Entrevista: Manu Gavassi fala sobre novo disco, feminismo e próxima turnê

Na madrugada desta quinta para sexta-feira (21), será divulgado o mais novo trabalho de Manu Gavassi, intitulado “Manu”. Apesar de ser o terceiro disco da carreira da cantora, além do EP “Vício”, de 2015, parece até que é o primeiro, segundo ela.

O disco contém 12 faixas, uma delas sendo o single “Hipnose”, e será o primeiro de Manu a ser lançado pela Universal Music Brasil.

Nação da Música conversou com Manu Gavassi sobre essa nova etapa da carreira, sua próxima turnê e até mesmo sobre feminismo.

Entrevista feita por Marina Moia.

————————————————————————————————————— Leia a íntegra

Vamos começar falando sobre seu primeiro single deste novo trabalho, a música “Hipnose”. Ela atingiu números muito bons, com mais de um milhão de visualizações em horas. Pra você, como está sendo a recepção deste novo trabalho? Principalmente pelos fãs, que aceitaram seu novo som de uma maneira muito legal…
Manu: 
Exato! Eu fiquei super feliz porque foi exatamente isso que eu percebi. Os fãs estão crescendo junto comigo e eles aceitaram super bem a música. Também agregou um público que gosta de música pop, que não necessariamente ouvia minhas músicas antes, mas que também adorou. Então, fiquei super feliz e achei que foi um começo muito positivo.

Sua carreira já passou por várias fases, desde as músicas mais adolescentes e de amor, ao EP independente, e agora um novo álbum com uma grande gravadora, a Universal Music Brasil. Como você enxerga essa transição? O que sente que mais mudou em você e na sua música?
Manu: 
Rolou uma transição natural da idade, de crescimento. No meu primeiro CD eu tinha 16 anos, agora eu tenho 24. Acho que nesse meio tempo eu cresci e muita coisa mudou na minha vida pessoal e afetou na minha vida profissional. Eu sentia que precisava de uma mudança.

Nos seis últimos anos, eu pensei ‘o que eu quero falar agora?’. Eu já vivi aqueles primeiros romances, já escrevi sobre meu primeiro amor, meu primeiro beijo, meu primeiro frio na barriga, depois o meu primeiro namoro e o primeiro rompimento de verdade, dolorido de verdade. Dai nos últimos anos eu estava tranquila, não existia um relacionamento amoroso como foco da minha vida. Existia o meu relacionamento comigo mesma. E eu acho que esse é o relacionamento mais importante que uma pessoa tem que ter, na verdade, porque você tem que se conhecer e ter esse relacionamento com você mesma antes de ter com qualquer outra pessoa. Então, eu acho que pra mim foram anos importantes de amadurecimento e de aprendizado e essas músicas refletem muito isso.

Hoje em dia, isso tem mudado gradualmente, mas muitas artistas ainda têm receio de se declararem feministas e de falarem sobre esse assunto, sobre igualdade de gênero. Sei que você já falou abertamente disso, então queria saber o seu ponto de vista sobre a importância de falar sobre isso. Principalmente por você ter uma base de fãs muito jovem, então é legal que elas tenham essa influência.
Manu: 
Eu acho extremamente importante essa discussão e acho lindo que isso tenho vindo à tona agora porque ajuda muitas meninas. Eu, crescendo, não me lembro de discussões sobre o feminismo, não lembro disso chegar até mim, na minha pré-adolescência e adolescência, até na minha infância.

As pessoas meio que se incomodam por esse assunto estar “na moda” e ser encarado como uma “modinha”, por estar na música e estar em todo lugar. Eu acho que isso é muito importante porque é assim que atinge o público que tem que atingir. É assim que meninas têm o primeiro contato com esse assunto e com essa discussão. Talvez elas não tivessem de outra maneira, talvez elas não tivessem dentro de casa. Eu acho extremamente importante. E acho que eu já amadureci bastante nesse aspecto também e talvez essa capa [do disco] não existisse há poucos anos.

