Entrevistamos Kell Smith sobre o novo EP “Vivendo”

Kell Smith
Foto: Divulgação
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@nacaodamusica

A cantora e compositora Kell Smith lançou nessa sexta-feira (29) o EP que recebeu o sugestivo título de “Vivendo”. No decorrer da faixa-título, que é uma parceria com o Padre Fábio de Melo, e das outras duas, intituladas “Ansiedade” e “Faça Um Bom Dia!”, ela faz um importante e urgente convite ao debate da saúde mental e de temas correlacionados.

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Para falar sobre o projeto, ela bateu um papo com a Nação da Música na última quarta-feira (27), via Zoom, onde reforçou o convite para que o público ouça, converse e se sinta acolhido com o material que está lançando.

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Entrevista por Katielly Valadão.
——————————— Leia a íntegra:
Oi, Kell. Tudo bom? Prazer.
Kell: Olá, boa tarde. Tudo joia! O prazer é todo meu.

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Que linda você!
Kell: Você! Maravilhosa. Adorei o cabelo.

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Ai, muito obrigada! Eu que corto, sabia? [risos]
Kell: Mentira? Tô passada! Tô passada.

Siiim! [risos] Então, vamos lá? Você está prestes a lançar o seu EP, que é chamado “Vivendo”, então para começar, como você está se sentindo com esse trabalho que está prestes a chegar ao mundo, como estão as suas expectativas e como está tudo aí?
Kell: Vamos! Bom, estou muito feliz com as músicas, com o resultado desse projeto e com que a gente vai entregar para o mundo e a minha expectativa é que chegue ao maior número de pessoas possível pelo simples fato de que o projeto tem um propósito muito grande, que é falar de um assunto mega importante que é saúde mental, então sinceramente, muito mais que números, eu adoraria que chegasse em todo mundo que tem um cérebro e entende o que eu posso dividir com essa arte [risos]

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Não só pessoas no Brasil, mas enfim, todo mundo que está precisando parar de negligenciar o assunto saúde mental que a gente precisa tanto conversar a respeito. Então para dizer a verdade, estou ansiosa assim porque o propósito é bem bonito e bem urgente.

Muito urgente. E pensando em tudo que estamos vivendo, inclusive, você teve COVID recentemente, né? Como que aconteceu todo o seu processo de criação e de dar vida ao EP durante esses tempos pandêmicos?
Kell: Bom, tem sido uma tarefa muito difícil viver arte e viver da arte no momento de pandemia. Eu sou uma pessoa muito inspirada pelos shows, pelo convívio com os músicos e principalmente com os fãs na estrada, e esse convívio real mais próximo e não só na internet. É lógico que eu tenho convívio muitíssimo próximo e bem verdadeiro e bem real, mesmo que online, a gente cada vez mais vem se adaptando para isso e eu procuro manter essa proximidade com meu público, então nós temos grupos juntos, enfim, eles são a razão de tudo, então eu não preciso nem explicar nada [risos] mas tem sido muito difícil como artista sim a saudade do palco, isso tem mexido muito comigo.

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E o fato de ter me cuidado tanto e não ter não ter feito nenhum show durante a pandemia, ter feito de tudo para me preservar, preservar quem eu amo, preservar os fãs, enfim, tentar entender o melhor a se fazer nesse momento e aí eu acabo testando positivo para covid, então com certeza foi um outro baque muito grande além do todo que a gente tá vivendo, que não é uma coisa só minha, mas nossa, cada um vivendo a seu modo.

É claro que toda essa energia caótica de alguma forma também me inspirou a dividir coisas que são essenciais e cada vez mais urgentes assim desde o álbum “O Velho E Bom Novo”, que foi meu último álbum, eu tenho me apropriado cada vez mais da opção de tocar no assunto saúde mental porque para mim é o que tem de mais urgente, então tem sido muito mais do que uma escolha artística, um propósito para mim tocar nesses assuntos e cumprir esse papel de promover esse diálogo porque eu não estou aqui para ensinar ninguém como lidar, estou propondo essa conversa porque ela é nossa e não é só minha, esse tem sido o propósito né, a carreira inteira, mas muito mais evidente nesse último álbum e agora convivendo, enfim os assuntos não mudaram, né?

