Entrevistamos EPICA sobre vinda ao Brasil e novo disco

EPICA
Foto: Tim Tronckoe

A banda holandesa EPICA iniciou sua contagem regressiva para desembarcar no Brasil para uma série de seis shows nas cidades de Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Curitiba e Belo Horizonte. Com início em 06 de setembro, a “mini-turnê” contará com a participação especial de Fleshgod Apocalypse, banda italiana que marcará presença nas cidades brasileiras.

A turnê chega poucos meses após o lançamento do mais novo disco da carreira de uma das maiores e longevas bandas de metal sinfônico: “Aspiral”, divulgado em abril deste ano. De acordo com alguns integrantes, o disco explora diversas fronteiras musicais do grupo comandado por Simone Simons (vocal) e Mark Jansen (guitarra).

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Além do Brasil, EPICA passará por diversos países da América Latina: Chile, Uruguai, Argentina, Peru, Colômbia e San Salvador, além da primeira apresentação da banda no Panamá. O Brasil, no entanto, guarda um lugar especial no coração do grupo de metal por ser o segundo país que mais consome suas músicas, além de uma marca de 35 shows em solo brasileiro.

Em ocasião da preparação da chegada do EPICA, a Nação da Música conversou com o guitarrista Mark Jansen sobre o disco “Aspiral” e a vinda do grupo ao Brasil.

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Entrevista por Isabel Bahé.

————————————– Leia a entrevista na íntegra:
Vocês descrevem o novo álbum, “Aspiral”, como uma renovação sonora. Como vocês definem o maior risco que precisaram tomar nesta nova era?
Mark Jansen: Eu não vejo exatamente como um risco, porque sinto que, quando seguimos nossa intuição e nosso coração, no final sempre resulta em algo bonito. É claro que nem todo mundo vai gostar de cada álbum, e isso é normal. Algumas pessoas vão gostar mais deste álbum, outras vão preferir aquele.

Mas nós já percebemos, com este novo álbum e algumas mudanças que fizemos, que algumas pessoas o colocaram no topo de sua lista – dizem que é seu álbum favorito. E outras dizem: “Ah, eu gosto mais de ‘Design Your Universe’ (2009), ou ‘The Phantom Agony’ (2003), ou ‘Omega’ (2021). E isso é perfeitamente normal, porque nosso objetivo é não fazer o mesmo álbum o tempo todo, mas tentar rotas diferentes. Então, eu realmente não vejo como um risco, porque… bem, fazer sempre a mesma coisa também é um risco.

Eu gosto que nós simplesmente seguimos o fluxo, seguimos nosso coração. E acho que esse é o único caminho, e é também por isso que ainda existimos depois de quase 25 anos. É porque ainda gostamos do que estamos fazendo.

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Vocês também tinham um mantra, certo? “Para criar, você deve destruir”. O que precisou ser “destruído” para criar este novo disco?
Mark Jansen: Sim, alguém surgiu com essa frase e… eu nunca entendi completamente como ela foi parar em nossa biografia. Talvez tenha sido dito durante uma conversa, mas eu não sinto que você precise realmente destruir algo para criar.

É mais que, às vezes, você precisa fazer algo diferente. Então, eu não descreveria isso como “destruir”. Para mim, criar é como surfar em uma onda e simplesmente deixar acontecer. Você sente esse fluxo de inspiração e deixa ele fluir através de você. É assim que eu sinto. Então, não é bem como destruir algo, talvez seja uma palavra forte demais.

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Vocês também mencionaram uns retiros criativos. Esse estado de solidão, de estar sozinhos só a banda, como isso influenciou de fato o som do disco? Vocês sentiram que era necessário se isolar?
Mark Jansen: Pode não ser necessário, mas para mim, por exemplo, se não estivéssemos no meio da natureza, no meio do nada… Eu não sou um cara que sai e fica num pub a noite toda bebendo e não trabalhando. Isso é algo pessoal. Eu gosto de estar na natureza. De manhã, eu saio para correr e então estou fresco para o dia, para ver o que a inspiração nos traz.

Para alguns outros caras, talvez fosse bom que não estivéssemos numa cidade perto de um pub. Para alguns, poderia ser mais conveniente do que para outros, como eu. Mas funcionou muito bem para todos nós. Naquele ambiente, pudemos trabalhar muito bem. E não só trabalhamos; às vezes cozinhávamos e tínhamos bons momentos de relaxamento juntos. Isso é tão importante quanto trabalhar na música, porque se você trabalha demais, fica cansado.

Mas se você tem um bom equilíbrio entre trabalhar e recarregar as baterias, acho que se chega aos melhores resultados possíveis. E isso é básico para tudo na vida. Você tem que encontrar o equilíbrio, porque o risco é que as pessoas façam demais e acabem com um resultado inferior ao que teriam se fizessem um pouco menos e recarregassem a bateria a tempo.

O conceito do álbum foi inspirado por uma escultura de Stanisław Szukalski, certo? Fiquei muito curiosa sobre como vocês traduziram – ou melhor, se inspiraram – em uma obra de arte visual para criar algo sonoro.
Mark Jansen: Foi principalmente o Rob [van der Loo, baixista] e a Simone que se inspiraram na arte. Eu fiquei mais ciente da escultura mais tarde, quando eu basicamente já tinha toda a minha música pronta. Então, para mim, não foi tanto uma inspiração direta da escultura em si. Mas o Rob, ele literalmente escreveu a música “Aspiral” inspirado pela escultura. Ele, na verdade, escreveu a música para a escultura.

