Entrevistamos O Terno sobre a animação para o Lollapalooza e próximo disco

O Terno

Mar Aberto
Mar Aberto
O disco “Melhor do Que Parece”, da banda O Terno, foi com certeza um dos grandes destaques da música nacional no ano de 2016, levando hits como “Culpa” e “Não Espero Mais”. Dois anos se passaram e o trio agora se prepara para o quarto álbum da carreira, além da aguardada apresentação no festival Lollapalooza, em março.

Nação da Música conversou com o baterista d’O Terno, Biel Basile, sobre os planos do grupo para 2018, as expectativas para o show no Lolla e também sobre a turnê pelos EUA e Europa.

Entrevista feita por Marina Moia.————————————————————————————————————— Leia a íntegra

Mais uma vez O Terno estará no Lollapalooza! Como estão as expectativas da banda e o que os fãs podem esperar do show desta vez?
Biel: 
A gente está ansioso pra caramba pra esse show porque o Lollapalooza é um festival gigante que já tocamos e a gente sabe como é. Muita gente assistindo, uma baita infraestrutura. Estamos voltando pra tocar lá dessa vez com a banda numa outra fase já e tudo isso gera uma expectativa gigante na gente. Fora isso, da outra vez que tocamos, estávamos só nós três e agora vamos acompanhados do trio de metais, três sopros, que tem feito as últimas turnês com a gente.

Mar Aberto
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Só por isso, já gera uma expectativa muito grande, de poder voltar quase com força máxima. Vamos estar com uma equipe bem maior, com a nossa iluminadora, nossos técnicos, toda a nossa equipe que tem feitos os shows com a gente há bastante tempo, que já sabem o show tanto quanto a gente. São tão importantes! Estamos muito felizes de poder tocar de novo no festival desse jeito agora.

O ano passado foi repleto de muitos shows e vocês já tocaram no Lolla antes, como falamos. Tem alguma preparação em especial para uma apresentação desse porte?
Biel: 
Lógico, lógico. Afinal é também uma oportunidade de estarmos num festival gigante, com um monte de artista que a gente gosta pra caramba. E festival tem uma coisa que acho muito legal que nem todo mundo que está lá, está pra te assistir. Tem muita gente que vai pra ver as outras bandas, que nunca ouviu falar na gente, e que vão passar por ali e é capaz de estarmos tocando. Tem essa troca de público que é muito legal.

Normalmente, quando temos shows grandes assim, sempre fazemos uns ensaios focados no show e nos ensaios sempre surge um coisa ou outra nova. Nem que seja uma piadinha. Da outra vez fizemos a piada do palco “Axé”, porque a gente tava no palco “Axe”. Sempre surge alguma coisa. Ainda não surgiu nada, mas é capaz que tenha sim [risos].

O Terno está em ascensão. Cada vez mais ganhando espaço nas grandes mídias, vindo de uma cena independente. Como vocês enxergam e lidam com essa evolução da música e da banda?
Biel: 
É um caminho que a gente tem buscado. Enxergamos o mercado da música muito desregulado, no sentido de que tem um underground gigantesco, com muito artista, e dai tem um espaço gigantesco acima disso e o mainstream tá muito acima. É como se tivesse um miolo onde não habita ninguém. São quase dois mundos que não se conversam. Isso é muito prejudicial pra quem vive disso.

Temos buscado, de fato, conseguir chegar num patamar onde a gente consiga falar com mais gente, não só com a galera que já frequenta, que já habita esse mundo underground, do indie, das bandas independentes. É muito legal e é gigantesco. Tem muita coisa boa e é de onde surgimos. Acho que até como uma estratégia pra uma banda conseguir sobreviver era necessário que tenha esse espaço do meio mais habitado.

É uma coisa que, sim, com frequência a gente planeja, a gente pensa em como chegar em gente que pode gostar do nosso som. Muitas vezes quando o artista fala isso, pode até dar a entender que “ah, vai fazer uma coisa mais assim ou mais assado pra gente em mais gente”. Até meio pejorativamente. Mas não é disso que a gente fala. Acreditamos que fazendo nosso trabalho bem feito, do jeito que a gente gosta, e acreditando no que estamos fazendo, tem muita gente que pode ter afinidade. O problema é mais no caminho que leva o artista até o público, do que o produto. É uma coisa que a gente pensa com frequência sim.

“Melhor do Que Parece” estava presente em inúmeras listas de “Melhores do Ano” de 2016 e inclusive está na nossa também. O grande sucesso desse álbum tem influência nos próximos trabalhos da banda? Há uma pressão a mais por isso?
Biel: 
Influência assim, não. É uma coisa que é muito gostosa de ver. Passamos um ano, praticamente, até mais, desde os ensaios até o disco lançado. É de muita dedicação, de muita entrega pra ficar pronto do jeito que a gente quer. Dai quando surgem essas listas, é um carinho que a gente recebe. A gente ficou um ano trabalhando “na coisa” e teve muita gente que gostou do que fizemos, que teve afinidade, que se emocionou, que ouve e de alguma maneira as músicas fazem bem. Isso é muito legal.

