Entrevistamos Mar Aberto sobre a nova versão de “Se Fosse Tão Fácil”, carreira e novidades para 2025

Mar Aberto Gustavo Bueno
Foto: Divulgação

No meio musical, o tempo passa de um jeito diferente em comparação com a vida real. Algumas músicas tornam-se sucessos tão absolutos que ficam marcadas por gerações e gerações, tornando-se até mesmo hinos atemporais. Além disso, as trilhas sonoras de novos filmes e séries e as próprias trends das redes sociais ajudam a resgatar músicas passadas e levá-las à viralização em massa. Mas como surge esse novo olhar para uma canção mais antiga?

Para Gabi Luz e Thiago Mart, do Mar Aberto, esse olhar veio em forma de emoção e inspiração para um novo momento na carreira do duo. Apesar de terem lançado no final do ano passado o projeto “Mar Aberto Com Vida”, em que fizeram colaborações inéditas com diferentes artistas (nacionais e internacionais), em meados de março a dupla lançou uma nova versão de “Se Fosse Tão Fácil”, um dos principais sucessos do Mar Aberto.

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Apesar de contar agora com alguns novos arranjos, a essência romântica e acalentadora da faixa foi mantida – assim como o inconfundível “bombarum”. E para tornar essa visita ao passado ainda mais especial, Gabi e Thiago também usaram as mesmas roupas de 8 anos atrás para fazer a capa da nova “Se Fosse Tão Fácil”, e gravaram um clipe quase tão similar ao original, que as diferenças só podem ser notadas graças ao comparativo de cenas das duas versões. Mas, assim como na carreira e no relacionamento de Gabi e Thiago, as diferenças estão ali, e são essenciais para (re)contar a história do Mar Aberto.

A Nação da Música conversou com Gabi e Thiago sobre como surgiu a ideia de lançar a releitura de “Se Fosse Tão Fácil” e como foi revisitar essa faixa 8 anos depois da versão original, além de spoilers exclusivos sobre o próximo lançamento do Mar Aberto, parcerias com outros artistas e planos para 2025

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Entrevista por Natália Barão

————————————– Leia a entrevista na íntegra:
Olá pessoal, prazer, eu sou a Natália! Como vocês estão?
Thiago Mart: Oi, Nat! Estamos muito bem e você?

Tudo ótimo! E o nenê de você está por aí também?
Thiago Mart: Tá com a babá ali na sala!
Gabi Luz: Tá na hora do almoço dele, né? A gente ia fazer a entrevista na sala, mas falou melhor ir para o quarto senão ele não ia deixar a gente nem falar (risos).
Thiago Mart: Quando eu fico trabalhando, ele fica sentado na mesa do meu lado, mas agora não tinha como né, tadinho (risos).

Então a gente faz a entrevista rapidinho pra vocês curtirem ele!
Thiago Mart: De boa, estamos à disposição! 

Perfeito! Eu vi que recentemente vocês lançaram uma nova versão de “Se Fosse Tão Fácil”, que é um dos principais sucessos da carreira de vocês, oito anos depois da versão original. Eu queria saber o que fez vocês decidirem revisitar essa música justamente agora.
Gabi Luz: Olha, vou te dizer que acho que essa é a música mais importante da nossa carreira. E depois de oito anos, acho que ela nunca ficou esquecida na nossa história.
Thiago Mart: Ou datada.
Gabi Luz: É, ou datada. A gente vai nos lugares, ela continua rolando, sabe? Toca muito em supermercado, em shopping.
Thiago Mart: Em loja de departamento, hotel, pousada… a gente recebe o tempo inteiro pessoas mandando mensagens ouvindo a música em diferentes lugares e isso acendeu um alerta pra gente. Nós mudamos muito de oito anos pra cá, mas a essência é a mesma. Hoje nós somos uma família, temos outras concepções de vida e musicalmente falando também, você acaba adquirindo outras características, muda um pouquinho, evolui aqui e ali. A gente achou que merecia uma gravação, mas não simplesmente voz e violão de novo. Então fizemos com um outro arranjo, algo especial, que é uma coisa que sempre tivemos muita resistência também porque essa música funcionou muito bem como voz e violão. Mas acabou que a gente gostou acho que ainda mais dessa versão, né?
Gabi Luz: E ela continua com a mesma essência. Eu até vi comentários falando “nossa, eu gosto tanto dessa música que confesso que fiquei com medo de ouvir essa versão nova, mas eu amei”. Então a gente quis manter a essência dela, mas agora com uma repaginada.

