Resenha: “Medicine At Midnight” – Foo Fighters (2021)

Foo Fighters
Foto: Danny Clinch / Divulgação.
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Bruno Martini

Completando 25 anos de carreira, o Foo Fighters decidiu experimentar. Em fevereiro, a banda lançou seu tão aguardado décimo álbum de estúdio “Medicine At Midnight”. Que a notícia não te pegue desavisado: o disco é bem diferente do que o esperado.

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Bruno Martini

O público mais antigo e tradicional do Foo Fighters provavelmente vai torcer o nariz. “O que esses caras estão fazendo com um álbum de capa cor-de-rosa?”, podem pensar. E o questionamento é válido. A capa em tons neon de rosa, azul e vermelho causa uma sensação de estranhamento quando vinda de uma banda com uma jornada tão clássica quanto o Foo Fighters. A estética combina mais com nomes com menos tempo de vida, e o público mais jovem pode associar as cores imediatamente com as do álbum “Youngblood” (2018) da 5 Seconds of Summer.

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Mas beirando os 26 anos, o Foo Figthers estava procurando por esse ar de jovialidade. O vocalista Dave Ghrol enfatizou diversas vezes que o “Medicine At Midnight” é um “álbum de festa”, para dançar e se divertir. A banda precisava desse momento de descontração, e, sinceramente, nós também. O disco foi finalizado antes da pandemia de COVID-19, o que provavelmente facilitou o clima positivo e otimista. Trazendo letras superficiais e que pouco têm a acrescentar, o grande foco das músicas vai para o instrumental, onde a mágica acontece.

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O álbum começa numa pegada bem animada com “Making A Fire”. Com guitarra e bateria marcantes, a canção abre com um alegre coro de “na na na” e deságua em um refrão com uma levada meio pop. A faixa traz consigo um sentimento de créditos iniciais de filme adolescente. Apesar da alusão a “começar um incêndio”, o som não é rebelde ou desafiador, e sim celebratório.

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Em seguida, “Shame, Shame” traz um som mais sério com os vocais de Dave Ghrol cantados um tom abaixo sobre uma base de baixo e bateria à qual é acrescentado o som de violinos no refrão. A sobriedade da faixa não é bem-sucedida, quebrando a expectativa logo no início, e a faixa acaba se tornando repetitiva e cansativa pela falta de diversidade no instrumental e na letra.

“Cloudspotter” vai servir como uma ótima agitadora de multidões uma vez que pudermos voltar a frequentar shows. Com uma fundação de ritmo dançante, a música cresce até estourar em um refrão eletrizante preenchido pelo som de guitarras. Essa é uma faixa feita para a pista de dança e os shows de rock, trazendo um quê de Fall Out Boy e seus refrões contagiantes.

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O clima dá uma despencada em “Waiting On A War”, uma composição muito pessoal de Dave Ghrol sobre viver constantemente com o medo de uma guerra iminente. A canção tem um teor acústico, sendo tocada no violão e acompanhada do som de violinos. Ela cresce em intensidade e sonoridade aos poucos, com a adição de coro, bateria e guitarra próximo ao fim. Em janeiro, Dave Ghrol revelou que a inspiração por trás da canção partiu de sua filha e de um medo dela que foi compartilhado por ele mesmo em sua infância.

A faixa-título “Medicine At Midnight” divide o álbum numa pegada voltada para o funk rock, começando com um riff de baixo e se transformando rapidamente em uma música que traz o som fantasioso e característico de David Bowie. Comentando o álbum faixa-a-faixa, Dave Ghrol afirmou que o álbum “Let’s Dance” (1983) de Bowie serviu como uma grande referência e influência ao que se tornaria o décimo álbum do Foo Fighters. “Medicine At Midnight” conta, inclusive, com a presença do baterista Omar Hakim que participou do próprio álbum de Bowie em questão.

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“No Son Of Mine” é a faixa mais pesada do álbum e um dos destaques, acenando para o hard rock com riffs de guitarra poderosos e ensurdecedores acompanhados em peso pela bateria e os vocais potentes de Dave Ghrol. Em janeiro, o vocalista do Foo Fighters revelou que a música é uma homenagem à Lemmy Kilmister, do Motörhead. Mesmo fugindo um pouco do conceito dançante, “No Son Of Mine” ainda é uma canção energizante e ótima para ouvir no volume máximo.

“Holding Poison” sustenta um pouco do peso das guitarras, mas traz uma estrutura pop, se aproximando mais do glam rock. A música é rica em melodias e é mais uma faixa feita especificamente para agitar as grandes multidões. Ela se prova uma boa escolha para fechar a sequência, mantendo o ouvinte preso à onda de adrenalina iniciada em “Medicine At Midnight” e passando por “No Son Of Mine”.

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“Chasing Birds” é ambientada num ritmo mais calmo, quase etéreo, para falar sobre o uso de drogas e passar uma sensação semelhante à de estar sob o efeito aéreo de estar “alto”. A faixa começa relatando o efeito inicial dos entorpecentes, com Dave Ghrol cantando “minha cabeça está nas nuvens” e eu “nunca vou descer”. No segundo verso, a composição adota um tom mais sério, mencionando os efeitos colaterais do abuso de substâncias no trecho “lá vem outro ataque cardíaco”.

“Love Dies Young” encerra o álbum de modo pouco coerente. A faixa traz uma semelhança ao famoso riff de guitarra do hit “Barracuda” da Heart e se joga no pop rock, trazendo um som colorido e otimista para uma letra profundamente mórbida. Existe algo que não se encaixa muito bem no modo sorridente com que Dave Ghrol canta os versos “Cemitérios sem fim, paradas fúnebres / Todos os seus sonhos estão enterrados no lugar deles”. A tentativa de passar um sentimento semelhante ao do lema “viva rápido, morra jovem” é frustrada e frustrante.

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Carregando a importante marca de álbum número 10, o “Medicine At Midnight” ganha pontos por não se estender além de seu período de vida. Mesmo adotando a curta soma de nove faixas, o disco pode ser cansativo e pouco atraente, logo virando barulho de fundo, mesmo para os ouvintes mais dispostos a prestar atenção. Para um “álbum de festa”, o clima se perde mais vezes que o recomendável.

Mesmo não impressionando ou trazendo grandes marcos ou destaques, é reconfortante saber que uma banda com uma carreira tão extensa quanto o Foo Fighters está disposta a trilhar território desconhecido e explorar um pouco daquilo que faz mais sucesso com a geração jovem. Em tempos pandêmicos e que marcam um quarto de século de trabalho, “Medicine At Midnight” é como um grande respiro e uma parada de descanso merecido para Dave Ghrol e seus companheiros de banda.

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RESUMO DA RESENHA
Foo Fighters - "Medicine At Midnight"
Gabriela Marqueti
Jornalista, entusiasta de cultura pop e ex-fã de One Direction.