Mariana Nolasco fala sobre lançamento do EP “Sessions 2” em entrevista

mariana nolasco
Foto: Divulgação
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MAR ABERTO

Em julho deste ano, a cantora Mariana Nolasco lançou nas plataformas digitais o EP “Mariana Nolasco Sessions 2”, dando continuidade ao projeto de 2020. Com direito ainda a vídeos exclusivos para cada faixa disponibilizados em seu canal no Youtube, a cantora trouxe versões suas de músicas próprias e de composições de outros artistas, contando ainda com as parcerias de Vitor Kley e Dani Black.

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MAR ABERTO

A Nação da Música conversou com Mariana Nolasco sobre o processo das gravações de “Mariana Nolasco Sessions 2”, a recepção do público com a retomada da artista do início de sua carreira, em que gravava covers para o seu canal no Youtube, e seus recentes projetos de composições autorais.

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Entrevista por Natália Barão
————————————– Assista à entrevista:

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————————————– Leia a íntegra:
Oie, tudo bem?
Tudo bem, e você, Nat?

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Tudo certo! Posso te chamar de Mari?
Pode! Nossa, que cabelo legal o seu! Eu amei muito, real.

Ai, obrigada, eu retoquei no fim de semana haha. Você tá bem?
Tô bem, e você?

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Tô bem também. Com frio, mas passo bem, e você?
Eu tô com o meu cafézinho que é pra dar uma esquentada. Eu sou viciada em café

Eu também, já tomei o meu aqui e tô tipo Jornal Nacional aqui: parte de cima tudo certo e a de baixo estou embaixo das cobertas porque sem condições
Friaca, né? Você tá em São Paulo?

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Eu tô! Você também?
Sim

Nossa, eu não aguento mais esse frio, falaram que ia melhorar essa semana mas eu não vi essa melhora até agora
É, eu também não. Tô aguardando o tempo

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Bom, podemos começar? Então, semana passada você lançou o “Mariana Nolasco Sessions 2”, e eu vi que ano passado você já tinha lançado a primeira parte, e eu queria saber por que você decidiu dar continuidade a esse projeto ? você achou que a recepção do seu público foi legal, como foi?
Então Nat, na verdade eu comecei fazendo covers sei lá, faz uns 10 anos, e sempre foi uma coisa muito intimista, eu com o violão ali no meu quarto e tudo mais, e a partir do momento que eu comecei a escrever as minhas próprias músicas e a compartilhar isso, o meu canal meio que parou de ter os covers, que era uma coisa que vinha tendo com muita frequência há anos, e aí os vídeos que tinham lá começaram a ser só os clipes das músicas, e eu falei “como é que eu poderia trazer essa atmosfera intimista pras pessoas e não deixar isso morrer?”. Porque meio que foi onde eu nasci, eu amo fazer isso, essa coisa mais íntima mesmo, e aí surgiu essa ideia do “Mariana Nolasco Sessions”, que é bem uma proposta de trazer as pessoas pra minha casa, pro meu lar, esse conceito de lar. Então o primeiro foi de fato aqui em casa, e no segundo eu fui pra um outro lugar onde eu me senti em casa também, que é no interior.

A gente foi gravar numa casa no interior muito perto da natureza, que é também um outro lugar onde eu me conecto muito e me sinto muito em casa perto do mato, e meio que foi pra dar uma continuidade pra esse processo de trazer as pessoas pra perto, sabe? Então pode ver que tanto no primeiro quanto no segundo têm versões de músicas minhas, que eu adoro fazer versões voz e violão, uma coisa mais acústica ? inclusive eu faço até das minhas músicas ? e tem algumas versões também, que foi uma coisa onde eu comecei e que eu gosto muito de covers. Esse tema é meio mal usado, cover, mas releitura, versões, uma coisa que eu amo fazer e falei “ah, acho que seria legal”, até pra poder me conectar mais com o meu público nesse lugar onde eles me conheceram.