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A gente continua em pandemia, continua surtando, ansiosos para caralho, depressivo, negligenciando, às vezes inclusive dentro de casa com uma família que negligência também a saúde mental e as suas necessidades, então tem ficado cada vez mais difícil lidar de maneira passiva com esse assunto, então é por isso eu resolvi ser mais ativa ao lidar com esse assunto e permanecer falando dele porque não é nem nada pedante, pelo contrário, é assunto urgente, a gente precisa falar logo, é assunto de todo dia e não só do setembro amarelo.

Então a escolha de falar sobre isso, sobre preservação da vida, tocar no tema suicídio, tentar trazer isso com leveza, porque afinal, é sobre nós, então tem sido o motivo desse dessa criação toda. Tem sido mais difícil? Tem. Até os assuntos que eu estou tocando são assuntos mais difíceis, então com certeza tá mais difícil para mim, mas para todo mundo, e eu resolvi não negligenciar isso na arte. Alina Simone disse que o artista não pode ser alheio ao que tá acontecendo né, eu acredito muito nisso assim, não pode ser alheio ao que tá acontecendo na sociedade, ao que tá acontecendo com a gente, então eu tento me posicionar da maneira mais útil possível como artista, se é que eu posso dizer isso.

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Você passou o setembro todo muito vocal em relação ao setembro amarelo e a música saiu justamente em setembro, a faixa-título, então eu ia perguntar justamente o quê que representa para você poder usar a sua voz para alcançar as pessoas através da música.
Kell: Bom, completando assim, eu diria que a arte é a maneira mais bonita de conectar pessoas. Pelo menos é a maneira mais bonita que eu conheço e a mais eficaz. E a música é uma linguagem universal, poder usar minha música e a minha voz e chamar um amigo tão querido quanto o padre Fábio de Melo, que também tem essa voz e esse propósito de conversar de maneira afetiva com as pessoas sobre esses assuntos tão urgentes, significa muito né, não só para minha arte, mas eu acredito que significa muito para nós.

Desde que me tornei mãe eu tenho entendido que, porra, não é possível que eu não possa fazer um lugar melhor para minha filha, sabe? Depois de artista em si, eu fico pensando, porra, não é melhor que a gente não possa fazer um lugar melhor para os nossos filhos, sabe? Ou pelo menos para nós, se é que se pode se colocar em primeiro lugar numa sociedade onde prioriza sempre a opinião dos outros, eu diria, a gente pode fazer um pouco melhor por nós, né?

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Então eu tô tentando contribuir para isso, para ser sincera, e tentando tocar nesses assuntos que são meus também porque eu sou uma pessoa puta ansiosa e enfim, já vivi diversos momentos de uma mistura de medo de morrer com vontade de me matar, então eu sei como é tocar nesses assuntos e ser considerada a pessoa pesada do rolê.

E tem um dado que me preocupa muito que o Centro de Valorização da Vida (CVV) me passou que é: 90% dos suicídios poderiam ser evitados caso a gente pudesse conversar a respeito. Porra! É sério isso? Me indignou, sabe? De alguma forma. É sério que… enfim, a gente precisa conversar.

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Cada uma das músicas do seu EP vão ganhar um videoclipe, que ainda vão sair no sábado. Como foi que você pensou em cada um desses materiais audiovisuais?
Kell: Bom, como “Vivendo”, o single foi evidentemente a música de trabalho, foi a primeira música que eu quis apresentar porque o assunto tem essa urgência, falar de suicídio é muito importante, né, por todos os pontos e também disso que acabei de citar, sobre poder conversar a respeito, o quanto isso pode fazer a diferença na preservação da vida e que preservação da vida é feita no dia a dia, não só em setembro, então eu quis trazer uma pessoa assim, um artista para tornar essa mensagem mais impactante ainda mais forte.

