Resenha: God’s Favorite Customer – Father John Misty (2018)

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Father John Misty
Divulgação
@nacaodamusica

Em junho de 2018, Josh Tillman lançou sob o codinome Father John Misty, o quarto disco de estúdio da sua carreira solo, “God’s Favorite Customer”. O trabalho foi produzido pelo próprio artista, junto com Jonathan Rado, Dave Cerminara, Trevor Spencer e Jonathan Wilson. Além de contar com a participação de Mark Ronson e Weyes Blood em umas das faixas, conforme falaremos no decorrer dessa resenha.

O disco foi lançado pelas gravadoras SubPop e Bella Union, tendo sido bem recebido pela crítica, alcançou o topo da lista de álbuns alternativos da Billboard duas semanas após o lançamento. Em “God’s”, Father abandonou as ilustrações como arte de capa, conforme visto em trabalhos anteriores; “Pure Comedy”, “Fear Fun”, e resolveu estampar a si mesmo na capa.

Durante uma entrevista concedida à NME em 2017, o músico declarou que, ao contrário dos compilados anteriores, este não tinha um tema central. Contudo, se prestarmos atenção nas letras, percebemos que Misty faz referências religiosas, bem como trata sobre assuntos referentes à saúde mental e conflitos dentro de um relacionamento. À Uncut, ele comparou o quarto disco de estúdio com o antecessor: “o verdadeiro ‘I Love You, Honeybear’, mas sem o cinismo”.

Na mesma publicação mencionada no parágrafo anterior, John revelou que o trabalho foi escrito durante um período de 6 semanas, em que ele estava vivendo num hotel porque sua vida “explodiu”. “Acredito que a música serve essencialmente para tornar o que é doloroso e solitário menos doloroso e menos solitário. Em resumo, é um álbum sobre mágoa”, definiu.

“Hangout at the Gallows” dá as boas-vindas ao ouvinte com uma melodia tranquila e a bateria muito bem marcada e executada por ninguém menos que o próprio Father (que já havia comandado esse instrumento no período em que se apresentou com o Fleet Foxes).

“Mr. Tillman” foi o primeiro single divulgado ao público. A letra, assim como o clipe, reforça o fato de que as questões psicológicas são abordadas neste álbum de maneira nem sempre tão sutil, como podemos evidenciar quando ele declara “I’m feeling good, damn, I’m feeling so fine/I’m living on a cloud above an island in my mind” ao concierge do hotel no qual está se hospedando.

Na balada “Just Dumb Enough To Try”, o cantor se esforça para expressar seus sentimentos à sua esposa, a fotógrafa Emma Elizabeth Tillman, apesar de, segundo suas próprias palavras, ele não ter tanto conhecimento sobre o amor ou ela própria. O ritmo do disco muda em “Date Night”, onde as coisas ficam um pouco mais animadas e o piano e sintetizados entram em cena.

Em “Please Don’t Die”, o narrador finalmente admite que não está enfrentando a melhor fase de sua vida e, através de uma harmonia composta por acordeão, trompete e sinos de trenó, mais uma vez se declara à sua companheira. O refrão foi escrito a partir da perspectiva dela e tenta expressar o que vemos no clipe, onde ela aparece como um anjo para salvar o cantor.

O piano de “The Palace” dá um tom sombrio a faixa na qual Misty finalmente ‘cai em si’, após enfrentar todos os seus problemas, e decide sair do hotel onde está hospedado para retornar ao seu lar. “Disappointing Diamonds Are The Rarest of Them All” conta com a participação do músico Mark Ronson no baixo, misturado ao piano, sintetizador e trompete. Nesse estágio, o compositor se declara à sua esposa de uma forma um tanto quanto incomum ao dizer “Like an oil tanker tipped at sea / This love’s contaminated me / Like a constant twitching in my eye / This love of ours will never die”.

O plano de fundo da faixa-título começa na infância do artista, que foi criado em um ambiente bastante religioso, tendo inclusive considerado se tornar pastor. Segundo informações publicadas no Genius extraídas de um vídeo dele postado em 2017, esse plano foi abandonado no momento em que ele lembrou que não acredita em Deus. A canção conta com a participação de Natalie Mering, conhecida musicalmente como Weyes Blood, na segunda voz, além da adição de instrumentos como a gaita e um piano eletrônico.

“The Songwriter” é embalada por um piano enquanto John fala com sua musa sobre uma hipotética troca de papéis, na qual ele se torna o objeto de inspiração. “Would you undress me repeatedly in public / To show how very noble and naked you can be?”

“We’re Only People (And There’s Not Much Anyone Can do About That)” quase foi o título final de “God’s”, segundo a precedentemente citada Uncut, e mostra o final dessa viagem turbulenta. Ele reconhece e tenta se reaproximar de todas as pessoas com quem perdeu contato durante esse período.

O quarto disco de estúdio de Father John Misty revela um lado sentimental, sincero e humano da persona criada por Josh Tillman e mostra ao público o talento infinito desse artista.

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