Entrevistamos WD sobre “Quem É Você?”, com Wanessa Camargo, e spoilers de “MAGNÉTICO”

WD
Foto: Divulgação

Quando artistas pop lançam um novo projeto, mais do que em outros gêneros musicais, se dedicam a trazer um conceito bem amarrado para marcar a “nova era” em suas carreiras. E com WD não foi diferente. Desde meados do ano passado, o cantor iniciou os trabalhos de seu primeiro álbum, “MAGNÉTICO”, e, nesta quarta-feira (31), deu mais um passo com o single “Quem É Você?”.

Abordando as dúvidas sobre uma possível traição em relacionamentos amorosos, a faixa foi acompanhada de um clipe intenso e dramático, e traz a parceria de Wanessa Camargo, amiga pessoal e grande referência não apenas para WD, mas para a cena do pop nacional.

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A Nação da Música conversou com WD sobre a parceria com Wanessa Camargo em “Quem É Você”, o conceito da faixa e sua relação com a vida pessoal do cantor, além do que mais está por vir em seu álbum de estreia, “MAGNÉTICO”.

Entrevista por Natália Barão
————————————– Leia a entrevista na íntegra:
Oi, W! Bom, primeiramente, como você está?
WD: Eu estou muito bem, muito feliz, né. Um lançamentão hoje, né? Estou vivendo um sonho né, menina! Quem que é o artista, que com toda minha trajetória, não gostaria de estar fazendo um feat com essa mulher, gente? Tô muito feliz!

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Com certeza, eu posso imaginar! Então, nessa quarta-feira (31), às 21h00, vai sair seu novo single “Quem é você?”, e antes de mais nada, queria saber como você está se sentindo e quais são suas expectativas para esse lançamento.
WD: Olha, eu tô me sentindo muito ansioso e muito feliz. É blasé e clichêzinho dizer, mas é um mix de sentimentos (risos), porque de fato é a realização de um sonho. Essa é uma música escrita por mim, Humberto Tavares, Jeferson Junior, Stephany Baby, que são pessoas que construíram os anos 2000 na música pop, e eu tenho Wanessa Camargo para chancelar esse momento numa das músicas mais importantes do álbum pra mim. Então, eu tô muito feliz, tô ansiosíssimo, louco para ver como os fãs da Wanessa vão ver a música, como os meus fãs e o público em geral vão curtir e entender a música. Tô muito ansioso!

Eu imagino! E justamente o feat é com a Wanessa, que não tem como não pensar no pop anos 2000 sem pensar na Wanessa Camargo. Eu tava pensando nisso outro dia inclusive, acho que ela foi a minha primeira diva pop, eu tinha o CD, cantava todas as músicas. Mas eu queria saber de você, como surgiu a ideia de chamar a Wanessa para cantar com você nessa faixa e como foi gravar com ela?
WD: A gente saiu do estúdio, eu fui no avião ouvindo muito a música, porque ela de fato me representa artisticamente, sabe? O meu álbum é um álbum de música pop, afro e latina, e não só essa faixa, mas esse álbum, contemplam esses três subgêneros e gêneros dentro de uma música só. E ouvindo eu falei “gente, quem que eu vou colocar aqui, porque essa música tem que ser um feat, tem que ser uma voz potente”, e no avião eu falei “cara, tem que ser Wanessa”. A gente já tinha uma proximidade de eventos e de convivência, e eu falei “eu não consigo encontrar outra pessoa que vá encaixar melhor nessa música que não a Wanessa”. Então ela foi a primeira pessoa que já bateu na minha cabeça e graças a Deus deu tudo certo. E gravar com ela é uma escola, né? A minha voz, a maneira com que eu posto minha voz, é muito baseada no que eu ouvi dela. Eu cresci ouvindo Wanessa Camargo cantar, então até algumas técnicas vocais que eu desenvolvi ao longo da minha vida foi muito pensando e ouvindo Wanessa. Então, é só alegria, é só felicidade!

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E você, tem algum algum hit favorito da Wanessa?
WD: Ai “Amor, Amor”! “Amor, Amor” é pop, é latino… já podemos chamar “Quem É Você?” de uma continuidade de “Amor, Amor”, entendeu? Depois que “o amor deixa”, a gente vem pra “quem é você?” (risos).

