Foto: Diego Rodrigues

Na sexta-feira (30), o cantor e compositor Thalles lançou a nova música “The Truman Show”, que tem inspiração no clássico filme estrelado por Jim Carrey, “O Show de Truman”, de 1998.

O músico possui grande bagagem na artes cênicas e é, também, ator, tendo estrelado no filme “Yonlu” recentemente, marcando o primeiro papel dele nas telonas. 

A Nação da Música conversou com Thalles sobre o lançamento de “The Truman Show”, a repercussão de “Yonlu” e também sobre futuros projetos.

Entrevista por Marina Moia.

———————————- Leia a íntegra:

Oi, Thalles! Como o próprio nome da música já entrega, “The Truman Show” é baseada no filme de mesmo nome. O que te levou a escrever sobre isso e a se inspirar na história do longa?
Thalles: Eu sempre gostei muito desse filme. A primeira vez que eu assisti, teve um impacto muito forte em mim. Acho que o filme fala de um assunto tão importante e de uma maneira tão alegórica. Essa questão do limite entre público e privado, a invasão e perda da privacidade cada vez mais, a exposição, o fato de você se tornar um produto para entretenimento. Tudo isso está cada vez mais presente na nossa sociedade e são questões que me inquietam. Tudo anda tão louco que às vezes parece que estamos vivendo no show de Truman. Pelo menos eu me sinto dessa forma com certa frequência.

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 Acredita que hoje, principalmente por conta das redes sociais e da pressão de tudo parecer perfeito e “no lugar”, estamos vivendo uma espécie de Show de Truman? Como enxerga isso na realidade, principalmente sendo ator e músico?
Thalles: Sim. A diferença é que hoje nós mesmos somos também os produtores disso. No caso do Truman, o personagem não tinha domínio e nem conhecimento. E essa exposição toda é um prato pronto pro capitalismo, principalmente nos termos de hoje. Nós entregamos de bandeja muitas informações sobre nossas vidas – nossos dados – para empresas grandes que usam essas mesmas informações para filtrar e direcionar conteúdo, notícia, propaganda, vender produto… É um ciclo desesperador, se você for parar pra pensar.

Eu uso minhas redes sociais principalmente para ter contato com o público – estabelecemos uma relação e diálogo muito interessante e positivo –, pra divulgar meu trabalho e de outros artistas, uso também como forma de inspiração para alguns projetos e até experimentos artísticos. Não quero que a minha profissão custe minha privacidade e liberdade. Pelo contrário, quero que minha arte me faça crescer cada vez mais e me tornar uma pessoa melhor.

Sua carreira musical e de ator muitas vezes se intercalam, uma inspirando e influenciando a outra. O filme “Yonlu” é um desses exemplos. E ele continua gerando muitos frutos, como premiações e indicações a prêmios. Quando entrou neste projeto, imaginou que fosse ter essa repercussão? O que você leva do Yonlu (filme e músico) pra sua vida desde então?
Thalles: Eu achei que o filme fosse causar um certo burburinho, justamente pelo tema – que ainda é considerado tabu na nossa sociedade. Mas não pensava que o reconhecimento seria tão forte como está sendo. O filme foi bem recebido aqui no Brasil, mas é lá fora que está entrando em vários festivais e sendo indicado a prêmios. Isso é curioso de se pensar, mas esse é outro papo. Eu cresci muito como pessoa e artista, desde as filmagens. Essa história mexeu muito comigo. Acho que fortaleci minhas amizades e relações familiares, passei a ter um olhar mais carinhoso e cuidadoso para isso. É preciso ficar mais atento e cuidar dos nossos.

Como surgiu a ideia do projeto de lançar uma música por mês durante um ano? Como tem sido o processo? Você já escolheu e gravou todas ou está no meio do caminho ainda, construindo isso?
Thalles: Utopia”, meu primeiro álbum, foi lançado em 2017. Desde então eu sigo com um projeto visual; todas as faixas vão ganhar um videoclipe – formando uma grande narrativa no fim. Mas muitos fãs me perguntam sobre músicas novas, e eu entendo essa demanda, afinal o álbum já completou aniversário de dois anos. Foram dois anos sem material musical novo. No meio disso, o teatro e cinema pediram minha atenção total. Eu tenho planos de gravar o segundo álbum; tenho todas as músicas, mas isso exige um custo, dedicação e imersão que no momento não era possível. E eu componho muito. Então decidi criar esse projeto, 12 X single, que consiste no lançamento de um single por mês, durante 12 meses. E é muito libertador você lançar singles separadamente; não tem aquela necessidade de conceito e/ou narrativa em que as faixas precisam se relacionar, como em um álbum.

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Eu sou apaixonado pelo processo criativo de um álbum, mas estou amando lançar singles. É totalmente despretensioso. E eu estou aproveitando para experimentar coisas novas. A ideia é lançar versões, feats com outros artistas, músicas inéditas que acabaram não entrando no Utopia e que eu também não imagino entrando no próximo álbum. E estou flertando com o outros gêneros, como folk, indie pop… Eu tenho um cronograma já, dos singles a serem produzidos e lançados para cada mês, mas tudo pode – e deve – mudar. Como tem acontecido. “The Truman Show” foi uma música que eu escrevi no final de julho e decidi que furaria a fila para lançar em agosto. A ideia é estar aberto a tudo.

Temos ainda alguns meses de 2019 pela frente. Além do 12 x singles, o que os fãs podem esperar de Thalles até o final do ano? E 2020? Quais projetos pode dividir com a gente?
Thalles: Ainda este ano eu lanço dois novos clipes do Utopia. O filme “O Homem Cordial”, do qual faço parte, teve estreia no Festival de Gramado e deve ter algumas exibições ainda em 2019. E no momento estou filmando uma série para a Globoplay, que estreia no primeiro semestre de 2020.

Você não tem medo de falar sobre temas delicados (e muitas vezes ainda considerados tabus), como transfobia, críticas políticas, ansiedade, etc. Como os fãs se comunicam com você sobre isso? Recebe muitas mensagens de desabafos, por exemplo?
Thalles: Eu recebo muitas mensagens – longas e dedicadas, e lindas demais. Eu canto sobre o que me toca e fico muito feliz quando as pessoas se identificam também. Música é identidade, em todos os sentidos.

Thalles, com quem você gostaria de fazer uma parceria musical algum dia?
Thalles: Eu gostaria de fazer uma colaboração com a Sóley, Patrick Watson e Aurora um dia.

E em termos de atuação, qual tipo de filme você gostaria de fazer e/ou com qual diretor/diretora você gostaria de trabalhar algum dia?
Thalles: Eu adoraria trabalhar com a Anna Muylaert, Marcos Dutra e Luiz Fernando Carvalho. E vou colocar Xavier Dolan aqui também, vou jogar pro universo. 

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Gostaria de deixar algum recado aos leitores da Nação da Música?
Thalles: Prestigiem os artistas independentes que vocês gostam. Ouçam, compartilhem, mandem pros amigxs e geral. É uma batalha louca, mas tudo faz sentido quando a música gira por aí.

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