Entrevistamos Mike Kerr, do Royal Blood, sobre vinda ao Brasil e último álbum

Royal Blood
Divulgação

Em abril de 2024, o Royal Blood volta ao Brasil para dois shows solo em São Paulo e no Rio de Janeiro, respectivamente. Após cinco anos desde a última vez no país, o duo composto por Mike Kerr e Ben Thatcher talvez encare a passagem mais distinta até então pelo Brasil.

Isso porque, além de ser a primeira vez em que se apresentarão fora do line-up de um festival, o Royal Blood está atualmente na estrada com sua turnê “Back To The Water Below”, que divulga seu quarto álbum, lançado em setembro de 2023.

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A Nação da Música conversou com o vocalista e baixista do duo, Mike Kerr, sobre as expectativas para a volta ao Brasil, bastidores do álbum “Back To The Water Below” e os 10 anos do Royal Blood, bem como de seu primeiro álbum homônimo.

Entrevista por Natália Barão
————————————– Leia a entrevista na íntegra:
O Royal Blood vem ao Brasil agora em abril para fazer shows depois de cinco anos. Antes de mais nada, como você está se sentindo sobre voltar ao nosso país?Mike Kerr: Mal posso esperar! Os shows foram muito loucos e nos divertimos muito da última vez. Ficamos sempre muito animados para voltar.

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Essa vai ser a primeira vez que vocês vão fazer shows solo no Brasil, sem ser como parte do line-up de um festival, certo? Como estão as suas expectativas?
Mike Kerr: Os festivais são ótimos. Então como esses shows principais não poderiam ser também, não é? (risos)

Então você está por dentro da fama do público brasileiro?
Mike Kerr: Com certeza! É totalmente incomparável com os outros. Estou ansioso para voltar ao Brasil.

Agora falando sobre música, em setembro de 2023 vocês lançaram seu quarto álbum “Back To The Water Below”, que tem algumas estruturas musicais e letras um pouco diferentes do último “Typhoons”. Pessoalmente, eu acho que álbuns sempre trazem uma nova era das bandas. Pensando nisso, o que esse disco representa para o atual momento do Royal Blood?
Mike Kerr: Não sei… parece meio que um passo à frente pra nós. Mas também tem algo que nos faz lembrar do nosso primeiro álbum, que eu não posso mexer muito. Tem sido ótimo tocar ao vivo, que é algo muito importante sobre um disco. Foi algo que nós queríamos que soasse bastante natural de se tocar e sentir muito vivo. Tem sido ótimo tocá-lo agora na turnê.

Sobre essa vontade de se sentir mais natural, uma coisa que eu achei muito interessante foi que esse álbum foi produzido apenas por você e pelo Ben, sem nenhum outro produtor. Eu vi algumas declarações de que com isso vocês puderam seguir instintos iniciais para alcançar novos territórios musicais. Agora que o álbum já foi lançado há um tempo, o que você sente terem alcançado?
Mike Kerr: Acho que foi como uma música liderada, e com isso eu quero dizer encerrar algumas ideias de um jeito bem cru, com um violão acústico ou um piano, tendo um tipo de estrutura musical que funcione antes de colocarmos a mão na massa. E de modo geral, acho que isso não foi bem uma parte da fórmula do álbum para encontrar um novo lugar.

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Eu vi alguns comentários falando que nesse álbum houve uma preocupação menor com as letras, apesar delas serem centradas em temáticas semelhantes, na minha percepção. Houve uma razão especial pra isso?
Mike Kerr: Acho que foi mais o que saiu por conta de onde eu estava no momento, sabe? Álbuns podem ser como uma fotografia nesse sentido, que só captura o que eu senti quando estava escrevendo e gravando. Não foi algo que nós decidimos, acho que fazer música feliz é uma escolha que eu faria, mas eu não sou bem uma pessoa feliz (risos) minha tendência é ter um lado mais sombrio (risos).

Eu entendo (risos). Houve alguma faixa que foi mais intensa para você escrever?
Mike Kerr: Hm, não tenho certeza… acho que “Pull Me Through” provavelmente foi a que melhor resume esse álbum.

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Tem algum motivo especial para isso?
Mike Kerr: Eu não queria usar a palavra diagrama, mas essa provavelmente foi a primeira música que nos deu uma direção de que havia mais espaço para mais músicas dentro desse mundo. Acho que quando você faz um disco sempre tem uma música assim. No último álbum acho que foi “Trouble’s Coming”. Como um capítulo de um livro e uma peça de um quebra cabeças, essa música para nós foi como “ah, ok, parece um bom espaço para ocuparmos”.

Ainda falando sobre as faixas de “Back to the Water Below”, “Mountains and Midnight” foi o primeiro single a ser lançado, e eu vi que com a intenção de reapresentar o Royal Blood para os fãs. Agora que alguns meses se passaram desde o lançamento do álbum, você sente que esse objetivo foi alcançado?
Mike Kerr: Não sei… um álbum é meio que uma engrenagem para cada um, mas parece um pouco separado desse processo, sabe? Acho que somos meio como tudo no álbum. Faz mais sentido ouvir o disco inteiro porque acho que o começo da campanha de um álbum é meio estranha porque as pessoas ouviram só duas ou três coisas de diferentes pontos de vista do álbum. Voltando, você tem peças que estão faltando. Então não sei muito bem como medir o sucesso disso ainda.