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Eu escutei as duas versões de novo e melodicamente achei as mudanças bem sutis, na verdade. Dá para perceber, claro, mas é de leve de fato. Como vocês pensaram nessa nova versão melodicamente?
Thiago Mart: Interpretando a música ao vivo, ao longo do tempo, tem uma coisa ou outra que a gente acaba fazendo diferente. Na gravação original tem um “nãoooo” aí eu botei um “bombarum”, que é o que eu faço no show pras pessoas cantarem. A gente vai colocando essas coisinhas e o produtor que trabalha junto comigo, o Flávio Ferrari – que aliás é um grande artista lá do Recife, cantor, compositor també – falou “Thi, tô pensando aqui em botar um negocinho diferente pra testar, se você não gostar, pode tirar”. Eu confio muito nele, ele sabe o meu gosto e a hora que ele mandou não tinha o que tirar, nem pôr. E é legal que a gente tem recebido feedback de pessoas que trabalhavam conosco na época, o Júlio, por exemplo, que foi o nosso gestor de carreira na época, falou que essa versão tinha ficado muito fresh, divertida e gostosa de ouvir. Foi um processo de entender que ela queria a possibilidade de um arranjo e de ter muita confiança também no Flávio, que é o nosso produtor.

Falando em feedback, como foi a recepção do público depois que vocês lançaram essa “versão 8.0” da música, digamos assim?
Gabi Luz: Ah, a recepção foi muito boa! A gente nem esperava os números tão expressivos, porque, por exemplo, quando tem uma música que eu já gosto de um artista, eu fico meio ressabiada também, tipo “essa música eu já conheço”. Mas é legal que o pessoal ficou com uma curiosidade pra ver o que tinha mudado e o que tava diferente no clipe também.
Thiago Mart: Sim, o clipe acho que foi o grande trunfo também. Ainda não foi visto por tantas pessoas, porque acho que o alcance do Spotify é mais fluido pela audiência que a gente tem; lá no YouTube é um pouco menos, mas a gente também vai fazer chegar nessas pessoas. Eu quero que chegue primeiro nos fãs pra que eles tenham esse impacto mesmo, porque tem gente que, sei lá, se inscreveu no nosso canal quando ouviu “Se Fosse Tão Fácil” e nunca mais acompanhou, o que é natural. Aí agora vão ver e pensar “o cara tá meio cabeludo, eles têm um filho agora e são mesmo um casal”. É o tipo de sensação que a gente quer causar e os fãs que já nos conhecem e acompanham há muito tempo têm dado os melhores feedbacks possíveis.
Gabi Luz: E tinha essa dúvida se a gente era um casal mesmo ou não.
Thiago Mart: No fim já tinha aquele beijo, que só teve um blurzinho e o ângulo da câmera não favoreceu muito pra mostrar que era um beijo mesmo. Aí isso gerou toda a… não polêmica, mas todo o assunto posterior.

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Já que vocês comentaram do clipe, eu vi que a foto de capa foi feita no mesmo lugar da versão original, na Vila Maria Zélia, certo? Mas e o clipe?
Thiago Mart: A gente imitou o máximo possível o lugar do clipe, porque onde gravamos originalmente era o meu estúdio, que não existe mais, hoje em dia é uma estufa de plantas do meu pai. Ele começou a trabalhar com isso por hobby e hoje em dia só tem planta lá (risos). Mas foi lá onde a gente também começou o Mar Aberto. E quando decidimos fazer, achamos que tinha que ficar pelo menos parecido e que bom que gerou essa impressão. Tem gente que realmente acha que é o mesmo lugar, as roupas do clipe não são as mesmas, mas são parecidas…

Eu ia até perguntar isso, porque eu vi o comparativo que vocês fizeram no Instagram e pensei “nossa, eles guardaram as roupas”.
Thiago Mart: Da foto são as mesmas! É exatamente a minha mesma camiseta e o vestido da Gabi.
Gabi Luz: Por sorte!
Thiago Mart: E eu uso direto! Tem que ver da onde é e qual a marca, porque ela é muito boa!
Gabi Luz: Tá durando (risos).
Thiago Mart: Quem sabe a gente não faz um leilão dessas peças, né? (risos).

