Entrevista: Fall Out Boy fala sobre novo disco, críticas e Rock in Rio

No final de abril, a banda Fall Out Boy divulgou o single “Young and Menace”, o primeiro do sétimo álbum da carreira, “M A N I A”. O disco tem previsão de lançamento para o dia 15 de setembro, pouco antes da apresentação dos americanos no Rock In Rio, dia 21.

Nação da Música conversou com Pete Wentz sobre o novo single e sobre o que podemos esperar deste próximo disco, além do show no Rio de Janeiro.

Entrevista feita por Veronica Stodolnik

————————————————————————————————————— Leia a íntegra

Vocês acabaram de lançar uma música nova, “Young and Menace”, que não parece com nada que o Fall Out Boy tenha feito antes, com um som bem mais eletrônico. De quem foi a ideia de explorar isso, e como foi criar essa música?
Pete
: Foi bem mútuo. Eu e Patrick estávamos trabalhando com essa ideia e pareceu algo interessante para o momento. Eu não acho que hoje em dia as pessoas ainda ouçam músicas baseado no gênero, então pareceu a época perfeita para isso. Nós sempre tivemos muitas influências, de hip hop até rock, então pareceu o tempo certo para diversificar.

Você pode nos dizer mais sobre o significado dela? É tão intenso como parece?
Pete:
Eu acho que sim. A ideia é de olhar para o punk rock de um jeito meio nostálgico e comparar em como ele é hoje em dia. Eu converso com meu filho de 8 anos às vezes, e isso é música contemporânea para ele. Eu não acho que ela seja pop porque ela não toca em rádio aqui [nos Estados Unidos]. “Young and Menace” não é uma música de rádio, mas ainda sim é algo interessante e relevante que as pessoas ouvem por stream.

Ela descreve a vibe do álbum novo ou foi mais um experimento isolado?
Pete:
Ela está no álbum, e ele é como uma despedida do álbum anterior, mas eu não acho que ele vai ser tão drástico. Eu não acho que ele vai ser um álbum que a gente não pudesse tocar ao vivo; definitivamente tem instrumentos.

Como foi a reação dos fãs da perspectiva da banda? Olhando de fora, parece que dividiu muito os fãs: tem pessoas que curtiram muito, e outras que ficaram bem confusas com o som novo.
Pete:
Para falar a verdade, eu não gosto muito de ler sobre a reação das pessoas. Foi como disseram para o Henry Ford: “você teria se dado melhor se não tivesse inventado o carro”. Então você não pode levar essas coisas muito a sério. Ao mesmo tempo, nós críamos música por que amamos muito, e somos muito agradecidos aos nossos fãs por sempre nos aceitarem de braços abertos. Porém, isso não significa que você tem que gostar de tudo que um artista faz. Tem muitas bandas que eu amo que eu sempre me pego pensando “hm, essa música não foi para mim, mas talvez a próxima seja.”

A arte tem que fazer com que você sinta alguma coisa. Tem muitas músicas hoje em dia que ninguém tem nenhuma opinião sobre e não tem nada pior do que isso. Eu não me importo em dividir a opinião das pessoas. Quando nós lançamos “Infinity on High” ele era muito diferente de “From Under the Cork Tree” assim como “Save Rock and Roll” era diferente de “Folie à Deux”. Eu realmente não me importo em dividir a opinião popular, pois como eu disse, eu acredito que arte deve fazer com que você sinta alguma coisa. Tem uma certa frustração em “Young and Menace”, e as pessoas deviam sentir isso; isso tinha que estar aparente.