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Naquela época, nós ainda não sabíamos que “Aspiral” se tornaria tão proeminente e importante. Quando ouvi sobre o conceito por trás da estátua do “Aspiral”, percebi que tinha muitas semelhanças com as letras que eu já estava escrevendo. Então, ao longo do caminho, isso foi se tornando mais importante. Mas, como eu disse, pessoalmente, não fui literalmente influenciado pela arte de Szukalski, mas o Rob e a Simone, em suas partes do trabalho, foram mais inspirados por ela.

E vocês estão vindo ao Brasil em breve. A EPICA já fez 35 shows aqui, e o Brasil é o segundo país que mais ouve a banda no mundo. Qual é a relação de vocês com o público brasileiro? E também, vocês acompanham alguma banda brasileira de metal sinfônico? Porque o Brasil também tem uma cena forte nesse estilo.
Mark Jansen: Sim, sim, claro! Uma das bandas mais famosas do Brasil é o Sepultura, é claro, e nosso empresário também é o empresário do Sepultura. Então, temos uma conexão bastante forte.

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Pessoalmente, quando eu era adolescente, eu já tinha alguns discos do Sepultura na minha coleção. Foi principalmente por causa do meu irmão. Ele ouvia música mais extrema do que eu, e foi ele quem comprava os álbuns do Sepultura. Ele, sendo mais novo que eu, já estava em estilos de metal mais agressivos numa idade mais precoce.

No começo, eu não gostava muito de vocais guturais, e agora eu mesmo faço gutural! Mas então, eu fui aos poucos entrando nisso. Eu comprei um álbum do Amorphis, e eles tinham vocais guturais. Eu ainda assim comprei porque achei a música incrível, e então lentamente me acostumei. Agora, eu mesmo amo. E sim, tocar na América do Sul, basicamente no Brasil, Argentina, Chile… esses são nossos principais mercados na América Latina, eu acho.

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O Brasil sempre foi muito importante para nós. É um país muito grande e, como você disse, já contamos 35 shows, o que é bastante. Mas nós nunca nos cansamos de tocar no Brasil porque sempre há uma energia nova surgindo, e os brasileiros são muito apaixonados. Eles vão com tudo!

E isso também tem um lado negativo: quando você diz algo em público que os brasileiros não gostam, eles também ficam muito bravos. Percebi que há dois lados dessa moeda, mas eu gosto disso. Paixão é necessária para se ter um grande show. Quando uma plateia só fica parada ali, sem fazer nada, sem paixão, eu não consigo aproveitar um show.

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Eu entendo que em alguns países as pessoas aproveitam mais quando ouvem a música com atenção. Mas quando você está no palco e as pessoas apenas ouvem, é como se estivessem no sofá ouvindo um álbum em casa. Não há muita diferença. Em um show ao vivo, eu sempre desejo que as pessoas se expressem. Mas sim, há alguns países onde as pessoas são mais reservadas e aproveitam de um jeito diferente.

E você disse que nunca é o suficiente vir ao Brasil, e vocês farão uma mini-turnê, passando por seis cidades. A EPICA é uma banda com um legado, vocês estão juntos há 20 anos. Quando vocês vêm ao Brasil e à América Latina, o público mudou nesses 20 anos? Vocês percebem um público mais jovem? Sabemos que o rock está conquistando novos ouvintes, ouvintes jovens. Como vocês se conectam com isso?
Mark Jansen: Fico muito feliz com isso, porque se não fosse o caso, o público apenas envelheceria e não haveria novos fãs chegando. Mas nós percebemos que há fãs de todas as idades vindo aos nossos shows, e isso não é apenas no Brasil, é no mundo todo.

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É claro que alguns países são um pouco diferentes de outros, mas, de modo geral, sempre há novas pessoas interessadas na nossa música. E isso é ótimo, porque significa que ainda temos um futuro se quisermos continuar por mais 10, 20 anos. Ainda não sabemos ao certo, mas então poderemos. Se tivéssemos apenas fãs antigos, daqui a 10 ou 15 anos talvez estaria tudo acabado.

Então, sim, dito isso, é ótimo ver novos rostos, novas pessoas. E às vezes são até gerações da mesma família. Pessoas que costumavam ouvir têm filhos e trazem seus filhos para o show também. Isso também acontece muito.

Que lição você gostaria de compartilhar com bandas aspirantes ou jovens artistas que estão tentando conseguir espaço na música rock. Existe algum conselho que você gostaria de compartilhar?
Mark Jansen: O que eu sempre digo é que as novas bandas devem fazer o que sentem, e não ouvir outras pessoas dizendo o que fazer. Porque quando éramos jovens, as pessoas nos diziam o que fazer e falavam: “Ah, você tem que fazer isso para ser bem-sucedido, ou você tem que fazer aquilo”. E eu nunca as ouvi. Eu sempre segui meu próprio feeling, minha própria intuição, e ainda estou aqui. Então, acho que foi a escolha certa.

Eu vi tantas bandas que ouviram todo mundo ao seu redor e… elas se foram. Então, eu sempre digo para bandas jovens: Façam o que vocês mesmos acham que é bom. Porque as pessoas mais velhas provavelmente vão dizer para fazerem do jeito antigo, mas isso não funciona mais hoje em dia. Elas têm que encontrar uma nova maneira de chegar ao próximo nível. Os caminhos antigos não funcionam mais. Então, não ouçam as pessoas mais velhas, bandas novas, e façam do seu próprio jeito.

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Isabel Bahé
Isabel Bahéhttps://linktr.ee/isabelfbahe
Estudante de jornalismo e bibliófila que respira músicas.