Entrevistamos Lupa sobre a nova fase da banda

LUPA
Foto: Divulgação
- ANUNCIE AQUI -
@nacaodamusica

Depois de dois anos de pandemia, a banda Lupa está de volta, despejando em seus fãs tudo o que ficou engasgado durante o tempo afastados. A nova música, “Se Você Quiser”, é o primeiro single do novo projeto do, agora, trio brasiliense.

- ANUNCIE AQUI -
@nacaodamusica

A Nação da Música conversou com o vocalista da Lupa, Múcio, sobre a inspiração por trás do novo single, o que podemos esperar da nova fase do grupo e também detalhes sobre a formação atual deles.

- ANUNCIE AQUI -

Entrevista por Marina Moia.
——————————————– Leia a íntegra:
Depois de dois anos de pandemia, a banda Lupa está de volta! Vocês divulgaram novo single agora em junho e eu gostaria de saber qual foi o processo criativo e a inspiração por trás de “Se Você Quiser”?!
Múcio: Cara, dois anos de pandemia. Essa situação foi desgracenta pra gente, principalmente porque somos uma banda que é muito de contato. A gente não sabe ficar longe das pessoas. Então essa experiência de ter que ficar isolado e lidar com esse distanciamento tanto físico como espiritual, até mesmo em termos de morte, pra gente é uma experiência muito nova. A gente perdeu muita gente, foi um período de casulo horroroso, se eu posso dizer da minha parte, mas é aquela coisa, a gente não se volta para fora, então tem que voltar para dentro. Foi um período que eu li horrores, estudei horrores, pesquisei horrores. Quando a gente entra em desespero, a gente fica mais criativo, eu acho.

- ANUNCIE AQUI -

Como rato de livro que sou, cruzei com um livro chamado “Paraíso Perdido” do John Milton, primeiro poema clássico que eu fui ler da minha vida. Ele descreve a queda de Lúcifer dos céus e a queda dos homens na terra. Parece que é uma coisa muito “uau” quando a gente fala assim, só que é um negócio muito doido porque o mais massa é que Lúcifer é descrito como alguém igual a gente, uma pessoa vaidosa, que tem orgulho, que tem seus planos e quer correr atrás. É um personagem muito humano. Você não se identifica com a figura de Deus neste livro, com a coisa do bom e do justo. Imagina isso em 1600 como é que não foi?!

- ANUNCIE AQUI -

Quando eu fui começar a escrever essa música, que a gente escolheu pra ser o single porque ela é muito escandalosa e a gente é uma banda bem escandalosa, e a experiência da letra foi basicamente isso de colocar um narrador meio como se fosse Satanás se apaixonando por uma pessoa. Foi muito legal, ficou muito massa e isso nos deu a ideia de fazer o mascote novo da Lupa, que a gente ainda tem que nomear [risos]. Ficou uma música que conversa muito com a nossa história, ela tem a ver com as coisas que a gente já fazia, mas ela abre uma porta muito massa, que traz as referências que a gente conheceu agora. E isso foi uma experiência com Panic! At The Disco, no Rock in Rio, que é uma banda que é uma das nossas maiores inspirações e referências, somos apaixonados. É uma música que me lembra muito disso. To muito feliz e a recepção dela foi maravilhosa. Estamos no rumo certo!

Como foi trabalhar com o diretor Matheus Barcellar no videoclipe da canção?
Múcio: O Barça é uma pessoa maravilhosa, to inclusive conversando com ele aqui também porque a gente já está organizando pra soltar o segundo clipe. Ele é um moleque super maravilhoso, é super agilizado, é irmão nosso e tá na correria desde sempre. Ele trabalha também pro Governo Federal, que é uma coisa muito interessante da gente ter em mente, que ele mexe com a área de política. Assim como a gente também né? É um casamento que tem várias áreas pra gente atuar. É um moleque que topa tudo. Rodou Brasilia comigo.

- ANUNCIE AQUI -

A gente teve a ideia de fazer o clipe em duas partes. Primeiro essa parte pela cidade, fazendo as intervenções urbanas, e a gente no estúdio pra mostrar essa nova formação, tudo mais bonitinho, a estética e tal. Quando a gente foi pro estúdio, o Vini tinha contratado um equipamento de luz muito legal que a gente não sabia e foi uma surpresa que ele fez pra gente. Tava tão bonito, a gente conseguiu tirar tantas coisas legais daquele lugar, que a gente falou que não precisava da parte da cidade mais. Fomos pra casa para editarmos e fazermos a montagem do clipe. Ficou lindo, mas eu disse “eu me recuso a ter feito o diabinho e não mostrar ele nesse primeiro clipe”. Fomos com ele pra rua, no susto, no dia seguinte. Pegamos a kombi velha do meu pai, saímos pegando figurante, os equipamentos, muita correria. [Ele] é uma inspiração pra gente, saca? É um moleque novo, que tá fazendo um trabalho maravilhoso. Então pra gente é uma honra trabalhar com ele.