Eu escutei a música, vi o clipe, e achei que o ritmo é muito potente, e traz isso de “Amor, Amor”. “Quem É Você?” tem o pop, obviamente, mas tem muito disso das afro latinidades, que você falou que vai fazer parte do conceito do álbum, e já até avançando um pouco para a parte do clipe, eu achei muito legal como as coreografias do clipe casam muito com o ritmo intenso, parecido com o tango, e que me lembrou muito de “Amor, Amor”.
WD: Isso mesmo! A gente foi beber nessas fontes. É muito legal, porque quando a música ficou pronta e eu tava no avião voltando pra casa, eu falei “gente, isso é a cara da Wanessa, isso é de fato Wanessa Camargo, não tem como ser outra pessoa”. Então pra produzir a música a gente bebeu dessas fontes do tango, do bolero, tem ainda um pouquinho da impostação da Alcione, por quem eu sou apaixonado; eu queria que quando as pessoas escutassem o começo dessa música pensassem “nossa, lembra um pouco da Alcione!”. A gente fez esse mix e essa é uma das faixas que mais me representa como artista. Se eu dissesse o que eu gostaria de fazer para o resto da minha vida, seria esse tipo de música.

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Tá aí um álbum apenas para você se dedicar a esse tipo de música, né? (risos)
WD: Exatamente!

Como você falou, essa música te representa muito como artista, mas no âmbito pessoal, eu vi que essa música remete à uma história pessoal sua, que é do seu primeiro amor, com esse momento de dúvida, se rolou ou não uma traição, o que está muito explícito no clipe. O que dessa história sua, que você quiser falar, é claro, tem em “Quem é você?”?
WD: Então, Natália, eu não canto música de outras pessoas, nunca. Em geral, eu não gosto de cantar a música que outras pessoas escreveram, porque eu tô falando de mim, né? A música fala sobre os meus sentimentos, as minhas sensações. Esse meu primeiro álbum conta a minha primeira história de amor, de quando eu tinha 18 anos de idade. E nessa história, eu vivi várias fases, e “Quem É Você?” é uma dessas fases que eu ficava na dúvida mesmo. Será que isso é verdade? Será que ele está me traindo? Depois eu descobri que ele tava me traindo sim, mas isso de “será que ele tá me traindo? será que não tá?”, esse sentimento de dúvida, é uma coisa muito pior que a traição, porque ela corrói a gente por dentro. A dúvida faz a gente fazer coisas que a gente não faria no nosso normal, por exemplo. Então essa é uma música totalmente autoral, que eu trouxe essa temática, e que os outros três compositores excelentes que também escreveram essa faixa me ajudaram a jogar tudo isso pra fora.

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Vendo seu Instagram eu notei que a divulgação foi pesadíssima! Teve bastidor de você e da Wanessa, uns teaserzinhos do clipe, um pouco da coreografia, mas a parte que mais me pegou pessoalmente foi a mini novelinha de três partes! Eu amei muito porque achei que casou super com essa temática da traição, bem novela mexicana, até com o nome composto do Carlos Daniel Você teve alguma inspiração específica para esse conceito da divulgação?
WD: Como essa é uma música bem dramática, talvez a minha primeira falando de amor com essa dramatização tão grande, e como a gente bebe dessa fonte de música latina (embora a gente saiba ela venha da música preta), automaticamente a gente já se conecta a essa dor intensa, a tudo muito grande. E eu pensei, “o que o brasileiro mais gosta é de novela”. Essa música com certeza daria pra tocar na novela das nove, pra uma história de amor muito boa, então por que não a gente divulgar com uma novela? Mas eu não queria fazer uma novelinha séria. Então chamei meu amigo Beto Martine pra fazer a novela acontecer de verdade. Eu sou ator, com formação, mas não atuo nessa profissão porque me acho um ator bem ruim (risos). E quando ele falou pra gente se dublar, eu achei ótimo, porque aí eu não tinha que decorar texto, não tenho que pagar uma boa interpretação; a gente só faz na voz. Então assim veio essa ideia de trazer o drama. Acho que o ápice da dor é a comédia; ela nasce a partir da dor. Por isso a gente começou na comédia e agora foi pra dor.

Mas, pessoalmente, acho que o conceito de interpretação é muito amplo, ainda mais pensando nos tiktokers, por exemplo. Não necessariamente é igual à de uma novela das nove, mas não deixa de ser uma interpretação também. E acho que todo músico, todo artista, quando grava um videoclipe, atua também.
WD: Sim, sim, é assim que eu atuo. E você viu o clipe, né? Na cena que ele me pega pelo braço, minhas tranças balançam, eu super sentimental, eu trouxe um pouquinho da atuação. Geralmente quando eu vou atuar em clipe e vou contar histórias, eu procuro trazer a técnica de Stanislavski. A preparação do ator vem de lá de trás do teatro pra gente poder chegar bonito na cena.

