Entrevistamos Oh Wonder sobre o poder da música e anseio pelo Lolla

Oh Wonder

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@nacaodamusica

No dia primeiro de setembro de 2014, os londrinos Josephine Vander Gutch e Anthony West começaram um desafio: lançar uma música por mês durante um ano! E assim nasceu o Oh Wonder, com 12 canções produzidas e escritas somente pelos seus dois integrantes.

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As canções, que foram publicadas da plataforma do Soundcloud, logo se tornaram um sucesso – alcançando milhares de acessos e conquistando muitos fãs ao redor do mundo – e gerando o seu primeiro disco, homônimo, que foi lançado em 2015 como uma coleção das músicas já divulgadas pela dupla. O álbum levou a banda a uma turnê mundial, quando eles fizeram shows em 112 cidades – incluindo o evento MECAPresents, em São Paulo.

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Em março de 2018, o Oh Wonder traz a turnê de seu novo trabalho, “Ultralife”, ao Brasil para 3 apresentações ao redor do país, incluindo a participação no festival Lollapalooza. Conversamos com Josephine e Anthony para saber mais das expectativas para o retorno ao solo brasileiro e as experiências com a música ao redor do mundo.

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Entrevista feita por Daniel Sakimoto.

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————————————————————————————————————— Leia a íntegra

Algumas pessoas dizem que estar em uma banda é como estar casado. Então eu tenho que perguntar: Como vocês se conheceram e como começaram a fazer música juntos? Qual é a história por trás de Oh Wonder?
Josephine: Nós nos conhecemos há muito tempo, talvez há sete anos atrás. Apenas dois amigos por Londres, e ficamos muito próximos e há 3 anos atrás nós lançamos na internet uma música que escrevemos juntos, sem nenhuma intenção de nos tornarmos uma banda. Não tínhamos nenhum plano mesmo, não planejamos nada do que está acontecendo.

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Nós só colocamos nossa música no Soundcloud e as pessoas começaram a ouvir e nos dizer “vocês deveriam vir para a américa, vocês deveriam vir pra Austrália, vocês deveriam vir para o Brasil”. Então passamos os últimos 3 anos muito felizes fazendo shows e música. E sim, agora nós saímos toda hora e é incrível, somos muito sortudos.

Eu li que vocês tinham um desafio de lançar uma música por mês no começo da banda, como foi essa experiência e como era o processo?
Anthony: Foi incrível, foi uma das primeiras coisas que fizemos juntos como Oh Wonder. É muito mágico da primeira vez que você escuta a música que você faz em um mês. Nesses meses a gente escreve, produz, faz a mix e daí lançamos a música. É um processo trabalhoso mas é sempre divertido e nunca fica estressante. Foi um prazer enorme trabalhar nas músicas juntos todos os meses.

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Não podemos fazer isso no momento pois estamos sempre em turnê, mas voltando um pouco no tempo e vivendo aquele ano de novo foi incrível.
Josephine: Tem algo de muito especial em fazer uma canção, ficar muito animado com ela e somente alguns dias depois compartilhá-la com o mundo. Isso casa com sua animação, eu acho que é muito incrível fazer tudo quase que instantaneamente porque a maioria das pessoas, você sabe, elas fazem um disco e têm que esperar um ano inteiro pro videoclipe ficar pronto e para o single ser escolhido enquanto o tempo passa. Nós fomos tivemos muita sorte de poder fazer isso.

Foi muito difícil fazer música todos os meses?
Anthony: Na verdade não foi. Acho que éramos muito inocentes e não tínhamos nenhuma expectativa para o Oh Wonder, não tinha pressão para criar, não tinha estresse. A gente tinha um ambiente de trabalho muito divertido então nunca foi difícil.

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Josephine: A gente não tinha nada pra comparar também. Nunca tínhamos feito isso então.

Já são três anos desde o seu disco de estreia e quase um ano desde o “Ultralife”. O que mudou no Oh Wonder do início da carreira até agora?
Anthony: Nós parecemos muito mais cansados, nosso rostos mudaram (risos). Nós estivemos em muitos países.

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Josephine: Nós estivemos em 65 paises, o que é insano. 100 cidades. Eu acho que vimos muito do mundo e estamos muito mais cansados mas ao mesmo tempo estamos muito mais energizados. Mas acho que não vi o suficiente do mundo, na verdade.

