Entrevistamos Mahmundi sobre disco “Mundo Novo” e criatividade na quarentena

- PUBLICIDADE -
mahmundi
Foto: @caodenado

Nesta sexta-feira (29), a cantora Mahmundi acaba de lançar o disco “Mundo Novo”, terceiro da carreira e sucessor de “Para Dias Ruins”.

A Nação da Música teve a oportunidade de conversar com a artista sobre como está sendo a quarentena pra ela, a produção do novo trabalho e também o que esperar do mundo artística pós-pandemia.

Entrevista por Marina Moia.

——————————————- Leia a íntegra:
Como está sendo este período de quarentena pra você? Como é lançar um disco durante o isolamento social?
Mahmundi: Lançar um disco na quarentena é lançar um disco na quarentena né [risos]. O trabalho precisa continuar. A gente como artista, como forma de entretenimento, continuamos a fazer nossas coisas, comunicando com as pessoas, trazendo algum tipo de acalento, de novidade. Interrompendo um pouco essa programação do Brasil, essa situação confusa de política. Quando a gente faz música e faz nossos projetos, acho que a gente colabora um pouco com as pessoas.

O disco “Mundo Novo” sai nesta sexta-feira e é o terceiro da sua carreira, sendo que os dois primeiros colheram muitos frutos, até mesmo indicação pro Grammy Latino. Como foi o processo criativo e de produção neste disco, desta vez?
Mahmundi: Este é um disco que é muito diferente dos outros trabalhos. É um misto do digital com o analógico. Hoje em dia tudo é mais digital, tudo é mais responsivo. O tratado com o analógico, com os instrumentos, você está à disposição do instrumento, da localidade dele e como a pessoa está tocando. Foi uma escolha para me descobrir mais como cantora, dar essa oportunidade de cantar mais. A voz está mais evidente ali. Estar interpretando músicas que eu gosto, com o [compositores] Dadi Carvalho, Jorge Mautner, Paulo Nazareth, Frederico… E estar compondo com o Castello Branco, musicando as letras dele. Esse projeto é “Mundo Novo” neste sentido. Poder testar uma sonoridade diferente e chegar até aqui me traz muita felicidade, porque [o processo] foi circunstoso.

Eu já ouvi o disco completo, gostei muito e por enquanto a minha favorita é a “Sem Medo”. Tem alguma faixa pela qual você nutre um carinho maior neste álbum ou que está mais ansiosa para as pessoas ouvirem logo?
Mahmundi: Eu sou muito fã das minhas músicas, sabe? Eu gosto e eu acho que faço as músicas pra mim. Se as pessoas não gostarem, tudo bem também. Gosto muito de “Nova TV” e “Nós de Fronte”. A “Sem Medo” tem muito uma coisa com a estética do som, que fazia muito sentido naquele momento. Mas é individual. Eu tenho essas escolhas, mas acho que o público pode gostar de tudo. E se não gostar também, é isso aí [risos]. Espera o próximo [risos].

Você tem trabalhado bastante como produtora, não apenas das suas músicas, mas de trabalhos de outros artistas e bandas. Como você descreveria a Mahmundi produtora?
Mahmundi: Eu acho que eu tenho aprendido muito nesse processo, trabalhando com artistas diferentes, com histórias diferentes. Eu, inclusive, recusei muitos produtores ao longo da minha carreira. A própria música americana, que a gente usa como referência, tem muito disso de ter um produtor que chama fulana, fulana, fulana pra colocar na música e é isso. Mas acho que nesse processo, pra mim que tenho uma empatia profissional para não ser essa pessoa, é muito da questão de conversar com as pessoas. Ter uma conversa mais profunda, ir na casa da pessoa, ouvir o que ela está ouvindo, saber o que está rolando. Isso faz com a gente descubra as pessoas e trabalhe para elas. É uma experiência que me fez estar muito mais preparada para o mercado hoje em dia, até com meu disco novo, sinto que agora posso gerenciar músicos, que é uma tarefa difícil.

Tem alguém com quem você gostaria de trabalhar como produtora?
Mahmundi: Ah, sei lá… Alicia Keys!