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Então para isso eu trouxe o padre Fábio de Melo e a gente fez essa produção baseada, esse clipe todo voltado para esse assunto, tem todo esse enredo de passar por essa noite, que é como nós simbolizamos, passar uma noite tão difícil e esperar ver um amanhecer e tal e escolher a vida.

Já em “Ansiedade” e no “Faça Um Bom Dia!”, que são as músicas que o clipe nasce no sábado, no dia 30, um dia depois das músicas nascerem, são clipes verticais e a minha intenção com essa proposta foi passar mais intimidade e proximidade porque “Faça Um Bom Dia!” é uma música que promove uma conversa, então é muito mais sobre um diálogo assim, ela é baseada nisso, é uma mistura de conversa com música.

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E em “Ansiedade” eu quis trazer essa proximidade também no clipe, sabe? A música “Ansiedade” por exemplo é toda feita de vídeos filmados com celular e todos de arquivo pessoal, foi de uma viagem que eu fiz para me isolar, para dar uma descansada com dois amigos meus e foi daí que surgiu a ideia de passar dessa forma como quem envia um vídeo para um amigo, para uma amiga, sabe? E eu quis trazer a sinalização em Libras para tornar essa mensagem cada vez mais acessível, então o clipe é todo sinalizado em Libras, ao invés de cantar a master do clipe, eu sinalizo.

Essa foi a ideia de trazer isso porque afinal tá todo mundo precisando e tem muita gente ansiosa por aí, assim como eu [risos] precisando saber lidar né, e é bem impactante quando você descobre que a ansiedade não tem cura, né? Eu não sei como as pessoas recebem isso mas eu recebi de um jeito que foi tipo assim, já que eu vou ter que conviver com isso todos os dias da minha vida, eu preciso dar um jeito de conviver da melhor forma comigo e com a minha ansiedade, então é essa conversa que eu proponho nessa música, em “Ansiedade” e no clipe também.

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E o clipe de “Faça Um Bom Dia!”, como é uma conversa que eu quero ter com o público eu trouxe uma multiartista, uma atriz talentosíssima que é a Patrícia e ela dirigiu, roteirizou e atuou nesse clipe também para trazer essa proximidade desse diálogo que eu tenho com as pessoas conectam com a minha arte que é para quem eu quero oferecer isso então a linha que une esses clipes é essa proximidade e essa intimidade, porque no fim das contas, a gente precisa conversar dessa forma, com mais afeto, mais intimidade, mais liberdade até, livre de julgamentos e tal. Eu quis trazer essa proximidade e essa intimidade também nesse material audiovisual assim como eu trouxe nas mensagens das músicas.

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Eu queria perguntar sobre a parceria com Padre Fábio de Melo porque você também tem raízes no gospel, né? Como que o encontro de vocês aconteceu, como que a parceria nasceu? Você que pensou nele, como que foi?
Kell: Bom, eu conheci o padre, nos tornamos amigos, então ele é meu amigo pessoal, o que torna tudo muito mais gostoso porque dividir arte com alguém que você ama é sempre mais especial. A gente se conectou através da arte, então foi através das minhas músicas e ele tocava as minhas músicas, tocava “Mudei”, toca no show dele, toca “Era Uma Vez” no show dele, então a gente se conectou dessa forma, eu fui, participei de um show cantando com ele e enfim, a gente fosse se aproximando através da arte e através do mesmo propósito porque ele tem uma escrita extremamente afetiva e eu sou uma admiradora da escrita dele, eu consumo os livros e todos os diálogos que ele propõe e admiro muito a forma dele trazer esses diálogos, então essa conexão de propósitos de alguma forma já parou aproximou, sabe?

E assim que eu terminei o composição de “Vivendo”, ele foi a primeira pessoa que eu pensei em dividir a música, eu não consegui pensar em outra pessoa, eu só tinha certeza que a mensagem não era só minha porque essa mensagem é muito forte e eu queria trazer alguém para somar nela, mas quando eu terminei a composição eu só consegui pensar nele e eu já mandei a música para ele, só o registro no violão e falei ‘eu quero muito cantar uma música com você’. E ele então me respondeu ‘eu nem tenho roupa para esse evento’ [risos] Ele é uma pessoa especial, ele é uma pessoa incrível e ele se propôs na hora, foi mega íntimo da música também.

