o.teatro.m.gicoReinvenção e mutação são palavras comuns no vocabulário do Teatro Mágico, e neste último álbum não foi diferente. A trupe divulgou em abril o álbum “Allehop” – antiga expressão circense – somando novos elementos a toda teatralidade do grupo, que incorpora sons eletrônicos às músicas.

Para entrar mais a fundo nessa nova fase do projeto, a Nação da Música conversou exclusivamente com Fernando Anitelli nesta quarta-feira (04), onde ele nos contou mais sobre o conceito desse disco, a produção e quais as expectativas para o show de pré-lançamento, que acontece no dia 13 de maio em São Paulo. Confira:

Perguntas e entrevista por: Felipe Santana

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—————————————————————————————— Leia a íntegra

“Allehop” acabou de ganhar vida! Como foi o nascimento desse disco, desde a concepção do álbum, até a gravação e o lançamento?

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A gente pensou muito em trabalhar aquilo que o Teatro Mágico tinha como essência, que era músicas pra cima, construtivas, com palavras que pudessem trazem coisas bacanas pra nossa caminhada. A gente tá vivendo coisas muito sensíveis, politica e economicamente. O nosso CD anterior “Grão do Corpo” já tinha sido um CD mais denso, o grão do corpo, já tinha sido uma coisa mais ‘entranhas’ assim. A gente resolveu com o “Allehop” trazer essa alegria, essa essência do Teatro Mágico na palavra, que a critica venha mas que venha com humor, com carinho. E a gente também resolveu fazer uma pesquisa dentro dos timbres eletrônicos, dentro de grooves e batidas eletrônicas. A gente gravou tudo organicamente, ai depois a gente foi até o Rio de Janeiro, no estúdio do Kassin pra colocar texturas por cima do que a gente já havia pensado como base na pré-produção.

Então a gente foi lá e gravou por cima as coisas todas, os timbres, as ambiências, e ficou muito bacana. O Kassin tem uma técnica e um know-how muito bacana, ele conseguiu deixar o som quente, a voz com peso. Então é um álbum festivo com pegada, com pulsação, com pressão, colorido, pra cima. “Allehop” é justamente isso, é um grito ancestral circense. Antes de você entrar no palco, antes de você se jogar no trapézio, antes de você arremessar a faca você fala um “Ale Hop“. É esse grito de guerra. Então ‘pra cima, vamo bora‘. Eu acho que em meio a tanta violência, tanto machismo, fascismo, homofobia, trazer uma palavra que tenha essa qualidade, esse tempero, é algo de relevância. Então essa é a ideia do “Allehop”.

E quem trouxe esses elementos mais dançantes e eletrônicos presentes no álbum? Quem deu essa ideia?

Veio da gente mesmo. Eu conversando com o Daniel Santiago – que é nosso arranjador, nosso produtor musical – conversando com o Gustavo Anitelli, que também é meu parceiro de composição, nosso produtor e tal, achamos: “Meu, Teatro Mágico as pessoas cantam em volta da fogueira, tocando violão, cantam abraçados no show, mas eu quero ouvir Teatro Mágico na pista“. Eu vi a galera dar play e nisso falou: “Meu, vamo experimentar essa coisa do eletrônico!”. Eu cresci ouvindo The Smiths, The Killers, que era um som pop indie, não era eletrônico, mas por ser anos 80 tinha esse timbre, essa textura. Então uma coisa que a gente fez foi visitar essas referências que a gente achava interessante e colocar esse groove na batida, na pegada, essa coisa que tivesse esse caráter vintage, mas que tivesse também uma roupagem moderna. Isso é o que a gente tentou fazer no “Allehop”! Foi isso.

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E qual vem sendo a resposta da galera com o álbum? Tem alguma música que o público tá curtindo mais?

Eu penso assim. 85% gostou ‘que bacana, que legal, tenho minha preferida, to mergulhando com vocês nessa ideia’. 10% ta ouvindo com estranheza ‘pera ai, preciso ouvir de novo, ta diferente‘; e 5% a galera do ‘perdeu a essência, tinha que ser voz e violão‘ – aquela coisa que aquele público que gosta do trabalho, que gosta do Teatro Mágico mas é um publico mais conservador, isso ai sempre vai existir. Então eu to vendo com muita natureza, com muita satisfação o pessoal curtindo, entendendo a ideia, tem que gente já vai encontrando algumas essências, tem gente que já vai colocando ali quais são os ‘Top 5’, tem gente que já fez trabalho em faculdade usando música nova nova, tem gente que já fez o seu clipe em cima de música nova. Então é uma resposta muito bacana.

A visualização no YouTube ta de vento em popa. São mais de 130 mil views só no YouTube, no Facebook são mais de 200 mil. As pessoas que tão baixando o álbum, também é um número expressivo. Então isso é muito legal, mostra que quem curte o Teatro Mágico e acompanha sabe que podem esperar de nós a surpresa, a mutação, é dentro desse campo que a gente trabalha. Então a pesquisa foi feita pra que a gente pudesse também, junto com o público, trazer esse som construtivo, dançante, com pressão, pra que a gente tivesse ali a critica, tivesse a boa palavra.