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Sim, claro. Eu adorei o clipe, principalmente o final. Achei que tinha que ser isso mesmo! (risos)
WD: É bem pop, né? Embora na vida real eu não faça isso (risos), a gente faz a nossa história assim. O clipe ficou bem legal, a gente trouxe todos os elementos do pop e colocou a nossa música.

Eu gostei bastante! E o começo me chamou muito a atenção que você aparece em frente a um mural com várias fotos e até alguns objetos, que pra mim pareceu muito uma teia de investigação policial. Têm easter eggs ali dessa sua nova era?
WD: Olha, menina, pra você eu posso contar: tá tudo ali. Quem quiser saber o que é “MAGNÉTICO”, é só fazer a ligação. Dá pause, olhando imagem por imagem que vai entender tudo. Vem aí! (risos)

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Eu tô vendo (risos), vem aí! Outra coisa que eu vi sobre o clipe é que ele foi gravado no Palácio dos Azulejos, lá em Campinas, que foi também onde você gravou um dos seus maiores sucessos, que é “Eu Sou”. Qual foi pra você a sensação de gravar esse novo projeto, nesse mesmo lugar, alguns anos depois?
WD: Imagina que eu moro no interior, por mais que Campinas seja uma região muito grande. A gente não tem essa quantidade de artistas se movimentando lá dentro, a nível nacional, indo pro interior, fazendo show e gravando coisas. Então acho que uma maneira de agradecer ao Museu de Imagem e Som de Campinas foi levando a Wanessa Camargo pra lá, porque a gente sabe que é muito importante ter grandes presenças na nossa região. A minha região é muito artística; têm diversos artistas, eu não fui o único que saí de lá, então acho que foi uma maneira de fazer com que as pessoas olhem um pouquinho mais pra minha cidade. E também, lá é um lugar histórico, que um dia já foi colonial e fez parte de uma estrutura que, graças a Deus, hoje a gente não vive mais. E ressignificar esse espaço, tomando pra mim, enquanto pessoa preta, é muito importante. Eu tomar esse espaço pra mim, com outra narrativa, celebrando uma conquista que teve ali, porque a gente tá falando de um videoclipe de milhões de visualizações com a música (“Eu Sou”) de milhões de acessos. Pra mim, é celebrar uma conquista e ser grato à minha cidade, que sempre me apoiou e sempre esteve ali por mim.

Vendo alguns clipes dos seus anteriores, como “Surra de Hãn”, “Toque de Veludo” e “Carta Aberta”, que, pessoalmente, eu achei a mais distinta em relação às outras. Agora, pensando em “Quem É Você”, o que esses lançamentos dizem sobre “MAGNÉTICO”, que vai ser o seu primeiro álbum?
WD: “MAGNÉTICO”, como eu disse, é um álbum que conta a minha primeira história de amor, pela primeira vez, depois da repercussão nacional que o meu nome e a minha imagem tiveram. Eu volto a falar sobre coisas cotidianas do meu dia a dia e não só sobre músicas que remetem diretamente à negritude, radicalidade e empoderamento. Assim como “Toque de Veludo”, “Surra de Hãn” e “Quem é você?”, “Carta Aberta” também faz parte dessa minha primeira história de amor. Inclusive, “Carta Aberta” foi a primeira faixa produzida do álbum, Então, o álbum nasce, não praticamente a partir dali, mas ela é uma das primeiras faixas que definimos para entrar no álbum amarrando o conceito todo. Até aqui você já consegue ouvir e ver diversidade musical, porque estamos falando de quatro músicas de gêneros totalmente diferentes: R&B, pop, pop afro, latino, a gente tem um pop rock com uma mescla de de soul music. Então prepare-se para o álbum! “MAGNÉTICO” é literalmente magnético!

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Ainda sobre essas faixas, eu reparei que no começo desses clipes sempre aparece o título da faixa e embaixo capítulo e versículo. E isso eu achei muito interessante.
WD: Garota, você estuda, né mulher? Você gosta de cultura pop, né? (risos).

Eu gosto! (risos)
WD: Que bom que você tá catando isso tudo. Já vou te dar um spoiler: seu cabelo está na paleta do álbum.