Taí uma ideia pro futuro (risos). A gente até comentou antes que as mudanças na melodia foram muito sutis, mas pro clipe vocês chegaram a considerar, talvez fazer uma coisa nova, ou a ideia foi se aproximar realmente o máximo possível da versão original?
Gabi Luz: A ideia foi se aproximar da versão original desde o começo. Mas o que a gente gostou muito foi que o Gu, que fez toda a captação e a edição, colocou também as cenas do clipe anterior em preto e branco. A gente se emocionou muito quando viu, porque a ideia era realmente só lembrar e falar “olha, tá um pouco diferente mas tá meio igual ao original”.
Thiago Mart: Porque até a movimentação de câmera, o jeito que as luzes acendem, é igual. Só que nunca fica igual, igual né? Cada videomaker tem a sua linguagem, e o Gustavo é um cara muito, muito refinado. Então ele falou “cara, vou pôr um pouquinho aqui da minha cara, mas vou ser bem fiel também”. E na hora que muda do atual pro de 8 anos atrás, emocionou a gente de verdade. E as pessoas se emocionaram também, minha irmã disse “meu, chorei muito vendo, dá orgulho de ver tudo que vocês fizeram”. Então, realmente causou a impressão que a gente queria.

Quando vocês regravaram, colocaram as mesmas roupas pra capa, qual foi o sentimento de vocês revisitando esse lugar, ainda mais de uma forma tão característica, até visualmente falando?
Gabi Luz: Nossa, acho que emoção mesmo! Eu só conseguia pensar assim: cara, 8 anos atrás a gente estava aqui fazendo essas fotos, não sabia no que ia dar, todo o lugar que essa música ia rodar, aonde ia chegar… a gente tava aqui dando um voto de confiança meio no escuro, porque você lança um negócio sem imaginar no que ia dar, e a gente estava lançando o Mar Aberto em si também. Era o começo de tudo, então é muito gostoso lembrar assim. É uma nostalgia muito, muito gostosa mesmo.
Thiago Mart: A gente chegou lá e bateu o olho naqueles cenários, até tem um que tava fechado, mas onde nós fizemos algumas fotos daquela sessão, eu vi pela fechadura. A pessoa que nos recebeu, que era o seu Dedé, faleceu, então a gente já não estava mais lá. Você vê que as coisas vão mudando, as portas já estavam mais corroídas. É o tempo mesmo, né? Você toma contato com o tempo das coisas, mas entende que existe uma beleza perene e atemporal mesmo naquilo lá, que é um patrimônio aqui de São Paulo, que as pessoas deveriam inclusive tratar melhor. E também é assim com o Mar Aberto, a gente entende essa atemporalidade. Quando a gente olhou para aquela porta, fez a foto, se viu e falou cara, a gente não mudou de desejo, de gana, de querer fazer as coisas darem certo. Talvez a gente esteja mais tranquilo e mais confiante, porque a coisa já se encaminhou. Nós temos os fãs, temos a audiência, mas a confiança que a gente tinha lá atrás, aquele brilho no olhar, ainda existe. E isso é muito bonito de detectar!

