Entrevista: Mahmundi fala sobre “Imagem”, novo EP e sua carreira

Divulgação

O próximo single de Mahmundi está muito próximo de seu lançamento. Nesta sexta-feira, a carioca divulga “Imagem”, música que estará presente no seu próximo EP, o primeiro a ser lançado pela gravadora Universal Music.

Nesta nova fase, Marcela Vale mostra que está muito feliz e segura do seu trabalho, o que podemos comprovar na nossa entrevista com a artista. A Nação da Música falou com Mahmundi sobre o sucesso do primeiro disco e também sobre o que vem pela frente na sua carreira.

Entrevista por Marina Moia.

————————————————————————————————————— Leia a íntegra

Seu single “Imagem” está pertinho de ser lançado! O que você pode falar dessa nova música que está colocando agora no mundo?
Mahmundi: 
Música nova de trabalho, produzida no Rio, e estou super feliz por este momento de começar as atividades depois desse primeiro semestre trabalhando e pesquisando pra fazer as coisas. Eu estou com um clipe muito maior agora. A gente fez essa pesquisa e agora é entregar e começar o mês de julho com essa música e me preparar para o EP. Está sendo muito desafiador trabalhar com datas.

Como você disse, o clipe vai ser divulgado amanhã também e já pudemos até ver alguns trechos no Facebook. Como foram as gravações desta vez?
Mahmundi: 
Na verdade, eu optei por sair um pouco do lúdico, que é uma coisa que eu sempre gostei, esse colorido dos anos 80 que eu realmente gosto. Esse é no tempo de agora, com uma história muito simples, mas generosa também, que é um encontro de jovens e o que os jovens fazem no sábado à noite. A história de “Imagem” é isso: eu me reunindo com meus amigos em lugares comuns. O elenco é real, as meninas são da baixada do Rio de Janeiro, são meninas de um coletivo super importante e super novo. Eu quis me comunicar com essas pessoas, quis saber o que tava rolando, o que elas estavam ouvindo, então foram dias de troca, desde quando conheci essas pessoas até gravar o clipe. Foi divertido porque parece que você está em casa e tem aquela sensação boa de estar no Rio de Janeiro e revisitar esses lugares de novo, depois de ter saído de lá.

“Imagem” fará parte de um EP, que tem previsão pra sair em outubro. Como está sendo a produção e criação deste trabalho?
Mahmundi: 
Essa coisa de finalmente ter entrado pra uma gravadora, que eu sempre achei super importante e super legal, é que ela te impulsiona em vários momentos pra evoluir enquanto artista. Isso significa você produzir mais coisas, pesquisar mais coisas e trabalhar com a sua imagem, e é uma coisa legal, quando você entende bem o que você está fazendo e está produzindo seu próprio trabalho.

Eu estou com calma, ainda. Gosto de manter essa minha calma e tenho cada vez mais tentado otimizar algumas experiências pra estar em outros lugares. Tenho tentado viajar mais e encontrar pessoas de diferentes lugares, pra compor mais, porque antigamente eu tinha mais tempo, uns dois ou três anos, pra fazer minhas músicas e meus EPs, e hoje em dia está um pouquinho mais corrido. Mas é bom também porque organiza a gente a viver nesse processo de produção, sabe? Está sendo bom pra mim. Estou compondo mais, escrevendo mais… eu me sinto em paz.

É seu primeiro trabalho com a Universal. Como tem sido trabalhar com eles?
Mahmundi: 
Tem sido bom. Eu, de fato, também passei por essa dúvida de trabalhar com uma gravadora. Eu vivia isso, comprava disco, comprava vinil em lojas. A gente tá em 2017 e, apesar das mídias digitais, eu passei cinco anos trabalhando na internet, e hoje em dia eu vi que eu precisava dar um passo maior, com parceiros e pessoas que entendem o trabalho e como se faz música. Aí a gente vai entendendo… eu sou boa numa coisa, as pessoas são boas em outras, e a gente se relaciona assim.

Pra mim, está sendo um processo bom porque eu tenho liberdade criativa aberta 100%, a gente tem uma relação de confiança e a Universal é uma das coisas que eu quero estar compreendendo melhor agora. Artista tem mania de achar que você entra na gravadora e vai dar tudo certo, mas na verdade a gravadora é uma coisa e você é outra. To feliz com mais esse braço de parcerias. To realmente bem feliz e bem animada.

Quais artistas você acha que combina com a sua música e que você gostaria de fazer uma colaboração algum dia?
Mahmundi: 
Ah, eu gosto de tanta gente! Eu gosto muito do Rico Dalasam, da Karina Buhr e do Emicida. São os meus três artistas favoritos atualmente e são pessoas que eu realmente tenho vontade de fazer alguma coisa urgente. São pessoas que, convivendo e entendendo o que fazem, só reafirma essa vontade. Você vai na casa das pessoas, você troca uma ideia e fala “é isso que eu quero imprimir na minha música”. Não necessariamente uma foto no Instagram, sabe? Sou muito atraída por pessoas que são de verdade, que a gente fica mais em paz entre si…

O seu primeiro disco, “Mahmundi”, foi escolhido pela Nação da Música como o melhor álbum nacional de 2016…
Mahmundi: 
Aaaaaaah, eba!!

