Entrevistamos LAZÚLI sobre o single “Me Aconteci” e projeto solo

LAZULI
Crédito: Divulgação/Flora Vieira
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Lubeka

É sob o nome artístico LAZÚLI que a cantora e compositora Ju Strassacapa, vocalista da banda Francisco, el Hombre, encontra a identidade que a acompanhará durante o projeto solo no qual está trabalhando.

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Em meio aos planos de lançar um álbum no primeiro semestre de 2022, o single “Me Aconteci” já fez seu caminho em direção ao público e chegou às plataformas digitais em meados de setembro.

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Para falar sobre a nova etapa de sua carreira, sobre as suas composições e sobre o processo de autodescoberta, LAZÚLI fez uma chamada de vídeo exclusiva com a Nação da Música e nos revelou alguns detalhes sobre o conceito de seu trabalho paralelo à banda.

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Entrevista por Katielly Valadão.
——————————— Leia a íntegra:
Oie, boa tarde. Prazer, eu sou a Katy da Nação da Música.
LAZÚLI: Olá, tudo bem gente? Prazer, Katy.

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Como você está? Como tem passado esses últimos dias, esses tempos pandêmicos… como vai tudo?
LAZÚLI: Ah, tudo caminhando na medida do possível, né? Bem na medida do possível (risos), muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, mas tudo caminhando bem, com saúde.

Você adotou um gato, né? Vi no seu Instagram. Pergunta importante! (risos)
LAZÚLI: É, adotei. Uma decisão bem, bem importante. Passei um bom tempo pensando se sim, se não, mas aí… tinha que ser! (risos)

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Eu tenho cinco! (risos)
LAZÚLI: Arrasou, mas que loucura! (risos)

Loucuuura. Vamos falar sobre o seu novo projeto?
LAZÚLI: Bora!

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Bom, pra essa nova etapa você adotou um novo nome artístico, então você pode começar dizendo pra gente de onde nasceu o nome LAZÚLI e de que estado criativo e emocional ele surgiu?
LAZÚLI: Hmmm, eu estava buscando um nome que realmente me representasse, assim, um nome que representasse simbolicamente e energeticamente o que o que eu já estava trazendo com as minhas músicas, né, que vão ser lançadas nesse projeto. Aí eu fiquei buscando bastante em outros reinos, no reino vegetal, no reino animal mas eu não tinha pensado no reino mineral até uma amiga minha me dar um toque assim. Eu perguntei a opinião dela né, ‘ai, quando você ouvir minha música, te remete ao quê? Eu tô buscando um nome, tem algum conto que te vem, e tal?’. E aí ela me falou da pedra né, e aí foi tipo um ‘pode crer’ porque essa pedra já é uma pedra que me atraia bastante há um tempo, eu tenho muita conexão com o antigo egípcio assim, e aí lápis-lazúli é uma pedra tida como um presente dos céus, como muito sagrada, muito valiosa para essa essas civilizações e para várias outras.

Daí eu fui de novo pesquisar quais são os atributos dessa pedra, os significados e tal, o que que traz né, e tem muito a ver com o que eu estou buscando, que é essa fita de estabelecer uma ponte entre a matéria e os outros níveis sutis assim de consciência, o nível espiritual, outros planos. A cor azul também se conecta bastante com o chakra laríngeo, que é a minha maior expressão né, meu veículo de manifestação maior, assim. Várias coisas se alinharam bastante e aí eu senti que é isso. Eu passei uns dias sentindo para ver se era mesmo e é! (risos)

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E para além do nome, de uma forma mais interna, você já percebe alguma diferença entre a artista Ju e a artista LAZÚLI?
LAZÚLI: Hmmm, eu acho que só os nomes ajudam a gente a tomar mais consciência daquilo que a gente está buscando, né? Então é como se a ficha estivesse caindo melhor porque para mim o serviço artístico, assim, eu considero fazer arte como um serviço também espiritual né, um serviço curativo, curador, para além do meu benefício próprio, eu considero que a nossa cura é a cura do outro, da outra, de outrem também. E para mim esse lugar de artista, de canal, tem muito a ver com o lugar de xamã, que é a pessoa que faz a ponte, a pessoa ou o ser que faz a ponte entre a natureza e o reino humano assim, então eu acho que eu tô tomando um pouco mais de consciência disso através desse nome, assim como eu estou assimilando, sabe?