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Falando sobre mudanças, obviamente algumas coisas mudaram nesses 8 anos, né? Vocês se casaram, tiveram um filho… Já que essa música fala sobre como as coisas acontecem de um determinado jeito e fazem vocês, enquanto casal, serem do jeito que são, nesse tempo que passou, que coisas fortaleceram a Gabi e o Thiago de hoje?
Thiago Mart: Pergunta muito boa, cara! Muita coisa aconteceu né, amor? Enquanto Mar Aberto acho que a essência está preservada, agora, como pessoas, a gente realmente mudou muito. Naquela época a gente saía pra caramba e até antes do Miguel, nosso filho nascer, a gente já tinha mudado esse caráter das coisas. Eu era um cara muito descrente da vida, tocava tudo com a barriga, e hoje eu vejo um sentido maior nas coisas; acho que a Gabi também. O nosso filho também traz pra gente esse senso de responsabilidade, e a gente entende em algum momento que o Mar Aberto é uma vocação, que a gente ajuda as pessoas de alguma maneira fazendo elas se sentirem bem e tal. Então, ter passado por gravadora e não ter dado tão certo quanto a gente imaginava, depois passar por outra, ir bem, fazer show pra cinco pessoas e depois fazer show pra 5000 pessoas, tudo isso vai te forjando, né? Mas eu não mudaria nada mesmo, porque a gente tá onde tá.
Gabi Luz: E tem muitos desafios no caminho da profissão que antes acho que a gente não se ligava, sabe? Porque muito se fala do glamour, das coisas boas, de ser artista, mas a gente passou e passa por dificuldades que também fazem a gente ficar mais forte, mais unidos. Mas, mesmo assim, eu também não mudaria uma vírgula, porque isso deixa a gente realmente mais preparado para tudo que vem.
Thiago Mart: E isso que você falou das festas, do glamour, do reconhecimento de estar nas festas do YouTube, tal influenciador gostar da gente, talvez estivesse muito na nossa cabeça lá atrás. Hoje, a gente entende que não tendo isso, como já aconteceu uma época de sumir total, tá tudo bem porque as coisas mudam, é tudo muito cíclico. A gente continuou, então não é isso que define, não é a atenção, a popularidade, mas sim o desejo de fazer música. E quando você recebe uma declaração de alguém, um relato de como a música fez sentido e tocou num lugar mais profundo, vale muito a pena. É por isso que a gente faz música e segue fazendo.

Falando em novo momento, eu vi que agora vocês são independentes e têm um selo próprio, que é o Navega. Eu queria saber como foi fazer esse lançamento tão significativo, esse “Se Fosse Tão Fácil 8.0”, pelo Navega?
Thiago Mart: Ah, foi muito legal, cara! É uma sensação de liberdade mesmo. Não que a gente se sentisse acuado ou polido em gravadora, nada disso. Mas acho que chega um momento da carreira que você aprende muito, passa por várias coisas. Querendo ou não, quando você está numa major e tem um contrato, os royalties, os fonogramas, são pertencentes àquelas pessoas que estão investindo e apostando em você. É um momento diferente, que você não tem o mesmo aporte, o mesmo marketing e você fala “poxa, isso aqui é um patrimônio também, nosso e da nossa família”. E a Navega vem muito nesse sentido de fazer isso com o Mar Aberto e com outros artistas também de ajudar a construir uma carreira sustentável, que não necessariamente dependa de um contrato com uma major ou um mega empresário. Acho que têm muitos modos de você ser artista de uma forma sustentável sem ser necessariamente o mainstream. Então a Navega vem nesse sentido de mostrar pra gente mesmo que é possível. A gente tem uma relação muito boa com a ONErpm (que é a nossa distribuidora), com as plataformas, e são passos mais comedidos, mas muito prazerosos e acho que tem que ser assim nesse momento.

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Já que teve essa nova versão de “Se Fosse Tão Fácil”, tem alguma outra música, talvez, que vocês gostariam de revisitar também – ou que vão, eventualmente? E por quê?
Gabi Luz: A gente já tá fazendo isso! (risos).

Olha só! Uma pergunta um pouco premeditada então! (risos).
Thiago Mart: Olha, como o Nação sempre deu muito espaço pra gente, acho que foi talvez o primeiro portal a postar sobre o Mar Aberto, sempre acompanhar e se mostrar disponível, a gente vai dar uma informação em primeira mão aqui! E quem ler a matéria, vai se dar bem! (risos).

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Olha, que chique! Podem falar sim, por favor!
Thiago Mart: Nós vamos fazer uma versão de “Sentido”, que é talvez a nossa música mais popular nos shows e que as pessoas mais gostam de cantar, junto com uma cantora mexicana chamada Grecia Vallejo. Vai ser uma versão em espanhol e português, e tá pronta, só faltam uns detalhezinhos. E a gente deve lançar em maio! Está demais! Tem um arranjo feito pelo Flávio, que é o nosso produtor, e não sei se você conhece a Grecia, mas ela tem uma voz muito angelical, é uma menina nota dez e cantou lindamente! Dá até vontade de falar pra ela lançar uma versão só dela também, em espanhol (risos), a gente também deve fazer isso daqui um tempinho porque o Mar Aberto está próximo dos 10 anos, né? Quem sabe a gente faz um DVD… a gente fala DVD mas hoje em dia é mais um compêndio, né? Pegar as músicas do Mar Aberto que mais fizeram sentido até hoje pras pessoas e transformar num projeto.