E por muitos outros veículos também. Teve realmente muito destaque. Como você se sente com essa repercussão toda logo na sua estreia?
Mahmundi: 
Olha, eu acho que eu já tinha muito uma opinião sobre o que eu ia fazer na vida. Por ser pobre e ter muita dificuldade, ou você é muito corajoso e cai e levanta, cai e levanta, ou encara isso com foco também. Eu sempre quis fazer isso e sempre soube que seria muito bom. Sempre quis dar o meu melhor. É óbvio que, em 2016, com tanto disco legal, ser eleito o melhor disco do ano é realmente muito importante. Mas eu continuo a caminhar. Em 2017 tem que ser bom também. Porque artistas que eu admirei a vida inteira não deram uma bola fora. Nunca quero lançar um disco e não ouvi-lo. Eu ouço os meus discos! Eu gosto e acho que seria até fã da Mahmundi [risos]. Se eu não fosse a Mahmundi e não trabalhasse pra ela, porque eu trabalho pra ela pra caramba, 24 horas por dias… [risos].

Já li em algumas entrevistas você falando que é bem tímida, mas ao mesmo sinto uma segurança muito legal em você, sobre saber quem você é e o que você quer da sua carreira. Então, como você lida com a timidez no dia a dia do trabalho e nos palcos?
Mahmundi: 
É, eu sou muito tímida, mas acho que tem um pouco a ver com a coisa da religião. Minha família é cristã e nasci na igreja. Hoje em dia consigo entender que Cristo foi uma pessoa maneira e que depois a galera começou a seguir o que ele falava, você entende melhor o que é. Quando eu fui desmistificando certas religiosidades e me entendendo muito como ser humano, eu fui ficando cada vez mais segura do que eu queria, do que eu queria comunicar e que é isso que eu quero: eu quero ser igual às pessoas. Não tenho essa coisa de ter um camarim só pra mim, de ficar isolada e não dar acesso. Pra mim isso não é o que eu gosto. Mas ao mesmo tempo, eu tenho momentos quando estou com pessoas que estão alinhadas no pensamento, é o momento que eu mais fico em paz e o momento em que eu mais fico tímida.

Hoje em dia, dois minutos antes de entrar no palco eu sou tímida, mas depois que eu entro, acho que é o lugar que eu definitivamente consigo ficar plena e consigo me conectar com as pessoas.

Outro dia eu recebi uma carta de uma menina do interior de São Paulo, falando que sofre muito preconceito por ser nova e que eu estou entre as pessoas que a inspiram. Acho que essa é uma das coisas que me fazem seguir com essa convicção, de que é com esse barulho que você muda as pessoas, faz alguém escrever. Apesar da minha música ser muito solar e muito refrescante, eu tenho muitas experiências diferentes e isso é muito louco, como a música conecta a gente. Não é pelo stylist, não é pela luz. Isso tudo funciona, mas você só consegue capturar as pessoas sendo quem você é e isso me deixa em paz.

Essa coisa de timidez, quando eu começar a aprender a beber… [risos].

Você tem uma turnê planejada pro EP? O que vem pela frente na sua carreira neste segundo semestre?
Mahmundi: 
Eu estou querendo fazer um disco mais plural. Eu passei um tempo experimentando estéticas. Como eu não tinha dinheiro pra estúdio, era muito mais fácil encontrar os sons de bateria pra baixar na internet, uma coisa que já vem pronta. Essas coisas foram me fazendo ficar num lugar de conforto. Eu baixava teclado, um monte de sons. Hoje em dia, como eu já consigo me expressar melhor, até monetariamente, pra produzir um disco, e tem isso da gravadora que investe no que você está fazendo, eu consigo gravar um jazz, gravar um soul, gravar um reggae, tudo que eu sempre quis fazer. Você pode chamar bons músicos e eu acabei fazendo uma rede de amigos e profissionais. Eu vi um arranjador de cordas que faz coisas com o Chico Buarque e disse “poxa, um dia vou fazer coisa com você”. E agora dá! Você tem o sobrenome que vai antes de você e eu tive que ir lapidando esse nome, essa marca, até um dia poder criar tudo que eu quis.

Acho que o próximo passo vai ser eu muito mais solta pra fazer tudo definitivamente que eu quero. To bem animada! Preciso só ter tempo, ficar menos na praia e mais no estúdio [risos].

Você gostaria de deixar um recado para seus fãs e pros leitores da Nação da Música?
Mahmundi: 
Gostaria de mandar um beijo pra todos os meus fãs e dizer que é possível. Eu estou aqui pra provar que é possível. A gente pode fazer nossa música e torço mesmo que as pessoas façam isso com o maior prazer. Faça e acredite nisso, produza. Gosto muito quando uma banda ou artista me “taggeia”, falando que tá ensaiando, num lugar bem distante, e é isso que me motiva e que eu quero passar pras pessoas. Um beijo pra todo mundo, muita verdade no coração e seja tudo o que a gente quer ser porque dai a gente vai conseguir ser tudo!

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Marina Moia
Jornalista, bauruense de coração e apaixonada por música desde que se conhece por gente. Viciada em séries, amante de livros e colecionadora de batons coloridos.

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