Resenha: “Versions of Me” – Anitta (2022)

Anitta
Foto: Capa do álbum “Versions of Me”
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@nacaodamusica

Alguns dias depois da explosão que foi “Envolver”, a cantora brasileira Anitta anunciou seu quinto álbum de estúdio, “Versions of Me”, no dia 31 de março. Algumas semanas depois, no último dia 12, já tínhamos o disco em mãos, como você pôde acompanhar aqui na Nação da Música, e pudemos conhecer as versões de Anitta.

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Com 15 faixas, o projeto apresenta momentos de reggaeton dançante em espanhol, pop emotivo e narrativo em inglês e até um pouquinho do funk carioca que alavancou a artista. Ao olhar a lista, “Versions of Me” pode parecer um pouco caótico e ele realmente é, mas, Anitta consegue expor seu talento de uma maneira completamente inegável no disco.

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Abrindo o álbum, temos o hit “Envolver”. Um reggaeton tradicional e sensual, o que só é auxiliado pelo tom rouco e realmente ‘envolvente’ da brasileira. A letra, que conta de um encontro casual, no qual a artista e seu parceiro buscam pelo prazer, é transformada pelo tom de Anitta, que, esticando as vocais, seduz o ouvinte.

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A batida é característica do que conhecemos desse ritmo latino: uma percussão dominante e constante, o que só facilita a popularização de danças e passos. Inclusive, foi exatamente o que vimos na trend que fez “Envolver” comandar o mundo.

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Gata (feat. Chencho Corleone)” segue o momento de reggaeton, sendo, dessa vez, mais animado e intenso que a música anterior. A produção parece que vai ser mais do mesmo, até o último minuto, quando Anitta saca as suas ‘big guns’, usando um ritmo tradicional do funk – nessa seção, seria interessante se as letras fossem em português, mas, continuam em espanhol. Os grandes problemas com “Gata” estão no artista convidado, cujo tom intenso e quase berrado, quebra o veludo da cantora.

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Ainda caracteristicamente latina, com uma batida de funk comandando a base da faixa, “I’d Rather Have Sex” é o primeiro gostinho de pop que temos em “Versions of Me”. Fugindo de uma discussão, Anitta é direta com seu parceiro, admitindo que preferia estar na cama – inclusive sons de rangidos de cama são usados na produção – com ele, ao invés de ali brigando.

As letras da faixa são explícitas, mas divertidas e sensuais, no entanto, o drop parece desnecessário, quando poderia ter sido substituído por mais dos versos já dançantes.

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A próxima “Gimme Your Number” é construída em cima de um ritmo clássico da música latina, o “La Bamba”, injetado com percussões eletrônicas. Todas as frases são perceptivelmente Anitta, com fins longos e sensuais, enquanto ela canta sobre esse processo de sedução no qual se envolveu com seu interesse amoroso.

O feat. de Ty Dolla $ign é uma boa escolha, já que as duas vozes roucas se completam, e a inclusão das seções masculinas são interessantes para a narrativa. O uso de onomatopeias e rimas, como o “pop, pop, pop”, são destaques da faixa.

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Maria Elegante (feat. Afro B)” é um dos maiores exemplos de momentos em que pensei, direto, ‘poderia ter sido em português’. A canção, que é um reggaeton menos sensual que “Envolver” e menos animado que “Gata”, é meio básica, com o artista convidado ostentando sua mulher, nesse caso, Anitta. O verso da cantora e seus vocais parecem mais como um feat, do que uma dominância, que é o que esperamos de Anitta.

Enquanto isso, “Love You” abre um capítulo de experimentação no disco. Baseada em um violão e uma batida de pop, as letras da canção são emocionais – descrevendo um relacionamento no qual Anitta está presa, ainda amando seu parceiro, mesmo que ele não a trate da maneira que ela realmente merece.

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O destaque dessa canção, no entanto, está na sua ‘bridge’, que não muda a batida-base, mas expõe as emoções da cantora em sua voz. Em geral, a música é um pop equilibrado, sem ser explicitamente dançante.

Um dos maiores singles do disco, “Boys Don’t Cry” segue na tracklist e pode ser descrito com uma simples frase: pop dos anos 80. Ainda assim, não falo isso de maneira pejorativa, a faixa é um dos meus momentos favoritos do disco – conseguindo mostrar que Anitta pode mudar completamente de estilo e ainda manter sua atratividade, com vocais intensos e letras que realmente contam uma história.

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A produção é claramente dançante e acompanhada de mudanças constantes, que se encaixam na narrativa. A composição constrói Anitta como essa personagem dominante, que está se encontrando com esse menino, mesmo sabendo que ele está apaixonado por ela – quebrando o coração dele, por isso o título.