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Ah, eu percebi que “Surra de Hãn” e “Toque de Veludo” têm uma uma fotografia mais azul nos clipes. Achei chique!
WD: É isso, você tá catando!

Mas isso dos capítulos e dos versículos foi proposital?
WD: Olha, acho que o álbum vai trazer essa informação mais clara. Mas eu posso te dizer que o “MAGNÉTICO” é um ser de outro mundo. Ele é influenciado por algumas coisas daqui e essas coisas também fazem parte do mundo dele. É isso que eu posso te dizer por hora. Você é fanática de música pop, então você já se ligou.

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Eu me amarro num conceito, e eu percebi muito isso, principalmente nesse clipe de “Quem É Você?”. Mas falando sobre influências do álbum, do pop, afro latinidade, até dessa mistura de gêneros que você comentou agora, quais foram suas referências?
WD: Olha, falando especificamente de “Quem É Você?”, Wanessa, né, mas a gente tem também Luís Miguel, Marília Mendonça, tem o tango, que vem da Argentina. Mas no álbum em si, vai ter Beyoncé, que é a minha diva mor, o ser que me inspira a fazer arte; tem também Karol G, que é uma artista atual, mas também Célia Cruz, que é uma artista lá de trás da salsa. Vai ter uma grande diversidade musical. Não consigo te falar uma lista… mas posso te dizer é Fat Family faz parte de uma das referências do meu álbum.

Ai, que massa! Adoro Fat Family. Elas voltaram no ano passado, né?
WD: Estou super feliz. A minha amiga tá maravilhosa, a filha de Deize arrasou! Veio pra ficar de fato, mesmo sem ela. A voz dela e da mãe são impecáveis!

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Sim, fiquei muito feliz que elas voltaram! E referência nacional? Porque no começo do começo da nossa conversa, você falou que, além da Wanessa, você mirou muito na Alcione também, diva suprema, quem não gosta, né?
WD: Imagina que eu sou artista pop, e pop vem de popular, então tudo que é popular influencia automaticamente esse álbum. Na hora de impostar minha voz eu usei Alcione pra trazer base para essa música, mas a gente tem também Thiaguinho, Péricles, a própria Ivete, Anitta, que pra mim é uma base pensando em construir uma carreira.

Total! E eu queria saber, o que você acha que tem de mais magnético nesse álbum?
WD: Posso dizer três coisas?

Quantas você quiser!
WD: Sonoridade, personalidade e visual. São as três coisas que norteiam o álbum. Os textos eu fico até “gente, eu que escrevi isso mesmo? meu deus, como eu sou inteligente!”. Tudo, tudo, tudo, vocês vão poder captar a mensagem e a história de “MAGNÉTICO”.

E em você, o que você acha que tem de mais magnético em você? Artisticamente falando.
WD: Quando a gente entendeu que o nome do álbum seria “MAGNÉTICO” foi muito baseado em coisas que acontecem comigo, especificamente no meu dia a dia. Têm pessoas que são um pouco confusas com o meu gênero. Em algumas redes levantam essa questão: se eu sou homem, se sou mulher, o que eu sou. E essas são questões magnéticas, que deixam as pessoas intrigadas e querendo descobrir. A minha persona artística tem essa coisa magnética das pessoas não identificarem muito bem o que é o WD, de onde vem WD, porque uma hora ele tá super masculino, outra ele tá com uma feminilidade muito aguçada… enfim, a gente vai deixar aí pras pessoas descobrirem o porquê eu sou magnético. Mas no final do dia, podem assumir que eu sou magnético sim.

Bom, W, pra finalizar, o que mais a gente pode esperar de você em 2024?
WD: Olha, podem esperar muito magnetismo, letras e feats muito incríveis com artistas muito importantes pra minha minha vida e pessoas que eu admiro para caramba, e um álbum repleto de música muito boa e muito trabalho. A turnê do “MAGNÉTICO” vem aí com o show montadinho pra todo mundo conhecer as músicas e o conceito que a gente leva não só no álbum, mas também em todas as minhas aparições.

O álbum está pra sair nesse primeiro semestre ainda?
WD: Vem aí no primeiro semestre sim!

Pois muito que bem! W, muito obrigada pela nossa conversa, adorei conversar com você. Muito sucesso no lançamento de hoje e nos próximos que virão de “MAGNÉTICO”!
WD: Obrigado, foi um prazer!

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Jornalista, apaixonada por música, escorpiana, meio bossa nova e rock'n'roll com aquele je ne sais quoi