Essa era nossa próxima pergunta: vocês estão sempre levando a banda para uma direção diferente e claramente não parecem ter medo de perder fãs no meio do caminho. É bem claro que vocês preferem criar músicas que tenham um significado, que vocês realmente gostem, do que ficar na zona de conforto e só colocar o que vocês acham que os fãs querem ouvir.
Pete:
Nós vivemos numa era onde você pode decidir por fazer o gosto dos outros—e não tem nada de errado com isso—mas também é uma ótima época para lançar um material autêntico. Eu amo “Green Light” da Lorde; eu acho tão autêntico, e ela tem lançado muitas músicas que são autênticas para ela mesma. Para a gente, se as músicas não forem consideradas boas, pelo menos elas são autênticas. Hoje em dia, seria muito fácil colocar Fall Out Boy no piloto automático e lançar músicas parecidas umas com as outras, sair em turnês e fazer uma grana boa com isso, mas não seria tão legal. Isso nunca seria algo interessante para a gente, nem como banda e nem como pessoas. Eu não sei. Acho que nós sempre estivemos aberto a coisas diferentes.


E como está saindo o álbum MANIA? Vocês já terminaram de gravar?
Pete:
Ainda não. A gente tá mais ou menos no meio da gravação. O que é interessante; a gente começa muito devagar, e aí tem que apressar quando chega a hora de entregar alguma coisa [risos]. Nossa data final ta chegando e a gente ta trabalhando para cumpri-la. Eu acho que “Young and Menace” vai ser a música mais esquisita do álbum, mas como nós ainda não o terminamos não tem como dizer com certeza. Mas para mim, é a mais esquisita sim [risos].

Do material que você tem até agora, como você descreveria a vibe do álbum? O que tem inspirado vocês a escrevê-lo e cria-lo?
Pete:
Eu acho que não tem como dizer exatamente como o som do álbum é. Nós sempre fomos uma banda meio cinemática e acho que dá pra descrever a vibe do álbum com o filme “Blade Runner” e a série de TV “Legion”. O visual deles descreve o álbum instantaneamente, assim como a ideia que ele passa.

Essa vai ser uma pergunta meio esquisita… Mas a cor roxa tem algum significado especial? Ela está em todo lugar!
Pete:
Sim! [risos] Desde que começamos, a banda sempre teve um esquema visual: o primeiro álbum tinha uma paleta de cores azul, o próximo de cores vermelhas, depois azul de novo, e aí por diante. Mas nós resolvemos que agora era hora de lançar o roxo, que é uma mistura dos dois.

Uma das coisas mais legais do Fall Out Boy é o fato de que vocês conseguem colaborar com qualquer artista, desde Elton John até Demi Lovato, e fazer o som ser muito bom. Como vocês fazem isso? Vai rolar alguma colaboração no álbum novo?
Pete:
Eu acho que vai sim, mas nós ainda não sabemos quem. Eu adoraria ter o Jaden Smith, ia ser bem legal. Mas não sei… Tem que ser alguém que tenha a mesma vibe que a gente. Podia ser a Demi ou o Jay-Z, mas a nossa personalidade tem que bater com a da pessoa mais do que qualquer outra coisa. A gente ainda não gravou nenhuma colaboração para o álbum novo, mas ia ser muito legal ter algumas.

Vocês estão voltando ao Brasil agora em Setembro para o Rock in Rio com Aerosmith, que já estão com todos os ingressos esgotados. Vocês estão felizes em voltar?
Pete:
Sim, nós nunca fomos para o Rio, então estamos muito animados. Aerosmith, Def Leppard… Esses caras são legendários, mas acho que vai ser muito legal. Acho que nós complementamos um o som do outro.

E por último… Você tem alguma mensagem para os fãs brasileiros?
Pete:
Nós estamos muito animados! Eu acho que vai ser sensacional. Nós crescemos ouvindo bandas como Sepultura, que além de ser uma de nossas bandas favoritas, também foi uma de nossas grandes influências. Nós estamos muito felizes de poder tocar aí e explorar o Rio.

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Veronica Stodolnik: Paulista que mora nos Estados Unidos desde 2011, e colabora no Nação da Música com entrevistas e cobertura de eventos internacionais. Amante de música e literatura, atualmente cursa um mestrado de comunicações, não vive sem seu PS4 e assiste muitas séries de TV nas horas vagas.

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