A banda começa essa nova jornada com nova formação também. O que muda na dinâmica da banda agora com dois integrantes a menos?
Múcio: Primeiro de tudo, quando fala “ah fulano saiu da Lupa”… Ninguém sai da Lupa, são todos nossos melhores amigos, são nossos irmãos, que a gente conhece desde que se entende por gente. A gente tá nessa correria desde os 20 e poucos anos. São irmãos nossos. Mas é aquela coisa, tem uma hora que as coisas apertam, que a gente tem que botar o negócio pra moer mesmo, tivemos que tomar essa decisão.

- PUBLICIDADE -

Foi uma coisa linda pra gente e agora vamos estar rodando eu, João e o Lucas. A gente nunca esteve de um jeito melhor, sabe? Tá todo mundo super sintonizado, todo mundo dentro, todo mundo empolgado, uma trabalheira louca. É a primeira vez na história da Lupa que estamos os três compondo juntos. Pra mim, isso é maravilhoso porque compor sempre foi uma tarefa muito solitária pra mim e com os moleques, nessa correria, está todo mundo muito dedicado e abre uma série de janelas que a gente nunca pode experimentar. Tá tudo mais simples, tudo muito rápido, a gente tem casa agora, que a gente é adulto agora [risos]. Estamos podendo ir um pra casa do outro, juntar para compor, tá sendo tudo muito rápido.

É aquela coisa… foram dois anos escondidos. A gente tá com muita ideia, com muito projeto, e a gente está com muita facilidade de colocar essas coisas pra fora. Isso está refletindo no som. Tá bem na cara as mudanças e as próximas músicas vai ficar mais claro ainda.

- ANUNCIE AQUI -

O que mais podemos esperar da Lupa nesta nova fase? Novo disco? EP?
Múcio: A Lupa é uma banda que você não pode criar expectativas porque a gente sempre dá um giro nas expectativas das pessoas. Eu adoro isso, a gente é bem criativo, sempre me deixa muito feliz. Essa nossa fase nova tá muito “porradeira”. A gente tá muito direto. Acho que essa redução na banda foi uma consequência porque a gente já estava produzindo músicas que estavam pedindo isso.

Duas coisas pra identificar a nossa sonoridade nova. É rock, é um disco de rock, tem guitarra pra caramba, é bateria, voz e baixo pegado na cara das pessoas. E a Lupa nunca tinha sido uma banda de rock muito agressivo. Agora é a primeira vez que a gente tá fazendo isso. As músicas estão todas mais pesadas, o que tá me deixando muito feliz porque é uma das coisas que eu mais gosto. A outra coisa é que as músicas estão muito mais diretas e isso é reflexo da formação e da nossa cabeça. A Lupa sempre foi uma banda que fazia muito arranjo, as músicas tinham muita informação, muitas camadas. A gente limpou tudo. Miramos em melodias muito fodas, bem marcantes, e um instrumental que seja pegado, pra fazer o pessoal pular mesmo e curtir isso daí. Eu gosto de dizer que é música pra cabeça e pra raba.

- ANUNCIE AQUI -

É o som que a galera tá querendo, que a galera tá pedindo. As coisas estão conspirando para que tenha esse retorno. Teve um momento muito de música urbana, da música pop em si, não que elas vão perder o seu valor, mas o rock no mainstream perdeu muito espaço nos últimos anos. É um momento muito desafiador pra vocês, mas de muitas oportunidades. Você mencionou o Panic, a relação que vocês tiveram, o entrosamento. Quem mais serviu de referência pra vocês nesse momento?
Múcio: A gente acompanha várias bandas, a gente acompanha esse rolê autoral há muito tempo e a gente vê sempre uma galera que é “o que tá na moda agora? Beleza, a gente vai fazer o som que tá na moda”. A Lupa nunca tentou correr atrás do que estava na moda. Sempre escrevemos o que era verdade pra gente e Deus, os deuses, o universo se alinharam agora pra colocar o rock de volta. Você vê a volta desse pessoal como Yungblud, Machine Gun Kelly, Travis, isso é um sonho! Isso é muito legal porque faz falta e não é como se não tivesse público. Só não tinha visibilidade. Porque a cena do circuito independente sempre existiu e é uma galera muito fidelizada.

Não é à toa que a gente faz o que a gente faz. A gente não tá aqui pra ficar gastando dinheiro fazendo música. É um negócio lucrativo, é um negócio bom porque tem gente que ama, que acompanha e que ajuda. Ter esse impulsionamento em esfera global, que você vê artistas nacionais fazendo… pô, Vitor Kley tá lançando música de rock! A Day tá bombando. Di Ferrero ressuscitando aí. Isso é muito legal e é muito bom pra gente porque a música que a gente faz não é de caixinha. Não é o pop punk que todo mundo tá tentando fazer agora porque começou a voltar a moda. A gente tá dentro de um lugar nosso e é um lugar que tem muita receptividade.