Vocês acabaram de lançar o clipe de “Deixa Ser”. Como foi a gravação do vídeo e como surgiu a ideia pro roteiro e os elementos dessa festa louca?

A gente queria falar sobre a inclusão de gênero, a gente queria falar sobre o apoderamento da mulher num momento de tanta homofobia, tanta violência, tanta intolerância – a pessoa diz “eu tolero você“. Pô, nada mais chato que tolerar o outro, vamos aprender a coexistir, isso é muito mais bonito e transformador. E então a gente falou, “vamos fazer uma festa onde várias figuras e personagens possam aparecer”, gente do público, gente da trupe, amigos, amigas, atores, atrizes. Pegamos uma casa, maquiamos a casa, e pra filmar uma festa não da pra fingir que tá tendo uma festa, você tem que fazer uma festa.

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E a gente fez uma festa, e nessa festa a gente levou essa ideia do “Deixa Ser”, essa ideia libertária, do amor, da pluralidade, do poliamor, desse apoderamento onde as mulheres são autônomas, livres. Teve um resultado muito bacana, o clipe teve teve muitos acessos já de imediato, muita gente comentando dele, entenderam a ideia, a proposta da música qual foi, a pesquisa que a gente fez. E o Teatro Mágico também é isso. “Ah, o Teatro Mágico agora…” não! A gente também é isso. A gente tem todo os nossos 13 anos de história que a gente carrega e agora essa experimentação, essa pesquisa com esses timbres, esse ambiente, com esse som, esse groove. Eu gostei bastante.

Quais as expectativas para o show de pré-lançamento que acontece na semana que vem, com a participação de Nô Stopa – que acontece no mesmo palco da apresentação do Nando Reis? O que podemos esperar desse show?

A gente tá muito ansioso, a gente já tá ensaiando. Pré-estreia é sempre o momento onde você mostra algumas canções do álbum, você experimenta ela no setlist, você vê como elas se dão ao vivo. Então tudo isso é de extrema importância pra todos nós, a gente fica “como é que o publico vai receber esse nosso novo trabalho, esse nosso novo momento?“. Então a gente tá ensaiando, posso dizer que as músicas estão quentes, tão com pressão. Tá bem bacana os vocais, a participação da Nô vai ser bem bonita, a música dela dialoga bastante com esse nosso momento, é bumbo reto, é dançante… Então, poxa, a gente tá com uma expectativa muito boa. Vai ser o show do Nando Reis, que tem os convidados dele – que é o pessoal do Dois Reis, os filhos dele que também tão trazendo uma proposta de som – e depois tem a nossa apresentação, com a Nô Stopa como convidada. São duas apresentações distintas mas com esse caráter onde cada um traz seus convidados, esse caráter agregador. Vai ser uma noite muito bacana.

E tem alguma música que vocês estão mais ansiosos pra tocar ao vivo?

Ah, não tem uma música específica. Todas vêm com esse mesmo teor, com essa mesma curiosidade, com essa mesma surpresa. Nenhuma música foi feita de maneira aleatória, a gente tem algo a dizer através de todas elas. O que existe é uma expectativa em poder logo apresentar elas pro público, e ver se o público já decorou porque a gente já soltou tudo isso na rede, já tá tudo disponível na internet. A gente quer mais é o público cantando isso dai com a gente lá no dia.

E a partir de agora, quais sãos os planos de divulgação para o disco? Vocês pensam em lançar mais clipes, além de claro, rodar o país fazendo shows?

Agora a gente faz algumas apresentações de pré-estreia, aqui por São Paulo – a gente vai pra São Paulo, depois Mineira, Votuporanga, Pouso Alegre – e aí a gente para um pouco em julho e um pouquinho de agosto pra firmar o lançamento, não só fazer a pré-estreia, mas pra gente acabar lapidando o figurino, os cenários e essas coisas todas, e volta em agosto com a turnê “Allehop” de vez. A gente tá com o material já nas redes, em todas as plataformas, vamo começar divulgando nas nossas apresentações. Tem blogs ligando pra gente, tem gente de rádio ligando pra gente, agora é a hora de soltar, esparramar esse novo redento sonoro na nuvem, gradativamente ir colocando nos shows, e em agosto começa pra valer “Allehop Tour 2016”.

Uma mensagem para o pessoal que tá curtindo o álbum e vai ao show de lançamento?

O que eu tenho a dizer é: não parem de produzir. É muito importante a gente ter pessoas fazendo músicas, compondo, trocando, transformando. Quem tiver ouvindo esse álbum nosso, é isso que o Teatro Mágico faz, é essa experimentação, justamente poder se reaprender, então a gente convida todos a conhecer esse material. Esse trabalho traz a alegria, a pluralidade, o lúdico da nossa essência inicial, mas com a modernidade, com os grooves, com os timbres de uma coisa mais atual, com pressão, é isso. Então estão todos convidados, valeu pela entrevista, e até breve!

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