
A Audio, também conhecida como Audio Club, casa de shows localizada na Zona Oeste de São Paulo, foi palco das apresentações das bandas de pós-punk Interpol e Viagra Boys na quinta-feira, 19. As apresentações funcionaram como um aquecimento para o Lollapalooza Brasil, onde ambas também se apresentaram.
Embora compartilhem o rótulo do pós-punk, a diferença entre as duas bandas fica evidente já nos primeiros minutos, tanto no som quanto na forma como o público responde. De um lado, o caos bem-humorado e dançante do Viagra Boys. Do outro, a elegância contida e melancólica do Interpol.
Quando o Viagra Boys subiu ao palco, a casa já estava lotada, e não era aquele “lotado de chegada”, ainda frio. Pelo contrário, o público já parecia completamente dentro da experiência desde o começo.
Formada em Estocolmo em 2015 por Sebastian Murphy, a banda construiu uma identidade que mistura pós-punk, saxofone e uma estética meio caótica, meio irônica. Além disso, as letras, cheias de humor ácido, cutucam temas como hipermasculinidade e teorias conspiratórias, mas sem soar panfletárias. Ao vivo, tudo isso ganha outra dimensão.
Logo em “Man Made of Meat” e “Slow Learner”, já dava pra perceber que não seria um show para assistir parado. Na sequência, “Punk Rock Loser” e “Ain’t No Thief” reforçaram esse clima meio sujo, meio dançante, enquanto Murphy conduzia tudo com uma presença de palco que parece sempre à beira do colapso, mas ainda assim nunca perde o controle.
“Sports”, como já era esperado, foi um dos momentos mais intensos. A repetição quase hipnótica transforma a música em algo coletivo, como se todo mundo estivesse participando da mesma piada interna. Ao mesmo tempo, talvez o ponto mais curioso tenha sido “Research Chemicals” na versão estendida. A música cresce, se arrasta e te prende, e quando você percebe, já está completamente imerso naquele looping caótico.
Além disso, ainda houve espaço para “Waterboy”, “Troglodyte” e “The Bog Body”. Já no final, a banda deixou o palco ao som de “Up Where We Belong”, de Joe Cocker e Jennifer Warnes, que apareceu quase como uma piada interna, e funcionou. No fim das contas, o show termina com a sensação de que o Viagra Boys não toca para o público. Eles arrastam o público junto, no melhor sentido possível.
A transição para o Interpol é quase um corte seco. A energia continua ali, mas agora canalizada de outro jeito. Ainda assim, dessa vez, o show veio mais dinâmico do que o habitual, tanto no repertório quanto na postura da banda. Ao todo, foram 19 músicas, com um setlist bem distribuído entre diferentes fases, passando por “Obstacle 1”, “Narc”, “Evil”, “Rest My Chemistry” e “Slow Hands”.
Logo no começo, “All the Rage Back Home” já indicava um ritmo mais direto. Em seguida, “No I in Threesome” e “C’mere” ajudaram a puxar o público para dentro dessa atmosfera menos explosiva, mas ainda assim envolvente.
O grande momento da noite veio com a estreia de “See Out Loud”. A faixa, que deve integrar o próximo disco de estúdio da banda, apareceu de forma quase natural no set e chamou atenção justamente por quebrar um pouco a dinâmica tradicional do Interpol, com os vocais de Daniel Kessler e uma pegada mais direta. Além disso, o fato de ser apresentada ao vivo pela primeira vez tornou tudo ainda mais especial, surpreendendo os fãs com essa nova dinâmica entre os integrantes.
Outro ponto que não passou despercebido foi a presença do baterista Urian Hackney, que substitui Sam Fogarino durante sua recuperação. Não só segurou bem o show, como também trouxe personalidade, especialmente na pequena brincadeira rítmica antes de “PDA”, que arrancou reação imediata do público.
Além disso, Paul Banks interagiu mais do que o habitual. Ao longo do show, agradeceu a presença do público em diferentes momentos, e a resposta veio à altura. A plateia não só cantou praticamente todas as músicas, como também puxou um coro com o nome de seu filho, Sailor, além de responder com gritos e elogios constantes.
Por fim, o encore veio com “Pioneer to the Falls”, que não aparecia ao vivo desde 2024, seguida por “Roland” e “Slow Hands”, fechando o show em alta.
Colocar Viagra Boys e Interpol na mesma noite escancara duas formas muito diferentes de ocupar o palco. De um lado, excesso, ironia e movimento. Do outro, controle, atmosfera e construção. Ainda assim, curiosamente, os dois funcionam exatamente como deveriam. No fim, não parece uma disputa, mas sim um contraste bem calculado.
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