Roger Waters
Foto: Rafael Strabelli / Nação da Música.

Nesta terça-feira (09), o Roger Waters estreou sua turnê “Us+Them” no Allianz Parque, na zona oeste de São Paulo. A noite foi marcada pelo embate político que se criou na plateia.

Com dez minutos de atraso, o músico subiu ao palco e logo de cara chamava a atenção a parte visual. Um telão gigante foi colocado e isso contribuiu e muito para a apresentação. Conforme as músicas passavam, diferentes imagens e animações apareciam na tela.

Outro ponto que ajudou a dar mais impacto na parte visual foram as torres de luz localizadas no meio da pista que, com diferentes cores, iluminavam o estádio inteiro em momentos específicos da noite. A parte negativa é que, pela sua estrutura, um bom espaço da pista não dava para ser utilizado, já que quem ficava atrás não conseguia ver o palco.

O setlist foi composto, principalmente, por canções do Pink Floyd, que acabaram sendo as mais aclamadas. De sua carreira solo, o artista passou por “Déjà Vu”, “The Last Refugee” e “Picture That”, todas de seu álbum “Is That The Life We Really Want?”.

O show foi além da parte musical, toda a produção visual foi feita com diversos efeitos e que contribuíram imensamente para a perfeita apresentação.

“Wish You Were Here” foi uma das mais comemoradas e mais gravadas pelo público que esteve presente, que ainda cantou ela inteira num coro acompanhando o músico. Foi um dos momentos mais emocionantes da noite.

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Mas se a plateia esteve unida nessa, pouco tempo depois se desentenderam. Começando com som de helicópteros e com fortes imagens no telão, “Another Brick in the Wall”, como sempre, adotou tom crítico forte. Com crianças no palco de macacão de punhos cerrados e no meio da música camisetas escrito “Resist”. Foi nessa hora que parte da plateia começou a se manifestar politicamente.

Roger Waters
Foto: Rafael Strabelli / Nação da Música.

Depois da música, o cantor deu uma pausa e no telão ficaram passando mensagens contra escravidão, guerra, poluição e de resistência contra diversos movimentos neofascistas no mundo. Incluíram no telão o Brasil citando o candidato à presidência Jair Bolsonaro como um dos pilares desse crescimento. E sem o artista no palco ainda, algumas pessoas já começaram a discutir.

Apagadas as luzes, os ânimos abaixaram e veio a sequência de “Dogs” e “Pigs”, subiram além do telão pilastras como se fossem de mármore, fazendo referência a capa do álbum “Animals”, e um boneco de porco. Em um dos solos de guitarra, reproduziram sons de tiro também. A presença de palco de Roger Waters nesta canção foi uma das que mais ficou marcada, ele se envolveu bastante, colocando, inclusive, a máscara de porco.

Daí em diante, o tom político só cresceu. No telão, apareceram imagens satirizando o presidente americano Donald Trump, colocando ele inclusive com a roupa da Ku Klux Klan, além de imagens críticas a Putin, da Rússia, e do Kin Jong Un, da Coreia do Norte.

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Em “Money”, exibiram imagens de crianças pelo mundo, guerras e movimentos sociais como Black Lives Matters. Nesta um destaque foi o solo de saxofone que aprimorou ainda mais toda a parte musical do show, fazendo dessas canções uma das melhores apresentadas na noite

E todo o grito político que ainda estava um pouco tímido por parte do público veio à tona em “Eclipse”. Logo após fazer o prisma com com feixes de luzes, o telão exibiu a mensagem “#EleNão”. E aí o público se dividiu de verdade. A maior parte vibrou e gritou “Ele Não” e a outra parte, também bem barulhenta, passou a vaiar tentando conter os gritos.

Depois disso, toda vez que o músico ia ao microfone muitos vaiavam por causa da manifestação política contra Jair Bolsonaro. Quando finalmente ele conseguiu um pouco mais de silêncio, ele se manifestou por causa das reações.

“Em três semanas, vocês têm uma eleição para presidente. Isso pode não ser da minha conta, mas eu sempre serei contra o ressurgimento do fascismo. Como defensor dos Direitos Humanos, isso inclui o direito de protestar pacificamente. Eu preferia não viver sob as regras de alguém que acredita que a Ditadura Militar foi algo bom”, disse ele sob fortes aplausos e na sequência colocou o #EleNão na tela de novo.

O público só se acalmou na última música quando apresentaram “Comfortably Numb” e todos se reuniram para cantar juntos.

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A turnê continua agora com um show extra em São Paulo e passa por Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre. Confira mais detalhes aqui.

Setlist

Breathe
One of These Days
Time
Breathe
The Great Gig in the Sky
Welcome to the Machine
Déjà Vu
The Last Refugee
Picture That
Wish You Were Here
The Happiest Days of Our Lives
Another Brick in the Wall (Part 2)
Another Brick in the Wall (Part 3)
Dogs
Pigs (Three Different Ones)
Money
Us And Them
Smell The Roses
Brain Damage
Eclipse
Mother
Comfortably Numb

Nação da Música esteve presente no show e registrou os melhores momentos, pelas lentes de Rafael Strabelli. Confira a galeria completa abaixo:

NM

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