- ANUNCIE AQUI -

Quando falamos das referências, tem muita coisa nova, e tem um moleque que a gente ama que é o Yungblud. É um moleque genial, é muito massa. Tudo nele é muito legal, o propósito por trás, o discurso dele, o engajamento dele com os fãs, é uma coisa que é muito legal e que a gente se identifica muito. Teve influência agora nessas músicas sim porque é uma coisa que a gente tá ouvindo bem.

Mas é aquela coisa… é um pout pourri de história, não tem jeito. É quem a gente é. Como agora a gente tá muito mais porrada, com muito mais guitarra, tem muita coisa das bandas que a gente cresceu ouvindo. Nirvana, Smashing Pumpkins, Blur, Pixies. É uma galera que a gente é completamente apaixonado, que tá pegando. Daí você pula pros anos 2020 e tem bandas como o Panic, Cage The Elephant, que é outra banda que a gente é apaixonadíssimo, o Catfish and the Bottlemen, e o próprio Yungblud que é super referência pra gente. Você pode voltar lá atrás, no início do punk, nomes como Iggy Pop. Aliás, meu sonho é quando eu tiver 80 anos é virar a mistura do Iggy Pop com o Eduardo Suplicy [risos]. É tudo que eu quero. Outro dia falaram pra mim que essa mistura é o Supla, mas tudo bem, é mais ou menos ali que a gente quer chegar [risos].

- ANUNCIE AQUI -

A gente tá pegando também uns rock anos 90 que tinha um pala que era meio cômica, sabe? Como Raimundos, que é pesado, que a galera se identifica com a letra. A gente tem duas músicas que tá nesse rumo. Tem uma outra música que puxa de Chico Science. Tá muito massa e to empolgado pra caramba!

Pretendem entrar em turnê em breve?
Múcio: A gente tem tudo engatilhado já. São três datas, Minas, Rio e São Paulo, que são as mais fáceis aqui pra gente porque a passagem tá o olho da cara graças ao nosso presidente Bolsonaro. A gente tem três datas para fazer em cada um desses estados, a gente vai anunciar direitinho essas datas. Estamos com coisas muito legais marcadas aqui pra Brasília. A gente tá mirando em eventos grandes aqui em Brasília, por ainda estarmos num momento pandêmico. A gente tá com uma estrada bem definida até setembro. A gente já está recebendo convite para vários estados do Nordeste, vários do Sul, só que a gente ainda não tem essas datas confirmadas, principalmente por conta da pandemia. A gente não sabe como vão estar as coisas, então a gente não está fazendo uma agenda como a gente fazia, de seis meses. A gente tá planejando tudo dentro desses três meses pra gente ter o mínimo de controle sobre isso. A meta desse ano é voltar pra todos os lugares que a gente já foi e conhecer o dobro de lugares que a gente ainda não foi. A gente tem muita galera espalhada pelo Brasil inteiro e é uma galera muito legal e que movimenta muita gente.

- ANUNCIE AQUI -

Com quem gostariam de fazer uma colaboração no futuro?
Múcio: Eu quero colocar coisas reais que tem condição de rolar e que seria demais. Sabe com quem eu queria fazer? Uma pessoa nova e uma pessoa “véia”. Queria soltar algo com nossos queridos da Lagum e eu queria soltar uma música com o Dinho [Ouro Preto].

São cenários muito possíveis!
Múcio: É isso. A Lupa é uma banda muito pragmática. A nossa maior qualidade é ser bem sonhador, mas pragmático. São dois cenários que eu acho que são bem possíveis, que são bem alcançáveis pra gente, e são coisas que tem tudo a ver. Nossa história é Brasília e é a galera que tá movimentando a cena agora.

- ANUNCIE AQUI -

Gostariam de deixar um recado aos leitores da Nação da Música?
Múcio: Pessoal, dois anos trancados! A gente não aguenta mais estar longe de vocês, a gente não aguenta a distância. Ficamos fazendo coisas incríveis pra vocês. A gente tem 15 lançamentos pra soltar. Vão ter vários clipes pra gente soltar, vários festivais, a gente vai gravar um DVD… Então, se preparem! Já, já a gente está na casa de vocês pra matar essa saudade do jeito que a gente gosta de fazer.

Muito obrigado pela sua visita e por ler essa matéria! Compartilhe com seus amigos e pessoas que conheça que também curtam Lupa, e acompanhe a Nação da Música através do Twitter, Google Notícias, Instagram, YouTube, Facebook e Spotify. Você também pode receber nossas atualizações diárias através do email - cadastre-se. Caso encontre algum erro de digitação ou informação, por favor nos avise clicando aqui.

Torcemos para que tudo esteja bem com você e sua família. Não se esqueça que a vacinação contra a COVID já está disponível em todo o Brasil. Aqueles que já receberam a 1ª e a 2ª dose, lembrem-se de tomar a dose complementar e mesmo após vacinação completa, é necessário seguir as medidas de cuidado necessárias para contermos o coronavírus. Cuide-se!

- PUBLICIDADE -

Inscreva-se no canal da Nação da Música no YouTube, e siga no Instagram e Twitter.

Jornalista e apaixonada por música desde que se conhece por gente.