Portugal The Man
Foto: Rafael Strabelli / Nação da Música.

Cinco anos nos separam da passagem do Portugal. The Man no Brasil em 2014 para a mais recente, que aconteceu na última sexta-feira (05) durante o Lollapalooza. Com um álbum mais recente e a explosiva “Feel It Still” na conta, os caras voltaram para se apresentar no Palco Onix durante primeiro dia de festival.

Para comemorar a visita, a Nação da Música bateu um papo com os simpáticos Kyle O’Quin e Eric Howk sobre fama, sucesso e, claro, música.

Entrevista por Maria Mazza

——————————- Leia a íntegra:
Olá, meninos! Muito bom ter vocês de volta aqui em nosso país. O que trouxeram de novo para essa passagem por terras brasileiras?
Eric Howk: Hmm, o que tanto temos de novo? (diz olhando para Kyle).

Muitas coisas são novas, né?
(risos)
Kyle O’Quin: Sim, muitas coisas aconteceram com a gente nesse período enquanto banda. Viemos para cá um tem depois de lançar o álbum em 2013 (“Evil Friends”), então viajamos bastante, fomos para lugares que nunca tínhamos ido antes, passamos pelo Brasil e nos divertimos. Depois fizemos um novo disco (“Woodstrock”, 2017), lançamos novas músicas, novos visuais…
Eric: E subindo no palco percebemos uma mudança não só em nós, mas também no público. Estamos maiores, mais selvagens, se é que isso faz sentido. Mais pesados e mais leves ao mesmo tempo, sabe?

Quais seriam essas mudanças em relação ao público?
Kyle: Não diria que o público em um geral mudou, mas a percepção, sim, principalmente depois que lançamos a música que muita gente passou a nos conhecer (“Feel It Still”), muito mais gente nos parava para falar sobre o nosso trabalho. De repente, isso nos abriu portas para um mundo completamente novo, crianças indo aos shows – isso é novidade. E tem toda essa questão de muito mais holofotes voltados para nós e, como consequência, usarmos nosso meio, nossa plataforma, para fazer coisas boas.
Eric: Definitivamente rolou uma maior exposição e responsabilidade também, então estamos tentando ser mais cuidadosos para fazer o melhor que pudermos.

- PUBLICIDADE -

Vi que vocês têm aproveitado a visita para conhecer alguns lugares legais e novos. Como está o português para essa parte turista?
Eric: Eu só sei dizer “obrigado”.

Não sabem nem com pedir por uma cerveja em português?
(risos)
Eric: Sinto que, quanto mais espanhol eu aprendo, menos português eu consigo falar, acabo ficando um pouco confuso. Mas gostaria de aprender, seria incrível.

Bom, vocês já estão produzindo um novo álbum, certo? O que podemos esperar dele?
Kyle: Esse é, provavelmente, o meu álbum favorito. Quero dizer, esse é objetivo, né? Fazer algo que gostamos e acreditar que é o melhor de todos. Estamos trabalhando com o produtor Jeff Bhasker, que é ótimo. Ele esteve na produção de “My Beautiful Dark Twisted Fantasy” (Kanye West, 2010) e é um profissional incrível. Ele vem desse mundo de quem realmente entende de música, de jazz, hip hop, e é insano. Agora estamos entrando no processo de gravá-lo de fato e não sabemos como ele vai se sair sonoramente falando, mas pode ter certeza que não se parecerá com nada que você já ouviu.
Eric: Acredito que algumas coisas ajudarão a defini-lo como a personalidade do Jeff, o nosso toque pessoal e o fato de que podemos ir para lugares diferentes com esse trabalho. Sinto que temos um bom pano de fundo.

Você diria que é o seu álbum favorito também?
Eric: Veremos! Ainda não sei (Kyle começa a rir), mas será ótimo!