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Versions of Me” é um caso interessante dentro do disco. A produção é muito parecida com a da faixa anterior, o pop mais retrô, mas as letras são algumas das melhores do álbum inteiro. Anitta, dessa vez, é uma anti-heroína, mostrando-se fria, depois apegada e depois até manipuladora, durante os versos, no entanto o seu interesse amoroso continua “preso em seu drama”, querendo todas essas versões dela.

A próxima volta às raízes mais latinas e brasileiras de Anitta, com percussão orgânica e violão como a maior base. “Turn It Up” tem, como maior mensagem, ‘esqueçam seus problemas e se percam na música’, trocando de línguas ao longo da faixa. Porém, seria legal ter tido um pedaço em português, para completar a trindade de idiomas.

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Ur Baby (feat. Khalid)” quase passa despercebida na tracklist – enquanto as vozes dos dois vocalistas se mesclam muito bem, sendo ambas sensuais e aveludadas, a produção é mantida a mesma durante toda a canção. Cantando sobre um encontro casual que se torna algo mais, é uma faixa suave, que se perde na intensidade do álbum.

Seguindo, chegamos em um momento que já se tornou clássico dentro do pop brasileiro. “Girl From Rio”, que se baseia no ritmo de “Garota de Ipanema” de Jobim, é uma carta de amor aberta para o lugar no qual Anitta cresceu. A cantora, em inglês, apresenta a parte menos turística do Rio de Janeiro, com pequenas frases em português ao longo da composição, o que a torna ainda mais encantadora.

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Junto à rapper americana Saweetie, “Faking Love” é uma música pop mais atual, mesclando uma percussão latina com toques eletrônicos, especialmente no refrão e no drop. O verso da artista convidada conta com um domínio rítmico, que Saweetie geralmente não apresenta, e uma conexão com o tema da música e as origens de Anitta que fazem dele a melhor parte da música.

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O problema grande de “Faking Love” é o fato de que ela soa como uma música incompleta: o verso de Saweetie é longo, as seções de Anitta são muito curtas e a brasileira só realmente domina o refrão, que é uma frase repetida, quase parecendo uma faixa sem dono, ao invés de um marco de Anitta.

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Produzido pelo DJ Papatinho, “Que Rabão” é o momento de funk do álbum, mas, para mim, ele é extremamente frustrante. Sim, é dançante, um funk completo e perfeito para a trilha sonora de alguma festa – mas, a adição do rapper americano YG à canção é sem nexo e realmente parece que foi tirada de outra música.

Enquanto YG tem dois versos completos, MC Katra fica preso em curtas frases ao longo da canção, Kevin o Chris tem um curto refrão, na minha opinião a melhor parte de “Que Rabão” e até Anitta canta menos do que esperado – transformando a faixa em quase uma tomada americana, mais do que o funk brasileiro que eu esperava.

Me Gusta (feat. Cardi B e Myke Towers)” é um retorno ao som latino sensual de “Envolver” e é uma faixa interessante, mesmo que meio estável demais, até o verso de Towers, que é uma adição quase passável. Enquanto Anitta e Cardi tem seus momentos de domínio e conseguem fazer com que a batida reflita suas cores pessoais, o rapper tem uma seção que poderia ter sido cantada por diversos cantores latinos.

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Love Me, Love Me” é o mais próximo que conseguimos de uma balada durante o álbum, mostrando uma Anitta sentimental e quase insegura em alguns momentos, pedindo para seu amado a amar “até que eu acredite nisso”. Não deixando passar um momento sensual, a faixa é refrescante por nos deixar ver um lado vulnerável da cantora.

Fazer uma conclusão sobre “Versions of Me” é algo extremamente complicado – enquanto o disco tem momentos de estrelato, como “Versions of Me”, “I’d Rather Have Sex” e até mesmo “Girl From Rio”, ele também conta com falhas completas, “Que Rabão”, que tinha tudo para ser um funk impecável, é um dos maiores exemplos.

Ao mesmo tempo que o disco mostra mesmo diversas versões de Anitta, ele é organizado de uma forma que diversas músicas parecidas estão uma atrás da outra, além de ter convidados que não precisavam completar a faixa.

Mesmo que “Versions of Me” não contenha uma conexão geral e uma narrativa entre as faixas, que são realmente diversas, uma coisa é impossível de negar: Anitta realmente mostra sua versatilidade e seu talento, que é o que esperávamos de uma das maiores popstars brasileiras de todos os tempos.

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RESUMO DA RESENHA
Anitta - "Versions of Me"
Estudante de jornalismo, não-binárie e apaixonade por música. Sempre aberte para ouvir qualquer gênero, artista ou década. O universo do pop, principalmente hyperpop, k-pop e synthpop, é onde eu vivo e sobrevivo.
resenha-versions-of-me-anitta-2022O novo álbum de Anitta mostra diversas versões da cantora brasileira, mas acaba tropeçando na escolha de convidados e na organização do disco, fazendo com que ele seja mais uma lista de músicas - ótimas músicas - e menos um álbum coeso e completo.