Entrevista: Pixies fala sobre novo álbum e shows no Brasil em 2017

Crédito: Divulgação

O ano de 2016 é um ano importante para a banda Pixies. Além de completarem 30 anos de vida, eles também estão prestes a lançar o aguardado álbum “Head Carrier”, no dia 30 de setembro. É o primeiro trabalho com a nova baixista, a argentina Paz Lenchantin, que já toca com o grupo desde 2014 e que inclusive esteve no Brasil com eles para show no Lollapalooza. Apesar de já tocar com os Pixies desde então, só em julho de 2016 que ela se tornou membro oficial da banda.

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Nação da Música

Nação da Música conversou com Lenchantin sobre a música “All I Think About Now” – uma carta de agradecimento para Kim Deal, ex-baixista do Pixies -, sobre o produtor Tom Dagelty e também sobre a vinda da banda ao Brasil, que já está nos planos.

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A entrevista foi feita por Marina Moia

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————————————————————————————————————— Leia a íntegra

Agora você é oficialmente integrante do Pixies! Parabéns!
Paz: 
Sim, muito obrigada! Estou realizando todas as ligações agora (risos).

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É sua iniciação na banda, certo?
Paz: 
É, eles estão tipo “ok, agora você que faz todas as ligações” (risos).

Você toca com os Pixies há alguns anos já e tocou com outras grandes bandas, como Entrance e A Perfect Circle, mas imagino que se juntar aos Pixies pode ser intimidante…
Paz: 
Não sei se “intimidação” é a palavra certa, mas é um posição diferente que eu nunca estive antes, o que tornou isso empolgante para mim e também um certo desafio, por ter me esforçar em maneiras diferentes como artista e estar aprendendo constantemente. Eu sinto que minha história me transformou no que eu sou hoje, em ser capaz de me encaixar rapidamente no Pixies, e isso me completando. Eles são uma banda muito linda, que vem de muito amor à musica, de diversas maneiras, e da mesma maneira que eu amo música. Então, eu sinto que minha história me transformou no que eu sou hoje e combinou facilmente com os Pixies. Sem muita dificuldade, se isso faz sentido.

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Você toca muitos instrumentos, além do baixo, e também canta em uma faixa, “All I Think About Now”, que é uma carta para Kim Deal. Como surgiu a ideia da música?
Paz: 
Essa música é muito especial, eu acho, porque é uma daquelas ideias românticas que eu sempre tive, tipo “de onde as músicas vêm?” e “como elas se formam?”. Esta música tem aquele “je ne sais quoi” especial e foi a última música a ser escrita, tínhamos pouco tempo sobrando no estúdio.

Nós estávamos no Rak Studios, em Londres, para gravar todas as músicas em que estávamos trabalhando e que íamos gravar para o álbum e, enquanto estávamos lá, Black Francis [vocalista] escreveu uma nova música que ele me mandou, em versão acústica, no meu celular, mas estava mixada de um jeito estranho. A guitarra do Joey estava um pouco dominante nesta gravação e eu estava ouvindo pelo alto-falante do meu telefone e fiz toda essa composição para a demo e percebi, quando desci para grava-la, que eu ouvi a música de maneira completamente errada.

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Estava no tom errado, assinatura, tudo, e eu estava envergonhada e pensei “o que eu ouvi lá no meu quarto?”. Eu estava envergonhada, mas também chateada porque, sendo honesta, eu realmente gostei do que eu tinha criado. E, por estar chateada, eu perguntei a Francis se ele gostaria de ouvir o que eu tinha feito e ele disse “ok, mostre-me sua música”. Então, eu trabalhei nela um pouco, coloquei uma ponte, mas na hora que eu mostrei a ele, ele achou que estava bem adorável e disse “sabe, Paz, acho que você deve cantar nesta música”. Eu disse ”ok, mas se eu for cantar nesta música, você deve escrever a letra” e ele respondeu “eu escrevo a letra, mas sobre o que você gostaria de cantar?” e eu imediatamente respondi “Kim. Eu quero cantar uma carta de agradecimento, uma nota de obrigada para Kim”.

E me dá arrepios sempre que conto essa história porque é realmente especial e é um momento de transição, quase um passar de bastão, e eu não poderia fazer isso sem ela. Ela tem sido um fantasma em meu coração durante todo o processo e me pareceu certo, que se eu fosse cantar minha primeira música sozinha com os Pixies, gravada num álbum para a história dos Pixies, me pareceu uma homenagem correta para Kim Deal e toda sua jornada e o que ela fez, e então me fez capaz de cantar a música. É uma música bem especial e eu acho uma entrega de bastão, uma conversa entre duas mulheres e a banda chamada Pixies.