Nós vimos muito dele, conhecemos muitas pessoas e tocamos música em diferentes lugares e então percebemos que a música é essa força perpétua do bem. Não importa onde você vá é essa única coisa que une as pessoas e faz com que todos tenham os momentos mais insanos, tipo 3 horas assistindo música ao vivo. E isso acontece não importando onde você esteja no mundo.

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Eu acho que o que eu estou tentando dizer é que somos todos o mesmo todo. É uma experiência universal atravessar o mundo. Culturas são diferentes, pessoas são diferentes, línguas são diferentes, mas na música somos iguais.

Anthony: Somos um, que amamos essa coisa

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Josephine: E isso é incrível, temos sorte de ver isso.

Vocês escrevem e produzem suas próprias canções desde quando começaram, certo? Vocês conseguem imaginar o Oh Wonder sendo produzido por uma outra pessoa?
Anthony: Eu não sei, acho que isso poderia acontecer um dia. Se nós ficarmos sem ideia, se o rio secar então isso será a coisa a se fazer. Por enquanto a gente aproveita bastante como funciona, é por isso que a gente curte estar nessa banda: nós fazemos todas as decisões, tanto as musicais quanto as de “negócio”, não tem ninguém para botar a culpa. Nós temos muito orgulho do que fazemos então somos responsáveis por tudo o que acontece.

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Suas canções transmitem um sentimento de bastante amor. Quais artistas influenciam a sua música?
Josephine: Ah, são tantos. Nós ouvimos pessoas como Joni Mitchell, Anderson. Paak, Death Cab For Cutie, Bon Iver, Frank Ocean, escutamos Drake, escutamos música pop, nos sentimos inspirados por tantas pessoas. Amamos artistas que têm sua própria sonoridade, sua própria visão para sua música, e que escrevem letras poderosas, sempre prestamos muita atenção nas letras.

Oh Wonder começou lançando músicas no Soundcloud e agora esta plataforma está sob ameaça de acabar, o que vocês acham disso? Acham que é uma perda para os artistas independentes?
Anthony: Sim, é mesmo. Para nós seria uma perda no sentido de não podermos lançar uma música instantaneamente para o mundo. É uma ótima plataforma para as pessoas serem descobertas.

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Josephine: Você pode fazer experimentos nele, pois podia editar a faixa, tirar, depois colocá-la de novo, o que fazia seu trabalho ser muito…

Anthony: E tem uma comunidade ótima também, tem muitos DJ’s e produtores não descobertos. Então sim, é uma grande perda para as pessoas que querem experimentar e encontrar sua sonoridade.

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Vocês já trabalharam com Lil Uzi Vert e a Nicki Minaj na música “The Way Life Goes”. Com quais outros artistas vocês gostariam de trabalhar? Algum brasileiro que vocês produziriam ou tocariam junto?
Anthony: Nós estivemos em Los Angeles nas últimas três semanas, voltamos hoje. Não podemos dizer com quem estamos trabalhando ainda mas nós realmente gostamos de trabalhar nas músicas das outras pessoas, além das nossas próprias. Quem você recomendaria de artista brasileiro para a gente?

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Ah, não sei. Acho que eu recomendaria os nossos rappers, temos o Emicida e o Projota que são muito bons!
Anthony: Obrigado, ótimo, nós vamos escutar.

Vocês têm três shows marcados no Brasil – Rio, São Paulo e no Lollapalooza. Alguma expectativa para estas datas?
Josephine: Sim, muitas! Tocamos uma vez antes e a platéia foi incrível, então estamos ansiosos para voltar. Já tocamos em um festival no Brasil mas o line up do Lollapalooza este ano está insano. Temos expectativas muito altas! O público vai ser incrível, a turnê vai ser incrível e o clima vai ser incrível, eu espero! Estamos bastante animados.

Anthony: Sim!

Gostariam de mandar um recado para os seus fãs brasileiros?
Anthony: Sim, estamos muito gratos por gostarem da nossa música e poder visitar o país incrível de vocês. Não acreditamos que podemos viajar até a América do Sul para ver vocês. Muito obrigado, estamos bem ansiosos para ver vocês nos shows!

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Jornalista e Music Geek. Vive entre o indie e o folk e sonha em conhecer o Glastonbury.