rashidNa tarde da última terça-feira (29), nós batemos um papo por telefone com o rapper Rashid que está lançando o seu primeiro álbum de estúdio, intitulado de “A Coragem da Luz” – que você pode ouvir clicando aqui.

O disco foi disponibilizado em seu canal oficial no YouTube e nos serviços de streaming no dia 17 de março, e é o sucessor de três Mixtapes e um EP, sendo que o último foi um mixtape lançado em 2013: “Confundindo Sábios”.

-> Você também pode ler nossas entrevistas com o Emicida e com Marcelo D2: Aqui.

Perguntas: Rafael Strabelli Entrevista: Felipe Santana. Confira o áudio completo e a transcrição da conversa:

Ouça a íntegra ———————————————————————————————————

Leia na íntegra ———————————————————————————————————

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01. Esse é o seu primeiro álbum lançado como disco mesmo, anteriormente você só havia lançado EP’s e Mixtapes. Como e quando foi que você decidiu ‘não, agora vou preparar um disco’? E há quanto tempo você está trabalhando nele?

Bom, a gente ta trabalhando nele desde 2014. Na real em 2014 a gente fez uma música só, porque era pra um projeto diferente, e acabou que a gente achou que esse som tinha muito a ver com o que a gente imaginava pro disco né? Então a gente já começou a separar esse material ali, a gente já guardou essa música naquele ponto, no meio de 2014 mais ou menos. Mas quando a gente decidiu que era o momento de fazer o álbum foi mais ou menos ali em 2013, quando a gente tava finalizando a última das mixtapes que a gente ia lançar, a gente já tinha certeza que era a última, que o próximo passo seria o álbum, e então foi ali que a gente cravou, a gente lançou a mixtape em setembro de 2013 e a partir dali a gente cravou: “agora o próximo passo é o álbum”. O ideal seria esperar um tempo pra poder lançar o álbum, até pra ver se a nossa carreira tava solida mesmo, que tava num momento da hora pra poder parar e trabalhar no álbum com paciência e tal. A ideia era ficar um tempo sem lançar nada grande, então a gente já ficou realmente um tempo sem lançar. Em 2015 a gente pegou firme no álbum, entramos pro estúdio, em duas semanas a gente matou praticamente tudo, todas as vozes e instrumentos, e a partir dai a gente só foi pra parte da finalização que acabou demorando mais, que segurou o disco pra lançar em março de 2016.

02. Você com certeza está acompanhando o retorno dos fãs sobre o Disco. Ele está causando a impressão que você esperava da galera que te acompanha?

A reação do público da bem bacana, eu to realmente muito feliz. Primeiro a gente tá muito orgulhoso com o que agente conseguiu fazer com o álbum, porque a intenção era surpreender as pessoas e tal, mas também tinha aquele certo nível de musicalidade que a gente queria alcançar, sem fugir do que a gente é. Ai a gente ficou muito ogrulhoso de ter alcançado isso. Pra gente, a gente chegou nesse ponto, então foi um trabalho que quando a gente terminou tava plenamente satisfeito, tava acima das nossas expectativas. E ai vem o frio na barriga, que era dividir com o público, o que as pessoas vão achar e tal, a expectativa monstruosa sempre. Na verdade a gente ta bem feliz com o que as pessoas tem falado. Os fãs, que são o maior termômetro na real, por mais que a pessoa seja fã, na teoria ela seja suspeita pra falar se gostou ou não, mas você aprende a ler os fãs, a reaãos deles, conforme vai passando o tempo e os lançamentos. Então eu acho que a gente nuca tinha recebido tanta mensagem no Twitter, Instagram, Facebook e essas coisas num lançamento. As mensagens não param, chega uma determinada hora do dia, eu sempre vou la, fico respondendo e retweetando, e sempre tem muita coisa, então acho que isso demonstra que as pessoas vão descobrindo o disco e já vão falando pra gente ‘ah, ouvi e não sei o que’. Fora vários companheiros da música que vieram falar com a gente, parabenizar e tal.

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03. Vimos pessoas comentando que você conseguiu captar a essência de cada um dos que participaram do disco, principalmente com a faixa do Mano Brown, “Ruaterapia”. Como foi o processo de composição dessas músicas que você fez em parceria?! E como surgiu a ideia de chamar esses caras para gravar contigo?!