A gente percebeu no fim das contas, com tudo que ele estava vivendo também, que a música era tanto dele quanto minha, então eu falo para ele que eu nem considero um feat, sabe? É como se a gente tivesse tentado juntos, tivesse trocado essa ideias e tivesse escrito essa música. Não foi assim, mas é assim que eu sinto, sabe, de tanto que a música dele e é minha, então essa parceria surgiu desse jeito

E como eu te disse, é gostoso demais gravar com amigo, dividir a arte com um amigo assim, eu me sinto muito, muito grata pela amizade dele e por ele ter aceitado dividir essa mensagem comigo que é tão importante, da mensagem e da maneira que a gente passou essa mensagem também que foi muito delicada, então foi tudo como tinha que ser. Na verdade, foi melhor do que eu imaginei [risos] no meio desse caos, da pandemia, essa coisa toda aí, ver o resultado ficou tão lindo, foi tudo como deveria ser.

Conexão enviada mesmo, né?
Kell: Foi, cara! E você falou das minhas raízes no gospel, né?

Sim!
Kell: Em momento nenhum eu pensei nele como uma figura religiosa. Louco isso, né? Eu até falei pra ele, comentei isso com ele assim. Eu pensei no que ele representa. É claro que o que ele representa tem total conexão com a figura que ele é, a figura religiosa que ele é, mas o que ele representa quanto propósito é tão maior para mim do que a religião que eu não me deixei esbarrar nesse rótulo, talvez, porque não seria um obstáculo, obviamente.

Meus pais são pastores e enfim, eu sou e me sinto uma pessoa tão livre quanto eu gostaria que o estado fosse, sabe? [risos] então eu não tenho essa… imagina, eu não penso nisso assim quando eu penso em um artista, eu penso muito mais no propósito dele, tanto artístico, quando é a respeito apenas da música, da arte e tal, quanto no propósito quando tem esse propósito maior como essa música teve porque “Vivendo” nasceu mais do propósito do que da vontade de fazer um feat com alguém, sinceramente.

E Kell, quais têm sido as suas inspirações e referências artísticas ultimamente? O que tem te inspirado, o que você tem consumido?
Kell: Olha, eu tenho consumido basicamente as mesmas coisas de sempre, sinceramente. Eu tenho voltado bastante no tempo e resgatado referências, escutado música brasileira para caramba, conhecendo gente nova de vários segmentos, mas também resgatando nomes assim, então eu tenho estudado bastante música brasileira de maneira geral.

Quando eu digo isso, é desde o samba canção, desde dessa parte do samba canção, da música que começa ali nos anos 40, anos 50, mas também ouço muito jovem guarda e também ouço muito Movimento Tropicália, sou apaixonada, perdidamente apaixonada por Elis Regina, então tudo que me conecta à Elis eu também vou consumir a minha vida inteira.

Voltei também a beber na fonte dos artistas como o Ednardo e o Belchior e enfim, tô ouvindo bastante música instrumental também, me permitindo aprender com outros instrumentos. Agora não só pensando como as referências do que eu uso na hora de compor, mas também eu tenho escutado uma galera nova assim que eu tenho gostado bastante também. Eu conheci na pandemia o João Manuel e tô apaixonado por esse artista, ele é fantástico, não sei nem o que dizer sobre ele assim, eu acho ele fantástico. MC Marechal que não necessariamente poderia ser considerado alguém dessa nova geração né porque o histórico dele no rap já é um histórico de longa data, mas o Marechal também é um artista que vira e mexe tá na minha playlist, tá me inspirando, é um cara que eu gosto muito da escrita dele, da maneira que ele usa a música para passar mensagens.