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Vocês trabalharam com Tom Dagelty…
Paz: 
Ah sim, ele é maravilhoso!

Como foi trabalhar com ele em estúdio?
Paz: 
Que pessoa incrível. Nós o conhecemos… Estávamos em Toronto, a primeira leva de demos aconteceram em setembro, quase um ano atrás, o que é incrível. Eu sinto que estou grávida agora. O álbum está prestes a ser lançado, como um bebê, sabe? Estou segurando o telefone como se estivesse segurando minha barriga de grávida. Quase um ano desde de que começamos a criar esse álbum.

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Nós estávamos em Toronto e depois que terminamos uma música teste, nós trouxemos o Tom, que estava interessado em produzir este álbum. Obviamente, ele estava muito interessado já que voou de Londres para o Canadá. Nós tivemos um jantar com ele e nos demos tão bem… obviamente sabíamos que ele era bom, mas o mais importante é que nos demos bem logo de cara. Ele tem um sorriso lindo, uma alma linda, e ama música assim como todos nós amamos e ele é tipo uma enciclopédia da música. Ele foi uma joia de trabalhar neste disco.

Ele [Tom] escolheu todas as músicas que achou que eram certas para o álbum, montou uma linda ordem e eu acho que ele colocou todas no momento certo para fazer com que cada música brilhasse. É, um ótimo produtor.

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Ao ouvir músicas que já foram lançadas e também ler resenhas, parece que vocês tiveram influência do álbum “Doolittle”, de 1989. Que tipo de som podemos esperar deste novo álbum? Quais foram as suas influências?
Paz: 
Somos em três caras e uma garota em uma sala, sabe, com nossos instrumentos, que tocamos há um tempo, e apenas começamos a tocar o que soava bom e certo. O que as músicas queriam de nós versus o que nós queríamos fazer numa música. Sem muito pré-pensamento, apenas escolhendo as músicas que eram as mais fortes e trabalhando nelas até que chegassem no potencial que queríamos. E o resultado, eu concordo, soa como o Pixies clássico, e “Doolittle” sendo o clássico dos álbuns clássicos do Pixies, é fácil ser “Doolittleish”. Entretanto, ele tem seu próprio som de 2016 também.

Vocês tocaram algumas músicas novas ao vivo, em shows recentes. O que você pode me dizer sobre a resposta do público ao novo material?
Paz: 
Nós temos tocado “Baal’s Back”, “Head Carrier”, “Classic Masher” e “Um Chagga Lagga”. E vou ser honesta, eu fico muito animada porque é um sentimento tipo “eu sei de algo que vocês não sabem”, já que o público já está ciente de todas as outras músicas, que já foram lançadas, e quando você toca algo novo, você tem aquele vislumbre de sentimento antigo de quando você fazia um show, ninguém conhecia seu material e todo mundo pensa “será que eu gosto disso? será que não?” e dai percebem “ah eu gosto disso!”. É um desafio divertido e diferente tocar uma música que ninguém sabe a letra porque eles acabaram de ouvir. Uma música como a “Um Chagga Lagga” é mais fácil ter essa resposta rápida porque a gente canta “Um Chagga Lagga on the side of the road” e dai o público pode repetir “Um Chagga Lagga on the side of the road” (risos).

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Eu estou aqui no Brasil e você também já esteve por aqui com Pixies, em 2014, no Lollapalooza
Paz: 
Sim, você está correta!

Como foi tocar aqui?
Paz: 
Eu amo o Brasil! Eu meio que fui criada com um monte de música brasileira. Minha mãe tinha um monte de discos, como Maria Bethânia, Caetano Veloso, um monte de música brasileira, definitivamente. Eu já estive no Brasil por minha conta algumas vezes, mas foi empolgante finalmente tocar no Brasil e aquela foi minha primeira vez se apresentando no país, no Lollapalooza.

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Dave [Lovering – baterista do Pixies] contou numa entrevista recentemente que a banda provavelmente voltará para a América do Sul no ano que vem. Podemos realmente esperar por shows do Pixies no Brasil em 2017?
Paz: 
Eu acredito que estamos fazendo planos para ir na primavera ou em março, mas sim, estamos planejando!

E por último, você gostaria de mandar uma mensagem para os fãs dos Pixies no Brasil?
Paz: 
Estou realmente empolgada com este novo álbum “Head Carrier” e eu espero que todos amem ouvi-lo do jeito que eu amei fazê-lo.

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Marina Moia
Jornalista e apaixonada por música desde que se conhece por gente.