Entrevistamos Tuca Oliveira sobre disco “A Nossa Vez”

tuca oliveira
Foto: Daniela Toviansky

Em novembro do ano passado, o cantor, compositor e multi-instrumentista mineiro, Tuca Oliveira lançou seu terceiro álbum de carreira, “A Nossa Vez”, nas plataformas digitais.

O álbum reúne 12 faixas inéditas, todas de autoria do próprio Tuca, compostas ao longo de diferentes fases da vida do artista. Produzido por Júlio Raposo, o disco foi gravado no Rio de Janeiro e conta com diversas participações mais do que especiais, com Elba Ramalho, Catharina (cantora e namorada de Tuca) e Milton Guedes.

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A Nação da Música conversou com Tuca Oliveira sobre a criação e produção do álbum “A Nossa Vez”, sobre detalhes das colaborações e também sobre o show de estreia da turnê, que acontece em São Paulo, no próximo dia 25 de janeiro, no Bona.

Entrevista por Marina Moia.

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—————————————— Leia a íntegra:
“A Nossa Vez” reúne canções escritas em diferentes momentos da sua vida. Como foi revisitar essas músicas e decidir quais entrariam no disco?
Tuca Oliveira: Esse é o meu terceiro álbum, e, pra ser sincero, os anteriores também tiveram um pouco dessa característica de visitar canções feitas em outros momentos da minha vida. Isso acontece porque eu sou essencialmente um compositor, tô sempre escrevendo, e ao longo dos anos fui juntando canções que eu gostaria de gravar, mas que foram ficando guardadas porque não é tão simples e acessível entrar em estúdio e produzir um disco. Por isso, em cada trabalho eu venho buscando trazer músicas que eu quero muito que façam parte da minha discografia. No álbum “A Nossa Vez”, tem música que nasceu e já entrou direto (como “Quando A Gente Se Encontrar”, escrita pouco antes de finalizar as gravações), e tem canção que eu vinha esperando uma oportunidade de gravar (como “João”, que conta a história de meu avô paterno. Ela poderia ter entrado no álbum anterior, mas gravei “Zamira”, que é sobre minha avó materna. Como são canções sobre ancestralidade, eu quis que cada uma viesse em um disco, para que ambas pudessem ter seu lugar).

O álbum dialoga com a tradição da MPB, mas soa atual. Como você equilibra respeito à raiz e frescor criativo?
Tuca Oliveira: Embora eu goste de ouvir muita coisa, e tô sempre buscando me atentar às novidades, é inegável que minhas maiores referências musicais são dos anos 70/80 pra trás. É o que eu mais ouvi e sigo ouvindo, e, portanto, o que mais me inspira em termos de melodias e letras. Só que, ao mesmo tempo, tem o fato de que sou um artista vivendo em meio às características do mundo atual (globalização, pandemia, redes sociais, etc…) e isso obviamente acaba interferindo na minha forma de fazer música, principalmente nas letras. Sempre acreditei que a principal matéria-prima pro artista criar é simplesmente sua experiência de estar vivo e percorrer o mundo. No meu caso, eu nunca busquei – em termos de composição – racionalmente equilibrar as influências mais antigas com o que tem rolado no momento. Eu simplesmente deixo as canções fluírem, confiando no fato de que sou jovem e estou no mundo, e isso já traz essa contemporaneidade na forma como escrevo.

Como foi trabalhar com o produtor Júlio Raposo nesse projeto? O que ele acrescentou ao seu som?
Tuca Oliveira: Foi tudo maravilhoso! Eu acho que essa pergunta, inclusive, conversa muito com a anterior, porque o Júlio foi fundamental pra gente trazer uma sonoridade mais atual pro projeto, em termos de arranjo e produção musical. Tudo começou em 2022! Eu fiz uma música chamada “Será Que Eu Tô Gostando Dela?”, e senti que era uma canção mais pop. Então, resolvi chamar o Raposo para produzir, porque queria a assinatura dele, que já vinha fazendo trabalhos incríveis nessa onda. Até então, nem nos conhecíamos direito. E ele arrasou! Ao longo do processo, nos tornamos grandes amigos. A partir daí, veio a idéia do álbum, e a gente seguiu.

Como surgiu o feat com a Elba Ramalho em “Simples Assim”? O que esse encontro representa na sua carreira?
Tuca Oliveira: Basicamente, fomos com a cara e a coragem bater à porta da Elba e mostrar a música pra ela. E ela disse: “é música boa, é um compositor jovem, e eu quero contribuir!”. Generosidade ímpar, né? Nós não nos conhecíamos, então a própria música que fez nascer essa parceria. É muito bonito quando as coisas acontecem de forma espontânea e sincera! Sem dúvida, ela me deu uma força gigante pra seguir em frente e acreditar mais no tipo de canção que eu venho fazendo ao longo dos últimos anos. Um outro fato que eu gostaria de mencionar é que o nordeste sempre me acolheu com muito carinho todas as vezes em que fui cantar lá! E ter a Elba, que é uma grande representante da música brasileira (e que é nordestina), cantando comigo no meu disco é, pra mim, também uma forma de poder agradecer pelo encontro maravilhoso com esse público tão afetuoso e querido comigo. “Simples Assim” é a união musical de um mineiro e uma paraibana.

