Chappell Roan estreia no Lollapalooza Brasil com leques no ar e público em coro

chappell roan
Foto: @ryanleeclemens

A estreia de Chappell Roan no Lollapalooza Brasil, neste sábado, 21, não teve nada de tímida. Muito pelo contrário. A artista chegou ao Palco Budweiser com um show que, além de marcar sua primeira vez no Brasil, também encerrava a turnê “Visions of Damsels & Other Dangerous Things”, construída em torno do disco “The Rise and Fall of a Midwest Princess” (2023).

Antes mesmo da introdução começar, a cena já dizia bastante. A área do palco estava tomada por fãs, muitos caracterizados com maquiagem marcada, brilho, botas e referências diretas ao universo visual da cantora. Outros não estavam montados, mas claramente faziam parte daquele mesmo código. Era menos sobre estética individual e mais sobre um senso coletivo de pertencimento.

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A introdução instrumental “Visions of Damsels & Other Dangerous Things” abriu o caminho com esse clima quase cerimonial e, logo em seguida, “Super Graphic Ultra Modern Girl” entrou como um choque de energia. A música, que ironiza padrões e exageros da feminilidade contemporânea, funcionou ao vivo como um convite imediato para o público entrar no jogo.

“Femininomenon” veio na sequência e, como já era esperado, transformou a plateia em coro. A construção da faixa, que mistura humor, exagero e afirmação, encontrou no ao vivo um espaço ainda mais livre. E, a partir dali, o show engrenou de vez.

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“After Midnight” e “Naked in Manhattan” ajudaram a sustentar essa energia mais leve e provocativa, enquanto “Casual” mudou o tom. Aqui, o público cantou com outro tipo de envolvimento, mais próximo, quase confessional. Foi uma virada sutil, mas importante para o ritmo do show.

Em “The Subway”, a atmosfera voltou a crescer, e “HOT TO GO!” transformou o espaço em um momento coletivo difícil de explicar para quem não estava ali. Os leques, que já tinham aparecido ao longo do dia durante as apresentações de outros artistas, voltaram com força total. O movimento sincronizado da plateia, batendo leque no tempo da música, ajudou a ampliar o espetáculo.

No meio do set, a escolha de “Barracuda”, da banda Heart, não soou aleatória. A música entrou com peso, atitude e funcionou quase como um respiro mais agressivo dentro de um repertório majoritariamente pop, mostrando outra camada da artista.

“Picture You” e “Love Me Anyway” trouxeram o clima de volta para algo mais íntimo, preparando o terreno para “The Giver”, que manteve essa linha emocional sem perder a conexão com o público.

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Mas foi em “My Kink Is Karma” que a apresentação ganhou um dos momentos mais memoráveis. Dedicada ao ex de uma amiga, a música carregou uma ironia afiada que o público entendeu imediatamente. A reação veio rápida, com gritos e uma identificação quase instantânea com a narrativa.

Ao longo de todo o show, o amor sáfico não apareceu como subtexto. Ele foi direto, explícito e celebrado. E isso se materializou tanto nas músicas quanto na resposta da plateia. Em um dos momentos mais espontâneos da noite, Chappell soltou um “eu amo a comunidade gay”, e o retorno veio em forma de gritos, leques no ar e uma energia que cresceu ainda mais.

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Na reta final, “Red Wine Supernova” e “Coffee” funcionaram como preparação para o clímax. “Good Luck, Babe!”, um dos maiores sucessos recentes da artista e conhecido pela forma como aborda relações e expectativas frustradas, foi cantada em coro, com uma intensidade que não dependeu de estímulo.

Antes do encerramento da apresentação, Chappell ainda fez questão de agradecer à equipe, aos seguranças e à banda, em um gesto simples, mas que disse bastante sobre o clima da apresentação.

Quando “Pink Pony Club” começou, não havia mais construção necessária. A música, que fala sobre liberdade, pertencimento e encontrar seu lugar, fechou o show com um peso simbólico evidente. Foi menos um encerramento e mais uma afirmação de tudo o que veio antes.

Ao longo de toda a apresentação, a voz de Chappell Roan se manteve firme, limpa e, em vários momentos, ainda mais marcante do que nas gravações. Não houve esforço aparente, e isso só reforçou a entrega. Por isso, o show passou a sensação de que não foi apenas uma estreia no Brasil, nem somente o encerramento de uma turnê. Foi um encontro muito específico entre artista e público, em que estética, discurso e entrega se alinharam de um jeito raro.

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Stephanie Hora
Stephanie Hora
Jornalista, apaixonada por música, livros e cultura em geral.