Entrevistamos Adriana Deffenti sobre seu atual projeto “Controversa”

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Adriana Deffenti
Foto: Divulgação
@nacaodamusica

Pelas ruas do bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, Adriana Deffenti ambientou seu mais recente videoclipe, que leva o nome de “Controversa“. O material é uma parceria com Valéria Barcellos e foi lançado em meados de setembro.

A faixa compõe o álbum de mesmo título, que chegou ao público em 2019 após treze longos anos em que a cantora passou longe do cenário musical. A Nação da Música conversou com Adriana sobre seus atuais projetos, amadurecimento e inspirações criativas.

Entrevista por Katielly Valadão.

————– Leia a íntegra:
Olá, Adriana! Como vai? Obrigada por falar com a Nação da Música. Você acabou de lançar um videoclipe de “Controversa”, que traz uma vibe bem pulsante e livre, mesmo tendo sido gravado por drones e com vocês dentro de um prédio. O que você gostaria de nos contar sobre esse material e seu processo de criação?
Adriana: Imagina! Prazer é meu. Esse trabalho foi realizado por cinco pessoas, no meio da quarentena. Pessoas essas que são amigas e estavam com vontade de realizar. Ele foi pensado no decorrer de uns quatro anos, acredito. Como, justamente, foi uma função colaborativa, ninguém cobrou cachê para ninguém, o projeto estava esperando uma oportunidade de tempo de todos nós e a quarentena acabou caindo como uma luva.

O que acabou gerando uma outra ideia de roteiro, onde a gente filmou dentro dentro da casa do diretor de arte/diretor que é o Bernardo Zortea, que fica na esquina da minha casa, no bairro onde a gente vive, a Valéria não mora aqui, mas cantou a vida inteira em um bar específico aqui do bairro. E eu brinco que é o nosso Greenwich Village, é a nossa Chueca, que é a Cidade Baixa, aqui em Porto Alegre [risos].

Foi um processo muito bonito, carinhosa, de nós uns com os outros. Tivemos a sorte de trabalhar com um orçamento ridículo, praticamente não gastamos com material, mas de pessoas com muito talento. O Caio Gonçalo que é o outro diretor, a gente até não quis colocar nomes para os “cargos” de cada um de nós, é um baita de um operador de drone. Não iria conseguir aquele efeito se não tivesse uma mente competente operando aquele drone, pensando esteticamente.

A Baby Marques que foi a maquiadora fez um trabalho sutil e super lindo. E o resto é a cidade! Nós filmamos em menos de quatro horas, por conta da luz, pois foi no período de inverno aqui na cidade, já que o Sol se põe bem cedo. É o tipo da coisa que se tu contasse o plano dele antes de realizar eu ia te dizer “Tu tá louca, isso não vai dar certo” [risos] mas super deu!

Esse projeto veio em colaboração com Valéria Barcellos, que agregou muita personalidade à canção, que já é forte e cativante. Poderia nos contar como nasceu essa parceria e esse encontro musical?
Adriana: Eu conheci a Valéria primeiro pela internet. Eu fiquei muito impressionada com a performance dela na final de um festival da Canção Francesa e depois eu fui atrás dela. Eu sou assim. Quando eu vejo um artista que eu gosto, que mora aqui em Porto Alegre ou se está perto de mim onde quer que eu esteja eu vou atrás das pessoas para conhecer, trocar ideias. Eu fui no Venezianos, que é o bar onde a Valéria praticamente se criou e passou a existir como artista, o primeiro lugar que ela cantou em Porto Alegre e canta até hoje – e que é aqui na Cidade Baixa [risos].

Quando eu vi ela cantando, e eu conhecia os dois músicos que acompanhavam ela, eu pensei que seria incrível se ela cantasse a minha música. E de fato foi. Ao fim do show fui até ela, me apresentei e disse “olha, eu tenho uma música aqui e é para ti”. Eu já cantava ela nos meus shows, mas a Valéria trouxe uma propriedade incrível pro texto, né? Antes de tudo por ser Valéria, segundo por ser uma mulher trans, por ser negra, por ter uma origem muito humilde. Eu não gosto dessa expressão, mas “veio de baixo”. Ela trouxe uma maneira de interpretar muito diferente da minha, foi impressionante isso.

“Controversa” foi lançada em 2016 e no decorrer dos anos integrou muita coisa legal, a exemplo da trilha do longa “Copa 181”. O que te motivou a gravá-la novamente no último álbum trazendo esse feat?
Adriana: O que me motivou foi um arrependimento de não ter gravado com a Valéria desde o início. Tanto que o single de 2016 ele é exatamente o mesmo, o instrumental é todo igual. Eu pensei que não estava certo, sabe? Até porque no decorrer desses anos nós fizemos alguns trabalhos juntas e tem muita sintonia entre a gente, sabe? Funciona muito bem, é muito divertido para as duas estão juntas. A gente se encontra e já começa a rir. Foi isso que me motivou, pensar que ficaria muito mais potente nós duas cantarmos juntas.