Aham! Você lançou recentemente o single “Me Aconteci”, e o que me chama atenção é que ele tem uma letra bem intimista, mas ao mesmo tempo eu acredito que seja bastante identificável para muitas pessoas, principalmente nesse tempo que a gente tem vivido e tal. Como que tem acontecido o seu processo criativo e esse ato de externar os seus sentimentos nas suas composições e nas suas músicas?
LAZÚLI: Olha mana, tem acontecido… eu tenho identificado novas ferramentas, novas maneiras de usar esse… o que eu tenho ao meu favor, assim, então conscientemente trazer alguma coisas que eu tô precisando, né, não só esperar que o momento chegue, e venha, e desça assim a música, sabe? É, tá acontecendo… Tanto eu tô observando mais o que me chega, observando as informações que me chegam de alguma maneira, o que a minha intuição diz, o que me é sussurrado no ouvido assim e assimilando isso e tentando transcrever, quanto conscientemente buscando.

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Então, por exemplo, eu tô buscando fazer uma música para integrar e para curar várias coisas relacionadas às minhas linhagens ancestrais, então conscientemente eu tô buscando isso, eu tô pedindo isso, eu tô chamando, invocando e tal, experimentando. Então tem acontecido dessas duas maneiras, de abraçar o acaso né, as sincronicidades e entender o quê que vem delas e o que eu posso contar sobre isso, aprender com isso e também conscientemente manifestar.

Perfeito. E bom, você tá preparando pra lançar um álbum também né, além dos seus singles. Você pode adiantar o que podemos esperar desse novo material, tanto no sentido sonoro como em relação ao conceito? Você já deu um pequeno spoiler aí nas suas respostas anteriores sobre o conceito, né, mas o quê mais?
LAZÚLI: Ah, o nome do disco, mana, vai ser “De Lua”, então eu procurei respeitar e dar espaço para muitas facetas, assim, o que eu acho que que uma das causas… deixa eu pensar como falar isso… eu acho que uma das doenças, dos sintomas da sociedade ser tão não saudável, ser tão tóxica, é que a gente é levada, especialmente as mulheres, a gente é levado a acreditar que a gente precisa ser linear, que a gente precisa ser constante, que a gente precisa ser uma só durante a vida toda, durante um ciclo todo, e não, sabe? Não é dessa maneira que se trabalha as emoções.

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Eu sei que a falta de equilíbrio é muito danosa né, pessoalmente é muito danosa e também reflete em todos os ciclos, reflete na sociedade mas não é só medicando que se resolve, não é só colocando a pessoa… forçando a pessoa a ficar na linearidade, assim, então foi para mim uma exercício muito de olhar para cada uma dessas fases, aprender com elas e manifestar de diversas maneiras diferentes, então eu sinto que que dá para esperar desse disco, se você já consagrou alguma medicina da floresta você vai entender um pouco melhor, se você já fez parte de uma cerimônia, de algum ritual, seja temazcal, seja qualquer tipo de ritual que tem um trabalho assim que segue momentos diferentes, né, passa-se por um momento diferente, você tem uma catarse durante isso, eu acho que vai por aí, é um trabalho tanto interno quanto é o que eu tô ofertando né, então passa por muitas emoções, passa por muitos momentos e eu espero que cause catarse.

E ainda dentro desse tópico, mas pensando no sentido sonoro mesmo, quais têm sido as suas influências artísticas ultimamente? A gente vai encontrar influências externas, de outros artistas, ou tem sido total um processo de autodescoberta nesse sentido também?
LAZÚLI: Ah, eu acho que tudo que a gente absorve nos influencia, né? Não tudo, mas tudo que a gente escolhe absorver assim, dar atenção, vai nos influenciar, então tem muitas artistas latino-americanas, muitos produtores latino-americanos de música eletrônica mesclada com música de cura que me influenciam bastante, como várias pessoas que vão bem mais lugar quase folclóricos assim né, Abuela Malinalli, no Brasil, Lia de Itamaracá, Alessandra Leão, Mateus Aleluia, sei lá, várias, várias, várias influências assim que foi coletado ao longo dos anos vão se juntando, assim como pontos de umbanda também, tem algumas músicas que vem um pouco mais nessa linha. E eu acho que a cultura popular em geral brasileira e do resto todo da América Latina, eu acho que a cultura popular e seus símbolos e ritos e sei lá, ensinamentos (risos) acho que tudo isso é uma grande influência para mim.

