Interpol estreia faixa “See Out Loud” no show solo de São Paulo

Interpol
Foto: @RafaelStrabelli / Nação da Música.

A Audio, também conhecida como Audio Club, casa de shows localizada na Zona Oeste de São Paulo, foi palco das apresentações das bandas de pós-punk Interpol e Viagra Boys na quinta-feira, 19. As apresentações funcionaram como um aquecimento para o Lollapalooza Brasil, onde ambas também se apresentaram.

Embora compartilhem o rótulo do pós-punk, a diferença entre as duas bandas fica evidente já nos primeiros minutos, tanto no som quanto na forma como o público responde. De um lado, o caos bem-humorado e dançante do Viagra Boys. Do outro, a elegância contida e melancólica do Interpol.

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Quando o Viagra Boys subiu ao palco, a casa já estava lotada, e não era aquele “lotado de chegada”, ainda frio. Pelo contrário, o público já parecia completamente dentro da experiência desde o começo.

Formada em Estocolmo em 2015 por Sebastian Murphy, a banda construiu uma identidade que mistura pós-punk, saxofone e uma estética meio caótica, meio irônica. Além disso, as letras, cheias de humor ácido, cutucam temas como hipermasculinidade e teorias conspiratórias, mas sem soar panfletárias. Ao vivo, tudo isso ganha outra dimensão.

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Logo em “Man Made of Meat” e “Slow Learner”, já dava pra perceber que não seria um show para assistir parado. Na sequência, “Punk Rock Loser” e “Ain’t No Thief” reforçaram esse clima meio sujo, meio dançante, enquanto Murphy conduzia tudo com uma presença de palco que parece sempre à beira do colapso, mas ainda assim nunca perde o controle.

“Sports”, como já era esperado, foi um dos momentos mais intensos. A repetição quase hipnótica transforma a música em algo coletivo, como se todo mundo estivesse participando da mesma piada interna. Ao mesmo tempo, talvez o ponto mais curioso tenha sido “Research Chemicals” na versão estendida. A música cresce, se arrasta e te prende, e quando você percebe, já está completamente imerso naquele looping caótico.

Além disso, ainda houve espaço para “Waterboy”, “Troglodyte” e “The Bog Body”. Já no final, a banda deixou o palco ao som de “Up Where We Belong”, de Joe Cocker e Jennifer Warnes, que apareceu quase como uma piada interna, e funcionou. No fim das contas, o show termina com a sensação de que o Viagra Boys não toca para o público. Eles arrastam o público junto, no melhor sentido possível.

A transição para o Interpol é quase um corte seco. A energia continua ali, mas agora canalizada de outro jeito. Ainda assim, dessa vez, o show veio mais dinâmico do que o habitual, tanto no repertório quanto na postura da banda. Ao todo, foram 19 músicas, com um setlist bem distribuído entre diferentes fases, passando por “Obstacle 1”, “Narc”, “Evil”, “Rest My Chemistry” e “Slow Hands”.

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Logo no começo, “All the Rage Back Home” já indicava um ritmo mais direto. Em seguida, “No I in Threesome” e “C’mere” ajudaram a puxar o público para dentro dessa atmosfera menos explosiva, mas ainda assim envolvente.

O grande momento da noite veio com a estreia de “See Out Loud”. A faixa, que deve integrar o próximo disco de estúdio da banda, apareceu de forma quase natural no set e chamou atenção justamente por quebrar um pouco a dinâmica tradicional do Interpol, com os vocais de Daniel Kessler e uma pegada mais direta. Além disso, o fato de ser apresentada ao vivo pela primeira vez tornou tudo ainda mais especial, surpreendendo os fãs com essa nova dinâmica entre os integrantes.

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Outro ponto que não passou despercebido foi a presença do baterista Urian Hackney, que substitui Sam Fogarino durante sua recuperação. Não só segurou bem o show, como também trouxe personalidade, especialmente na pequena brincadeira rítmica antes de “PDA”, que arrancou reação imediata do público.

Além disso, Paul Banks interagiu mais do que o habitual. Ao longo do show, agradeceu a presença do público em diferentes momentos, e a resposta veio à altura. A plateia não só cantou praticamente todas as músicas, como também puxou um coro com o nome de seu filho, Sailor, além de responder com gritos e elogios constantes.

Por fim, o encore veio com “Pioneer to the Falls”, que não aparecia ao vivo desde 2024, seguida por “Roland” e “Slow Hands”, fechando o show em alta.

Colocar Viagra Boys e Interpol na mesma noite escancara duas formas muito diferentes de ocupar o palco. De um lado, excesso, ironia e movimento. Do outro, controle, atmosfera e construção. Ainda assim, curiosamente, os dois funcionam exatamente como deveriam. No fim, não parece uma disputa, mas sim um contraste bem calculado.

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Stephanie Hora
Stephanie Hora
Jornalista, apaixonada por música, livros e cultura em geral.