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E você comentou que pra essa segunda parte foi no interior. Por que você decidiu ir pra lá? Onde foram essas gravações?
Foi numa casa em Atibaia, não sei se você conhece, é um interior muito gostoso, eu acho que eu nunca tinha ido pra lá, foi minha primeira experiência, e foi numa casa super grande que tinha tanto locação externa, que foi onde eu fiz os vídeos mais perto da natureza mesmo, sentada no chão, quanto os quartos, então tinha uma salinha que tinha uma lareira (tava muito frio também), então traz esse aconchego. E as participações que tiveram foram lá, foi muito gostoso os músicos, foi um presente pra mim. Acho que eu não quero gravar mais nada que não seja assim. Sei lá, não sei se é a minha lua em Câncer (aquelas que começam a justificar)

Eu mesma haha o meu ascendente é em Câncer, então estamos juntas nessa
Então você me entende! Sei lá, é você estar entre amigos e num ambiente gostoso que você de fato se sente em casa, com uma comidinha da horta orgânica, um quartinho só de gravação, eu falei “nossa, eu quero ficar aqui pra sempre!”. E isso acaba chegando pras pessoas, eu acho, essa atmosfera.

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Não, com certeza. E justamente nesses vídeos, que, além do EP, eu vi que tinha um cronograma de lançamentos que eram 8 vídeos, um lançado a cada semana, sendo os clipes das versões. E eu vi que você chegou até a dirigir um ou outro, como foi essa experiência?
Eu acho que eu tô num processo, Nat, que eu tô encontrando os potenciais em mim, porque no final das contas, querendo ou não, eu sou uma pessoa que eu sou independente, então desde sempre foi assim, eu ali querendo ou não antes era só uma webcam e eu, então não tinha muito o que dirigir porque era eu mesma ali. Mas acho que esse potencial, eu tenho muito pra explorar ainda dentro de mim, de poder coordenar mesmo, dirigir e tudo mais, é uma coisa que eu gosto muito de estar inteirada em todos os detalhes. Eu gosto de saber o que se passa por trás ali ao invés de só ir lá e gravar e cantar. Eu gosto de participar de todo o processo porque acho que essa profundidade acaba refletindo no projeto como um todo, na entrega disso.

Então acho que desde os clipes, eu participei da roteirização, as músicas também do EP foi a primeira vez que eu me enfiei na produção, nos arranjos, na mix eu tava acompanhando master tudo ali, então foi um processo onde eu me vi participando 100% de tudo: desde o EP até o “Mariana Nolasco Sessions 2” também. Locação eu fui lá visitar também, pensei “poderia ser legal esse vídeo aqui; esse seria legal com o Dani aqui”, então acho que isso traz mais vida pro projeto, você vai se colocando mais no projeto. E eu acho que é tão legal quando a gente consegue fazer isso com o nosso trabalho, a gente colocar um pouquinho da gente em todos os lugares, eu prezo muito por isso.

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Não, com certeza, e até isso, ao meu ver pelo menos, torna tudo mais intimista, mais autoral e mais seu mesmo, que como você falou era justamente a proposta do “Sessions”. E você comentou sobre isso de se enfiar em produção e todas essas coisas, você sentiu alguma diferença dessa imersão no projeto do “Sessions” pros seus projetos autorais (tipo o seu EP do começo desse ano)?
Eu senti uma diferença muito grande desse ano ? falando de anos especificamente, e não de projetos ? pros outros anos anteriores, que acho que também era uma coisa que tava muito nova pra mim, eu tava começando a compor, e acho que a composição é um processo tão profundo, que a gente vai entrando dentro da gente e entendendo o tipo de conteúdo que tem dentro da gente e que muitas vezes negamos e escondemos de nós mesmos. A composição é meio que um portal pra você acessar todas essas informações e trazer à tona em forma de música.

Então eu comecei a fazer isso, sei lá, há uns 3 ou 4 anos, e eu fazia mais ou menos; eu fazia e depois eu parava. Então acho que esse ano e o passado também eu comecei um processo de escrever e deixar mais as coisas virem, sabe? Uma fluência maior. E aí isso acaba refletindo não só na composição, mas em tudo, porque daí é eu dando essa fluência pra todas as outras coisas também: pra composição, pro EP, que eu senti que eu mergulhei muito de cabeça em todo o processo, eu tava muito dedicada, muito animada, ainda mais porque o EP conta uma história do meu término de relacionamento e o que aconteceu depois. Então era eu ali, era eu contando a minha história, eu falei “cara, isso aqui sou eu, não tem como outra pessoa contar por mim”.

