Entrevistamos The Velvicks sobre criação do EP de estreia “Run”

the velvicks
Foto: Guerin Blask
Mar Aberto
Mar Aberto

Em julho deste ano, The Velvicks divulgou nas plataformas digitais o EP “Run”, que marca a estreia da banda brasileira do Brooklyn. Sim, eles são do Brasil, mas tudo começou no famoso bairro de Nova Iorque e agora eles estão expandindo o som pelas fronteiras.

“Run” foi feito junto com os engenheiros Max Low e Joe Ulmer e produzido pelos próprios integrantes da The Velvicks, de maneira independente. O grupo dispensou diversos contratos com gravadoras para este primeiro lançamento e fizeram tudo à maneira deles, tendo como resultado final um EP com 05 faixas.

A Nação da Música teve a oportunidade de conversar com Vini, Vick e Edu sobre a produção e criação deste trabalho, que foi lançado em plena quarentena, os planos para o futuro e também sobre o motivo de terem dispensado tantas propostas de gravadoras.

Entrevista por Marina Moia.

Mar Aberto
Mar Aberto

————————————– Leia a íntegra:
O EP “Run” foi lançado em julho, depois de alguns anos fazendo shows, construindo o som da banda, certo? Como foi fazer esse trabalho durante uma pandemia?
Vini: A gente meio que já tinha uma agenda estabelecida pra esse ano, tinha bastante shows aqui nos Estados Unidos, no Brasil, ou seja, uma agenda pré-estabelecida, que contava inclusive com o lançamento. Mas imprevistos acontecem, inclusive a pandemia, e a gente foi se adaptando da melhor maneira que a gente pode, inclusive escrevendo música nova neste “setting” que a gente tá. Então é uma mistura de ambos.

Vick: A gente resolveu lançar porque a gente já tinha se preparado. Nesses tempos que a gente ficou tocando, a gente também orquestrou o lançamento. Estava tudo alinhado. Campanha de rádio, turnê, uma coisa estava atrás da outra. Quando surgiu a pandemia que a gente teve que parar tudo, a gente decidiu intensificar o trabalho e empurrar o que a gente consegue fazer, pra quando voltar, a gente voltar com força.

O engraçado é que a gente fez “LDNYC (Lockdown NYC)” por causa da pandemia. Uma das nossas músicas mais rádio amigáveis é esta. Então a gente xinga, mas também fica feliz.

Vini: Foi escrita um mês antes de lançar, então a gente foi adaptando tudo.

E a produção com Max Low e Joe Ulmer? Como funcionou o trabalho com eles em estúdio? Na verdade, não sei se vocês fizeram juntos em estúdio ou à distância. Como foi?
Edu: O Joe é um amigão nosso, com quem a gente já trabalha há muito tempo. Ele é baterista dessa banda que se chama Rann e é um grande amigo nosso, um mega engenheiro também. Ele ajudou a gente a fazer os primeiros tracks, que foi “Hit Me Like Sugar”. Daí, “Animal”, “Run”, “Jones” foram com o Max, que é um dos estúdios mais legais que a gente já foi. Parece um apartamento, mas tudo soa muito bem. Ele tem um monte de instrumento antigo… é tudo muito legal!

Vick: [em inglês] Max, a gente sente sua falta! Te amamos, cara!

Edu: Depois dessa pandemia, parece que ele mudou, não sei, eu estou meio por fora de onde ele está. Mas é um grande cara!

Vick: Mas sempre amigos! Pessoas próximas, não só relação profissional. Gente da cena que a gente acabou se envolvendo.

Edu: Eu lembro que a gente tocou numa casa de shows e o Max estava lá e falou pra gente ir no estúdio fazer uma track porque ele curtiu o show. Desse dia que era pra fazer uma track, virou um monte de coisa.

Vick: Coisa linda! Foi incrível.

Vini: Só reforçando que tanto o Max como o Joe são amigões nossos que através de relacionamentos a gente foi se envolvendo e gravando os projetos com eles. Mas eles foram os engenheiros tanto de captação, como de mixagem e masterização. Mas o EP todo foi produzido pela banda, por nós quatro.

