Foto: Gustavo Dantas/Rudá Melo

Os irmãos gêmeos Fernando e Felipe Soares foram o duo 2de1 e lançaram nesta sexta-feira (25) o mais novo disco de estúdio deles, chamado “Ferida Viva”.

O trabalho é sucessor de “Transe” e traz 10 faixas, com participações especiais de Jup do Bairro e Natália Noronha. 

A Nação da Música conversou com Fernando sobre a produção do disco, o controle criativo que eles possuem no trabalho deles e também sobre a atual situação política do nosso país, que afeta milhões de LGBTQ+.

Entrevista por Marina Moia.

——————————————- Leia a íntegra:
Oi, pessoal. Obrigada por falarem com a Nação da Música! Imagino que as expectativas pro lançamento de “Ferida Viva” estejam mega altas! O que vocês esperam que o público e os ouvintes tirem deste disco, das faixas?
Fernando: Nossa, pra nós as expectativas estão altíssimas mesmo. Mostrar pro mundo esse trabalho tão íntimo nosso, nos deixa bem ansiosos. Acho que as pessoas têm grandes chances de se identificar com todas as músicas do disco. É um disco que retrata essa angústia que todo mundo tá sentindo, acho q as pessoas vão se enxergar bastante.

“Ferida Viva” o segundo da carreira da 2de1, sucessor de “Transe”. Vocês sentiram muita diferença no processo criativo desde novo disco comparado com o primeiro? Quais?
Fernando: Ah, muitas diferenças. “Transe” era o primeiro álbum, foi uma produção musical da galera da Freak, já o “Ferida Viva” é o primeiro álbum que a produção musical é exclusivamente do Felipe, então a sonoridade acaba sendo bastante diferente. Mas em relação as letras, acho que “Ferida Viva” é um disco, digamos, um pouco mais triste, um pouco mais frustrado com o amor romântico que antes transbordava em ‘ele disse sim’ e ‘amores e sapos’, e que hoje é um tanto desiludido como em ‘desencontro’, ‘caju’, e ‘girassol’. 

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Acho que tem toda a questão do medo. Em ‘Transe’ havia um medo que era um tanto quanto ofuscado pelo otimismo evidente em ‘sai de casa e vem pra cá’, ou ‘teu império há de cair’, e que agora se traduz em ‘meus amigos, estarão vivos ou não?’. Acho que a gente muda, os álbuns mudam com a gente, não tinha como ser diferente.

Percebi que vocês gostam de ter mais controle criativo no trabalho do duo (e com razão!). O Felipe é o responsável pela direção e produção do disco e o Fernando pela direção criativa. Como é pra vocês participar tão ativamente de praticamente todos os processos envolvidos no nascimento do disco?
Fernando: Acho que sendo músico independente, a gente tem que se virar pra conseguir fazer o disco acontecer, mas de qualquer forma, a gente sempre esteve muito imerso no que a gente produz, e com um disco que fala tanto sobre algumas feridas profundas nossas, encontrar a nossa autoridade dentro do que a gente produz foi quase que necessário.

Falando nisso, o clipe de “Pacto de Sangue” foi roteirizado por vocês. Pode nos contar mais sobre a mensagem que quiseram passar com o videoclipe e sobre como foram as gravações?
Fernando: “Pacto de Sangue” é uma música que a princípio foi escrita sobre nós dois, sobre a nossa cumplicidade, e também sobre o abraço que a gente sentiu no momento político atual. E o clipe precisava demonstrar isso. A gente conversou com a galera da Mavo, e juntos construímos o roteiro do clipe todo baseado sobre o nosso abraço, e sobre aquele abraço que a gente precisa. Sabe aqueles momentos em que só precisamos de um abraço? De se sentir acolhido? É sobre isso.

