Avenged Sevenfold
O último ano foi bastante agitado para o Avenged Sevenfold. Desde o lançamento do sétimo álbum da carreira, “The Stage”, a banda surgiu com muitas novidades: música para jogo, uma série de covers e até o álbum acústico “Live At GRAMMY Museum“.

Mas não pense que só porque o ano está acabando que os caras vão deixar trabalho para o ano que vem. Pelo contrário, foi marcada para esta sexta-feira (22) o lançamento da versão Deluxe do disco – e é sobre ele que a Nação da Música conversou com o vocalista do grupo, M. Shadows.

Entrevista feita por Maria Mazza.

————————————————————————————————————— Leia a íntegra

Vamos começar com o “The Stage”. Pessoalmente, achei um álbum bem completo, mas ele é longo também e trata de assuntos nem sempre muito fáceis de se falar. Você consideraria esse o disco mais trabalhoso, digamos assim, feito pelo Avenged Sevenfold?
M. Shadows: Acredito que tenha sido uma evolução natural para nós. Talvez tivesse sido ainda mais difícil tentar escrever sobre algum assunto que a gente não estivesse interessado. Mas acabamos tocando em um tema que eu estava lendo muito sobre ele, discutindo com a banda, ouvindo podcasts, assistindo a filmes.

Então, era algo de muito interesse para nós e tudo veio naturalmente e um pouco mais fácil do que se tivéssemos feito de outra maneira. E, sim, ele é um álbum bem longo – mas no momento em que começamos a escrevê-lo, as coisas começaram a surgir. Buscamos manter nossa qualidade e tudo o que achamos que não era bom o suficiente, nós cortamos. Acredito que o álbum anterior, “Hail to the King”, que é muito mais simples, foi mais difícil pra nós escrevermos e terminarmos.

E o que esse álbum significa para o Avenged Sevenfold?
M. Shadows: É um completo reflexo de quem nós somos enquanto pessoas e enquanto uma banda. Muitos de nosso trabalhos foram um reflexo sobre o que pensávamos que o heavy metal era. E, você sabe, escrever sobre a história das pessoas, sobre aquilo que está em nossa mente, enfim, eu sinto que “The Stage” é muito mais realista. É baseado na realidade, em estudos. É como se esse trabalho expressasse tudo o que não conseguimos até hoje.

Hoje é o dia do lançamento da versão deluxe do disco! Por que optaram por fazer essa edição especial?
M. Shadows: Sim, estou muito animado! Inicialmente, quando estávamos produzindo o disco, tivemos um b-side, vários covers que fizemos e que influenciaram no resultado final… Nós gravamos tudo de uma vez e queríamos algo diferente para ele. Então, começamos a desenvolver algo que nos desse um gás. A cada mês, mais ou menos, estávamos com uma música nova… Foi muito divertido, legal para os fãs que queriam algo assim em um produto físico.

Uma vez que desenvolvemos o disco e decidimos tudo o que a gente queria, vimos que algo ia ficar de fora, por isso fazer essa versão agora. Reinventamos o nosso trabalho e ele terá seis músicas covers, uma música b-side e quatro canções ao vivo, além, claro, do que já tem no “The Stage” original. E é isso, ele está chegando. É uma longa experiência auditiva se, por algum motivo, você quiser ouvir o Avenged Sevenfold por duas horas e meia (risos).

Falando sobre os covers… Vocês já divulgaram alguns nesses últimos meses e eu fiquei curiosa sobre como fizeram para escolher as canções. Elas são de ritmos e bandas completamente diferentes e tudo ficou muito legal. Inclusive, o do The Beach Boys é o meu favorito!
M. Shadows: Oh, obrigado! Sim, são músicas bem diferentes, mas de artistas que nos inspiraram na vida e também com a banda. Nos inspiraram em nossas músicas, nos inspiraram com a produção do “The Stage”. Algo que todas essas músicas têm em comum é que elas são ótimas em termos de escrita. Também são canções mais curtas, como a do The Rolling Stones, algo que em poucos tempo está pronto.