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Ou seja, vai estar riquíssimo. E tem alguma música no disco que seja a sua protegida? Assim, alguma em especial que esteja falando mais com você e que você esteja mais ansiosa para todo mundo ouvir?
LAZÚLI: Olha, tem uma que… é… todas elas são muito especiais, né, são muito das vísceras, mas tem duas que eu sinto… não, tem três, ahhh (risos) eu não sei, mana, eu acho que cada uma é muito especial e toca num ponto diferente assim, mas “A Vela Acesa” é uma que eu acho que vai fazer… ela me faz chorar toda vez que eu escuto, então acho que vai tocar em lugares profundos assim, e chamar muito a presença de se aceitar, aceitar o presente, aceitar o momento, eu acho que essa vai ser uma das fortes.

Com todo artista que eu converso do ano passado para esse, eu percebo que a pandemia afetou sempre de duas maneiras diferentes, e é muito pessoal isso, alguns me dizem que não sofreram, que pelo contrário, encontraram novas inspirações, um novo gás, sabe? E outros dizem que passaram por um momento muito difícil, muito travado, sem conseguir escrever, pensar, criar, e eu queria saber como tem sido para você esse período, como que tem te afetado nesse seu processo de criar algo novo?
LAZÚLI: Eu sinto que de qualquer processo algum aprendizado vem né, então da pandemia eu tenho tirado… finalmente eu tive espaço e tempo para olhar para coisas que estavam guardadas há muito tempo na gaveta, assim. Tanto no meu projeto solo quanto com a Francisco, a gente sente a mesma coisa, então várias dessas músicas estavam há anos esperando para nascer, estavam embaixo da terra, ali encubadinhas, né. Então eu finalmente olhei para muitas dessas ideias e fui nutrindo, fui alimentando, e aí agora elas vão nascer, quanto busquei entender no momento assim as mensagens que eu estava precisando trazer de agora. Então tem músicas que vieram agora, que vieram ao longo do processo e eu falei ‘não, ela tem que estar aqui, ela cabe muito aqui’.

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Eu não tive uma trava assim, eu sinto que em certo momento eu fiquei muito sem parar de trabalhar, sem sair da frente da tela, achando que tinha que compensar alguma coisa porque a gente tá parado, tem que trabalhar o tempo inteiro e aí ultimamente eu tô tentando compensar isso porque as demandas nunca param de chegar, né? E aí a Clarissa Pinkola Estés, autora do “Mulheres Que Correm Com Os Lobos”, fala muito sobre como a gente de repente precisa só largar a louça na pia, só largar o trabalho e dar uma volta, dar uma caminhada na natureza e fazer alguma coisa que a gente goste, então… porque nunca para, né? A demanda nunca para, então esse está sendo o aprendizado maior assim para mim, de equilibrar trabalho e descanso, silêncio e a comunicação.

Você já deu indícios nas suas respostas anteriores, mas eu quero te perguntar assim de uma forma mais aberta, porque eu já perguntei sobre as suas influências artísticas e musicais, mas eu queria que você falasse de uma maneira mais ampla, pensando na vida, sabe, pensando em tudo, o que que te inspira a fazer arte?
LAZÚLI: A natureza me inspira muito. Assim, a natureza me inspira, minhas músicas internas. Não que isso me defina, mas isso diz um pouco sobre a minha natureza: eu sou sagitário com ascendente em peixes e lua em escorpião, e a busca é uma coisa muito… a busca e o autoconhecimento, a auto investigação em um nível bem profundo assim é uma coisa que sempre existiu comigo, então essa busca, e também essa sede de conhecimento de conexão espiritual, que tem muito a ver com a natureza, né, tudo tá conectado, é uma coisa que me inspira muito. Então todas as cerimônias das coisas faço parte, tudo que eu leio que tem esse sentido, a pajelança brasileira, a umbanda brasileira, assim como contato com os povos originários, né, tudo isso me inspira bastante.

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Eu entrevistei o Sebastianismo no começo do mês e ele falou sobre o paralelo que é sair de um projeto coletivo, o coletivo de vocês, que no caso é a Francisco, el hombre, e ir para o solo. Eu queria te fazer uma pergunta semelhante, como você sente, como você enxerga e como você experiencia essa transição: coletivo, banda e aí passa para o solo, pessoal e mais íntimo?
LAZÚLI: Hmmmm… no começo foi uma transição mais… que me chacoalhou, assim, tipo, eu sentia que eu tinha uma determinada autonomia em alguns aspectos dentro da Francisco, mas outros lugares eu tinha delegado, eu tinha entregado para outras pessoas do coletivo. ‘Ah, tal pessoa já faz isso, tal pessoa já pensa nisso, tal pessoa já tá cuidando disso, então não preciso me preocupar, não preciso pensar nisso, não preciso aprender e nem me colocar’, então eu estava num lugar confortável, mas não confortável ao mesmo tempo.