O videoclipe do primeiro single, “Nova TV”, vai ser lançado em breve e foi dirigido por Bruno Mazzilli. O que pode nos falar sobre ele e sobre a ideia por trás dele?
Mahmundi: Foi o último projeto que foi feito antes da quarentena, então a gente trabalhou com uma câmera só, gravando nos ambientes da casa, mas não querendo que ele fosse um clipe de quarentena. A quarentena é um marco nas nossas vidas, mas eu não sei se pra mim valeria a pena ser um clipe desta época. Então ele é um clipe feito em casa, mas ele é todo feito com animações. O Bruno Mazzilli e eu ficamos um tempão mexendo nisso, nessa ideia do lúdico. A gente fica muito tempo no celular, mas tem uma hora que o celular bloqueia essa criatividade, né?! Eu acho que brincamos muito com a animação e a “Nova TV”, que é o nosso celular hoje, não é mesmo? Eu estou empolgada pra saber como vai ficar! [risos] Mas vai ser maravilhoso.

O disco apresenta uma releitura de “No coração da escuridão”. Por que a escolha desta música? O que ela significa pra você?
Mahmundi: “No coração da escuridão” é uma música muito linda do Dadi Carvalho, que é maravilhoso e vocês conhecem. Eu o conheci há muito tempo, trabalhando como técnica de som e me ele deu esses discos pessoalmente, que foram lançados no Japão. O nome desse é “Dadi”, de 2005, e o Caetano Veloso é quem canta na primeira versão e é uma música que me chamou muito a atenção.

O Dadi é um ótimo melodista. Estar perto dessa pessoa linda e generosa que o Dadi é e poder gravar algo dele foi super interessante, ter esse lado de intérprete de canções que já existiam. É um álbum muito bom, o “Dadi”, de 2005, depois dá uma escutada!

Estamos vivendo num período marcante pra história do país e do mundo e a indústria musical e de eventos foi realmente bem afetada com a pandemia. Como você acha que a indústria vai se adaptar às mudanças na nossa sociedade, nos próximos meses e anos? Tem conseguido fazer planos?
Mahmundi: O mais interessante no mundo é saber que ele vai continuar existindo. As pessoas morrem, as pessoas nascem, e espero que não soe como uma frase a la Regina Duarte, de forma alguma. Mas é como a gente vive neste tempo.

A tecnologia da adaptação, que não é realmente uma tecnologia de fato, mas um raciocínio, é muito urgente. Fazer lives, fazer clipes, tudo é muito rápido. Acho que a gente tem que ir descobrindo essas formas, mas ao mesmo tempo ter ideias criativas. Porque se não fica essa coisa de só fazer live, ou fazer clipe dividindo a tela. A gente acaba ficando ajustado a um padrão, como sempre né. Mas acho que temos a oportunidade de redescobrir coisas e descobrir outras formas de fazer.

Eu tenho produzido muito, tenho um arsenalzinho aqui em casa, posso produzir direto daqui de casa… Com internet boa em casa, as coisas conseguem funcionar e vamos descobrindo um jeito novo de criação.

Gostaria de deixar um recado aos leitores da Nação da Música?
Mahmundi: Quero que as pessoas se cuidem e também não se apeguem à hashtags, porque elas passam e a única que importa no momento é a #FicaEmCasa, se puder. E que a gente consiga descobrir um mundo novo. Cada um à sua maneira, cada um respeitando os seus limites, para que a gente não fique apenas neste período difícil. É difícil, mas vai passar. Como a gente pode melhorar a nossa qualidade de vida mesmo no caos é um pouco da proposta deste álbum, pelo menos pra mim. Com convívio, com relacionamentos. Se a gente não fizer isso, o sistema não vai fazer. A gente precisa se ligar! [risos]. Se liga, galera!

Muito obrigado pela sua visita e por ler essa matéria! Compartilhe com seus amigos e pessoas que conheça que também curtam Mahmundi, e acompanhe a Nação da Música através do Twitter, YouTube, Facebook, Instagram e Spotify. Você também pode receber nossas atualizações diárias através do email - clique aqui e cadastre-se. Caso encontre algum erro de digitação ou informação, por favor nos avise clicando aqui.

Torcemos para que tudo esteja bem com você e toda a sua família. Não se esqueça de lavar bem as mãos e se possível #FicaEmCasa, mas se precisar sair não se esqueça de usar a máscara! Cuide-se.

- PUBLICIDADE -