Achei incrível, apoio muito a ideia! Mas sobre essa faixa especificamente, vocês escolheram por ser a mais popular em show, mas tem algum significado pessoal também pra vocês?
Gabi Luz: Sim! Essa música é uma das que mais são totalmente a nossa história de verdade. Ela é muito importante pra gente, do início do nosso relacionamento, e que também combina muito com a voz da Grecia e a língua espanhola. Acho que tinha que ser ela, sabe?
Thiago Mart: Sim, acho que é uma música que as pessoas se sentem muito tocadas. E o espanhol tem isso, né? Parece que quando você escuta alguém falando espanhol, qualquer coisa já é mais emocionante.

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Latinos, né? É o nosso jeito! (risos).
Thiago Mart: Fato, né? Se nosotros somos así… (risos). Ela mandou uma guia cantando pra gente voz e violão e a gente achou que tinha tudo a ver. Juntou uma música super emocionante, com uma grande artista e uma língua que também favoreceram isso.

Como vocês chegaram nela?
Thiago Mart: Foi um amigo meu, o Rodrigo Simonsen. Ele mandou uma playlist de músicas mexicanas e falou assim: cara, olha só como existe bondade nas músicas das mexicanas. 

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Escolha interessante de palavras, né? (risos).
Thiago Mart: Ele é a pessoa mais inteligente que a gente conhece, sem dúvidas. Ele é escritor também e falou: “cara, tem candura, tem bondade”. Aqui na música brasileira, muitas vezes você tem dificuldade de encontrar isso até dentro do nicho do pop leve que o pessoal fala, porque quase sempre tem um toque de malícia, tanto que são escolhas estéticas, né? Mas lá realmente você escuta as músicas e se sente bem à vontade, vendo algo puro e bonito. Aí ele mandou acho que duas ou três músicas da Grecia e eu achei ela demais. Escrevi um comentário numa foto dela dizendo “sua voz é linda, acabei de conhecer seu trabalho por um amigo e adoraria fazer algo com você”, aí ela mandou um direct dizendo “oi Thiago e Gabi, estou aprendendo português também, gosto muito de música brasileira, vamos nessa!”. Aí a gente vai fazer “Sentido” juntos e uma outra música dela que se chama “El Plan” que a gente cantou em espanhol também. Mas foi tudo por mensagem no Instagram, na cara de pau, que é um dos nossos trunfos (risos).

Ah, mas na vida tem que ser cara de pau, né? Não tem jeito!
Thiago Mart: Meu pai sempre me disse “o não você já tem”.

Exatamente, é fazer acontecer o sim! Não é nem correr atrás da humilhação, é fazer o sim acontecer (risos)! Mas nessa versão de “Sentido”, ela cantou em português também?
Thiago Mart: Não, só em espanhol.

Na música que você comentou que é dela vocês cantaram em espanhol, certo?
Thiago Mart: Isso, essa vai ser uma música inédita dela. A gente cantou em espanhol e em português a pedido dela. Ela também canta em português num pedacinho de “Sentido”, mas é pouca coisa. Vai ser bem legal, foi uma experiência muito bacana! É uma língua bem diferente da nossa, apesar de ter uma coisa latina, mas é desafiador.