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Eu vou ter que participar de tudo porque eu participei de tudo mesmo. E acho que os outros também, como era algo muito novo, eu tava nesse processo de sair de casa, de começar a ir em estúdio, eu tava entendendo o tipo de som que eu gostava, o tipo de arranjo que eu curtia, o tipo de composição que “ai, isso aqui tem a ver, isso aqui que eu tô falando agora eu tô sendo 100% sincera”. Então acho que agora eu já tenho um pouco mais de certeza disso, e eu tô deixando isso aflorar cada vez mais.

E em especial dos vídeos que foram gravados pro “Sessions”, eu vi que teve um novo clipe praticamente de “Ser Amado”, com o Dani Black, que vocês já tinham se encontrado antes pra gravar essa música juntos. Como foi esse reencontro?
Maravilhoso! O Dani é um parceiro, um amigo e um professor também que me ensina muito. Então poder ter ele nesse projeto, da outra vez que eu fiz eu também tentei trazer isso, sabe, ao invés de ser só versões de músicas minhas, trazer as participações também. Porque eu gosto muito de cantar com outras pessoas, acho que até mais do que cantar sozinha. Eu gosto muito de cantar com outras pessoas, quando tem essa conexão, com o Vitor (Kley) também. Então poder ter o Dani foi um presente, foi muito gostoso, foi muito legal, e a gente ficou ouvindo a gravação depois chorando, tipo “ai, tá muito legal que a gente vai entregar isso!”. Então foi incrível, foi uma delícia.

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Ai que tudo! E eu percebi que no “Sessions 2” têm algumas faixas que você canta em inglês também, que é uma coisa que não tinha no primeiro. Por que você decidiu isso? Porque você já fazia vários covers de músicas em inglês também
Yes hahaha (eu acabei de sair da minha aula de inglês inclusive). Eu amo línguas, na verdade. Acho que eu nunca nem falei isso, mas a minha mãe já foi professora de inglês, então sempre foi uma coisa muito presente na minha vida. Mas acho que trazer isso pra esse Sessions foi uma coisa meio que natural que aconteceu, sabe, porque ter planos de uma carreira internacional, acho que claro, tô aberta pra isso, muito legal, mas por enquanto eu não tenho uma estratégia, um negócio. Acho que foi só porque as músicas vieram mesmo em inglês e eu falei “ah, vou compartilhar”.

Uma foi uma composição, a primeira que eu fiz em inglês, que foi “Ask For Love” e que fez parte do EP, e é uma música mais contemplativa, mais meditativa, e foi engraçado porque quando eu tava escrevendo ela, eu tava com uma temática na minha cabeça e eu falei “que engraçado, a música não tá vindo em português; as palavras tão vindo em inglês”. E é um processo de não julgamento né, eu falei “ah, vou escrever em inglês, como assim?”, e eu falei “sim, por que não?”. A música tá vindo em inglês, eu falei “tá bom, deixa eu ver o que tem aqui pra falar em inglês”, e aí acabou sendo em inglês e eu falei “pelo menos eu vou colocar no EP” porque ela é essa transição, esse espaço onde eu me sinto acolhida, me sinto calma pra poder lidar com as coisas, absorver e tal. Então ela trouxe esse estado bem contemplativo, em inglês. E a outra é “I Believe In Us”, que é uma música que foi um desafio pra mim porque eu fui convidada pra escrever uma música em inglês, pra um projeto internacional, com a temática “Dia Internacional das Mulheres”. E eu falei “cara, tá bom”.

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E foi um processo mesmo, primeiro porque eu tinha um tema específico, então pra mim foi novo, porque eu nunca tinha escrito tipo “agora você vai escrever sobre isso”. Eu simplesmente ia escrevendo sobre as coisas, sobre o que eu tava sentindo e tal. Então quando tem uma pauta, e em inglês, que não é a minha língua, eu falei “bom, então temos essas duas coisas”, e foi uma das músicas que eu mais curti fazer, de ficar feliz com o resultado e falar “caraca, acho que eu entreguei tudo, é isso que eu penso, é assim que eu me sinto sendo mulher na sociedade: eu me sinto presa, eu quero ser livre”, a música fala muito sobre isso, sobre o quanto as mulheres carregam em si uma vontade intrínseca de se sentirem livres, ouvidas, pertencidas. E a música fala sobre isso, o nome dela é “I Believe In Us”, ou seja, “eu acredito em nós”, então foi uma música bem legal de escrever também.