E aí eu fui descobrindo o que que eu realmente quero nesse projeto e aprendendo a colocar minha voz, a não só delegar, a não só entregar e confiar no rumo das coisas assim. Então eu tô pegando um pouco mais, bem mais na verdade, o leme e aprendendo a equilibrar também para não ser rígida né, equilibrar a minha visão das coisas que eu gostaria de fazer. ‘Não, o caminho é esse’, quando eu tenho certeza de que é assim, que tem que ser isso, tem que tá aqui mesmo, aí eu insisto dando uma palavra final assim, mas também muito aberta a ser surpreendida.

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Então eu estou sendo muito surpreendida com o quanto um novo coletivo é mágico assim, é muito muito lindo trabalhar com novas pessoas, que na verdade não são novas na minha vida, mas estão numa outra configuração e cada um, cada pessoa traz o que outra precisa, e tipo, acaba se tornando uma roda de cura, um coletivo. Eu sinto muito isso, então tô sendo muito surpreendida pelo que esse novo coletivo me traz e eu trago para elas e ao mesmo tempo como é benéfico cada indivíduo da Francisco estar trabalhando as suas individualidades, estar descobrindo outros caminhos assim, como isso contribui para que esse coletivo se renove assim, e troque de pele, e engrandeça e seja poligâmico.

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Essa transição a princípio te fez sentir um pouco vulnerável ou te fez sentir mais forte?
LAZÚLI: As duas coisas, né, mana… Eu acho que criação artística, quando vem desse lugar íntimo, não tem como não ter vulnerabilidade, é um ingrediente essencial na minha opinião. Então vulnerabilidade sim, leveza e descoberta do meu próprio poder também, assim cada vez mais, meu poder pessoal que pode ser dito como força, né?

Sim! Eu pensei na palavra vulnerabilidade na primeira vez que ouvi “Me Aconteci”, que é incrível, é isso que você falou, a vulnerabilidade traz coisas novas, coisas boas, arranca leveza. E se eu pedir pra dar uma espiadinha nos seus serviços de streaming, o que que a gente encontraria? O que você tem consumido ultimamente, o que você tem escutado, assistido, lido…
LAZÚLI: Bom, hoje eu tive que renovar minha carta, acabei de voltar, e daí eu comprei um livro no meio desse processo, eu comprei um livro porque eu vi ele na prateleira e eu falei ‘nossa, eu ainda preciso ler esse livro porque eu não li’, e sei que ele voltou às prateleiras por causa da Juliette eu acho né, que é “Os Quatro Compromissos”, do Don Miguel Ruiz, que é um senhor mexicano tolteca muito sábio. Esse é o livro que eu comecei a ler hoje, eu já tinha lido um outro do filho dele que é “Os cinco níveis de apego”, é muito, muito incrível, e aí esse livro me deu um baita chacoalhão hoje, é um livro incrível.

Eu tenho assistido uma série muito linda chamada “Resto de Mundo”, foi produzida por um amigo e uma mana que eu ainda não conheci, antes da pandemia eles foram investigar em vários cantos dos interiores do brasil assim, foram atrás das mulheres sábias, das mulheres anciãs, das benzedeiras, das tecelãs, dessas mulheres que trabalham com saberes né, ancestrais assim, e muito com a espiritualidade, muito com a natureza, com as ervas e tal, essa é uma série muito linda que eu tô vendo também. “Sex Education”, é muito, muito foda, eu adoro.

Tenho ouvido bastante umas coisas antigas assim, ouvindo bastante Mercedes Sosa, Violeta Parra, aprendendo a tocar algumas músicas delas no violão, Susana Baca também, Totó la Momposina, as antigas assim, as “abuelas”.

Agora pensando como compositora, tem alguma música de qualquer outro artista que você se identifica tanto ao ponto de pensar “puts, eu queria ter escrito essa música”? Você consegue pensar em alguma, ou algumas?
LAZÚLI: Consigo! É que eu não sei autoria né porque ela foi gravada pela Mercedes Sosa, e não sei quem mais em outros momentos, chama “Todo Cambia”, é muito linda essa música. “Volver a los Diecisiete”, da Violeta Parra. “Gracias a La Vida”, da Violeta Parra.