E por falar no último álbum, que inclusive leva o mesmo título da música, ele marcou sua volta ao cenário musical após uma longa pausa. Então, na sua percepção, o que mudou e amadureceu de lá para cá em relação a sua forma de produzir e entregar sua arte ao público?
Adriana: Meu Deus. Foram treze anos que eu fique sem lançar um álbum, mas eu trabalhei em muitos projetos pessoais, outros nem tanto. Eu também tenho a docência como segunda profissão, pois sou professora de canto desde muitos anos. Mudou tanta coisa [risos] deixa eu pensar. Acho que me tornei uma artista mais humilde, menos pretensiosa, que curte mais os processos, menos ansiosa.

O trabalho com os produtores desse álbum foi um processo muito lento e gostoso. Teve um fator que também tornou as coisas mais lentas, pois fui vencedora de um edital Municipal daqui, que é o Funproarte e desde a aprovação do projeto, até receber o dinheiro para realizar o projeto, foram três anos [risos]. Mas acho que nesse trabalho eu me afirmei e me sinto e hoje digo que sou compositora, isso mudou muito também. E uma vontade de fazer arte com menos expectativa e menos pretensão, acho que isso foi o que mais mudou, além de curtir mais o processo criativo.

E agora falando de um futuro próximo, quais são os seus planos? Você já planeja trabalhar em novas composições, lançamentos, ou algo a mais que gostaria de compartilhar?
Adriana: Eu tenho mais dois videoclipes! Um que está pronto, que deve sair em dezembro. Ainda não tem uma data, mas é da primeira faixa do álbum “Romance Acidental”. Eu até gosto de brincar que a gente está num momento “Adoro ser essa pessoa que você detesta” e estamos migrando para um momento agora, nesse próximo videoclipe, que é “Não se preocupe baby, eu não te amo tanto assim” [risos]. Depois o outro estamos na pré-produção do “Milonga da casa tomada” que é uma composição do Arthur de Faria e depois disso vou começar a lançar alguns singles. Eu tenho umas 3 composições que fiz durante a quarentena que estou querendo gravar e acredito que no primeiro semestre de 2021 já vai ter novidade, mas farei o contrário: vou lançar os singles primeiro e depois fechar o álbum.

Esse período de isolamento social tem interferido e modificado de alguma forma a sua maneira de produzir?
Adriana: Tem interferido sim. Eu senti algumas diferenças, na verdade agora estou mais estável, mas passei por diferenças de humor, de percepções da realidade e como lidar com ela, de maneiras muito diversas nesses meses. E uma das coisas que aconteceu, que NUNCA tinha me acontecido, eu até questionava se isso existia, que foi acordar com uma frase na cabeça, texto, música, sentar a bunda na cadeira e em quinze minutos eu tinha uma música pronta. Tudo! Harmonia, melodia e letra, sem titubear e não mudei nada depois.

Ainda dentro do tópico de produtividade, quais têm sido as suas inspirações criativas ultimamente, não somente no aspecto musical, mas de uma forma geral?
Adriana: As minhas inspirações criativas eu acho que em 95% sempre foram as pessoas e as suas relações. Suas diferenças, as maneiras como a qual o bicho homem lida um com o outro, em grupo, em casal, em trisal, em termos de sexualidade, de gênero. Minha maior diversão – eu moro numa quadra que tem cafés, estabelecimentos assim na rua, – é descer, sentar tomar um café e ficar olhando as pessoas. Claro que se passa também nas minhas experiências, nos meus relacionamentos, mas a minha grande inspiração é o ser humano. Agora na quarentena, esse processo todo, estou com um monte de texto aqui, pois eu em geral começo pelo texto. Tem um monte de coisa escrita aqui que preciso trabalhar e fazer vira música.

E pra gente finalizar, gostaria de deixar uma mensagem para o público leitor da Nação da Música?
Adriana: Público leitor da Nação da Música, sigam lendo sobre música, sigam escutando, falando, sobre as artes também. Sigam lendo, consumindo, apesar de eu não gostar muito dessa palavra. Sigam apreciando e desfrutando da cultura do nosso país, que é a melhor coisa que temos aqui, apesar do estado que estamos. A nossa cultura é demais, vale muito e traz só alegria para as pessoas. Sigam assim!

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