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E já que a gente tá falando desse tema, eu vi que no ano passado você lançou também o single “Para Todas As Mulheres”, que eu achei incrível inclusive, tem justamente essa pegada, e eu senti que diferencia um pouco do que você costuma fazer, porque você costuma justamente falar sobre amor, sentimentos, essas coisas. E tanto “I Believe In Us” quanto “Para Todas As Mulheres” tem essa pegada mais feminista, militante e tal. É uma coisa que você pensa em explorar mais na sua carreira?
Cara, eu acho que isso meio que tá em nós. A gente carrega isso na memória do nosso corpo. É muito doido você encontrar uma mulher e ela não ser feminista, eu acredito que ela só não sabe disso, porque tá no DNA dela, tá nas células, no corpo, a gente carrega isso na nossa história, na nossa ancestralidade. E eu acho que tanto “I Believe In Us” quanto (principalmente) “Para Todas As Mulheres”, eu senti que eu me abri pra receber músicas de um outro canal que não era conhecido pra mim. Por isso que soa diferente, até musicalmente, eu nunca tinha feito uma música a partir do ritmo; era sempre através da melodia ou da harmonia no violão. Então eu fazer através da percussão foi uma coisa totalmente nova, eu falei “nossa, tá vindo”, como uma inspiração mesmo.

E eu pensei “eu tenho que falar mais sobre isso”. Me abriu muito porque eu vi o quão importante é esse tema, você falar sobre isso. E a música fala exatamente sobre isso, sobre você não se calar. O refrão é “abafaram nossa voz / mas esqueceram de que não estamos sós”, então acho que isso é uma coisa que vem vindo cada vez com mais força pra mim. Apenas com as coisas que eu tô escrevendo ultimamente também, essa energia tem estado bem presente, na ancestralidade, nas minhas raízes, honrar as minhas origens e as mulheres da minha família que me ensinaram tanto.

Então isso é um tema que tá dentro da gente, não tem como isso não ser falado. A gente tá falando e se expressando aqui e somos mulheres, a gente tá vivendo, isso existe. Então acho que todos esses assuntos precisam ser trazidos à tona. E foi muito doido, porque muita gente que não fazia ideia de quem eu era, começou a conhecer o meu trabalho público de uma maneira completamente diferente do que quem estava acostumado a ouvir as minhas músicas, e começaram a me acompanhar através dessa música. Então foi bem surpreendente pra mim, e isso me deu um sinal de que acho que eu preciso falar mais sobre isso; se eu tenho a minha voz, que eu a use de uma maneira positiva pra empoderar outras mulheres também.

Sim, com certeza! E você comentou que você se inspirou nas mulheres da sua família, ancestralidade, origens, essas coisas, mas tem algum nome, alguma mulher específica (autora, artista ou feminista famosa, como a Bell Hooks, por exemplo) que inspirou você e que te inspira dessa forma?
Acho que as mulheres em si são uma grande inspiração, porque tá nas sutilezas. A gente sempre busca mulheres fortes, mulheres intelectualmente ativas pra gente poder se inspirar, mas se você olha pra sua vó, você já vê uma grande beleza nela, uma grande força, uma história e você fala “essa é minha inspiração na verdade”. Tem um livro que eu comecei a ler, que é super denso, provavelmente você deve conhecer (todas as mulheres que já estão mais inseridas nesse meio conhecem esse livro), que é o “Mulheres Que Correm Com Os Lobos”. Esse foi um livro que me pegou de supetão, eu comecei a ler e fiquei “meu deus, processos inconscientes acontecendo”. E acho que isso mexeu muito comigo, com a minha estrutura emocional como mulher, eu comecei a questionar muita coisa. Então ele foi uma grande porta de entrada pra entrar com mais certezas e clareza também nesse universo que eu faço parte já.

