Entrevistamos Rayane Fortes sobre novo EP “RAY”

rayana fortes
Foto: Davi Capibaribe

A cantora e compositora Rayane Fortes divulgou nesta sexta-feira (27) o mais novo EP da carreira, intitulado “RAY”, nas plataformas digitais. O trabalho apresenta uma artista ainda mais madura, ousada e consciente de suas escolhas estéticas.

A Nação da Música conversou com Rayane Fortes sobre a evolução entre o álbum de estreia, “Atenta”, e o EP “RAY”, as influências musicais e a produção do trabalho, que foi gravado ao vivo.

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Entrevista por Marina Moia.
—————————————– Leia a íntegra:
“RAY” marca um novo capítulo na sua carreira. O que mudou em você, artística e pessoalmente, desde o álbum de estreia “Atenta” até agora?
Rayane Fortes: Muita coisa mudou, e eu até me sinto emocionada em falar sobre, porque “Atenta” foi um projeto muito importante pra mim. Eu produzi o álbum sozinha, em casa, em Fortaleza. “Atenta” foi um grande laboratório para mim, eu produzi todas as faixas, toquei quase todos os instrumentos, com exceção dos metais, que foram escritos por dois grandes amigos: Jorge Dudement (Sax) e Barney Oliver (Trombone).

Hoje eu tenho uma estrutura muito maior para gravar, o apoio de uma turma massa da OddSounds, e continuo tendo liberdade de produzir criativamente as minhas músicas. O que também mudou foi a maturidade. Minhas ideias estão mais claras e minha identidade, mais bem definida. No EP “RAY”, principalmente, eu me mostro mais como guitarrista. Em “Atenta”, talvez eu ainda não tivesse tanta coragem de ocupar esse lugar como tenho agora. Esse trabalho traz a minha essência, mas também revela uma Rayane completamente empoderada do próprio instrumento.

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O EP transita entre o blues moderno e a soul music, com forte estética dos anos 70. Como foi o processo criativo deste trabalho em estúdio e como navegou entre tantas influências?
Rayane Fortes: Existe um fio que me conecta a essa época e a essas sonoridades. Desde criança, sempre ouvi Aretha Franklin, Etta James, Jimi Hendrix e o meu guitar hero, Stevie Ray Vaughan artistas que, sem dúvida, ajudaram a moldar a minha linguagem. Mas também não posso excluir as influências brasileiras que sempre fizeram parte da minha formação. Caminhei muito pela bossa e pelo choro, que gosto de enxergar como o nosso jazz brasileiro. Antes da guitarra, comecei improvisando no bandolim de dez cordas, e a sonoridade do choro acabou influenciando a forma como toco guitarra hoje. Acredito que a identidade de um artista nasce justamente dessa soma de influências. É o resultado de tudo que veio antes dos nossos antepassados, e do que nós mesmos colocamos de novo ali. Isso molda a nossa identidade.

Todas as faixas foram gravadas ao vivo em estúdio. O que se ganha e o que se arrisca ao escolher esse formato?
Rayane Fortes: Todas as faixas do meu álbum “RAY” foram gravadas ao vivo. E eu acho que, no fim das contas, o que se perde quando a gente escolhe esse caminho é só o medo. O que se perde é aquela possibilidade de controlar tudo milimetricamente… mas o que se ganha é muito maior. Eu, Rayane, sinto que tenho muito mais a ganhar gravando ao vivo. Primeiro porque faço toda a pré-produção em casa, combino tudo com os meninos, cuido da banda, e quando a gente entra no estúdio já partimos direto pro play. Isso traz exatamente aquela energia de show, aquela bolha de conexão em que todo mundo está sentindo a mesma coisa ao mesmo tempo. É isso que eu quero passar Verdade. Presença. Conexão real.

Como foi a experiência de gravar “olhando nos olhos dos músicos”, como você mesma descreveu? Isso influenciou na interpretação?
Rayane Fortes: Gravar olhando nos olhos dos meninos foi muito especial. Pra mim, o palco é a minha casa. Mesmo estando dentro de um estúdio, eu queria sentir como se a gente estivesse ali, ao vivo. Um dia alguém me falou uma coisa que eu nunca esqueci: o show no palco é uma transa. Está todo mundo conectado. É troca, é entrega. E isso, faz muito sentido pra mim [risos]. Muita gente acha que no ramo da música tudo é muito individual, principalmente quando falamos de projetos solos. Mas a arte, na verdade, é profundamente coletiva. Eu dou muito valor a tocar com pessoas com quem eu me sinto bem, músicos que eu admiro, que eu sou fã. Essa conexão é fundamental pra mim.

