Resenha: “Death By Rock And Roll” – The Pretty Reckless (2021)

The Pretty Reckless
Divulgação
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É bastante comum artistas lançarem álbuns em tributo em algum momento da carreira, especialmente dentro da cena do rock. Isso porque neste meio sobretudo, as bandas estão sempre se influenciando, e esta não deixa de ser uma forma de gratidão bastante especial. Partindo deste princípio, o The Pretty Reckless lançou na última sexta-feira (12) o quarto álbum de sua carreira, “Death By Rock And Roll”.

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Tanto pelo título, quanto pela capa, que mostra a vocalista Taylor Momsen deitada nua sob a cova de um cemitério, com uma fotografia bastante sombria, é notável a forte influência do disco na cena raiz do rock’n’roll que marcou a década de 80. “Há muito peso por trás dessa imagem no sentido de que ela faz uma homenagem a amigos perdidos”, disse ela à estação de rádio The X, fazendo referência às mortes de Chris Cornell, do Soundgarden, em 2017, e do produtor Kato Khandwala, no ano seguinte, que trabalhou com o TPR durante anos.

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Diferentemente dos últimos trabalhos do The Pretty Reckless, como o antecessor “Who You Selling For” (2016), “Death By Rock And Roll” explora sonoridades mais pesadas, com faixas mais longas, marcadas majoritariamente por solos de guitarra bem trabalhados, e letras com forte carga emocional que abordam temáticas como a morte, a luta pela defesa dos próprios ideais e as dificuldades de crescer, mostrando o amadurecimento da banda.

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Com um total de 12 faixas, o álbum começa com a faixa homônima “Death By Rock And Roll”, que já dá uma amostra do que está por vir no disco com um pesado riff de guitarra logo nos primeiros segundos e referências a membros do Clube dos 27 na letra, como Amy Winehouse e Kurt Cobain. O clipe, feito em animação, reforça ainda mais este conceito com caricaturas pitorescas de Taylor Momsen andando de moto – em menção ao acidente que levou à morte de Khandwala – e outras que remetem a momentos passados de sua carreira, como a personagem Jenny Humphrey, de Gossip Girl, e a era “Going To Hell” do TPR. “‘Death By Rock And Roll’ é uma espécie de grito de guerra do rock and roll. É nosso rock e nosso hino. Para mim, o rock representa liberdade, e sempre representou. O rock é um estilo de vida, é uma mentalidade, uma religião – é tudo. Então é viver sua vida do seu jeito, viva do jeito que você quer, não deixe ninguém te dizer o contrário. É uma espécie de declaração do ‘Death By Rock And Roll’ — é liberdade”, disse Taylor.

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Em seguida, “Only Love Can Save Me Now”, que tem parceria de Matt Cameron & Kim Thayil, remete bastante à sonoridade característica do Soundgarden, com distorções e solos de guitarra e a presença marcante da bateria.

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“And So It Went”, terceiro single do disco, é um dos grandes destaques na minha opinião e que traz à tona a essência do The Pretty Reckless. As variações da melodia chamam a atenção especialmente pelos elementos extras, como o som de uma sirene na introdução e a presença de um coro no refrão – semelhante ao single “Heaven Knows” – e a potência vocal de Taylor Momsen foi muito bem explorada, com destaque ao trecho antes do solo de Tom Morello, em que a música adota um tom mais acústico, semelhante à introdução de “Kill Me”. O clipe também é bastante simbólico, e ilustra bem o conceito de reivindicação da letra. “O mundo está em um estado de agitação civil. ‘And So It Went’ basicamente vem dessa visão. Como compositora, sinto que não estou aqui para pregar. Eu uso a música para observar e comunicar o que vejo ao meu redor. Essa música parecia a tempestade perfeita para Tom Morello se juntar e quebrar as ondas sonoras com sua guitarra”, comentou ela ao Consequence of Sound.

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A também conhecida “25” traz um respiro em meio ao som pesado das faixas anteriores com um tom mais dramático e a forte presença da voz rouca e aveludada de Taylor durante a maior parte do tempo. Este é talvez um dos maiores exemplos do amadurecimento musical do The Pretty Reckless e da própria Momsen como compositora, que relata de forma bastante particular suas angústias pessoais, e é retratada no clipe da faixa com roupas mais “adultas” e uma maquiagem mais leve.

Se em “25” Taylor aborda as dificuldades de se amadurecer, em “My Bones” ela adota um tom quase que de recrutamento ao narrar uma espécie de batalha em que prova mais uma vez sua resistência em defesa dos próprios ideais. Apesar de voltar à linha do rock pesado, a faixa surpreende no trecho em que o ritmo acelera e os vocais revezam-se entre tons abaixo e acima do tom original de Momsen. Em contrapartida, “Got So High” revela em seu tom mais acústico (semelhante a “You”) um difícil momento da vocalista, dando a entender que, para anestesiar a dor que sente, ela se rende a entorpecentes, como indica o trecho em que ela faz uma analogia entre os termos “high” e “fly” e a ideia de libertar-se do próprio corpo e dos pensamentos que a prendem e a deixam pra baixo.

“Broomsticks” é uma pequena interlude entre “Got So High” e a próxima faixa, sendo uma homenagem especial da banda ao Halloween, com menção a diversos itens e seres característicos da data, como bruxas, cemitérios e a lua cheia. O single pode ser considerado também uma introdução à conseguinte “Witches Burn”, que é uma das minhas favoritas do álbum. Trazendo uma sonoridade com fortes influências grunge e características de ícones femininos da cena do rock (como Joan Jett e Kathleen Hanna), a música apresenta uma crítica às raízes históricas de uma sociedade machista em que as mulheres eram destinadas a serem submissas aos homens e, aquelas que fossem contrárias, eram consideradas bruxas e postas à fogo em praça pública.

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Já na nona faixa, “Standing At The Wall”, o álbum atinge seu momento mais melancólico com acordes expressivos de piano, introduzidos pela primeira vez até então, para simbolizar as dificuldades do luto e do choque de realidade que a morte de alguém próximo pode trazer àqueles que ainda estão vivos. No entanto, a seguinte “Turning Gold” já traz um pouco mais de positividade e otimismo, inclusive pela presença de acordes limpos e dedilhados mais melódicos de guitarra, com a compreensão de que mesmo os momentos mais difíceis também passam. Seguindo esta linha, “Rock And Roll Heaven” consagra a superação de Taylor Momsen com a certeza de que irá reencontrar seus amigos novamente algum dia, além das diversas referências a grandes nomes da música como The Beatles, Jim Morrison, Janis Joplin, Jimi Hendrix, o Clube dos 27 e como a música é e sempre será uma forma de eternizá-los.

Para fechar “Death By Rock And Roll”, “Harley Darling” entra como talvez a mais distinta de todas as faixas, por trazer referências mais voltadas ao country, e finaliza o disco como a última e mais pessoal homenagem de Taylor a seu querido amigo Kato Khandwala, fazendo uma menção à famosa marca de motos Harley Davidson e ao acidente em que faleceu. Apesar de destoar um pouco do restante e ser a que menos gostei, a sonoridade da faixa remete àquelas cenas finais dos filmes em que o protagonista percorre uma longa estrada de moto para encontrar aquilo que procura. Seja um sonho, uma pessoa, um destino ou até mesmo a própria liberdade.

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RESUMO DA RESENHA
"Death By Rock And Roll" - The Pretty Reckless (2021)
Natália Barão
Jornalista apaixonada por música, escorpiana, meio bossa nova e rock'n'roll com aquele je ne sais quoi