Mas pelos shows que vocês já fizeram, como vocês sentiram a recepção do público com as músicas novas?
Mike Kerr: Tem sido muito boa. Acho que eles imediatamente se sentiram parte do show, particularmente com as músicas mais lentas, porque nós não temos muitas e não tinham esses momentos no set que permitiam um espaço para respirar e brilhar. Mas tudo pareceu funcionar muito bem.

Voltando para o processo de produção, você e o Ben estão juntos como Royal Blood há mais de 10 anos. Como foi a produção desse disco para a relação de vocês?
Mike Kerr: Fazer nosso quarto álbum meio que foi como uma máquina bem calibrada, em termos de criatividade. Tudo nesse processo foi muito libertador, porque acho que tinham ideias que até podiam existir há 10 anos atrás, mas que não saberíamos como executá-las propriamente na época. Então foi muito divertido não se sentir preso de nenhuma forma.

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Em que sentido esse foi um processo libertador pra você?
Mike Kerr: Fazer álbuns pode ser algo bem estressante, porque você tem uma visão muito clara do que quer, e chegar lá nem sempre é tão simples. E não foi muito diferente com esse álbum. Você ainda está indo atrás de ideias e da visão, mas eu, Ben e Pete Hutchings, que é nosso engenheiro, tivemos uma vibe muito boa trabalhando juntos, só nós três. Tenho lembranças muito gostosas dessa experiência. Foi um momento muito bom.

Em dezembro, vocês lançaram a edição bônus de “Back To The Water Below”, com a faixa extra “Supermodel Avalanches”, que é uma b-side muito querida pelos fãs. Por que vocês decidiram lançar essa música agora, nesse álbum?
Mike Kerr: Era uma música que nós amamos muito, e que sempre pareceu algo próprio, e não parte da história do álbum. Foi algo que nós só começamos a tocar ao vivo e pareceu que os fãs concordaram com a gente sobre essa faixa. Então basicamente, fazia sentido lançá-la.

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Eu vi que, aparentemente, outra b-side, “Everything’s Fine”, está para sair também nessa versão bônus do disco. Confere?
Mike Kerr: É, acho que ela não está em nenhum streaming. Acho que por enquanto você precisa ter o vinil ou talvez ouvi-la no YouTube.

Sim, era o que eu ia dizer! Antes da nossa conversa, fui ouvir a música no YouTube, mas não encontrei em nenhuma plataforma digital.
Mike Kerr: É, tem outras b-sides e coisas de álbuns passados que também não estão disponíveis. Estamos pensando no que fazer com essas faixas porque parece um desperdício não tê-las no mundo, mesmo estando disponíveis no YouTube.

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Você tem alguma b-side favorita?
Mike Kerr: Acho que a minha favorita no momento é “One Trick Pony’, que nós temos tocado bastante ao vivo. Nossas b-sides são meio que a nossa arma secreta (risos).

Quando eu estava fazendo a minha pesquisa para a nossa conversa, vi um comentário de um fã no Instagram do Royal Blood pedindo por um álbum apenas com b-sides. É algo que vocês fariam algum dia?
Mike Kerr: Sim, sim, nós provavelmente temos bastante material pra isso a essa altura.

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Agora em 2024 é o aniversário de 10 anos do primeiro álbum de vocês, “Royal Blood”. Vai ter alguma comemoração especial?
Mike Kerr: Ben está preparando uma mostra muito cara e detalhada de fogos de artifício, então se você for a Brighton, poderá ver. Ele se dedicou muito para isso, então estou ansioso para ver.

Depois desses 10 anos, você tem algum olhar diferente para esse disco?
Mike Kerr: É como uma fotografia que você olha e vê coisas que eram mais ingênuas e inocentes, mas é assim mesmo. A maior parte das músicas desse álbum ainda são uma boa parte do nosso show. Somos muito orgulhosos disso, nos fez muito bem,

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Sobre a era “Back to “Back To The Water Below”, podemos esperar mais novidades?
Mike Kerr: Talvez, vamos ver. Você diz novos sapatos ou novas luzes? O Ben tem um novo kit de bateria.

Talvez um novo clipe de alguma faixa?
Mike Kerr: Provavelmente. Tenho certeza que vamos fazer alguma coisa.

Tenho certeza que os fãs vão gostar! Bem, Mike, encerrando a nossa conversa, o que os fãs brasileiros podem esperar dos shows de abril?
Mike Kerr: Nós vamos dar o nosso máximo, o Ben vai trazer o novo kit de bateria dele. Podem esperar se divertir bastante.

Você tem alguma memória especial das vezes em que já esteve no Brasil?
Mike Kerr: Foi um período um pouco distorcido da minha vida, mas eu me lembro de me divertir bastante. O que mais lembro era que os shows eram muito animados, então estou muito feliz de estar de volta.

Que ótimo! Obrigada pelo seu tempo, e espero que tenha uma boa passagem pelo Brasil!
Mike Kerr: Obrigado, eu que agradeço.

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Natália Barão
Natália Barão
Jornalista, apaixonada por música, escorpiana, meio bossa nova e rock'n'roll com aquele je ne sais quoi