Entrevistamos Ian Hill, do Judas Priest, sobre o Knotfest Brasil

judas priest
Foto: Divulgação

Neste domingo (18), acontecerá o Knotfest 2022, primeira edição a ser realizada no Brasil de um dos festivais mais consagrados da cena do rock e do metal. Com início a partir das 11h30 (horário de Brasília) no Sambódromo do Anhembi, o evento tem o line-up formado por Slipknot, Judas Priest, Bring Me The Horizon, Pantera, Mr. Bungle, Sepultura, entre outras bandas.

A Nação da Música conversou com Ian Hill, baixista do Judas Priest, sobre as expectativas para o festival e o Vibra, show mais intimista junto com Pantera que acontece nesta quinta-feira (15), além dos 50 anos da banda celebrados com uma turnê especial e uma cerimônia especial que marca a entrada do grupo no Rock and Roll Hall of Fame, e futuros projetos para os próximos anos.

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Entrevista por Natália Barão
————————————– Leia a entrevista na íntegra:
Olá, Ian! Como você está?
Ian Hill: Olá, Natália. Estou bem, e você?

Estou bem também! Então, podemos começar?
Ian Hill: Sim, claro.

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Então, o Judas Priest é um dos headliners da edição desse ano do Knotfest, que acontece pela primeira vez no Brasil no dia 18 de dezembro. Como vocês se sentem em voltar ao Brasil e ser parte de um festival tão consagrado na cena do metal?
Ian Hill: Nós estamos ansiosos pra isso. Estamos animados e mal podemos esperar para chegar aí e tocar para vocês. Seja um festival, seja uma prefeitura ou o que quer que seja, não importa para nós. Só queremos chegar aí e tocar para vocês. Mesmo que festivais sejam muito legais, ainda assim. Eles atraem muitas pessoas e não necessariamente pessoas que vêm para te ver, são pessoas que vêm para ver outras bandas. Os outros grupos que estão lá atraem seu próprio público e você se expõe para essas pessoas a mais que não necessariamente vêm para o seu show. E é legal desse ponto de vista para todos nós, para todas as bandas, mesmo o Slipknot, sabe. Eles são fãs dos nossos fãs, para quem eles vão tocar também. Então é um conceito muito legal, gostamos muito de festivais.

Sim, e eu vi que esse ano marca 10 anos desde que o Knotfest foi criado pelo Slipknot em 2012. Do seu ponto de vista, o que mudou na cena do metal durante esse meio tempo?
Ian Hill: 10 anos? Não tem muito o que você possa riscar em dois anos por causa do COVID. Acho que não tem ninguém com 8 anos de carreira. Como banda, nós seguimos na mesma direção em que estivemos nos últimos tempos, nós lançamos um novo álbum, que é o “Firepower”, e temos saído em turnê extensivamente para promovê-lo. E é nosso aniversário de 50 anos esse ano. Bem, na verdade foi há dois anos atrás mas seguramos por causa da pandemia. E nós vamos encerrar essa jornada agora na América do Sul, que está nas últimas semanas. Então esperamos pelo Natal. Nós temos um novo álbum que está quase finalizado nos vocais, com um pouco mais das guitarras para continuar. E deverá sair provavelmente no começo de 2024. Agora vamos deixar a poeira baixar um pouco no ano que vem. Temos outras coisas para fazer com o Ozzy para o ano que vem também, que vão ser muito divertidas.

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Que bacana! Então é um álbum ou um EP?
Ian Hill: É um álbum, é um álbum. Eu diria que vai ter umas 10 ou 12 faixas. Ainda não decidimos. Gravamos muitas músicas.

Então, você mencionou o “Firepower”, que foi lançado em 2018 e teve uma repercussão bastante positiva, tanto pelos fãs, quanto pelas críticas. E eu gostaria de saber o que torna esse álbum diferente dos últimos lançados pelo Judas Priest?
Ian Hill: É, teve o “Redeemer of Souls”, que foi um grande álbum. Mas o Richie ainda estava meio que se encontrando na época, sabe? Mesmo que nós amamos ele como um irmão, ele meio que estava se encontrando na época. E com o “Firepower” ele voltou a si. Pode-se dizer que havia confiança no que ele estava escrevendo e tocando. Quer dizer, não tem nada de errado com as músicas do “Redeemer of Souls”, como eu disse, é um ótimo álbum, mas o “Firepower” foi mais emocionante, tem uma maior linha de frente que o anterior. E acho que é isso que as pessoas curtiram nele. E também é muito relevante no mundo de hoje, quando você pensa que bandas de 50 anos de carreira ainda estão em ascensão com um material relevante e contemporâneo. E ele trouxe um ar de vida nova para a banda com sua presença. É uma ótima cara e eu acho que a maior diferença entre esses dois álbuns é o Richie ter voltado a si mesmo, ele amadureceu como músico e compositor.