Mas também acreditamos que essas músicas possuem uma conexão, mesmo que a gente tenha apenas escolhidos essas em específico. Elas pareciam se conectar com a produção que fizemos, com o disco em si, é como se unisse o trabalho como um todo. E se você pegar para ouvir tudo de uma vez, elas nem parecem ser músicas diferentes.

Claro que eu não poderia deixar o Grammy de fora dessa conversa. Parabéns pela indicação! Vocês estão concorrendo em uma categoria de peso. Como receberam a notícia?
M. Shadows: Bom, eu tenho dois filhos pequenos e eles estavam acordados no meio da madrugada pulando em cima de mim, como eles sempre fazem comigo e com a minha esposa. Aí eu fui checar o meu celular e tinha recebido muitas mensagens de amigos e familiares que já tinham recebido a notícia porque estavam em outro fuso horário. E depois eu vi que já tinham diversas notícias a respeito dos artistas indicados. E é engraçado porque eu simplesmente não sabia que tinha essa possibilidade, eu pelo menos não estava informado sobre (risos). Fiquei sabendo por mensagens de texto depois que isso foi anunciado oficialmente.

Mudando um pouco de assunto, a indústria da música sofreu muitas mudanças nos últimos anos e as pessoas estão consumindo esse tipo de trabalho de forma diferente, principalmente com a internet, plataformas como Spotify… E com isso vemos que já não existe aquele desespero pra ter um álbum físico em mãos, já que rapidamente eles são disponibilizados on-line. Na sua opinião, como o Avenged Sevenfold tem se adaptado a isso?
M. Shadows: Enquanto uma banda, temos tentando entrar nessa onda. Abraçamos o streaming completamente, o jeito com que a internet consome isso e afins. É difícil alguém que não dê um jeito de ouvir música pelos dispositivos. Antes passava até pelo Bluetooth. Você tem a sua própria maneira de ouvir uma canção, não precisa depender do rádio, por exemplo, você escolhe o que quer escutar dentro do seu carro.

Acredito que em algum momento as pessoas realmente vão deixar de consumir os CDs, mesmo que as pessoas comprem, elas não querem ouvir por aquele dispositivo, sabe? Em alguns anos será um produto raro, já é difícil hoje em dia ir até uma loja e encontrar um disco, dependendo de qual for. Tendo isso em vista, acredito que a nossa banda está avançando em relação a isso e queremos que as pessoas ouçam a nossa música on-line.

Pode até ser que isso afaste umas pessoas, mas, quando as fitas começaram a parar de serem usadas, por exemplo, as pessoas tiveram que dar um jeito. Acontece que é muito fácil pagar um valor por mês e ter todo o tipo de música apenas com o toque pelo celular ou no computador. O mundo está mudando e nós amamos isso. Continuaremos seguindo com esses avanços tecnológicos e é isso.

Eu li que o Avenged Sevenfold já está com uma boa quantidade de shows marcados para o ano que vem. Alguma chance que o Brasil entre para a turnê? Os fãs com certeza estão loucos para que vocês voltem logo.
M. Shadows: Mal posso esperar para ir até aí também! A América do Sul é um ótimo lugar. Brasil, Chile… Todos esses lugares são os nossos favoritos para tocar. A razão por ainda não termos ido é porque com o último álbum e tudo o que aconteceu neste ano, ainda não conseguimos nos programar para levar a turnê ao Brasil. Não vejo a hora de ir e espero que seja em breve!

E quais os outros planos para 2018? Mesmo que “The Stage” só tenha um pouco mais de um ano, estão rolando assuntos sobre um possível novo álbum. E aí, realmente vocês têm a intenção de já emendar em um próximo disco ou vão dar um tempo?
M. Shadows: Existem muitas possibilidades, mas agora estamos focados na turnê e nesse lançamento de amanhã. Normalmente, demoramos de seis a nove meses para escrever as músicas. Então, acho que só lá pelo final de 2018 que vamos começar a pensar em algo novo, o que nos dá um ano e meio ou um pouco mais de dois desde esse lançamento até o próximo.

Pra finalizar, poderia deixar um recado para os fãs brasileiros que curtem a Nação da Música?
M. Shadows: Os fãs brasileiros ainda são os mais loucos que nós temos e agradecemos muito por tudo. Mal podemos esperar para ir até aí e espero que isso aconteça o mais rápido possível.

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