Sim, nossa, esse livro é um soco.
Nossa, ele é muito forte, cara. Você lê e fica “não, deixa eu respirar de novo”, porque é denso.

Eu levei um tempo pra ler também, porque nossa
Eu não terminei ainda, eu ainda tô lendo

É muito bom, mas é isso, é um processo ler esse livro. E bom, mudando um pouco de assunto, voltando pra uma parte um pouco mais sentimental (sim, estou atacando na sua lua em Câncer porque o meu ascendente é em Câncer)
Ah meu deus, a gente vai jogar com os cancerianos então, vamos lá.

Vamos, porque assim, signos de Água. Eu sou escorpiana e com ascendente em Câncer, então estamos aí
E a sua lua é aonde?

Minha lua é em Touro, e a sua?
A minha é em Câncer, e eu sou aquariana com ascendente em Áries

Nossa senhora, Aquário com ascendente em Áries!
É, eu sou difícil, mas acho que a lua em Câncer dá uma salvada, que pelo menos eu consigo sentir alguma coisa, que é onde eu coloco toda a minha emoção musical. Eu uso a minha lua bastante pra música, porque no dia a dia…

Não, mas tem o ascendente em Áries também, porque é um signo bem intenso, querendo ou não. Câncer, signos de Água e tal são mais sensíveis, mais sentimentais, mas querendo ou não, Áries também é bem intenso hahaha. Mas enfim, voltando aqui, eu vi que a faixa bônus do “Sessions 2” foi “João de Barro” que já era uma faixa que você já tinha feito uma versão e tal, mas teve algum motivo pra essa faixa ter sido bônus? Tem algum significado especial pra você?
Eu acho que eu sempre gostei muito dessa música, ela sempre me emocionou muito. Porque eu acho que realmente o nosso grande desafio é andar sozinho, e eu falo que quando eu comecei a morar sozinha, eu falei “nossa, esse é um desafio pra mim (e pra todo mundo), conviver sozinho com a sua própria presença, encontrar um espaço de solitude dentro de você onde você se sente completamente confortável e não fica se distraindo”. Isso é um desafio pra todo mundo, mas é o desafio que eu mais gosto da minha vida, porque eu acho que quando você supera esse obstáculo, tudo começa a ficar mais claro. E tanto com “João de Barro” quanto “Ai Que Saudade D’ocê”, que foi uma outra versão que eu fiz também pra esse “Sessions”, são músicas que sei lá, eu não sei explicar muito bem de uma forma racional, mas são músicas que me tocam, e eu sou guiada muito por isso: se a música me traz uma sensação boa, se eu me emociono, se eu ouço e falo “nossa, é isso!”.

Essa música mexe com os sentimentos, ela mexe comigo, fala comigo, com o meu espírito? Sim, então eu vou gravar. E eu poderia gravar várias músicas, mas essas duas em específico mexeram muito comigo. Acho que eu também tenho um lance com os pássaros, eu sempre observei muito a natureza, e eles são uma das minhas maiores inspirações porque eles voam – o meu sonho é voar, então tem esse lance da liberdade – e eles cantam lindamente. E enfim, todas as outras coisas maravilhosas que eles fazem também, como construir um ninho, mas enfim, National Geographic aqui do nada hahaha mas nossa, eles são uma grande inspiração. Foi engraçado, eu achei até uma coincidência que “João de Barro”, querendo ou não é um passarinho, e “Ai Que Saudade D’ocê” fala muito do beija-flor, e eu falei “nossa, acho que eu tô conectada mesmo com isso”.

Olha, se fosse eu já teria tatuado um pássaro aqui e é isso hahaha
Cara, eu tenho borboleta, que traz bem essa lembrança da liberdade também, da transformação, de você se sentir livre, que acho que, como uma boa aquariana, é um dos meus maiores valores. Mas o passarinho tem esse lance do canto e as asas fortes… sei lá, eu sou apaixonada.