É bem público que a banda também recusou diversas propostas de gravadoras. Vocês pretendem continuar independentes ou é só uma fase? Como anda? E por que, pelo menos neste primeiro trabalho, ser de maneira independente?
Vick: A gente é muito rebelde. A gente entendeu que, a princípio, se a gente possuísse na íntegra, fosse dono do nosso próprio nariz, seria mais interessante. Até porque as propostas que a gente recebeu, eu não achei que deu “match” com a quantidade de energia que a gente ia colocar do nosso lado. Porque a gente é uma banda iniciante, sem um poder de barganha ou números para mostrar. Não existia a banda até então musicalmente, só ao vivo.

A gente decidiu começar a gente e ver até onde a gente consegue chegar. Daí no próximo lançamento, das próximas músicas, a gente revisita e vê se vale a pena ou não.

Edu: Tem uma coisa que aconteceu também que foi… Nosso primeiro show, a gente que agendava nossos próprios shows, foi no Irving Plaza! A hora que a gente olhou e viu a proposta de várias gravadoras, na verdade o que a gente precisava era mais de um auxílio com PR (relações públicas), porque o trabalho da gravadora já estava sendo bem feito.

Vick: Exatamente. A gente acabou fazendo uma parceria com PR aqui e aí no Brasil e foi o que a gente precisava. Percebemos que pelo menos nesse começo, tudo que a gente precisava estava ali. A gente meio que começou o nosso próprio selo e é por isso que se chama Monroe Mansions, que foi onde começou a banda.

Vocês todos moram nos EUA, as músicas são em inglês e são todos brasileiros. Geralmente os artistas e bandas trabalham primeiro com o público do Brasil para depois explorar países na América do Norte e Europa. Vocês fizeram o contrário. Como está sendo explorar esse mercado internacional e ao mesmo tempo atrair os fãs brasileiros?
Vick: Começou agora o lance do público brasileiro. Foi agora nos últimos meses que a gente começou a empurrar a música no Brasil. Tem gente que até hoje não sabe que a gente é brasileiro! Tem gente que escreve no Instagram ou por e-mail falando que é do Brasil, mas tudo em inglês. Daí eu “mas pô, fala português comigo!” [risos]

Desdobrar o mercado brasileiro agora está sendo um barato pra gente. A gente nem esperava. O nosso foco não foi o público brasileiro e ter essa receptividade no Brasil está sendo um barato! Todo mundo pergunta se somos do Brooklyn e sim, somos. Assim, nós somos brasileiros, mas o ambiente, tempo, espaço, temperatura e a pimenta para fazer a banda existir foi fecundado no Brooklyn. Então a gente é uma banda do Brooklyn.

Sei que vocês acabaram de lançar o EP, mas podemos esperar um disco em breve? Como estão os planos da banda para os próximos meses?
Vini: Dessa fórmula que a gente tá falando, de escrever as músicas, gravar e usar um PR tanto aqui e como no Brasil, a única coisa que falta é a gente poder apresentá-las ao vivo. Isso a gente não tem ao certo quando vamos poder acrescentar isso à fórmula. Mas a gente tem mais ou menos dois álbuns prontos, fora esse EP, que a gente já vem trabalhando há muito tempo no estúdio.
Como é isso que a gente tem agora, talvez no começo do ano que vem a gente lance um álbum, lá pra março. Mas assim, é urgente a gente poder apresentar ao vivo e não vemos a hora de podermos sair e pegar a estrada de novo.

Por último, gostariam de deixar um recado aos fãs brasileiros e aos leitores da Nação da Música?
Vick: Sim! Cada um fala um pouquinho porque eu sou péssimo com essas coisas! [risos] Primeiro, obrigado a você pelo seu tempo e pelo interesse de falar com a gente. Fiquem ligados que a gente tá sempre trazendo coisa nova! A gente está com planos de fazer uma parada semanal no Youtube, pra ficarmos mais em contato com todo mundo. Enfim, agradecer a todos que estão ouvindo e continuem ouvindo e fiquem atentos para quando a gente for pro Brasil pra vocês irem ao shows, nos conhecermos, tomarmos uma. Rock and roll!

Edu: Eu queria agradecer à Marina, pessoal da Nação da Música, obrigado pelo convite. A gente não vê a hora de tocar no Brasil, na verdade. Vai ser uma coisa bem legal pra gente tocar, jogar em casa. Um grande abração pra todo mundo e valeu por escutar o som, se não nada disso seria possível!

Vini: Galera da Nação da Música, obrigado por estar escutando a gente. Marina, obrigado. Continuem acompanhando os Velvicks! Logo mais tem música nova e eventualmente show no Brasil, assim que possível!

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Mar Aberto
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