Já faz muito tempo, desde quando eu conheci a Glória, eu venho estando muito Glória Groove, amo demais a Glória, a gente sempre teve uma relação muito bonita na estrada, nos programas de TV, na vida. É uma artista que eu sempre consumo, talvez seja aí… talvez não, acredito que uma das maiores artistas que já apareceram nos últimos tempos assim a nível de composição, performance, produção, da entrega que ela tem como artista, do quanto ela é uma artista 360, tem sido uma pessoa que eu tenho admirado muito ver a trajetória e torço muito por ela, mas eu sempre vou esquecer de nomes né, então acaba sendo até uma pergunta injusta porque eu sempre esquece de nomes [risos]

Não, mas tudo bem! [risos] voltando às suas composições, você tem músicas bem fixadas no imaginário das pessoas e eu tenho certeza que essas que ainda vão sair – que eu já tive o prazer de escutar -, vão ser mais algumas delas. Como você se sente quando alguém se sente representado e acolhido com algo que você faz ou com algo que você escreve?
Kell: Sensação de missão cumprida né, porque no fim das contas, sinceramente, eu não sonho em ser artista desde criança, sabe? Ser artista nasceu da oportunidade de me comunicar com as pessoas, então eu vejo a arte como instrumento dessa comunicação. Tem tanta coisa que eu gostaria de conversar, de propor essa conversa e saber que vocês entram nesse papo comigo sabe, que vocês de alguma forma se conectam. Porra, eu faria isso de graça, sabe? Entende isso? Eu faria isso mesmo que… mesmo eu não pudesse eu faria, para ser sincera.

É a paixão, né? A vocação?
Kell: É! eu sinto de alguma forma que a arte é a minha vida para dizer a verdade. Não existe uma maneira de distinguir. ‘Ah, o que você faria…’, eu nem lembro quem eu era antes de… quem dirá o que eu faria, sabe? Essa é a verdade mesmo. Saber que as pessoas se conectam com essa arte é uma puta de uma sensação de missão cumprida, de ‘uau! Esse é o caminho!’ porque eu já saquei que é sobre o caminho, eu já escrevi sobre isso, mas antes de escrever sobre isso eu saquei que é sobre o caminho, não sobre a linha de chegada, porque no fim só tem o fim mesmo e eu tenho curtido muito esse caminho, eu sinto que a gente tá criando esse caminho em comunidade assim, sabe?

Eu vejo muito mais os fãs como amigos, como parceiros, como investidores da minha carreira do que qualquer outra coisa e talvez por esse motivo eu tenha decidido me tornar uma artista cada vez mais independente né e não tenho optado por uma gravadora grande, é muito mais sobre o propósito assim, fico muito feliz com essa conexão. Faz valer a pena, sabe? Faz valer a pena por exemplo eu ter perdido o primeiro passinho da minha filha e o primeiro dentinho nascendo e coisas assim, faz sentido porque eu amo muito a minha filha, mas eu amo muito vocês também para dizer a verdade [risos]

Que fofa! E Kell, o EP vai sair essa semana, e além dele, você já vai estar trabalhando em um álbum mais para frente? O que você pode compartilhar e adiantar do que ainda está por vir?
Kell: Bom, eu vou lançar esse EP e gostaria muito de reverberar e ecoar e reverberar e ecoar, mas ao mesmo tempo, eu tenho essa necessidade de dividir mais arte com vocês. Eu sou uma artista que, se pudesse, vocês já perceberam né, eu faria álbum e álbum e álbum [risos] eu tô tentando me conectar a esse momento do single e tal, mas não consigo, quando vejo já quero lançar 29 músicas ao mesmo tempo, é terrível. Mas vocês podem esperar sempre música, sempre música.

