
Na última sexta-feira (13), a cantora e compositora Alice Caymmi, neta de Dorival Caymmi, lançou o single “Modinha para Gabriela”, releitura do tema de abertura da novela “Gabriela” (1975). A faixa é um abre-alas do álbum “Caymmi”, inteiramente dedicado ao repertório do avô, previsto para o início de abril.
A Nação da Música conversou com Alice Caymmi sobre a arte de revisitar o repertório do avô, a ideia por trás do projeto e sobre o processo criativo do mesmo.
Entrevista por Marina Moia.
————————————- Leia a íntegra:
“Modinha para Gabriela” é uma música muito conhecida do público. O que te motivou a escolher justamente essa canção para abrir o projeto dedicado ao seu avô?
Alice Caymmi: Eu escolhi “Modinha para Gabriela” porque é uma das canções mais fortes do disco e é uma canção muito emblemática que eu acho que atravessou os tempos com muita facilidade. É uma canção que fala sobre uma mulher livre e eu me identifico com essa energia, eu me identifico com essa ideia de liberdade. Essa música é linda.
Sua versão traz reggae e elementos eletrônicos. Como foi o processo de transformar um clássico de Dorival Caymmi em algo tão contemporâneo?
Alice Caymmi: Pra mim é muito natural versionar uma canção e transformá-la numa coisa diferente. Eu gosto muito de fazer isso. A sensação é de fazer o que eu sempre fiz a minha vida inteira. Eu gosto de fazer versões e sempre fiz em todos os meus discos. Eu adoro reformular canções, modernas ou não, recentes ou não. Então pegar as coisas do meu avô pra versionar foi muito divertido. E a música que tem um significado maior é justamente “Modinha para Gabriela”, que virou um símbolo justamente porque tem esse significado mais forte para mim.
Como foi a parceria com o produtor Iuri Rio Branco neste projeto?
Alice Caymmi: A parceria com ele foi maravilhosa porque o Iuri é um cara muito espontâneo na maneira dele de criar. Ele é aquela velha coisa: como uma criança na hora de criar, mas cirúrgico e científico na hora de editar. Ele trouxe muita leveza pro processo e ele teve muita coragem, ele é um produtor de muita coragem. Ele não ficou intimidado com a obra e, como ele tem a mesma coragem que eu, isso fez com que a gente pegasse a obra e conseguisse fazer o que a gente queria com ela, sem medo, sem problemas, sem questões.
Desde o início da carreira você construiu uma trajetória marcada pela experimentação e você costuma dizer que é “mutante”. Como essa ideia aparece na sua música e na sua performance?
Alice Caymmi: Na verdade, esse momento agora é um momento de quebra dessa mutação. Eu to num momento muito limpo visualmente, em que eu parei de trazer essa coisa mais performática, para trazer uma coisa mais verdadeira. Eu tô um reality show: essa sou eu, eu sou assim. E antes eu trazia muito essa dimensão, mas agora parece que eu tô dando um tempo nessa história.
Você comentou que se identifica com a personagem Gabriela. O que nessa figura criada por Jorge Amado mais dialoga com quem você é hoje?
Alice Caymmi: Essa personagem Gabriela dialoga comigo na questão da leveza, da liberdade de ser feminina, de existir no mundo como corpo feminino, existir no mundo sexualmente, existir como parte da natureza. A Gabriela é muito conectada com as coisas da natureza, com os elementos, e eu no fim das contas vivo uma vida assim na prática. E eu me vejo muito nesse lugar, dessa leveza. Eu me encontro, principalmente nesse momento, muito conectada com essa personagem.
Gostaria de deixar um recado aos leitores da Nação da Música?
Alice Caymmi: Meu recado para os leitores da Nação da Música é que eles ouçam o disco com carinho e atenção porque ele foi feito com muito amor!
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