Agora eu me sinto completamente confiante comigo, com meu corpo, com as minhas escolhas, com a minha música, com a minha carreira. Então, pra mim, nem passou pela minha cabeça essa “polêmica”, por ser uma capa desse estilo. Não passou mesmo. Foi uma coisa bem natural e bem tranquila. E acho que faz parte desse crescimento e dessa discussão que a gente está tendo constantemente. Ainda bem!

“Manu” brinca muito com os instrumentos, com as batidas, e é bem diferente dos seus trabalhos anteriores. Como funcionou o processo criativo deste disco?
Manu: 
Pra mim, na verdade, esse é meu primeiro CD, porque eu participei de tudo como eu nunca tinha participado antes. Até pela pouca experiência, já que eu comecei muito novinha e não tinha noção alguma. Eu só escrevia minhas músicas e entregava pros produtores e era isso. Praticamente o CD estava pronto a partir dai [risos].

Mas nesse CD foi diferente. Eu fiquei um ano e meio pensando em todo o conceito do que eu queria falar, como eu queria falar e na parte visual do CD, que também é super importante. Eu participei de absolutamente todos os aspectos e acho que o mais importante foi achar os produtores que pudessem traduzir isso que eu queria, que é o amadurecimento e ao mesmo tempo sem perder minha essência de compositora, a minha verdade.

No último ano, eu conversei com todos os produtores que você pode imaginar e acabei nessas três pessoas que trabalharam comigo no CD. Tem uma música com o Tropkillaz, que eu sou super fã, e conheci os meninos e dai surgiu a música “Mentiras Bonitas”, que foi junto com eles. Umberto Tavares também, que trabalha com vários artistas, como a Anitta e a Ludmilla, e tem uma pegada super popular. Eu também tinha vontade de conhece-lo e de trabalhar com ele. Rolou e algumas músicas desse CD foram produzidas por ele. E a maioria das faixas são assinadas pela HEAD Mídia, que tem uma pegada mais hip hop, fazem bastante Projota, por exemplo.

Acho que foi a mistura perfeita. Eu pude conversar com todos esses produtores, pude mostrar minhas músicas e saber o caminho que eu queria seguir, mostrando minhas referências e entendendo um pouco do mundo deles também, o que eles me traziam de referência. Foi um trabalho minucioso, mas eu fiquei super feliz.

Três músicas foram feitas em parceria com a Ana Caetano, do duo Anavitória. Até esse disco, você só tinha composto sozinha, então como foi trabalhar em conjunto com ela?
Manu: 
Aliás, eu tinha muita dificuldade de me abrir e de compor com outras pessoas porque eu tinha vergonha, tipo ‘minha ideia parece uma droga’ [risos]. Então, eu tinha muita vergonha de compor com outras pessoas. Mas a Ana já era minha amiga, tanto a Ana como a Vitória, a gente se conhece porque nosso empresário é o mesmo, o Felipe Simas. Ele que apresentou a gente e jogou essa ideia de ‘por que vocês não pensam em compor juntas? Eu acho que tem tudo a ver o jeito de vocês duas contarem histórias’.

A Ana foi num show meu e depois ela me mandou mensagem falando ‘Manu, comecei uma música que eu acho que tem tudo a ver com você. Vê se você gosta, vamos continuar juntas’. E a partir dai, pelo Whatsapp mesmo, a gente foi se respondendo e se mandando pedaços da música e nasceu “Fora de Foco”, que foi nossa primeira parceria. Depois dela veio “Perigo” e “Me Beija”. Foram essas três. E eu fiquei muito feliz, eu admiro pra caramba a Aninha e me identifico muito com ela em vários aspectos e, enfim, foi muito legal.

Com quem você gostaria de fazer uma colaboração no futuro? Pode sonhar, tudo é possível!
Manu: 
Se tudo é possível, então com o Edão, o Ed Sheeran, gosto de chamar ele de “Mozão” [risos]. Mas não sei nem se conseguiria ficar na mesma sala que ele de tão fã que eu sou. Provavelmente iria pagar algum mico.

Mas quem sabe isso não conquista ele, não é?
Manu: 
Quem sabe?! Vou colocar na minha listinha de sonhos.