Mas a gente não faz pensando na lista, sabe? E sim do jeito que a gente acredita que é legal.

Falando nisso, podemos esperar músicas e disco novo em breve? O que 2018 reserva para O Terno?
Biel: 
Podem esperar sim! A gente já está ensaiando pra gravar um disco novo. Ainda está cedo pra dizer o que esperar porque estamos num processo muito embrionário da coisa. Estamos ensaiando, pensando nos primeiros caminhos possíveis, então ainda não sei qual vai ser a cara do disco. Terá músicas maravilhosas do Tim [Bernardes], isso eu posso adiantar, são muito bonitas mesmo. Eu acho que vamos buscar, nesse disco, novas sonoridades. Talvez brincar mais com a coisa da simplicidade da canção, sendo só pela banda. Talvez seja um novo tipo de roupagem da canção que a gente vá buscar nesse disco. Estou muito empolgado!

Vocês fizeram turnê nos Estados Unidos e na Europa recentemente. Podem contar um pouco sobre a experiência e os shows fora do país?
Biel: 
Com certeza! Em agosto a gente foi pros Estados Unidos, tocamos em Nova Iorque, no Brazil Summerfest, teve a Elza Soares, a Liniker, teve muito show legal. Foi incrível! Foi nossa primeira vez nos Estados Unidos. Quando a banda é pequena, está começando, você está acostumado a tocar na sua cidade dai a hora que você sai desse lugar e toca em outras cidades, as músicas que você já está cansado de tocar parece que você está tocando pela primeira vez. E com a gente, sair do país e tocar fora, pra uma galera que não necessariamente já é nosso público, nos Estados Unidos, por ser nossa primeira vez lá, muitas pessoas estavam nos ouvindo pela primeira vez também.

A sensação é um pouco de estar tocando as músicas pela primeira vez também. Isso é muito louco. Dá uma adrenalina. Parece que você tem que convencer a pessoa ali na hora da sua música [risos]. Ganha uma energia nova, recicla a energia das músicas, sabe?

Em Nova Iorque, a gente conseguiu gravar uma sessão no estúdio de um amigo que estava lá, fizemos dois shows, foi muito legal. Dai depois a gente foi pra Europa, que a gente já tinha ido em 2016, tocar no Primavera Sound em Barcelona e em Portugal. Voltamos pra Portugal no ano passado e foi muito legal porque deu pra ver que a gente já tem público lá. Gente que foi no nosso show da outra vez e já estava cantando as músicas e foi uma experiência muito forte, muito bonita. Fiquei muito emocionado.

Fomos pra Alemanha também, tocar pela primeira vez, e foi maravilhoso. Juntos com vários outros artistas, como Devendra [Banhart], Shintaro Sakamoto, que é um japonês maravilhoso, foi muito bacana!

Pessoalmente falando, eu amo o videoclipe de “Não Espero Mais”. Vocês usaram a internet ao seu favor, colocando vários aspectos e características da web no trabalho. Como surgiu a ideia e como foi a gravação?
Biel: 
Foi no brainstorm mesmo. A gente se juntou um dia com o Filipe [Franco], que é o diretor do clipe, e ficamos tendo ideias. Chegamos nele e falamos que queríamos um clipe de “Não Espero Mais”. Tinha prazo, orçamento, um monte de coisa que já estava pautando as nossas ideias. Dai começamos a pensar na ideia das redes sociais, que a gente tem muito presente no dia a dia da banda, por onde a gente se comunica com o nosso público.

Surgiu a ideia do clipe travar no começo e dar essa impressão de não saber se foi o seu computador que travou mesmo e você ter o impulso de mexer, sabe? Simplesmente assistindo o clipe passivamente você tem essa vontade de mexer no vídeo. A ideia foi crescendo, ganhando estrutura e foi isso, muito na troca de ideias com o Fi, com a gente. Fomos jogando as ideias toda, num brainstorm, e depois montando a coisa.

Gostaria de mandar uma mensagem pros leitores do Nação da Música?
Biel: 
Quero mandar um beijo pros leitores e dizer que esse ano é um ano importante pra gente porque vai ter disco novo, vai ter show no Lollapalooza, no dia 24 de março. Quem estiver por lá, apareça para ver o nosso show porque a gente está preparando com muito capricho e vai ser muito legal. Quem quiser saber das coisas, fica ligado nas nossas redes sociais, a gente está diariamente quase por lá e é isso. Muito obrigado!

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Mar Aberto
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