Meu, a maioria das participações foram nascendo conforme as músicas pediam, tipo, ‘essa música ta indo em tal direção, talvez a gente devesse chamar tal pessoa’. Acho que a única que não foi assim foi a música do Mano Brown exatamente, e do Max de Castro. Essa foi uma música totalmente de caso pensado mesmo, a gente se reuniu, os 3 num estúdio trocando ideia e vendo pra onde que a música poderia ir: “ah, que tipo de música; ah vamos fazer um bagulho mais Tim Maia, mais pra cima, um soulzão mais pra cima; ah não, vamo fazer uma parada meio… uma coisa meio Jorge Ben de repente, dar uma abrasileirada no negócio”. Então foi tipo um brainstorm dos três, várias ideias surgiram, vários temas: “ah, vamos fazer uma música triste, vamo fazer uma música pra cima, mais pegada, vamo fazer uma música pesada, vamo fazer um bagulho mais leve”. Porque fica naquela de, como se fala: Ah, vai ter Mano Brown – as pessoas já podem esperar determinado tipo de música, a gente queria primeiro se desvirar disso, do que as pessoas achavam que a gente iria fazer, e segundo eu particularmente queria que todos os convidados se sentissem muito a vontade no disco. Então essa música ai a gente produziu junto, o Mano Brown deu vários pitacos nos arranjos, o Max e tal, então ficou uma cara que da pra saber que ele faria no disco dele, e ao mesmo tempo é uma coisa que eu gosto muito também, e saiu das mãos do Max, então é a parada dele, que foi se moldando ao nosso gosto.

Com o Criolo já foi diferente, foi um processo meio freestyle, vamo dizer assim, porque eu levei a batida pra ele ouvir na casa dele, e quando ele ouviu a batida, ele começou já a improvisar umas paradas, começou a rimar umas paradas, cantar e tal. Ai ele ligou um microfone no computador dele e começou a gravar várias coisas em cima da música, e chegou numa determinada hora que a gente falou: “meu, eu acho que deve ter alguma coisa interessante ai”. Então eu trouxe pra casa, no meu estúdio, fiquei escutando, recortei algumas coisas, encaixei, falei: “ah, isso aqui é a intro, isso aqui pode ser o refrão, isso aqui pode ser o final“, porque o Criolo é um cara extremamente criativo, é um tipo de artista que ele realmente não para de criar as coisas, e então tinha muita ideia. Eu fui recortando, gravei minha parte, mandei pra ele, ele gostou, a gente terminou a música, o instrumental, tocou outras coisas por cima que ainda não tinha. Na hora do estúdio ele ainda teve mais ideias que a gente acabou gravando depois também, então foi um processo quase intuitivo do Criolo, ‘acho que a música deve ir pra esse caminho’, a ideia do tema também foi dele, enfim, essas participação foram surgindo de acordo com o que os sons pediam, eu achei que essa batida tinha a cara dele, essa coisa dos metais, uma brasilidade e tal, ai eu fui falar com ele. A mesma coisa a Xênia França, a Izzy Gordon, são coisas que eu achava que tinha a ver com as pessoas.

04. Você escolheu o Tony Dawsey para masterizar o disco “A Coragem da Luz”. Como vocês se conheceram?! E como foi trabalhar com essa lenda que já masterizou discos do Jay Z, Akon, Whitney Houston…

Eu não conheço ele pessoalmente, na verdade foi uma ponte que o Mauricio Cersósimo – que mixou o disco – ele já tinha trabalhado com o Tony e ele falou: “mano, acho que pra masterizar o disco de vocês, uma das melhores pessoas é o Tony”. E eu já sabia que ele tinha masterizado Jay Z e tudo mais, na real era meio um sonho assim, masterizar com o Tony. Quando surgiu essa oportunidade ai não quis nem saber quanto é, onde é, como eu faço – eu quero fazer, tá ligado? E acabou rolando assim, foi uma benção mesmo, uma intervenção divina, você vai masterizar com o cara que você sempre quis. E enfim, o Tony super solicito, eu não conversei muito com ele, ele ficou mais em contato com o Mauricio mesmo mas quando precisou mudar alguma coisa ele mudou, sem pensar duas vezes. Precisou fazer de novo, fez de novo, sem pensar duas vezes, sem falar nada. Eu lembro que no lançamento de “A Cena”, que foi o primeiro single do disco, ele postou e tal, ele na vez dele, sem a gente falar nada, ele postou, falou: “oh, o trabalho que acabei de fazer, eh um rap do Brasil, escutem ai“. Bem bacana, foi uma grata surpresa.