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E como você diferenciaria o “Firepower” desse novo álbum que você mencionou que será lançado em 2024?
Ian Hill: Esse álbum é provavelmente mais intrigante que o “Firepower”, é mais musical. Essa é a grande diferença. É um passo adiante pra nós. É o que nós sempre fizemos, sempre tentamos dar passos em direção ao futuro com cada álbum e turnê que tivemos. E foi isso que nós fizemos com esse último álbum. Nós demos um passo adiante, esperançosamente na direção certa (risos). E vai ser o que será, é um álbum muito emocionante. É ótimo, há um material formidável ali.

Já tem uma data para um primeiro single ou ainda não?
Ian Hill: Ainda é muito cedo pra dizer. Nós temos muito a decidir ainda no ano que vem, a ordem de lançamentos e o fluxo desse novo álbum, e ver se alguma faixa amigável que possa tocar nas rádios também, pra ver se não vai assustar ninguém, sabe? (risos).

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Não, acho que é uma boa decisão já que esse ano basicamente acabou e estamos na Copa do Mundo, todos contagiados por esse sentimento (risos). Você está acompanhando?
Ian Hill: Sim, eu amo apoiar a Inglaterra, é claro (risos). E vocês estão jogando.

Sim, nós vamos jogar hoje!
Ian Hill: Sim, então temos que nos apressar com essa entrevista para ver o jogo há tempo! (risos)

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Imagina! (risos) Mas sabe, estamos com um pouco de medo da Inglaterra.
Ian Hill: Ah, bem, Inglaterra. Eles acertam e erram às vezes. Às vezes jogam bem, outras como repolhos, depende de qual time aparecer. Eles jogaram ontem contra Senegal e tiveram um bom jogo. Mas não sei se ainda vão mais longe. A França é a próxima e eles têm um bom time. É um grande obstáculo para pular, então vamos ver como vai ser.

Sim, vai ser uma batalha de gigantes!
Ian Hill: Sim.

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Mas voltando para a música, estávamos falando do “Firepower”, e esse álbum fez com que vocês fossem homenageados pelo prêmio de Excelência Musical quando entraram pro Rock and Roll Hall of Fame, que teve uma cerimônia bastante especial apresentada pelo Alice Cooper e com todos os atuais e ex-integrantes do Judas Priest tocando juntos. Como foi esse momento para você?
Ian Hill: Bem, foi um redemoinho na verdade, porque nenhum de nós sabia o que esperar. Eu não me dei conta de que seria um grande tópico. Mas no final do dia, foi apenas uma tarde divertida por conta de tudo. Mesmo o Eminem, eu quase fiz um rap, entende? Quase não o bastante. Mas foi uma tarde divertida. E ser parte disso trouxe um sentimento especial, e é claro que ver o Ken e o Les de novo foi legal. Então foi legal fazer parte disso e sermos homenageados ainda. Como na parte do meu discurso em que eu disse sobre começar a se rebelar contra o establishment, e o Rock and Roll Hall of Fame é o establishment supremo, sabe. Mas depois de alguns anos, você percebe que se tornou o establishment e daí as pessoas se rebelam contra você. Então foi uma honra, estamos orgulhosos de fazer parte disso agora.

Sim, eu imagino. E eu vi que recentemente numa entrevista você mencionou que, no início, o Judas Priest não tocava metal, o que começou de fato por volta da década de 80 com o álbum “British Steel”, como uma forma de ir na contramão do sucesso do blues daquela época. Gostaria de saber que características do metal estão presentes nesse disco que mudaram a sonoridade da banda.
Ian Hill: É, tudo meio que veio com o “British Steel”, e não foi só a música. A música evoluiu para o metal, nós éramos uma banda de rock progressivo quando começamos, como o Led Zeppelin, Deep Purple ou algo do tipo, tocando apenas rock pesado basicamente. E então a minha imagem, nós ainda usávamos cetim e veludo e coisas do tipo, entende? O que era algo que remetia aos anos 70. E então com o “British Steel”, nossa imagem foi junto com a direção para uma música mais consistente. O heavy metal original era muito versátil e variado; tínhamos músicas muito lentas e melódicas, quase do tipo acústicas, e as que te davam medo no meio disso. E depois do “British Steel” tudo ficou solidificado em uma direção, que era a do lado mais difícil, mesmo que ainda tivessem algumas baladas fortes nos álbuns seguintes. E foi um gênero definitivo se você se lembrar da imagem, como o punk, por exemplo. O punk sem a imagem não seria o punk, entende? Com o cabelo e tudo que foi cuspido ali. Era a mesma coisa com o metal: sem a imagem, era outra coisa. Mas como eu disse, tudo se solidificou com o “British Steel”, e assim fomos a partir daí.