Regravar “Atenta” e “Love Hard On The Floor” é quase um reencontro com a Rayane de 2020. O que mais te surpreendeu ao revisitar essas músicas hoje?
Rayane Fortes: “Atenta” e “Love Hard on the Floor” são músicas que foram se transformando com o tempo. Desde que gravei o álbum Atenta, eu fui tocando elas nos shows, experimentando coisas novas, e elas começaram a entrar em mutação junto comigo. Essas duas músicas cresceram ao meu lado. É muito interessante perceber isso, porque quando me dei conta, eu já estava fazendo versões completamente diferentes
Essa foi uma oportunidade de mostrar a essas novas versões neste novo trabalho.

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Além de cantora e compositora, você assina a produção do EP. O que esse lugar de produtora representa na sua trajetória?
Rayane Fortes: Eu recebi um conselho muito especial do Torquato Mariano. Quando participei do The Voice Brasil, em casa ele me deu a liberdade de dar ideias na pré-produção no conceito, no solo que eu toquei na minha audição. Ele já sabia que eu tinha esse lado de produção musical e me disse algo que nunca esqueci: quanto mais eu coloco a minha mão na produção, mais a música se torna minha, porque ela carrega ainda mais a minha verdade. E é exatamente isso que eu sinto. Quanto mais eu puder contribuir para a minha música para além de cantar e tocar, criando, pensando nos arranjos, desenvolvendo os temas, mais ela vai ter a minha identidade. Se existe essa outra faceta da Rayane, além de instrumentista e cantora, essa Rayane produtora, por que não explorar isso?

Hoje eu tenho o apoio da OddSounds para garantir o melhor resultado possível. Eu faço as minhas pré-produções, desenvolvo as ideias, os arranjos, os conceitos… e eles entram com a parte final de mix e master em altíssima qualidade, dentro de um estúdio profissional. Eles pegam essa essência e elevam tudo ao nível mais alto possível.

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Como foi trabalhar novamente com Gustavo Scaranelo e com a equipe da OddSounds nesse processo tão autoral?
Rayane Fortes: Trabalhar com a OddSounds é sempre incrível. Eles são minha família musical. A gente está sempre junto no estúdio, timbrando pedais, testando ideias, desenvolvendo meu pack de sonoridades na guitarra, experimentando microfones, pensando em texturas… é um processo muito vivo.

Os meninos me respeitam muito. Respeitam minhas ideias criativas, minha visão artística. E isso, pra mim, sendo mulher em um meio que ainda é tão machista, é algo muito significativo. Não foi fácil chegar até aqui. Não é simples conquistar espaço em um ambiente majoritariamente masculino. Mas hoje eu me sinto acolhida. Me sinto respeitada. E quando você se sente respeitada, você também se sente à vontade para ser ouvida, para opinar, para colocar sua visão com segurança sabendo que ela tem valor. A galera da OddSounds acredita muito em mim. E isso faz toda a diferença. É uma troca real, uma parceria verdadeira. Virou família mesmo

A segunda parte do EP chega ainda este ano. O que o público pode esperar desse “próximo ato”?
Rayane Fortes: Esse lançamento em duas partes: lado A e lado B. Os dois trabalhos vão se chamar “RAY” , o primeiro como “RAY Lado A” e o segundo como “RAY Lado B”. A ideia é que, no final, tudo se una no lançamento do tão esperado vinil.

Essa divisão não é só estética, ela conta uma história. Inclusive, a ordem das faixas do primeiro EP foi pensada dentro dessa narrativa. Ele vem acompanhado de uma série de clipes que se conectam entre si, quase como um filme.

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A direção será assinada por Jaque Rabello, artista e estudante de cinema, uma profissional incrível. Juntas, estamos construindo essa história em formato audiovisual.
Já o lado B é a continuação desse universo. Talvez com uma sonoridade um pouco mais quente, mais intensa… mas ainda dentro mas continuando a histórias do lado A. Eu estou muito ansiosa para que vocês escutem.

Gostaria de deixar um recado aos leitores da Nação da Música?
Rayane Fortes: Quero dizer pra galera da Nação da Música que continuem acreditando na música feita com verdade. A gente vive um tempo muito acelerado, muito descartável, mas a arte que fica é aquela que tem alma, que tem entrega.

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O “RAY” é isso pra mim: é suor, é banda tocando junto, é olho no olho, é risco. É sobre não ter medo de mostrar quem eu sou agora. Obrigada por acompanharem minha caminhada, por abrirem espaço para artistas que constroem com identidade. Espero que vocês escutem esse trabalho de coração aberto e que sintam exatamente o que a gente sentiu gravando.
Nos vemos na estrada.

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Marina Moia
Marina Moia
Jornalista e apaixonada por música desde que se conhece por gente.