- PUBLICIDADE -

E já que estamos falando sobre produzir um álbum, como é estar na estrada ao mesmo tempo em que projetam algo novo? Dá para fazer tudo ao mesmo tempo ou preferem se dedicar a cada coisa em momentos diferentes?
Eric: Acredita que viajamos bem menos nesses últimos tempos? Nós tivemos 18 meses bem insanos, praticamente a mesma mala de roupas por um ano e meio. Dessa vez decidimos priorizar por lugares que realmente gostaríamos de estar, como aqui.
Kyle: E acabamos nos acostumando a gravar de segunda à sexta e viajar no sábado para shows… Isso por muitos finais de semana seguidos. Assim é legal porque, às vezes você foca tanto em fazer as músicas, em entregar aquele trabalho, que deixa para pensar como será ao vivo depois, e até mesmo uma canção boa pode soar diferente no palco. É interessante de, no meio disso tudo, fazer shows porque ajuda a trabalhar a mente sobre como aquele som vai ser integrado no processo como um todo.

Agora chegou aquele momento de falar sobre “Feel It Still”, vou precisar tocar nesse assunto…
Eric: É a minha música favorita! (risos) Realmente é!
Kyle: É a favorita da minha mãe também!

Pessoas que eu nem imaginava começaram a falar sobre vocês porque ela foi realmente explosiva. Esse fato coloca algum peso na hora de produzir o novo trabalho ou deixam acontecer naturalmente?
Kyle: Não tem como a gente tentar ir atrás disso de novo em um sentido que não dá para pensar em fazer uma nova música com esse objetivo. Na verdade, podemos, mas não podemos ao mesmo tempo, entende? Não é saudável e acaba resultando em canções ruins. Acho que não estamos tentando escrever outra “Feel It Still”, mas sim um bom álbum com faixas sólidas.
Eric: Se isso tivesse acontecido 10, 15 anos atrás, estaríamos em uma situação completamente diferente. Nós fomos uma banda com um público mais restrito por bastante tempo, então, acredito que isso ajudou a ter menos pressão interna, sabe?
Kyle: Sim… Não podemos deixar de ser também uma banda de 100 músicas para nos tornarmos uma banda de uma música só.
Eric: Em algum momento nós paramos para contar e “Feel It Still” passou da centésima música do Portugal. The Man Temos trabalhado nisso tudo por longo tempo e vamos continuar enquanto pudermos.

E qual é o segredo do Portugal. The Man para se manter ativo por um longo período sem perder a própria essência?
Kyle: Honestamente, somos bem duros uns com os outros. Nós não saímos do palco e ficamos nos abraçando, nós pensamos no que foi bom e no que temos que melhorar. Somos melhores amigos, somos irmãos, mas temos que nos incentivar  e nos “empurrar” sempre. Também buscamos não nos comparar com outras bandas, não é saudável. Preferimos pensar como crescer, ser melhor no dia seguinte e trabalhar em uma coisa de cada vez.
Eric: É assim que você se torna melhor. Somos competitivos de maneiras diferentes e é o que funciona para o grupo. Enquanto continuarmos nos incentivando, vamos continuar o caminho juntos dessa forma.

Minha última pergunta é mais uma brincadeira, uma curiosidade… Se vocês tivessem um festival como o Lollapalooza, quais bandas escolheriam para tocar como headliners?
Kyle: Pode ser qualquer banda ou precisa estar ativa?

- PUBLICIDADE -

Qualquer uma, vou ser boazinha…
Kyle: Provavelmente Rage Against The Machine
Eric: Eu escolheria Beatles… Pode ser? Tem que estar vivo?

Ok, vou dificultar um pouco então… Sim, vivos!
Kyle: Ai, não sei!
Eric: Hmmm…

Se eu deixar os Beatles na jogada, vai todo mundo escolher essa opção.
Eric: Sim, isso é verdade…
Kyle: Todos com cérebro deveriam escolher os Beatles (risos). Mas eu gosto disso, é justo. Eu manteria o Rage.
Eric: Já que só podem os vivos, escolho o Paul McCartney então.
Kyle: Ah, não, o Paul não, já combinamos. Escolhe outro.
Eric: Mas se todos estivessem vivos, eu escolheria os Beatles…
Kyle: Bom, eles vivem no meu coração de qualquer forma.
Eric: Ok, eu desisto (risos).

Deixe seu comentário no final dessa publicação, marque seus amigos que também curtem Portugal. The Man, acompanhe a nossa agenda de shows e a Nação da Música através do Twitter, Facebook, Instagram e Spotify. Muito obrigado pela visita e por ler essa matéria!