No mês de novembro eu lanço um feat com o Amado Batista que é um superamigo meu e a gente já cantou juntos em “Separação”, que foi uma música que já fez sucesso com a Rosemary e enfim, foi um sucesso das rádios do Brasil e tal e ele me deu essa oportunidade de dividir essa música com ele e ele gravou um DVD. Participei da gravação do DVD agora no dia 25 em Goiânia, é um DVD de inéditas. Eu já estou contando mais do que ele está contando pra imprensa, né? Adoro [risos]

Solta tudo! [risos]
Kell: [risos] eu gravei esse feat com ele e é bem importante assim porque também é a respeito disso que a minha arte é, a respeito desse intercâmbio. O Amado, ele é um superamigo, uma pessoa que de verdade eu amo muito, ele sabe disso e a gente tem um amor muito bonito um pelo outro e é a prova de que, inclusive para mim, duas pessoas que pensam completamente diferente, que se posicionam de maneira completamente diferente, podem se amar, entende?

A gente se ama muito e ele me atura mesmo eu sendo a garota de esquerda que libertei igualitê e a galera talvez ainda não consiga absorver isso, eu também às vezes não consigo entender isso porque eu me afastei de tantas pessoas por conta de opiniões políticas e tudo mais, mas ao mesmo tempo não sei se eu poderia dizer que tô pagando minha língua da maneira mais bonita porque eu amo tanto ele, sabe?

Ele me inspira tanto e ele me ama tanto nas atitudes e a gente quer tanto fazer pelo propósito de dividir arte com as pessoas e eu sempre falo para ele, ‘pô eu quero ser popular como Amado Batista né, eu quero tocar em todos as casas do Brasil’, então cara, é uma relação muito bonita e diferente de tudo assim para mim porque eu também estou uma pessoa que tem essa limitação né, enfim acho que todo mundo, o ser humano tem limitação de querer conviver apenas com quem pensa igual a gente né, e eu também sou assim, então tá tudo bem, eu sou assim também. Gostaria que ele pensasse como eu e ele não pensa e eu continuo amando muito ele e a gente vai lançar música juntos e vai ficar juntinho aí sempre daqui a pouco tô lá. O covid for embora, tô na fazenda dele, vinte dias, ninguém me vê, essas coisas. Enfim [risos]

Vai ser muito lindo, a música é muito linda, é de um compositor que eu não conhecia e tem toda uma história muito bonita por aí. Tem esse feat e tem muito mais coisa vindo aí, tem mais música vindo aí, tá movimentado, cara! Não sei como né, não sei como estamos resistindo, o que comem esses artistas que lançam na pandemia? O que vestem? Do que se alimentam? Eu não entendo como que a gente sobrevive. Estamos aí lançando música [risos]

Melhor coisa que existe é a música! [risos]
Kell:
Siiiiiim! [risos]

Kell, nosso tempo chegou ao fim, na verdade eu já passei um pouquinho do que eu tinha, ele voou! Mas para terminar, você tem uma plataforma de pessoas que te seguem, te acompanham muito fielmente, que gostam muito de você. Quer deixar um recado especial pra elas e pra todo mundo que vai estar acompanhando essa entrevista? O que você gostaria de dizer?
Kell: Bom, primeiro eu gostaria de agradecer vocês pelo espaço de dividir arte independente, isso é muito muito importante, a gente que tá no mercado sabe que esse espaço é mega disputado e eu fico muito feliz por vocês sempre serem muito gentis comigo e me darem esse espaço de dialogar minha arte, fico muito feliz, as conversas são sempre muito produtivas.

Eu vejo muito mais como conversas e maneiras da gente crescer que propriamente de fazer imprensa, acho isso muito bonito, queria que as pessoas soubessem que por trás de tudo isso existem pessoas fazendo muito pela arte e que a gente tá se fudendo muito, mas que a gente só quer mesmo fazer pela arte e vamos continuar fazendo, custe o que custar.

Então, se eu posso pedir, é para que os meus fãs, as pessoas que se conectam comigo, que elas possam cada vez mais enaltecer essa imprensa que faz arte de verdade, esses artistas que fazem arte de verdade, fazem arte pela arte, que a gente possa se conectar cada vez mais. Enfim, ouçam muito e compartilhem porque dividir é multiplicar e eu conto com vocês. Eu faço arte para pessoas reais. Muito mais do que alcançar números, eu pretendo alcançar pessoas, então vamos juntos.

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Jornalista apaixonada por palavras, cultura e entretenimento.