Tem uma música do Radiohead também que é muito muito forte, eu sonhei com ela, tive um sonho bem simbólico com, sei lá, outras percepções de tempo, de espaço assim, e aí começou a tocar no meio do sonho, no fim do sonho eu estava no meio de um teatro e parecia que eu podia controlar a passagem do tempo, para rebobinar e passar para frente, pausar e tal, e aí começou a tocar “Exit Music (For a Film)”, que é muito, muito foda do Radiohead. Essas são algumas músicas (risos)

Parceria dos sonhos, você tem? De cantar junto, de compor, de produzir… de trabalhar de qualquer forma possível.
LAZÚLI: Ai, tem uma mana muito foda argentina que é a Nathy Peluso, que eu… nossa, eu acho incrível, ela é um gênio. Ela tem muita versatilidade musical, é super feminista, debochada e tem uma coisa de não se levar a sério mesmo, ela é muito engraçada, sabe, no que ela faz, e eu admiro bastante.

Já torcendo então pra acontecer! Você já adiantou que seu disco vai abordar temas de cura, espiritualidade, tudo isso, e eu sou do tipo que acredita muito que todo artista tem um propósito interno ao lançar uma composição, uma música… Qual você diria que é a principal mensagem que você quer levar para as pessoas com arte que você faz?
LAZÚLI: Hm… Se conheçam. Se conheçam, se aceitem nas luzes e nas sombras, na sua integridade. E aceitem a mudança também, acho que aceitação é a grande palavra desse momento para mim. Não que a gente deva aceitar tudo como é, a gente tem sim que dizer não! A partir do momento que a gente se aceita, se respeita, se honra, a gente aprende a dizer não, a parar de ser domesticada, né, pela sociedade e por tudo, então é isso.

Durante a pandemia os shows foram interrompidos, vocês não têm mais aquele contato direto com o público, aquela interação pessoal com os fãs e tudo mais. Como foi para você a adaptação desse período nesse sentido? Qual foi a maneira que você encontrou, e que funcionou mais para você, de estar pertinho do público e das pessoas que curtem o seu trabalho, mesmo que seja apenas online?
LAZÚLI: Ah mana, confesso que eu não sou muito boa nisso, eu acho (risos). Eu tenho muita dificuldade com o virtual, então várias vezes eu deixo, não por mal assim, eu deixo de postar, eu deixo de ver, de responder, sou bem brisa assim. Acho que o maior cuidado tá sendo com as pessoas que eu tenho pouco mais de proximidade, então eu troco no WhatsApp por exemplo, de ver realmente não só o que eu mando, mas o que eu recebo delas né. Fluir, olhar, ouvir assim e tal, acho que tem sido mas nesse lugar de reciprocidade.

Entendido. E eu não quero terminar sem antes te dar um espaço, que é algo que eu gosto de fazer, e te ceder a minha posição quanto jornalista. Tem algo que você gostaria muito de contar, de compartilhar, enfim, e que eu ainda não tenho te perguntado? Aquela perguntinha que que você pensa “puts, faltou e eu queria muito falar”, o espaço é seu.
LAZÚLI: Hm…. Eu sinto que é urgente que a gente se conecte com a natureza e com as pessoas que a gente acha que não tem a ver com a gente no sentido mais cuidadoso e mais disponível, e fazer algo a respeito. Por exemplo as questões acerca dos povos originários, são questões que me deixavam sem saber o que fazer assim porque a minha ancestralidade tem isso né, eu tenho ancestrais indígenas assim como muitas pessoas do Brasil, inegavelmente, em algum lugar da sua genética você vai ter, mas eu ficava sem saber o que fazer com porque eu sou branca né, porque eu não tenho, não teria lugar de fala ou porque não é um lugar assim… eu achava, né?

Mas eu acho que é o mesmo caso de briga de marido e mulher não se mete a colher, a gente tem que meter a colher sim! Tem não né, eu acho que é benéfico que a gente se coloque, que a gente se mova, que a gente compre essas lutas né, porque tudo tá conectado, porque a colonização continua acontecendo. Se é revoltante a gente pensar em como contaram a história da colonização como descobrimento né, e como os brancos é que contaram a história e deram o nome postiço para o Brasil e deram o nome postiço para América Latina, é ouvir, né? É necessário a gente buscar os contadores e as contadores de histórias do que realmente aconteceu no outro lado né, então não sei, essa reflexão assim, olha para sua para sua árvore genealógica e o que ela te diz e busca saber.

Por último, mas não menos importante, você quer deixar uma mensagem, um recado para todo mundo que acompanha a Nação da Música, para todo mundo que vai estar acompanhando essa sua nova fase e descobrindo seu trabalho?
LAZÚLI: Ah, querides, queria pedir para vocês ouvirem com a escuta da alma agora cada uma das próximas músicas que vierem, abaixe as defesas e escutem com o ouvido da alma.

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Jornalista apaixonada por palavras, cultura e entretenimento.