Um Rio de Janeiro chuvoso recebeu Baco Exu do Blues no último sábado (16). O artista trouxe a turnê “Bluesman” novamente para o Circo Voador, onde esteve há três meses. Na época, os ingressos se esgotaram rapidamente, porém a ainda grande demanda levou à marcação deste show extra. E se alguém duvidava que Baco poderia lotar um segundo show, assistiu, mais uma vez, os ingressos voando por completo das bilheterias.

O grupo majoritariamente jovem que compareceu ao Circo encheu aos poucos o local. Baco só subiria ao palco por volta de uma hora da manhã, mas durante este tempo o público não ficou à toa.

A DKVPS, uma dupla de produtores de Campinas (SP), não encontrou dificuldade em entreter os presentes e chegaram a ser ovacionados pelo set apresentado. Formada por Paulo Vítor e Matheus Santos, eles ainda mostraram canções autorais e com certeza conquistaram alguns fãs.

Quando finalmente chega o momento da apresentação principal, as luzes desligam. No telão, passam imagens de diferentes figuras da resistência negra como Elza Soares, Sabotage e Marielle Franco, ao som da introdução de “Bluesman”, que o público acompanha sem vacilar. Baco entra para o primeiro verso desta, que é a faixa de abertura de seu segundo álbum de estúdio, e o coro da plateia quase tornava desnecessário que ele cantasse.

O público definitivamente deu um show a parte, cantando todas as faixas apresentadas e claramente se divertindo, ainda mais sob os comandos de Baco e sua equipe. O artista reconheceu o empenho pré (com a venda total de ingressos) e durante o show, agradecendo a presença da sua “facção carinhosa”, ao que o público respondia sem hesitar sempre que ele chamava: “êh, êh!”.

O rapper divide o palco com um vocal de apoio animado, um guitarrista competente e duas backing vocals poderosas. A energia de toda a apresentação é inegável e inalterável, nem mesmo durante as faixas mais calmas como “Girassóis de Van Gogh” e “Te Amo Disgraça”, protagonizada por Baco e a backing vocal Aisha Valdoni em clima romântico. Outra participação foi a da cantora 1LUM3 para a performance de “Me Desculpa Jay Z”.

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“Te Amo Disgraça” não foi a única faixa do álbum “Esú” que fez parte da setlist e antes de apresentar a canção que dá título ao primeiro trabalho de estúdio de sua carreira, Baco comenta que “Esú” é um “hino para ele mesmo”, uma forma de lembrar que ele é capaz de tudo, mesmo quando as pessoas duvidarem. “Somos capazes de fazer tudo!”, ele brada.

Durante o show, Baco reforça com falas algumas das mensagens que trata em suas músicas. O cantor comenta sobre a ainda grande desigualdade racial em nossa sociedade, como a diferenciação de julgamento entre pessoas brancas e negras e que enquanto for desse jeito “a gente tem problema sim e a gente tem problema pra car*!”. Deixou também clara sua insatisfação com a política atual, que em sua visão “está na mão de um palhaço”.
Rodas punks também compuseram o show, principalmente durante faixas como “Abre Caminho” e “Preto e Prata”. A forte “En Tu Mira” foi apresentada por um pequeno clipe gravado anteriormente, no telão que compôs bem a apresentação.

Mas como nem tudo são flores; o tempo de apresentação poderia ter sido maior. Após cerca de cinquenta minutos, Baco já saía do palco após a apresentação de “BB King” e o público esperava um retorno para o bis final que não aconteceu.

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