Se você pudesse escolher alguém – pode sonhar também – para fazer uma versão de alguma música sua, quem seria?
Manu: 
Hmm [pensando]. Nossa, que legal isso! Acho que eu escolheria a Anavitória. Queria ver elas fazendo uma versão com a carinha delas.

Você costuma apresentar alguns covers nas suas turnês e também já publicou trechos de vários em seu Instagram. Você planeja fazer alguma versão nesta nova turnê?
Manu: 
Eu sempre coloco algum cover no setlist, mas a gente ainda não decidiu completamente e a gente está ensaiando porque o show vai mudar bastante. Vão ter bailarinos, vai ter coreografia, que nunca teve antes. Então, a gente ainda está pensando em todo esse setlist do show. Mas com certeza algum cover vai ter.

Como você mesma falou, essa turnê vai ter muita dança, coreografias, bailarinos. Como está sendo a preparação? O que os fãs podem esperar dessa turnê?
Manu: 
Eu to me matando, menina! Dançar, eu não danço, mas atuar, a gente atua! A gente finge que dança [risos]. Mas eu estou ensaiando todos os dias e estou me preparando bastante pra isso e está ficando bem legal! Eu acho que esse CD pedia essa mudança nos shows, que tem tudo a ver com coreografia, com show mais marcado, então é isso que estamos preparando. Ah! E amanhã a gente divulga todas as datas.

Na turnê do EP “Vício”, você cuidou bem de perto dos figurinos dos shows. Isso vai se repetir, vai ser algo maior, como vai ser?
Manu: 
Vai ser algo maior! Mas ainda não posso falar sobre isso, ainda é segredo. É uma surpresa muito legal os figurinos da turnê neste ano. Eu também estou pensando com muito carinho e eu fiz uma parceria com uma estilista que eu admiro muito e que ainda não posso falar quem é.

Neste ano você vai ter o lançamento do seu primeiro livro. Pode falar sobre data de estreia, sobre o enredo…?
Manu: 
O livro já estava pronto no ano passado, na verdade, mas a gente preferiu adiar o lançamento para depois do CD. É um livro jovem para o público jovem. É uma ficção, não é uma história da minha vida. Várias coisas são baseadas em situações que eu vivi, que minha irmã mais nova viveu, que minhas amigas viveram, mas é uma ficção. É como se você lesse o caderno de uma menina de 17 anos, a Nina. A minha vida inteira eu tive diário, então pra mim foi mais fácil escrever dessa maneira.

Eu tenho muito orgulho desse projeto porque eu nunca imaginei na minha vida escrever um livro, uma história. Daqui a pouco a galera vai conhecer! Vou lançar pela editora Rocco Jovens Leitores, que é uma editora incrível, que publicou Harry Potter e vários outros livros que eu li quando estava crescendo e na minha adolescência. Então… vai ser demais!

Você também é atriz, já esteve em novelas, e vai estar no longa metragem “Ela É O Cara”. Pretende continuar atuando neste ano ou vai focar mais no disco?
Manu: 
Sim, eu rodei esse filme no final do ano passado, ele vai ser lançado provavelmente na metade desse ano. Foi super legal e meu primeiro longa metragem. Agora, recentemente, eu fiz uma participação numa nova série da Multishow, que vai estrear também na metade deste ano, chamada “Planeta B”, com o grupo de teatro Os Melhores do Mundo, que é uma galera muito fera em comédia e que eu já admirava. Foi muito legal trabalhar com eles. É isso, eu vou conciliando da melhor maneira possível porque eu gosto muito dos dois, então não quero deixar de lado. Quero continuar tendo desafios novos e possibilidades novas na atuação também.

Gostaria de deixar um recado para os seus fãs?
Manu: 
Cara, eu quero mandar um beijo pra todos! Espero que eles gostem muito do CD porque eu fiz com muito, muito carinho. Sei que demorou, que eles estão todos ansiosos e querendo me matar pela demora, mas acho que vai valer a pena. Espero que todos gostem.

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Marina Moia
Jornalista, bauruense de coração e apaixonada por música desde que se conhece por gente. Viciada em séries, amante de livros e colecionadora de batons coloridos.

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