Já que a gente tá falando dessa conexão tão profunda, a proposta do “Sessions” justamente era isso né, de trazer a Mariana do começo, que marcou uma geração (a minha, inclusive) com os covers no canal e tudo mais, pra retomar essa conexão com o seu público. Mas você acha que você retomou alguma conexão com você mesma, com a Mariana do passado?
É isso que eu ia falar, eu acho que gravar dessa forma também mais intimista, eu e o violão, ao vivo ali, isso me remete muito ao que eu faço em casa. Eu vira e mexe tô fazendo isso, não tem toda uma estrutura, não tem equipe (que também foi super reduzida). Acho que quanto mais simples, mais eu gosto, mais eu me sinto confortável. Então quando eu tô fazendo o “Sessions”, por exemplo, eu me conecto muito com aquela Mariana; nunca houve uma desconexão, ela sempre esteve aqui em mim, mas acho que é um lugar onde eu consigo agradecer por ela, honrá-la e agradecer as pessoas que passaram a me conhecer através dela.

Eu tô falando como se fosse outra pessoa, sou eu no passado, mas eu acho que o Sessions trouxe sim muito isso de restabelecer uma reconexão comigo mesma nesse lugar mais simples e mais orgânico e intimista, e ao mesmo tempo transmitir isso pras outras pessoas também, que foi como elas me conheceram.

E olhando a Mariana de agora, que diferenças você percebe olhando pra Mariana daquela época, em termos de carreira, amadurecimento, essas coisas?
Olha, se eu for pegar a Mariana de 14 anos, por exemplo, ou a de 13, que foi quando eu comecei há 10 anos atrás, eu acho que com certeza eu amadureci muito, isso não tem dúvidas, até mesmo porque quando eu comecei eu nem sabia que eu ia trabalhar com isso mesmo, que isso era uma possibilidade de profissão, sempre foi muito porque eu gostei de fazer. E acho que a maior diferença que eu vejo é o lance de assumir responsabilidades do amadurecimento, e de abertura, porque eu acho que eu era uma menina muito tímida, tanto é que a internet pra mim foi uma porta onde eu conseguia me comunicar com as pessoas.

Era como se eu tivesse o meu mundo particular no meu quarto e eu dava vazão praquilo nas redes sociais, pela internet. Então agora eu tô dando vazão a isso fora da internet com as pessoas nos shows (quando eu tava fazendo, porque agora teve esse break), mas acho que essa abertura mesmo, tudo que eu conseguia falar na internet, que eu conseguia me expressar, eu tô trazendo isso mais pro meu dia a dia, tô me sentindo mais aberta, mais independente, com mais profundidade, mais instruída musicalmente, tô conhecendo mais o meu corpo também, acredito que eu me aperfeiçoei muito musicalmente também… então acho que tudo é um amadurecimento em geral.

Com certeza, e pensando na Mariana do passado (um não tão distante), a que fazia covers, você gravou vários, inclusive alguns com participações, tanto de artistas nacionais, quanto internacionais, como o Boyce Avenue. Tendo feito o “Sessions”, você pensa em voltar a postar os covers, fazer essas colaborações, que de repente pode até acarretar numa parceria autoral mesmo?
Olha, eu tenho muita vontade. Acho que por um período foi importante eu ter parado de fazer os covers até pra rolar essa mudança mesmo, que agora eu componho. Então rolou uma mudança até como as pessoas me viam também, então isso foi importante. Mas eu falo, eu tô em casa aqui com o violão eu canto música de outras pessoas, eu adoro fazer isso e eu nunca vou parar de fazer porque eu amo.

Agora a questão de compartilhar isso é uma coisa que eu tenho vontade mas eu não tenho um projeto, por exemplo só de covers, alguma coisa nesse sentido. Não é uma coisa que eu penso em fazer ou voltar a postar com frequência, embora as pessoas às vezes me peçam e tudo mais. É algo que eu pretendo começar a inserir com um pouco mais de frequência do que esses últimos 3 anos que eu fiquei lançando coisas mais autorais, como por exemplo o Sessions, que tem duas versões de músicas que não são minhas; às vezes coisas no Instagram também, em outras plataformas, em outras redes sociais. Mas eu não tenho um projeto só pra isso ou alguma pretensão de voltar a fazer covers, isso não. Porque eu acho que quando eu gravei com o Boyce foi meio que o ápice pra mim, porque querendo ou não é o maior canal de covers do mundo, e eu assistia muito eles quando eu comecei a fazer, era uma baita referência pra mim.