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E como você descreveria essa imagem particular do “British Steel” que levou vocês mais para esse espectro do metal e mudou tudo?
Ian Hill: Acho que a imagem obviamente era o couro e os pregos, ou talvez nem os pregos. Era basicamente as roupas de couro. Você larga o veludo no mesmo contexto das camisas brilhantes coloridas e floridas, e de repente as roupas se encaixam na música. Foi isso que aconteceu. A música gritava por uma imagem de couro e pregos.

Como você mencionou antes, nesse ano o Judas Priest está em turnê para celebrar os 50 anos de carreira, que deveriam ter acontecido originalmente em 2020 se não fosse pela pandemia. Como você descreveria essa jornada, ainda mais sendo um dos fundadores da banda?
Ian Hill: Bem, tem sido absolutamente um prazer! Tiveram altos e baixos ao longo do caminho, você faz coisas legais e coisas estúpidas, e todas tiveram sua própria e ligeira influência no que acontece no fim. Então eu não mudaria nada. Mas a indústria da música mudou bastante desde que nós começamos. Em 1974 o nosso primeiro álbum foi o meu momento de maior orgulho, vendo o meu disco na loja. Você só tinha discos, não fitas cassete nem CD’s, você tinha um disco e o toca discos, então ia até a loja local, na West Brom, na Paradise Street, na West Bromwich Turner’s Records, como era chamado, e o seu álbum estava lá na vitrine, junto do Cream, Hendrix, Stones e Beatles. Estava lá e você pensa que, aconteça o que acontecer, você nunca vai perder isso. Foi puramente produzido como foi o nosso álbum. O material era legal, mas não muito bem produzido, mas foi um grande momento. E é claro que desde que isso mudou, você não precisa de nada pra tocar sua música agora, é só baixar por meio de algum serviço de internet. Você não precisa mais ir atrás das coisas, é só se inscrever em algum desses serviços de streaming ou seja lá o que for e escolher as músicas, cada uma num dia diferente, e isso é uma mudança imensa. Assim como gravar, que tornou-se totalmente digital agora. Nosso dia era grande com duas polegadas grossas para um deck de rolo. Então foram mudanças inacreditáveis na música, que continua a mesma. É isso que conecta tudo à música. Ela ainda é o que segura tudo.

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Ainda falando sobre turnês, eu também vi numa entrevista recente que você mencionou a possibilidade de sair em turnê com o Iron Maiden. Como seria esse encontro entre vocês? Quais as chances disso realmente acontecer?
Ian Hill: Nós adoraríamos, assim como acho que o Maiden. São mais as agendas do que qualquer coisa para nos reunirmos ao mesmo tempo. Independentemente de acontecer ou não, é algo para se esperar, digamos assim. Não há nada definido, mas como eu disse, quem sabe no futuro.

Haveria alguma música especial que vocês gostariam de tocar juntos?
Ian Hill: Não fico muito animado de me concentrar no que eu faço. Mas quanto às músicas, não sei, acho que não tem nenhuma que nos conecte.

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Certo, e além do Knotfest aqui no Brasil, vocês também vão tocar no Vibra, que é um show mais intimista que também contará com uma apresentação do Pantera (que também estará no Knotfest). O que podemos esperar do Vibra?
Ian Hill: Bem, será uma típica pré-produção, sabe, todas as grandes luzes de show, motocicletas circulando e coisas do tipo, como nossos shows costumam ser. E nós temos uma grande lista de números para apresentarmos também. Haverá uma mistura de músicas antigas, músicas novas, algumas que não tocamos há muito muito tempo. Nós trouxemos tudo de volta, então deverá ser muito excitante para todo mundo. Estamos realmente muito ansiosos para chegar aí.

Vocês vão tocar separados do Pantera ou podemos esperar talvez uma união com o Judas Priest nos palcos?
Ian Hill: Acho que tocamos depois do Pantera, eles tocarão às 20h e nós entramos às 22h. Nós nos conhecemos há muito tempo, levamos eles conosco na nossa turnê acho que em 1990. Acho que eles vieram para a Europa e tocamos juntos algumas vezes. E claro, nos conhecemos bem há muito tempo, então vai ser legal encontrar com eles novamente.

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Bem, acho que vamos agora para a nossa última pergunta, que seria que mensagem você gostaria de deixar para os fãs brasileiros que vão ver o Judas Priest no Knotfest e também no Vibra?
Ian Hill: Bem, o que eu posso dizer? Vocês são todos loucos (risos), que é o que nós gostamos. Estamos ansiosos para chegar aí, amamos tocar no Brasil, sempre amamos. Estamos animados de tocar para vocês de novo. Fiquem bem!

Maravilha! Muito obrigada pelo seu tempo e pela nossa conversa, Ian. Foi um prazer falar com você e espero que vocês curtam o tempo aqui no Brasil.
Ian Hill: Obrigado, o prazer foi meu. Tenho certeza que iremos curtir sim.

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Natália Barão
Natália Barão
Jornalista, apaixonada por música, escorpiana, meio bossa nova e rock'n'roll com aquele je ne sais quoi