Quando começamos a gravar, a cena do sofá precisava ser com amigos nossos, do dia a dia, chamamos o Flavio, a Fábia e a Mariana, e interagimos como interagimos normalmente, na cozinha a mesma coisa, e trazendo o enredo do clipe, chamamos o Henrique e o Moretti e fomos pra rua gravar. As cenas da corrida foram feitas com o Felipe dirigindo uma moto, e o Atilas da Mavo com a câmera atrás acompanhando a corrida. Enfim, foi muito gostoso gravar o clipe porque estávamos com amigos, tanto no elenco quanto na produção.

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Estamos num momento político muito delicado, com o preconceito de todas as formas se aflorando. Racismo, xenofobia, violência contra LGBTQ+ e por aí vai, infelizmente. O disco “Ferida Viva” fala e aborda isso. Pode nos falar a opinião de vocês sobre o papel dos músicos e artistas em geral nessa luta contra o ódio?
Fernando: O Brasil está passando por isso tudo e a gente não pode deixar de notar que isso é muito por conta da falta de empatia crescente no país. As pessoas tem se distanciado e acho que aí entra a arte: na construção de empatia e pontes. Quando a gente tem contato com arte, a gente tem contato com outros pontos de vista, outras vivências, e isso é importantíssimo no combate ao preconceito e a na construção de consciência política. Os artistas têm essa função, esse papel, por isso a cultura tem sofrido tanto nesse momento político, por ter esse poder de abrir olhos para outras visões.

Jup do Bairro e Natália Noronha estão no disco, como participações especiais e também estarão no show de lançamento no dia 08/11. Como foi fazer essas parcerias? Como elas surgiram?
Fernando: Ah sim! Ter essas duas mulheres e grandes artistas foi sensacional pra gente. A Nat foi muito louco. A gente costuma ir em show de amigos, “ninguém sai do show de ninguém”, a gente como artista independente precisa se apoiar. Num desses shows a Nat tava tocando como DJ e conhecemos ela. De repente fomos pra casa de amigos juntos, e de repente surgiu um violão, e ela começou a cantar, ali na nossa frente. Ela tem uma voz lindíssima e uma personalidade incrível na voz, ficamos apaixonados, e ali mesmo fizemos o convite, e ela topou. É lindo poder contar com ela nesse disco, uma voz potente de Natal, Rio Grande do Norte.

A Jup é aquela energia que move todo mundo né? Depois da exibição de ‘Bixa Travesty’ no Auditório Ibirapuera, fomos pra casa da nossa produtora, ela foi também, e ela estava lá na nossa frente, forte, potente, carismática, sem contar no palco né? Quando compusemos ‘Caju’ pensamos nela pra cantar com a gente, por ser uma música que fala sobre aspectos de solidão e fetichização, enfim, ela topou, a voz dela encaixou perfeitamente, e estamos felicíssimos com o resultado.

E como estão as expectativas para o show de lançamento? O que os fãs podem esperar da apresentação?
Fernando: A expectativa tá bem grande pro show, vamos apresentar pela primeira vez as músicas do disco, e contar com as participações das meninas. Pela primeira vez vamos ter no palco backing vocals, e apenas um baterista, contando com o Felipe fazendo diversos instrumentos ao vivo, guitarra, baixo, teclado, piano, synths. Vai ser lindo e estamos muito felizes com o que vamos apresentar dia 08.

Com qual artista ou banda vocês gostariam de fazer uma parceria no futuro?
Fernando: Difícil dizer só alguns nomes. Tem tanta gente boa fazendo música nesse momento, seria incrível poder participar de tanta coisa boa que temos ouvido e assistido… Mas se fosse pra sonhar mesmo, H.E.R., Leon Bridges, Caetano Veloso, seriam alguns sonhos realizados.

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Gostariam de deixar um recado aos leitores da Nação da Música?
Fernando: Só dizer pros leitores, que estamos juntos nessa! E se ficarmos juntos, nos apoiar, a ferida vai virando força pra resistir, e resistência é o que estamos precisando.

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