Pra você ter noção, Nat, eu queria ouvir uma música e eu não ia procurar a original, eu ia procurar “não sei o que versão Boyce” pra ver se eles tinham gravado a música. Eu amava muito. E quando eles me chamaram pra gravar depois de alguns anos, eu falei “não é possível”. Sabe quando a ficha não cai? Eu achava que eles tinham errado o email, alguma coisa tinha acontecido errada. “Cara, não é possível, eles sabem que eu existo, como assim? Isso é bizarro, eu moro no Brasil”.

Não, mas eu acho que assim, se o Boyce Avenue tem toda essa repercussão justamente porque se as pessoas pensam em covers, internacionalmente falando, na minha cabeça pelo menos, Boyce Avenue e o Kurt Hugo Schneider. Mas aqui no Brasil, Mariana Nolasco. Pra mim é isso
Cara, é muito louco isso porque eu gravei com o Kurt também. É muito doido isso porque acho que foi uma celebração de tudo isso que eu fui construindo gravar com o Boyce, sabe? Eu gravei duas vezes com eles, então acho que esse momento de eu estar lá com eles, conhecê-los… cara, olha que engraçado onde eu tô. Tipo, quando que eu ia imaginar isso? Jamais! E eles foram super legais comigo, super doces, super pacientes em relação ao sotaque também, super carinhosos, eles viram que eu curtia muito eles, eu não fingi nenhum costume, eu adorei estar lá porque eu falei “caraca, muito legal”. Eu gravei duas vezes com eles, depois a galera do Maroon 5 acabou vendo nosso vídeo e compartilhando, e eu falei “gente, que coisa louca”. E depois eu gravei com o Kurt, que você falou, que é uma pessoa que eu assistia todas as produções dele, sempre fui muito apaixonada, eu assistia muito essa galera.

Então poder também participar de projetos com eles, acho que foi muito um ápice da minha carreira em relação aos covers. Eu falei “cara, acho que não tem muito mais pra onde eu ir”. Eu gravei com o maior canal do mundo duas vezes, sei lá, e agora? Então eu senti muito essa necessidade de começar a trazer coisas autorais, e eu fiquei muito feliz com a receptividade das pessoas porque a gente sabe que não é uma transição muito fácil dessa carreira de covers e tudo mais, então quando eu lancei a minha primeira música autoral eu não sabia o que esperar primeiro porque já tinha uma expectativa, e porque era um conteúdo que era meu, era uma coisa mais particular, não era uma música que as pessoas conheciam. Então poder trazer isso pras pessoas e ter uma receptividade tão amorosa assim me inspira, me motiva a continuar compondo e a continuar compartilhando os conteúdos que têm dentro de mim.

Eu acho que isso tudo é justamente a beleza da música, que artistas fazendo versões, releituras, se reencontrando, e a repercussão que isso gera até de repente chegar nos artistas originais, acho que é justamente o poder e a beleza da música.
Cara, total, é a conexão que gera tanto entre as pessoas que estão fazendo a música, quanto aquelas que estão recebendo também. Então quando eu vejo as pessoas gravando músicas minhas, é uma sensação que eu não sei nem falar, porque eu fiz isso tantos anos, e ver as pessoas cantando músicas minhas é um choque assim, uma virada de chave muito grande na minha cabeça, uma gratidão muito enorme que eu sinto por esse processo.

Ah eu imagino, deve ser uma coisa tipo “quebrei a quarta parede aqui, eu fazia covers e agora fazem covers meus”
É, é muito louco, cara, é muito gratificante, muito bonito ver isso

Eu imagino. E Mari, se você pudesse hoje escolher um artista nacional ou internacional, pra fazer um cover de algum artista ou banda, nacional ou internacional, quem seria?
Ai que boa pergunta! Acho que eu tô muito com a Aurora na cabeça, eu tô ouvindo muito ela, então provavelmente seria ela. Eu ouço muito ela, então ela me inspira muito nesse lugar de fluxo, ela é uma pessoa muito sentimental, às vezes ela mexe muito profundamente comigo e com as pessoas que eu amo e também acredito. É uma cura que acontece mesmo, embora a última música dela fale que não existe cura hahaha não sei se você conhece o trabalho dela, mas ela é perfeita

Sim, eu conheço ela, eu adoro ela, eu fui no show dela no Lollapalooza que teve
Ai eu queria muuuuito ter ido! Eu quero muito ir no próximo!