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05. No final do ano passado você havia lançado já um videoclipe da música “A Cena” que também está nesse disco. Você já tem em mente qual será a próxima a ganhar um clipe?! Você pensa em lançar um próximo videoclipe?!

Penso, claro. Acho que quando o disco ta na rua, andando, ai você quer fazer clipe de todas, é difícil você escolher o filho predileto. Mas tem algumas que já estão encabeçando essa lista ai, algumas músicas que eu gostaria de fazer. A do Mano Brown é uma que eu gostaria de fazer, gostaria muito de fazer, porque é um encontro de gerações, a gente conseguiu sintetizar ali gerações numa faixa, eu acho que ter um audiovisual disso ai seria muito louco. A própria música do Criolo seria uma boa, a “Laranja Mecânica” eu tenho vontade de fazer um clipe também, tem algumas assim, tem um TOP 5 que eu faria de imediato, ‘tive a oportunidade e vou fazer’. Mas tem várias outras do disco que acho que pedem assim, que poderia rolar uma história legal, um roteiro bacana.

06. Na fixa técnica foi colocado todos os instrumentistas e músicos que trabalharam contigo na gravação do disco. Essa foi a primeira vez que você trabalhou com uma banda propriamente?! O que foi mais difícil pra você nisso tudo?! E eles irão te acompanhar em turnê?

Como você disse, é a primeira vez que a gente traz tantos músicos pra tocar num trabalho nosso. Antigamente nosso processo era diferente, era mais prático vamos dizer. O produtor, o beatmaker, mandava a batida, eu escrevia a rima, grava, mixava e já era, lançava. Deu muita música na internet dessa forma, por isso também essa preocupação com o álbum, tinha que surpreender, as pessoas escutarem e falarem: “Ah mas, não entendi, cade a diferença? Cadê a acrescência?”. Então a gente buscou isso ai e tudo mais, esse bando de instrumentistas ai, muita gente de vários cantos, de várias linguagens assim. E é mais ou menos o que foi nas participações, as músicas iam pedindo: “ah, a gente precisa dos caras do jazz, vamo ligar pro cara do jazz; a gente precisa dos caras do samba, vamo ligar pros caras do samba; aqui é a linguagem de rap mesmo, e ai a gente ligou pra nossa banda, que acompanha a gente já”. Infelizmente não da pra viajar com essa rapaziada toda na turnê né? É muita despesa, sem falar em como ia controlar toda essa rapaziada ai, todo esse time. Mas a gente vai viajar com a nossa banda, que já vem acompanhando a gente há um ano mais ou menos, e algumas dessa músicas foram produzidas exatamente pela nossa banda, o que já facilita a comunicação e tal, e alguma apresentação eventual pode rolar sim a participação, não só das pessoas que colocaram voz, mas também das pessoas que tocaram, mas acho que vai ser mais esporádico.

07. Pra finalizar, o espaço está aberto, pode deixar um recado para os fãs que vão aos shows de lançamentos do disco e aos que ouviram ou vão ouvir o seu novo disco!

Demorou. Primeiro agradecer o espaço, obrigado mesmo ai, por escutarem o que a gente tem pra falar, é sempre bom poder falar sobre o disco, pras pessoas poderem as vezes escutar o disco com outra coisa em mente. Acho bacana o momento que o Rap vive, a relação que o Rap tá tendo com as mídias, não só com a mídia especializada em Rap mas o espaço que outros portais, outras pessoas tão dando pro Rap, acho isso muito bacana, porque a gente tem grandes artistas, uma riqueza musical muito grande pra apresentar – não falo só do Rashid, falo do rap em geral mesmo. Quem não escutou o álbum, tá ai, ta em todos os lugares, pagando ou não, de graça também, tá la o disco, “Coragem da Luz” em qualquer canto, se gostar, compartilha que é isso ai, a gente tá só espalhando a música e a mensagem na qual a gente acredita. É isso!

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