Esse pequeno spoiler me fez pensar no último projeto de vocês que era o “Mar Aberto Com Vida”, que foi lançado na íntegra no final do ano passado e tem várias participações, inclusive de artistas internacionais também. Eu lembro que cheguei a falar com vocês mais no começo desse projeto, mas agora que ele está completo e no mundo já há algum tempo, como vocês sentiram a recepção das pessoas?
Gabi Luz: A gente sempre sente uma recepção maravilhosa (risos). E é legal que a gente tenta lançar sem expectativa. Por mais que o artista fique naquela espera de como vai ser o lançamento e tenha esses anseios, a gente sempre teve os nossos lançamentos muito bem recebidos pelos fãs e também por quem chega de novo e que nunca tinha nos escutado.
Thiago Mart: É muito raro a gente tomar uma porrada de alguém que fala “nossa, odiei!” (risos). Lógico que tem, mas é raro. Geralmente é uma recepção muito positiva, acho que também porque não somos polêmicos; a gente é na nossa e faz música porque gosta mesmo. Tem uma certa despretensão no sentido de que a gente não quer “dominar o mundo” (risos). Mas foi legal que vieram fãs de outros artistas também e deu um match muito legal. A música com o João Omar foi muito bem, que é “Massagem nas Costas”, “Pipa” com o Pedro Salomão também foi um arrebento. A gente chegou nos shows em Recife e em São Paulo, a galera fez pipas pequenininhas e o Pedro ficou em choque no show que fez com a gente aqui em São Paulo. Ele parecia um cara na formatura de tão feliz! (risos).
Gabi Luz: E essa virou a música favorita do nosso filho!
Thiago Mart: Virou a música favorita do Miguel! Ele fica “papai, mamãe, pipa, pipa” e completa as frases também: “se chover eu viro… mar”. Então, foi muito bom, dá vontade de fazer mais. A gente adora fazer feat porque acho que é um ganha ganha, e a gente nunca espera que o outro artista trate a música como dele, porque é uma responsabilidade nossa. Mas quando o artista faz isso, é fantástico e a música voa, como foi muito o caso do Pedro e do João que se encantaram pela música e fizeram ela correr muito.

Que demais! E gente, acho que, infelizmente, estamos nos aproximando do fim do nosso papo, que foi incrível, então queria saber o que mais a gente pode esperar de Mar Aberto em 2025, já que vocês já soltaram esse pequeno spoiler da releitura de “Sentido”. Talvez mais shows, novos feats…
Thiago Mart: Tem muita coisa! Show a gente deve fazer uma turnê no segundo semestre, depois de voltar de Portugal. Nós vamos tocar em Portugal pela primeira vez nos dias 29 de maio em Porto, e 6 de junho em Lisboa. Estamos muito felizes porque é a primeira vez que a gente toca fora do Brasil e ainda mais em Portugal, que a gente sempre quis. Mas voltando de Portugal, a gente deve fazer mais uma digressão aqui pelo Brasil em cidades que a gente já foi e em outras que não fomos ainda.
Gabi Luz: E muitos lançamentos! Acho que pelo menos uns dois EPs…
Thiago Mart: Já tá dando outra entrevista com o Nação pra gente falar mais! (risos) 

A gente vai ter que ter outra entrevista, gente, não vai ter jeito! (risos)
Thiago Mart: Aliás, a gente agradece muito o espaço e o carinho. As suas perguntas são ótimas, é muito gostoso conversar com você, dá pra ver o seu interesse, e pra nós isso é um privilégio.

Muito obrigada, gente! E eu digo mesmo: é sempre muito gostoso quando o papo rende tão naturalmente com os artistas. Então, agradeço a vocês também pelo tempo, pelo espaço e pelos spoilers!
Gabi Luz: Contem sempre com a gente!

Digo mesmo gente! Mas só para finalizar, isso de lançamentos vão ser essas revisitações ou também vai ter coisa inédita?
Gabi Luz: Vai ter coisa nova também!
Thiago Mart: Não dá, né? A gente não consegue ficar assim sem lançar coisa nova! (risos). Digamos que esse é um ano deveras nostálgico, né?
Gabi Luz: É mesmo!
Thiago Mart: Até um certo ponto do ano ele vai ser mais nostálgico. Acho que essa é uma boa dica!.

Interessante! Gente, muitíssimo obrigada pelo nosso papo! Adorei conversar com vocês, desejo muito sucesso e que a gente se trombe nos shows ou em mais entrevistas também!
Thiago Mart: Valeu, Nat! Quando tiver show em São Paulo, você está convidadíssima!
Gabi Luz: Muito obrigada Nat!

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Natália Barão
Natália Barão
Jornalista, apaixonada por música, escorpiana, meio bossa nova e rock'n'roll com aquele je ne sais quoi