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A música com a Catharina é também uma canção de amor real. Foi diferente dividir o estúdio com alguém tão próximo?
Tuca Oliveira: “Eu Quero Apenas Te Ouvir Cantar” é a música mais antiga do álbum. Eu fiz ela há uns 15 anos, e guardei no caderno esperando a oportunidade de gravá-la com alguma cantora que eu considerasse uma grande voz! A música ficou ali parada e eu sonhando em ter alguma participação de quem sempre fui fã, como Vanessa da Mata, Maria Gadú, Marisa Monte, e conseguia imaginar até Bethânia e Gal! Mas os anos foram passando e eu sequer consegui mostrar a música pra alguma delas. Só que eu não desisti! Eu continuei com essa esperança, e deixei a música guardadinha. Até que… conheci Catharina! Ela nunca havia gravado nada antes desse álbum, e nem tinha pretensões artísticas (como ainda nem sei se tem). Eu fiquei impactado com a voz dela, com a afinação impecável e a entrega tão natural na hora de cantar. Eu me apaixonei por ela, e não tive dúvida de que se tratava da voz que eu esperei por 15 anos pra cantar essa música comigo! E assim, de fato, “Eu Quero Apenas Te Ouvir Cantar” se tornou uma canção de amor real.

Milton Guedes traz uma sonoridade muito marcante ao disco. Como foi esse diálogo artístico?
Tuca Oliveira: Miltinho se tornou amigo! Que pessoa incrível e alto astral! A gente se conheceu pessoalmente no Rio, em algum sarau. Mas, antes disso, eu já era fã dele. Quando eu tinha 16 anos, chegou lá em casa (presente de uma amiga da família), o primeiro DVD acústico do Roupa Nova. Aquilo mudou minha vida! E quem tava tocando lá? Milton Guedes. A vida tem dessas surpresas maravilhosas. Eu fiquei muito honrado de ficarmos próximos e de ele ter gravado em “Fico a Fim”.

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O encontro com Guilherme Arantes foi decisivo para a faixa-título. O que aquele momento despertou em você?
Tuca Oliveira: Fui convidado para assistir à entrevista do Guilherme Arantes lá no podcast “Papo com Clê“. Tem no youtube! Fiquei sentadinho no sofá praticamente sem abrir a boca. Claro, estava ali nervoso na frente de um ídolo, e ainda juntou a natural timidez mineira. Eu sei que, quando acabou a entrevista, o Clê me chamou e pediu pra mostrar uma música pro Guilherme e eu cantei “Com Você” (do meu álbum “Esse Momento”). Foi aí que ele se emocionou, e foi às lágrimas. Um momento muito lindo da minha vida, porque sempre aprendi muito com ele! Pois bem, saí de lá e caminhei pro metrô. Desci no Catete, onde morei por anos no Rio, e quando subi a escada da estação e saí na rua, desabei a chorar! Acho que foi alí que caiu a ficha. E caminhei emocionado até em casa com uma sensação de estar renovado. Eu só pensava “puxa, que força incrível eu ganhei hoje! são tantos anos nessa caminhada! Saí da minha cidadezinha do interior, vim pro Rio. Tô aqui lançando minhas músicas, e apesar de eu dar o sangue por isso, portas continuam a não se abrir pra mim. Mas hoje eu tive certeza de que o momento de conseguir mostrar minhas canções a mais pessoas está chegando! Se o Guilherme, que fez tantas coisas maravilhosas, se emocionou, ainda tenho que insistir”. Semanas depois desse episódio, eu estava em Muzambinho (minha cidade), e resolvi ouvir gravações antigas de músicas inacabadas.. e encontrei as estrofes de “A Nossa Vez”. Então, conclui a música! A essência dessa canção é falar sobre oportunidade, de como cada pessoa tem algo pra mostrar ao mundo e só precisa de oportunidade! Eu tive a chance de mostrar minha música pro Guilherme e ele se sentiu tocado.

O show em São Paulo marca o início da turnê. O que o público pode esperar dessa apresentação?
Tuca Oliveira: Vai ser um show intimista, eu e mais um músico (João Leão) e vamos tocar pela primeira vez as canções do álbum novo, além de visitar as principais músicas dos dois discos anteriores! Teremos participação da Catharina (cantando pela primeira vez ao vivo comigo). É show de estreia, e sempre bate aquele frio na barriga aqui do cantor, porque músicas serão tocadas pela primeira vez ao vivo para um público. Quero que a gente cante junto! Vai ser uma noite muito especial e de reencontro, afinal faz um tempo que não toco em São Paulo. Vamos acabar com essa saudade!

Gostaria de mandar um recado aos leitores da Nação da Música?
Tuca Oliveira: Quero agradecer à Nação da Música pelo espaço e pela oportunidade dessa entrevista! E aproveito para convidar todos os leitores para ouvirem minhas canções e, se gostarem, me ajudarem a espalhá-las por aí! Esse apoio do público é muito importante pra gente que é artista independente. Agradeço muito por terem lido até aqui! E venham pro show.

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Marina Moia
Marina Moia
Jornalista e apaixonada por música desde que se conhece por gente.