Tempos mais simples né, ai que saudade de um show
Nossa exato, cara, eu também tô. Agora pra cantar um cover, cara… sei lá

Um cover da Aurora, nacional ou internacional, quem você chamaria?
Acho que eu gravaria com ela um cover de outra pessoa. Então eu chamaria ela pra gravar, mas daí não sei o que ela gostaria de gravar, teria que ver com ela hahaha

Não, mas você, isso tá tudo no campo das ideias
Ai que boa pergunta, cara. Acho que eu gravaria alguma coisa em português com ela, sabia? Não sei qual música, mas acho que seria legal ela cantando em português. Imagina ela aprendendo uma música em português? Seria muito legal. Mas não sei qual música.. aquelas, pega tipo um MPBzão raiz, a Aurora cantando MPB, muito bom hahaha. Ai que boa perguntaaa

Ai brigada! Eu até pensei, ai de repente uma pergunta meio batida né, devem fazer…
Magina, eu amei! Tanto é que eu nem sei responder hahaha mas acho que eu chamaria ela pra cantar uma música em português. Sei lá, pode ser uma péssima ideia

Não, mas a gente tá falando no campo das ideias, quem sabe essa entrevista acaba chegando nela e ela fala “hmm, gostei”
Acho que assim, certeza que eu cantaria com a Aurora, agora a música eu não sei

Nem precisa ser uma música em específico, mas sei lá, algum artista específico, ou até uma música sua! Imagina, um futuro “Sessions” feat Aurora?
Poxa vida, imagina? Eu gosto de sonhar alto

Eu acho importante
É importante, né? Você que é escorpiana com ascendente em câncer deve saber bem

Exatamente!
Mas cara não sei, não tem nenhuma música na cabeça – aquelas que vai olhar a playlist

Playlist: músicas que cantaria com a Aurora
Caetano Veloso! Hahahaha cara, não sei responder, eu vou ficar te devendo essa resposta

Não, tudo bem, se um dia acontecer você manda em primeira mão pra mim, que aí eu lancei essa braba aí
Ó hahaha tá bom

E Mari, agora vamos pra última pergunta: além dessa vibe toda do “Sessions”, a gente tá em agosto já, mas tem algum projeto, alguma novidade em vista pra 2021?
Olha, por enquanto não. A gente tá trabalhando mais o “Mariana Nolasco Sessions 2” mesmo, e por enquanto é isso. Não tem nada muito programado assim. Claro que tem ideias, mas nada ainda que tá materializado assim na manga pra poder lançar. A gente tá focando mais agora no “Sessions”.

Show! De repente alguma parceria aí em vista, nem que seja um Sessions, o retorno?
Olha, eu queria ainda lançar uma música esse ano, mas eu ainda tô vendo assim se é o momento, sabe? Mais pelo que ela fala e tudo mais, então é isso. Tem várias músicas que eu já escrevi, se você for ver eu tô num processo que parece um mini estúdio, que eu tô com microfone, interface, eu tô muito nessas de ficar gravando, ficar ouvindo, ficar entendendo. Então acho que eu tô muito nesse processo de entender os sons que eu gosto e tudo mais, então por isso que não tem nada muito certo ainda. Eu queria lançar uma música esse ano, mas também não é certeza.

Tá bom então, ficarei no aguardo, ficarei de olho. Mari, muito obrigada pela nossa conversa, adorei poder conversar com você, poderia passar o resto do dia tomando um cafézinho, batendo papo, falando de signos e músicas que cantaria com a Aurora. Amei a nossa conversa
Eu amei muito, amei as perguntas que você fez, achei muito legal! Brigada pelo tempo, Nat, brigada pela entrevista.

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Jornalista, apaixonada por música, escorpiana, meio bossa nova e rock'n'roll com aquele je ne sais quoi