Resenha: “Revolution Radio” (2016) – Green Day

Crédito: Divulgação
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Após a duvidosa trilogia “¡UNO!”, “¡DOS!” e “¡TRÉ!” de 2012, o Green Day retorna 4 anos depois, mais focados e “sóbrios”. Durante a divulgação dos lançamentos daquele ano, o vocalista Billie Joe Armstrong deu entrada em uma clínica de reabilitação por abuso de álcool e medicamentos prescritos – como esquecer do lindo surto no iHeartRadio Music Festival? Agora o trio está de volta para se redimir – não que precisassem – e voltam ao básico com “Revolution Radio”, prometendo matar o pop-punk para sempre.

Pessoalmente, os caras nunca me decepcionaram. Com os incríveis “Dookie”, “Nimrod” e “American Idiot” no repertório, a banda já deixou sua marca mais que registrada, e qualquer novidade é extremamente animadora. Mesmo não matando o gênero, “Revolution Radio” entrega um ótimo álbum do Green Day, assumindo o teor político ao criticar a sociedade e a onda de violência nos EUA, junto ao instrumental cru, rebelde e com um toque de experimentação que começa a retomar o caminho perdido nos último anos.

Sem dúvidas este não é o melhor disco do banda, mas possui momentos grandiosos que lembram a Ópera Rock de 2004 ou os primeiros trabalhos da década de 90. Iniciando por “Somewhere Now”, a música começa de forma acústica, simples e inesperada, recebendo os outros instrumentos no refrão, que logo segue para uma atmosfera emotiva e marcante – canção típica de rock de arena.

Já o primeiro single “Bang Bang” nos leva de volta às origens da banda, assumindo um teor violento e irônico, associando a atitude violenta das pessoas com o extremo anseio por atenção – o Green Day em sua melhor forma. A faixa título “Revolution Radio”, assim como a anterior, é marcada pelo instrumental mais agressivo e ao mesmo tempo melódico, representando uma parcela da sociedade que não tem voz, e está disposta a mudar isso.

“Say Goodbye” soa um pouco diferente dos momentos iniciais do álbum, mas não perde a qualidade e a essência que este trabalho propõe – muito pelo contrário. A guitarra marcante se faz presente, porém de forma um pouco diferente, tomando como base o rock clássico e não o punk adolescente que estamos acostumados. “Outlaws” é uma daquelas baladas que só o trio consegue fazer, começando leve e se tornando explosiva. Ouso dizer que esta é uma das melhores músicas do álbum, criando um clima romântico e melancólico em um cenário cheio de dor e violência.

Quebrando um pouco esta tensão, “Bouncing Of The Wall” é simplesmente divertida, com os típicos “Hey!” e o humor ácido – colocada no momento ideal do álbum. Antes de continuar com a descontração na paixão adolescente de “Youngblood”, o clima fica sério em “Still Breathing”, onde Armstrong dá sua melhor letra ao cantar suas batalhas e derrotas, conseguindo forças para continuar em pé e seguir em frente – um hino de esperança.

“Too Dumb To Die” veste sua fantasia de ironia, cantarolando os pensamentos de um garoto passando por sua adolescência – e mais uma vez abafando os sons no início da música. O final brusco da canção é preenchido por “Troubled Times”, refletindo sobre a nossa atual realidade, com todas as dificuldades e o mal que tomam conta do nosso mundo.

Os minutos finais são como um desabafo do vocalista. “Forever Now” se divide em três partes (mostrando o que aprenderam com “Jesus Of Suburbia”), variando no instrumental mas mantendo uma linearidade na letra, que aos poucos termina da mesma forma que o álbum começou – na reprise de “Somewhere Now”. O encore fica por conta da acústica “Ordinary World”, simples e tocante, retirada especialmente da comédia de mesmo nome estrelada pelo líder da banda. É muito bom ter vocês de volta!

Tracklist:

01. Somewhere Now
02. Bang Bang
03. Revolution Radio
04. Say Goodbye
05. Outlaws
06. Bouncing Of the Wall
07. Still Breathing
08. Youngblood
09. Too Dumb to Die
10. Troubled Times
11. Forever Now
12. Ordinary World

Nota: 7,5

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Felipe Santana
Redator do Nação da Musica e estudante de Arquitetura e Urbanismo nos tempos livres. Ou será o contrario?

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