave, Charli XCX usa versos como “Morrer feliz, pensando nos meus melhores amigos” e “Um dia você não estará mais aqui” para justificar sua catarse e expressão.

“Crash”, claramente, não era o que esperávamos de Charli XCX, cuja carreira está marcada por faixas ‘a frente de seu tempo’, mas talvez ainda possamos aproveitar esse disco. As composições da britânica estão polidas e a utilização de um pop tão puro para explorar sentimentos profundos, é algo inovador por si só.

Enquanto as produções possam ser meio repetitivas, também mostram que Charli XCX é uma popstar em seu coração – seja cantando em cima de batidas metálicas e bolhas explodindo, ou usando sintetizadores retrô para abrir seu coração para nós.

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RESUMO DA RESENHA
Charli XCX - "Crash"
Estudante de jornalismo, não-binárie e apaixonade por música. Sempre aberte para ouvir qualquer gênero, artista ou década. O universo do pop, principalmente hyperpop, k-pop e synthpop, é onde eu vivo e sobrevivo.
“Crash” é autodestruição, batidas fortes, introspecção e pontos finais - tudo isso por cima de sintetizadores pop, inspirados no movimento retrô, anos 80. Com esse disco, Charli XCX se mostra uma popstar em tudo o que o nome traz, mas, ainda assim, não deixando para trás a inovação inata de quem compôs “Vroom Vroom”.resenha-crash-charli-xcx-2022