Resenha: “Bem-Vindo Ao Clube” – DAY (2021)

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Foto: Reprodução/Facebook
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MAR ABERTO

“Seja bem-vindo ao clube dos sonhadores frustrados” é a primeira frase do refrão de “Clube Dos Sonhos Frustrados”, single de “Bem-Vindo Ao Clube”, primeiro álbum de estúdio da cantora DAY – lançado nessa última sexta (30), e descreve a aura geral do disco: a artista abre as portas de suas mágoas para a gente e convida-nos a nos identificarmos com ela. O projeto, completamente enraizado no pop-punk, traz uma DAY honesta, narrativa e aberta à auto exploração nas doze faixas de “Bem-Vindo Ao Clube”.

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MAR ABERTO

“Por incrível que pareça, por mais pessimista que esse álbum soe, eu quero que as pessoas não se sintam sozinhas como eu me senti”, a cantora falou sobre o disco com a Quem, “Tenho certeza que se sentem assim. Quero que se identifiquem e falem: ‘A vida é isso? Não estou vivendo isso sozinha’”. E ela consegue isso com maestria, caminhando com equilíbrio a linha entre faixas pessoais demais e canções com as quais o ouvinte consegue se conectar e se ver dentro.

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Adequadamente nomeada, a primeira música de “Bem-Vindo Ao Clube” é “Prefácio” e ela traz DAY encarando a si mesma e analisando seus sonhos e ambições – em menos de um minuto, a cantora consegue nos introduzir à persona sonhadora, que cresce ao longo do disco, que é o eu-lírico do projeto. Começando com a mesma melodia no piano de “Prefácio”, a faixa e single “Clube Dos Sonhos Frustrados” logo nos joga dentro do pop-punk que reina no álbum. Contando sobre a dificuldade de idealizar as coisas demais e ter seus sonhos frustrados, DAY usa versos como: “As pontes são quebradas, não tem Terabítia” e “Bem-vindos aos piores dias das nossas vidas” para ambientar a faixa emo anos 2000 e revelar suas referências, além de acolher o ouvinte que compartilha a personalidade sonhadora da cantora.

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A música seguinte, “Fugitivos”, é uma das faixas mais fundamentais do disco, continuando com as guitarras e baterias do pop-punk, mas com uma DAY mais intimista, que quase sussurra os versos – logo depois berrando o refrão. A canção tem dois níveis e isso é o que faz ela uma adição tão interessante a “Bem-Vindo Ao Clube”: na superfície, é uma música sobre um amor proibido, algo comum na cultura pop, e sobre a rebeldia que algo assim causa, mas olhando mais a fundo, “Fugitivos” é tão conectada com a experiência LGBTQ+, que ao perceber a relação, é difícil ouvir qualquer outra coisa nas letras. Como uma mulher lésbica vivendo por muito tempo em um ambiente ultra religioso, DAY sabe na pele como é ter que se esconder, garantir ao seu parceiro que não tem ninguém por perto e viver um período em que a única solução parece realmente ser fugir – e a revolta dela ao gritar “Foda-se se alguém tá vindo” no fim da faixa é arrepiante.

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Inevitável” é suave e emocional – girando em volta do verso “Inevitavelmente / Não tem como não ser a gente”, a canção traz à realidade os sonhos românticos de DAY. Com uma melodia mais leve, mas ainda recebendo a percussão emo – além de contar com batidas de coração, “Inevitável” é um hino para almas-gêmeas. Outra experiência comum a pessoas LGBTQ+ é a mudança para uma cidade grande, e DAY já abre “Inconsequente” dizendo que vai se mudar para São Paulo – criando uma faixa sobre grandes mudanças e fugir de suas amarras, por cima de guitarras pop-punk. Além de tudo a cantora conecta com o romance de “Fugitivos” e “Inevitável”, dedicando a música a alguém que ela ama, e relaciona a faixa com “Prefácio” no verso “Tô indo ser o que ia ser quando crescer”.

O ponto central do álbum é “Dilúvio” e traz um lado completamente diferente de DAY – uma melodia suave e mais lenta, não perdendo as guitarras e bateria. Uma faixa sobre um relacionamento complicado, que já começa com ela assumindo suas próprias complicações, esse é um olhar ao lado mais sentimental da cantora.

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Depois disso, temos “Não Gosto De Mim”, que traz muitos elementos do pop, além do emo. Com a cantora falando diretamente com um interesse amoroso e sobre os obstáculos que a fazem se sentir tão mal dentro da relação, a canção quebra expectativas sobre letras depreciativas e entrega uma composição que na verdade é ela tentando se salvar desse sentimento ruim.

Isso Não É Amor” é quem segue – e é a única parceria de “Bem-Vindo Ao Clube”, de Lucas Silveira, vocalista e guitarrista da Fresno, como você pôde acompanhar aqui na Nação da Música. A faixa é tradicionalmente pop-punk, contando com uma boa dose de rebeldia nas letras e nas vozes de DAY e Lucas Silveira. Começando com um sintetizador mais eletrônico e um verso melancólico de DAY, “Finais Mentem” é crescente, a suavidade do começo é cortada com uma bateria no refrão, que se mantém no resto da faixa, enraizando-se no mundo emo. A composição é uma das mais tristes do disco, contando a difícil realidade de ter que cortar uma pessoa da sua vida – especificamente um parceiro romântico, que você sentiu ser seu “final feliz” – para seu próprio bem.

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Efeito Colateral” tem guitarras menos intensas, mas ainda contando com uma percussão bem pop-punk. “Do tipo que ela volta só para te assombrar” canta DAY, falando sobre um relacionamento que, mesmo tendo acabado, ainda prende ela à outra garota – até comentando que “Qualquer dia bato na tua porta”. A última faixa tradicional, com duração comum, é “Não Me Encontre” e traz uma DAY já ‘crescida’ – expulsando mesmo a pessoa que faz mal a ela de sua vida, e já afirmando “Não vou te levar / Para onde eu vou”.

“Sempre fui idealista, não necessariamente otimista” é a maneira que DAY inicia “Epílogo: A Maldição Da Expectativa”, a última canção oficial de “Bem-Vindo Ao Clube” – na qual ela consegue resumir as mensagens principais do projeto: rebeldia, mas também crença em si mesma e vontade de continuar e se realizar.

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A cantora DAY consegue com “Bem-Vindo Ao Clube” um projeto consistente em suas doze faixas, mantendo a aura pop-punk emo e as mensagens de crescimento e revolta, evoluindo junto ao ouvinte entre o play em “Prefácio” e o pause no fim de “Epílogo”: A Maldição Da Expectativa”. Além de tudo, a artista consegue contar suas experiências como mulher lésbica e realmente acolher qualquer pessoa que ouvir em seu mundo, suas mágoas e suas vivências – oferecendo músicas facilmente relacionáveis, mas sempre com significados mais fundos, e produções muito interessantes, fiéis a suas influências emo.

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RESUMO DA RESENHA
DAY - "Bem-Vindo Ao Clube"
Estudante de jornalismo, não-binárie e apaixonade por música. Sempre aberte para ouvir qualquer gênero, artista ou década. O universo do pop, principalmente hyperpop, k-pop e synthpop, é onde eu vivo e sobrevivo.